quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Eleições - Dr. MADEIRA

Um final de semana atípico o ano passado, aconteceu por essas bandas. Culturalmente pelo menos, digo. No mesmo único final de semana (sábado), a cidade “acumulou” apresentações musicais e de entretenimento. Que eu me lembre, aconteceram shows: do Ney Mato Grosso (caríssimo), do Benegão e os Seletores de Frequência (free – na faixa – grátis – na praça – eu fui), do Matanza (caro), e por último, do Criolo Doido (caro - eu fui – e me arrependi). A... (ia me esquecendo) teve até show também das “Divãs do pornô” por aqui nesse dia: a Julia Paes (não fui, mas deu vontade) e da veterana Rita Cadillac (não fui, e acho que meu pai ficaria mais feliz em um show dela). Quanta coisa!
No show na praça, o sussegado Benegão, com muita responsabilidade, mandou seu ótimo som, apesar de alguns equipamentos não funcionarem, e apesar da chuva que deu no final. Foi um evento legal. Mas eu estou contando essa história, porque além da “sonzera” toda, uma outra coisa me chamou muito a atenção. Foi um grafite em uma tela, que estava exposto logo abaixo do palco, onde os artistas estavam se apresentando. Era um evento tentando promover a “cultura da rua”, digamos. Achei muito interessante e compartilho aqui uma foto que fiz dela, pelo meu celular. Infelizmente, não soube o nome do artista para dar os créditos aqui. Mas o parabenizo, por sua criatividade, e provocação, mediante o quadro político que se configura por aqui.

O preço da coragem (2007) – FILME

O que faz uma pessoa nascer nos EUA, morar em Los Angeles, estudar nas mais conceituadas universidades, trabalhar para um dos mais importantes jornais do mundo, ter família, amigos, etc., (como qualquer outra pessoa, pelo menos nesses últimos aspectos), e mesmo assim, se “enfiar” com sua bela esposa, numa das zonas de conflitos mais perigosas do mundo: a Caxemira, onde a Índia e o Paquistão se digladiam? Uma região pobre, miserável, e um dos principais abrigos para pessoas chamadas de “terroristas”?
Filmes assim muito me fascinam e inquietam. E levanto algumas questões que passam por minha cabeça. Seria a fama? Um jornalista arriscaria a vida, como por exemplo, Tim Lopes, no meio dos traficantes, para ter fama? Lógico que no caso dele não, pois a grande maioria das pessoas como eu, não o conheciam. Ele foi um repórter investigativo, então, nunca divulgava sua identidade. Seria o dinheiro? Mas o cara do filme já tinha uma vida “sossegada” pelo que me pareceu. Nascido nos EUA, inteligente, jornalista...
O filme “O preço da coragem” fala de uma história real, do jornalista Daniel Pearl, que morreu em 2007, sequestrado e depois decapitado no Paquistão. Mostra os dias que se sucederam, depois de seu sequestro, até o seu final fatídico. O filme foi baseado no livro da esposa de Daniel, Mariane Pearl, também jornalista, grávida de 06 meses, que o escreveu, como uma forma de falar um pouco ao filho, quem teria sido o seu pai. O papel dela foi interpretado por Angelina Jolie, com belos encaracolados cabelos pretos, caracterizando sua personagem, francesa, de origem cubana.
Daniel era o chefe da sucursal asiática, do The Wall Street Journal. Estava fazendo uma matéria sobre um suposto homem bomba. Saiu para o trabalho, dizendo a esposa que talvez chegasse atrasado para o jantar, e não mais voltou. O filme fala sobre questões atuais e nem tão atuais assim. Atuais: terrorismo, 11 de setembro, homem bomba, Guantánamo, jornalismo global. Nem tão atuais: miséria, miséria humana, conflitos religiosos, direitos humanos, dignidade, espionagem, diplomacia, diferenças e principalmente: coragem. Uma frase que a esposa disse, que me recordo, apelando para a TV, no decorrer do sequestro (pois existia um boato, de que Daniel seria um espião americano) muito forte: “onde existir miséria, existirá o terror”.
O mensagem que me passou o filme foi esse grande, descolamento que pode uma pessoa, fazer de sua “zona de conforto”. Sua coragem em ir para um lugar desses do mundo (falando assim, até parece que eu vivo na Europa...), para narrar fatos para um outro mundo, relacionados a coisas “obscuras”, como disputas petrolíferas, intolerância religiosa, genocídios, escravidão, ditaduras, tráfico de armas, política, entre outras, que estão acontecendo por aí (sem excluir nosso país). Quer dizer, existe muita “coisa errada” nesse mundo. Ele poderia sentar sua bunda em um escritório, cuidar de sua aposentadoria, e viver a vida tentando gozar o máximo possível. Optou por tentar fazer a diferença, e trabalhar por um sentido maior, acreditando que essa realidade ora pode ser muito cruel, e que podemos fazer alguma coisa. Como jornalista, foi trabalhar. Morreu.
Lembrei-me de um outro filme verídico, em que contava a história de um fotógrafo americano, senão me engano, que trabalhando fotografando as atrocidades de uma guerra recente no leste europeu, foi morto. Recentemente também, uma fotógrafa morreu, nesses conflitos que estão acontecendo no Oriente Médio...
Enfim, o filme mostra como existe “o mau no mundo” (que mata – que explora – que faz sofrer) em seu sentido amplo, abstrato, difuso, mas real. E como existe ainda pessoas que dão até a própria vida, para que alguma coisa melhore.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Povo inteligente. Povo Bonito." - Sérgio Vaz

Em fevereiro desse ano, fui a Brasília. Fui tentar buscar uma oportunidade de estudar. Por lá, andando de ônibus, uma cena me chamou muito atenção, até tirei uma foto com meu celular, tamanha minha surpresa. Em quase toda parada (digo no Plano Piloto), havia uma estante com livros. Na hora, essa cena me fez lembrar daquela "prática" chamada BookCrossing. Que é a pessoa pegar um tal livro, e deixá-lo em um local público, como em praças, parques, paradas, etc., com um aviso, pedindo para que a pessoa, se tiver interesse, que o levasse consigo, e depois de lê-lo, deixasse também no mesmo espaço ou em outro, para que outra pessoa possa fazer o mesmo que ele, e assim por diante. (Eu mesmo, nunca fiz isso, pois tenho um certo apego aos meus livros, mas vou fazer a partir de agora. E conheço pessoas também, que para emprestar um livro para um conhecido, é uma dureza...)
Mas em Brasília, fiquei muito impressionado, como disse, devido ver a quantidade de livros, das mais variadas qualidades (vi títulos muito interessantes), ali a disposição de qualquer um, de todos, e a estrutura em que estavam eles (eram estantes de ferro que ficavam fixas nas paradas, no cantinho geralmente).
Isso foi em fevereiro. E eu fiquei pensando nesse incrível iniciativa, que o governo do DF, havia tido.
Semanas depois, assistindo um programa a noite na TV Brasil, o: 3 a 1, surpreendentemente para mim, o entrevistado era o idealizador daquela iniciativa (caindo por terra minha impressão de que era o governo. “Santa ingenuidade” né?). O apresentador o apresentou como um “agitador cultural de Brasília”. E ele falou sobre alguns trechos de sua bonita história de vida. Imigrante nordestino, chegou em Brasília de “pau –de – arara”. Aos 15 anos aprendeu a ler, e aos 18 leu seu primeiro livro. Ressaltou que gosta de ler os clássicos, como Platão e Aristóteles. Numa frase linda que disse, citou Aristóteles: “o homem somente é realmente livre, quando percebe que não é maior, nem menor, do que nenhum outro homem.” E em vários outros momentos da entrevista, cita outros trechos com força, parecendo incorporadamente.
E a história ainda fica melhor. Há algum tempo, ele com muita “ralação”, comprou um açougue. Isso mesmo, ele é açougueiro de profissão até hoje também. E em seu estabelecimento, de carnes, começou também a oferecer livros para os seus clientes, e não apenas proteínas. Pelo que eu entendi, os livros ficavam dentro no açougue, e no próximo momento, ele os colocou na frente do açougue. Depois, os livros foram parar no ponto de ônibus, que fica próximo. E agora, 10 anos depois, a Unesco divulga mundialmente essa experiência, muito bem sucedida, relacionada a cultura e a educação de uma sociedade, para uma cidade. Parece que a partir desse “estopim”, surgiram outros projetos. Como um outro, em que em um dia do meio do ano, eles (com o pessoal dele) promovem um momento de “arte na rua”, onde entre outras atividades, um artista da música de renome nacional faz um show, em uma quadra comercial, na rua, no Centro do DF. Disse que mais de 20 mil pessoas participaram do último evento (já incluso no calendário anual cultural oficial de Brasília).
Voltando aos livros nos pontos de ônibus, ele disse que existem relatos de pessoas que passaram no vestibular, com a ajuda dos livros emprestados da “Biblioteca Popular de Cultura” (acho que esse é o nome do projeto) para se ter uma ideia. E ainda, que vê cada vez mais as pessoas cuidando daqueles livros, do seu manuseio, na entrega deles, dos locais onde ficam... Contou até o relato de uma amiga sua, que surpreendida por um mendigo na calçada de um bar, oferecendo uma pilha de livros, depois de comprá-los, por qualquer “mereca”, viu o carimbo do Açougue. Foi lá, e os deixou novamente em uma parada.
Nas palavras de uma amigo, depois de relatar a ele essa história: “coisas assim transformam o mundo”.

Na única foto que tirei (essa foi uma das últimas paradas que havia passado, e em outras, havia muito mais livros, e não estavam nesse estado de "desarrumação"....), reparei que o nome do açougue estava em uma folha colada na estante (Açougue CulturalT-Bone). Mas quando a tirei, nem reparei, achei que era propaganda... Ele se chama Luiz Amorim.
Lembrando disso tudo, eu me recordei de uma matéria que há muitos anos atrás assisti, de uma iniciativa ocorrida no Nordeste, onde burros, carregavam balaios de livros em seus lombos, de uma cidadezinha à outra. Passavam em uma cidade, recebiam cuidados de seus moradores, que depois de “beberem” dos livros que eles traziam e/ou levavam, e eles (os burros) também materem sua sede e se alimentarem, rumavam os mesmos na estrada para a próxima cidade. Uma foto também dessa outra magnífica ideia.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Faça o que eu falo, não faça o que eu faço.

Há tempos venho querendo escrever sobre uma coisa que ainda lateja na minha cabeça, apesar do tempo. Mais de dois anos.
O que me fez escrever foi um artigo que li na folha, do interessante, e “na moda” - Luiz Felipe Pondé. Esse Pondé, que ainda não li nenhum de seus livros, está a todo o momento na mídia, como na Globo e Veja. É um filósofo que vem dando entrevistas. Ele fala sobre os “jantares intelectuais”, onde as pessoas não conseguem digerir o ensopado que são suas próprias vidas. Vi ele também no Roda Viva. Ele faz uma crítica forte, contundente e criativa, desse esquerdismo existente em nosso país. Acho isso muito bom. Ele escreveu sobre suas percepções na Rio +20. Em um trecho, comenta sobre a hipocrisia, dos intelectuais “verdes”, que pregam ideais como a solidariedade, a fraternidade, porém, contraditoriamente, fazem parte de violentos e desonestos ambientes de trabalho. E eu fico imaginando outra questão também: esses ambientalistas, com certeza, fazem umas 20 viagens por mês, sempre participando de conferências (achando que são imprescindíveis sempre), palestras, etc e tal. Será que não sabem quanto é nocivo para o ambiente, o combustível usado em aviões? Que lógica é essa? Enfim...
Ele me fez lembrar a palestra que assisti do Gastão Wagner, uma das mais importantes da minha vida...
Gastão é um médico, sanitarista, da saúde coletiva se preferir, que influenciou com suas ideias, a maneira como a saúde pública vem sendo implantada atualmente. Em suas palavras, muito me impressionou, não apenas o seu conhecimento, mas principalmente, a forma como deu “tapas com luvas de pelica” na cara das pessoas que se faziam presentes no recinto (hábito de pessoas muito inteligentes). Entre os presentes, alguns secretários de saúde e outros gestores. Ele abordou os temas centrais, discutidos em saúde atualmente.
Um de seus comentários “mexeu” na relação dos gestores ( na maioria de médicos mesmo - só a título de esclarecimento) com a classe médica. Levantou um ponto, relacionado as reformas na saúde mediante as atribuições dos gestores (o tema da palestra era “co-gestão, ou gestão compartilhada”): é a política do “doa a quem doer”. E sabemos que a classe médica, é uma, que ninguém gosta de provocar. Argumentou, falando de uma grande quantidade de médicos estrangeiros (africanos, asiáticos) existentes na Atenção Primária da Inglaterra. Que quando começaram as reformas por lá, os médicos ingleses “torceram o nariz”, e partiram para outros países, abrindo vagas para médicos de outras nacionalidades. Ou seja, reformas geram conflitos, e tensões, e é necessário compromisso administrativo para executá-las, como estão no papel. E o que vemos, é que existe uma “flexibilidade” (para não dizer outras coisas) com a classe médica...
Mas o mais interessante mesmo, foi quando falou sobre seus colegas de trabalho, que trabalham no Departamento de Medicina da Unicamp. Criticou seus próprios pares (e isso é quase inédito), questionando: que tipo de “compromisso com a saúde” tinham, colocando professores substitutos em seus lugares em sala de aula por exemplo, enquanto percorriam o mundo, dando consultorias, enriquecendo...
Esse tipo de comentário, de crítica, autocrítica, me impressiona muito. No caso acima, como essas pessoas vão a determinados lugares, falarem de Humanização, de Controle Social, Determinantes Sociais em Saúde, tendo um estilo tão ganancioso e agressivo de vida? Soa como um disparate. Fora o compromisso com a formação dos alunos.... etc.
É sempre complicado vivermos esse equilíbrio, entre o que eu falo com o que eu faço... E do que adianta as questões “macro”, sendo que o meu “micro” é contraditório. Interessante aquela famosa frase de Gandhi: “devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O que fazer com a morte? Morrer...

Uma vez um professor psiquiatra disse que no hospital em que trabalhou, o pessoal o confundia com um padre. Que ele era chamado muitas vezes para situações, envolvendo a morte eminente de pessoas, e que pelo que entendi, nada mais poderia ser feito, nem mesmo para um psiquiatra.
Uma das poucas coisas interessantes, que o “sabe-tudo” Dr. Dráuzio Varella disse na minha opinião, foi com relação à morte. Ele trabalhou muito tempo com oncologia. Disse que uma das coisas que mais o impressionavam nos pacientes chamados de terminais, e que foi um grande aprendizado também para ele, era perceber na maioria das pessoas prestes a morrer, uma certa “tranquilidade” (não foi essa a palavra que ele usou), um certo “distanciamento” dessas pessoas, no olhar, diante outras pessoas, os familiares, diante a vida. E eu já vi essa característica também em algumas pessoas que visitamos em nosso cotidiano de trabalho. É como se essa pessoa já quase não fizesse parte desse mundo mais...
Quando vemos pessoas jovens, é sempre mais complicado.
Esses dias em uma conversa com minha mãe, lembrando os mortos de nossa família, ela me relatou dois episódios: a morte de seu pai, e a morte de seu tio. Ela disse que seu tio, segundos antes de seu suspiro final, viu ele segurar e apertar forte a mão de sua esposa. Aquela imagem marcou muito ela. Depois me contou sobre meu avô. Contou, já me recomendando, que se vivenciasse uma situação parecida com a dele, que nós, filhos, fizéssemos o mesmo que ela havia feito.
Ela disse que meu avó, entubado no hospital, sentia fortes dores. Que ela conseguia ver aflita, um grande sofrimento dele, através até da máscara de oxigênio, canos e etc. Depois, contou sobre como uma “santa” (ela quase sempre adjetiva assim os médicos) médica receitou para ele um remédio muito forte, para a dor. E que ele não sentiu mais nada, até seu fim... Ela relatou uma noite, em que estava dormindo no quarto com meu avó, e que ele começou a sentir muitas dores, e ficar agitado. Disse que foi atrás da enfermeira, e pediu que a mesma lhe aplicasse o remédio que a doutora havia receitado. Contou que no primeiro momento, a enfermeira relutou, dizendo que era um remédio muito forte, que encurtava a vida das pessoas, e portanto, era complicado sua administração. Mas mediante a afirmativa de uma outra colega, dizendo que a médica havia mesmo receitado o medicamento, a enfermeira aplicou, e meu avó dormiu.
Depois, eu e minha mãe ficamos discutindo sobre qual seria a melhor forma de partir... Ela disse que não gostaria de sentir dor alguma, como acontecera com meu avô. Disse que se ficasse naquela situação, que até encontrássemos a médica, para que ela lhe cuidasse.
Eu fui contra. Disse que é claro que ninguém mesmo quer sentir dor, porém, a pessoa com aquele tipo de medicação forte, também não vê nada o que está acontecendo, ou do que lhe resta ainda para acontecer. E que isso era muito complicado, pois a pessoa, pode fazer coisas, como por exemplo, apertar a mão da esposa, antes de partir. Coisa que não faria se estivesse sedado. E outra, o que seria a dor, nos momentos finais?
Enfim, esses dias, em conversa com colegas, chegamos a conclusão, que o ideal mesmo, era que a pessoa pudesse ter essa escolha, de ser sedado, ou não. Mas existem casos em que não podemos obter essa resposta da pessoa.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

BRASIL CARINHOSO, REDE AMAMENTA BRASIL, REDE CEGONHA, ESTRATÉGIA BRASILEIRINHOS E BRASILEIRINHAS ETC...

Tivemos uma conversa com uma mulher que trabalha a política das crianças na área da saúde. Sempre me impressiona a quantidade de siglas, programas, projetos, na área das políticas públicas que tratam a meu ver, da mesma coisa. Acima, as siglas relacionadas à criançada (ao “futuro do Brasil”, desde á época da minha de avó!). De novidade, a ação ” Brasil Carinhoso”, que está destinando dinheiro para as famílias vivendo em situação de extrema pobreza, com filhos de 0 a 6 anos, para que atinjam o mínimo de renda de pelo menos 70 reais por pessoa da família. Outro benefício que foi citado, é relativo à questão das condicionalidades de outro programa, relacionado a amamentação. Ou seja, se a mãe amamentar, receberá um dinheiro também.
Interessante comentário que surgiu na conversa: o Ministério da Saúde está modificando sua maneira de trabalhar. Antes, eles mandavam as diretrizes das políticas, dos projetos, de “maneira fechada”, “pronta”. E agora tudo está se modificando constantemente, em construção. O formato agora é lançarem um programa, por exemplo, e depois, mandarem um consultor, para junto com o setor de saúde do estado e municípios, trabalharem mediante as realidades locais.
Por fim, a conversa terminou com um esboço de um encontro intersetorial. Várias “instituições sociais” que atuam nessa área da criançada. Querendo esquentar a efetiva articulação da rede, para que não exista apenas os “encaminhamentos aos...” E se divida a responsabilidade. Lembrei da música do Chico: “a parte que te cabe nesse latifúndio” (ironicamente). Outra informação que foi discutida, foi sobre o papel da escola na questão das violências sofridas pelas crianças. Muitas vezes, a escola notifica, e essas notificações vão parar no conselho tutelar. E foi dito que o conselho tutelar, difícil, é ter pernas para tanto trabalho. Dessa maneira, pede-se para que as escolas, também façam um primeiro “acolhimento” dessas crianças, pois muitas desses problemas, poderiam serem resolvidos nela mesmo. Diminuindo assim um pouco da demanda que aparece nos conselhos. É de se pensar.
No Rio, no Congresso da Rede Unida, foi interessante ver uma mulher falar, que trabalhava em um setor na prefeitura, que cuidava exatamente da articulação das várias áreas de assistência. Ela apresentou um trabalho bastante legal, em que “construía pontes” entre a área da saúde, educação, meio ambiente, ass. Social. Esse era o trabalho dela. Acho que o estado está tão estado, que nem está mais fazendo sentido, digamos. Assim, necessita de pessoas, para “desenrolarem” essas políticas.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

GRUPOS, GRUPOS, e MAIS GRUPOS

Uma vez eu ouvi um professor de saúde pública falar sobre seus alunos: “peço a eles darem sugestões de ações para acontecerem nas UBS´s.... É uma enxurrada de ideias de grupos aparece. É grupo de tudo e qualquer tipo.” Não é necessariamente inovação em saúde, apenas a formação de grupos, na minha opinião.
E outra, outras atividades, que também envolvam o cuidado, o vínculo, devem perfazer as atividades dos profissionais de saúde, em seu cotidiano, independente da existência de grupos, ou não. Mas também acho bastante interessante o trabalho com grupos em saúde.
É complicado essa questão dos grupos. Na Psicologia, existe uma área muito forte que se debruça sobre esse fenômeno. Todos nós participamos de algum grupo: família, trabalho, amigos, etc e tal. Existe a diferença entre o chamado Grupo Operativo, e o Grupo Terapêutico. Por grupo operativo, sei que é algo mais dirigido, definido e limitado. Porém, também com objetivos “terapêuticos” evidentemente. Divagando, é interessante como esses conceitos se diferem entre si, na perspectiva da dicotomia: abrangência - restrição, do mais amplo, para o mais contido. Outros exemplos de conceitos assim na área da saúde: programa – projeto, ou programa – estratégia.
Enfim, existe esse desafio, na questão do fomento dos grupos nas unidades de saúde. E uma “população” ainda mais “complicada”, no sentido da complexidade, são os hipertensos classificados como “leves”. São aquelas pessoas que estão em fase inicial da “doença” (será que é uma doença mesmo?) hipertensão. Pessoas de meia idade geralmente, e que como até os casos mais graves de hipertensão, pode se desenvolver silenciosa no organismo, ou seja, aquela hipertensão arterial, que não apresenta sinais e sintomas, como dores na cabeça, formigamentos, tontura, entre outros.
Outras características que podemos associar a essas pessoas, e que pensamos ser ainda mais complicado na formação desses grupos, é que geralmente essas pessoas são trabalhadoras, ou seja, no momento em que acontecem esses grupos, elas estão em horário do trabalho. E nós? Como pessoas, será que sairíamos de nossas casas para participarmos de grupos no meio de uma tarde de uma unidade de saúde?
E também outra questão central, por detrás desses grupos, é a metodologia a se utilizar no trato com os grupo. Ainda é muito forte na prática, acontecerem com frequência nas unidades de saúde, as “palestrinhas”. Esse tipo de postura vai totalmente contrário ao que o mestre Paulo Freire nos ensina. Mas porque é tão complicado a implementação de metodologias problematizadoras? Por que nós profissionais de saúde, não queremos utilizá-las?
A força de um grupo reside exatamente nas pessoas que participam dele. Orientações e informações sobre alimentação saudável, ou práticas de exercícios por exemplo, as pessoas, estão quase que cansadas de saberem sobre, penso eu. Essa coisa de ficar “depositando” informações, ou aquele profissional de saúde que faz “pregação” quando vai falar para as pessoas, deve ser superado. E também que “qualidade” tem essas informações?
E aí, aparece outra questão. Pois na maioria dos casos, um discurso comum que geralmente perfaz as conversas sobre grupos entre profissionais de saúde, é que esse problema de adesão, participação, e efetividade dos grupos, seria um trabalho quase que exclusivo da área da Psicologia. Relacionam esse trabalho com temas da Psicologia, como o de mudança de comportamento. Esse tipo de correlação, para mim, também resvala na arraigada visão determinista, onde almeja-se a mudança apenas no âmbito individual, do comportamento da pessoa. Escutei até um comentário, que é um trabalho assim, deve ser de persuasão, de motivação, mediante as pessoas que participariam dos grupos.