quinta-feira, 14 de março de 2013

VOCÊ ABUSOU

Você abusou


(Antonio Carlos e Jocafi)

Você abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou

Mas não faz mal, é tão normal ter desamor
É tão cafona, sofredor que eu já nem sei
Se é meninice ou cafonice o meu amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração como expressão
Você abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou

Que me perdoem se eu insisto neste tema
Mas não sei fazer poema ou canção
Que fale de outra coisa que não seja o amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração como expressão
Você abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou

Mas não faz mal, é tão normal ter desamor
É tão cafona, sofredor que eu já nem sei
Se é meninice ou cafonice o meu amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração como expressão
Você abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou

Sei que RELIGIÃO, POLÍTICA e FUTEBOL não se DISCUTE, mas...

Dando continuidade a minha “rebeldia sem causa”, “adolescência que não passa” ou mesmo “filosofia de buteco”, ou mesmo “manifesto de jardim de infância”, ou mesmo “protesto de Orkut” (ainda não tenho FACE), queria ressaltar um aspecto que achei valioso, nessa tão maçante novela PAPAL.

Primeiramente, ufá, acabou... Estava ficando muito agoniado. A fumacinha branca saiu da “chaminezinha”, e a vida voltou ao normal. Não sou religioso e desculpe-me os que são, mas estava achando tudo muito chato nessa história de CONCLAVE. Para mim não fazia nenhum sentido. Ficava pensando que existiam muito mais coisas relacionadas a religião, até mesmo ao catolicismo que poderia estar sendo discutido no espaço que a mídia abriu. Mas não, era só Conclave, forno, Cardel não sei de onde... E não me AFECTAVA em nada as horas e horas de informações e histórias que nos chegavam do Vaticano. A não ser agora por um aspecto, que quero relatar aqui.

Está sendo contado, pelos levantamentos que estão fazendo da vida do NOVO Papa, Francisco I, alguns aspectos muito interessantes. Primeiramente, já pelo nome que ele escolheu nos traz a memória, uma linda história de vida, independente de religião, que foi a história de Francisco de Assis. (Um dia ainda conheço a cidade de ASSIS na Itália, que dizem ser uma das regiões mais lindas do mundo.)

Francisco de Assis foi um homem que “mudou os rumos da igreja”, deixando “de lado” os dois poderes mais instituído da época dele (e por que não DIZER dos dias atuais também): o da própria igreja (o clero), e o dos políticos (os reis), partindo de vez de sua casa pequeno-burguesa, para seguir uma vida “santa”, de caridade, junto principalmente a natureza. Extraindo da natureza a sabedoria que nos é tão preciosa – única – que é a própria perfeição –DEUS.

 

Sei que alguns estão falando que esse PAPA foi conivente com a ditadura na Argentina - que não foi menos violenta que em outros países da América Latina. Mas...

Mas o aspecto que fiquei sabendo na vida desse novo Papa, que muito me impressionou, está relacionado com a sua opção, em seguir uma vida de SIMPLICIDADE. Escutei um repórter dizer que ele anda de ÔNIBUS, cozinha suas próprias refeições, e vive em uma CASA pequena. Ou seja, ele, sendo CARDEAL principal da Igreja Católica da Argentina (o CHEFE), e a Igreja sendo a mais antiga instituição DO MUNDO, com muitos bens, RIQUEZA, poderia ter múltiplos privilégios, como Mansões, EMPREGADOS/criados (até para limpar seu espirro SE DUVIDAR), “Chofer” (nem sei como se escreve isso). E ao invés disso tudo, preferiu uma vida mais “humana”, mais parecida com a vida de quem o escuta, com a vida da maioria da população, com a vida de quem senta e fica desconfortável no banco da igreja onde ele fazia sua HOMILIA, pensando nas contas atrasadas para pagar. Talvez sentindo na CARNE como é que é a vida de verdade.

Lembrei-ME do PRESIDENTE do Uruguai, mas conhecido como MOJICA. Esses tempos passou na TV algumas reportagens de como é a vida dele. Ele, sendo a principal pessoa desse país, vive em uma chácara simples, em companhia da esposa e dos cachorros. Abdicando também de vários privilégios, residências presidenciais, criados, propinas, etc e tal. Ele até doa boa parte do seu salário. Seu patrimônio se resume a aquela pequena propriedade de terra, um trator velho, e um FUSQUETA 87.

Lembrei também de uma notícia que eu li, retratando que o prefeito de Londres, Boris Johnson, tendo ele criado várias leis voltadas para a utilização de meios de transportes ALTERNATIVOS, desde o começo de seu mandato, adota a bicicleta como seu meio de transporte PRINCIPAL. A matéria dizia que era comum a presença DELE com sua bicicleta no centro de Londres, indo e vindo de seu GABINETE, sempre com sua “magrela”. (Aqui ciclista AMPUTA o braço “dando um rolé por aí”).

 
Ou seja, como Gandhi, ou Dalai Lama (não me lembro bem ao certo) já afirmou muitas vezes: “Sejamos o EXEMPLO/DIFERENÇA que queremos para/no mundo”. Para mim é muito impressionante perceber como pessoas tão PODEROSAS, podem também ter/fazer outras ESCOLHAS. Talvez mais COERENTES.

Pois o que geralmente ocorre, principalmente quando falamos de nossos “REFERÊNCIAIS,” é encontramos, no mínimo, a OPULÊNCIA, a OSTENTAÇÃO, a VIDA BOA, FÁCIL.

Antagonicamente, como o próprio Papa que saiu, o BENTO. Ele foi curtir sua “APOSENTADORIA”, na região onde os IMPERADORES ROMANOS erguiam em tempos antigos, suas moradas de férias. Tamanha é a “sofisticação” do lugar. Acho que o lugar chama-se CASTEL Gandolfo.

 

Outro exemplo mais CASEIRO, falando em aposentadoria, é daquele Ricardo Teixeira, que por muito tempo “mamou” na CBF, e só LARGOU mesmo, depois de ser julgado culpado por corrupção no nosso querido FUTEBOL. Hoje ele vive em MIAMI, nas margens de um belo rio, onde fica estacionado seu IATE de mais de mil PÉS.

Quem dera se tivéssemos uma aposentadoria assim. Para nós, no máximo, se tivermos muita sorte, restará um banquinho na fila de espera do INSS.

terça-feira, 12 de março de 2013

NÃO É SÉRIO

Não É Sério

 
 

Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério

Sempre quis falar
Nunca tive chance
Tudo que eu queria
Estava fora do meu alcance
Sim, já
Já faz um tempo
Mas eu gosto de lembrar
Cada um, cada um
Cada lugar, um lugar
Eu sei como é difícil
Eu sei como é difícil acreditar
Mas essa porra um dia vai mudar
Se não mudar, pra onde vou
Não cansado de tentar de novo
Passa a bola, eu jogo o jogo

Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério

A polícia diz que já causei muito distúrbio
O repórter quer saber porque eu me drogo
O que é que eu uso
Eu também senti a dor
E disso tudo eu fiz a rima
Agora tô por conta
Pode crer que eu tô no clima
Eu tô no clima.... segue a rima

Revolução na sua mente você pode você faz
Quem sabe mesmo é quem sabe mais
Revolução na sua vida você pode você faz
Quem sabe mesmo é quem sabe mais
Revolução na sua mente você pode você faz
Quem sabe mesmo é quem sabe mais
Também sou rimador, também sou da banca
Aperta um do forte que fica tudo a pampa

Eu to no clima! Eu to no clima ! Eu to no clima
Segue a Rima!

Sempre quis falar
Nunca tive chance
Tudo que eu queria
Estava fora do meu alcance
Sim, já
Já faz um tempo
Mas eu gosto de lembrar
Cada um, cada um
Cada lugar, um lugar
Eu sei como é difícil
Eu sei como é difícil acreditar
Mas essa porra um dia vai mudar
Se não mudar, pra onde vou
Não cansado de tentar de novo
Passa a bola, eu jogo o jogo

Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério

A polícia diz que já causei muito distúrbio
O repórter quer saber porque eu me drogo
O que é que eu uso
Eu também senti a dor
E disso tudo eu fiz a rima
Agora tô por conta
Pode crer que eu tô no clima
Eu tô no clima... segue a rima

Revolução na sua mente você pode você faz
Quem sabe mesmo é quem sabe mais
Revolução na sua vida você pode você faz
Quem sabe mesmo é quem sabe mais
Revolução na sua mente você pode você faz
Quem sabe mesmo é quem sabe mais
Revolução na sua mente você pode você faz
Quem sabe mesmo é quem sabe mais

Eu to no clima

"O que eu consigo ver é só um terço do problema
É o Sistema que tem que mudar
Não se pode parar de lutar
Senão não muda
A Juventude tem que estar a fim
Tem que se unir
O abuso do trabalho infantil, a ignorância
Só faz destruir a esperança
Na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
Deixa ele viver! É o que liga"

DROGAS E ESCOLA

Essa semana “as pressas” fomos convidados por uma escola municipal, a fazermos um trabalho com os alunos. Aleatoriamente, acredito, a direção da escola pediu que trabalhássemos com o tema das DROGAS.

Era uma sala do 9º ano, lotada, abafada e calorenta. Cheia de adolescentes educados, bonitos e inteligentes, de 12, 13 e 14 anos.

O meu colega farmacêutico, primeiramente, fez uma apresentação onde mostrou um “cardápio” das drogas, tanto lícitas, como ilícitas. Ressaltou os tipos, os danos, e as peculiaridades de uns 6 tipos de drogas. Depois falou rapidamente sobre o tratamento.

Findado esse momento, comecei a falar, sugerindo que realizássemos uma RODA, apenas com as cadeiras.

Como mote inicial, com todo respeito que o tema exige, começamos a conversa sobre a recente morte do líder do Charlie Brown Júnior, o Chorão. Coloquei que segundo a mídia, tudo indicava que ele teria tido uma OVERDOSE de cocaína.

O primeiro comentário que surgiu foi: “tem gente aqui na escola falando dele, chorando, e nem conhecia ele.”

Depois, coloquei: “como uma pessoa com tanto prestígio, talento, família, fama, dinheiro, faz uso de drogas a ponto de até morrer? Porque ele fazia uso? Que tipo de explicação poderíamos dar?”

“POR INFLUÊNCIA DOS AMIGOS” – foi o primeiro comentário.

O pessoal começou a discutir que os amigos poderiam fazer com que as pessoas começassem a fazer uso de drogas. Uns concordaram, outros não. Uma menina disse que muitas vezes se você não faz alguma coisa que todo mundo faz, você é discriminada. Eu disse que na minha época entendíamos que essa pessoa era a  “Maria” ou “João” vai com outros”... Um menino que se chamava João ralhou comigo. Uma outra menina disse que não era assim não, que não é por que outra pessoa faz,  que ela tem/vai fazer, ressaltando sua firme opinião.

“ELE SE SENTIA SOZINHO” “DEPRESSÃO”

Começamos a conversar que por mais que uma pessoa esteja entre muitas outras pessoas, como em uma sala de aula cheia de alunos como aquela, ela pode se sentir sozinha. Uma menina disse que passava as tardes inteiras em casa, sozinha. Depois, começamos a falar sobre o que pode levar uma pessoa a se sentir isolada, sozinha, e surgiu o tema do BUYLLING. Uma menina meio em tom de brincadeira, disse que era o que mais tinha ali, e apontou o dedo para uma colega ao lado, dizendo que essa colega ficava provocando ela. Depois o papo rumou para a INTERNET, pois parece que cada vez mais, temos “amigos virtuais”, e menos amigos “reais”. Conversamos sobre a questão da FAMÍLIA, e que muitas vezes a conversa dentro de casa, fica abafada e/ou inaudível, pelo som da TV.

Concordamos que o uso de drogas no caso do Chorão, era difícil de se dar uma explicação para essa morte/tragédia. E que algumas hipóteses foram discutidas.

Depois, algumas perguntas foram surgindo:

“Qual é a droga mais difícil de se largar?”

Não sei, pois vai de pessoa para a pessoa, organismo, cabeça, de cada um. Mas o que geralmente vemos, é que existem muitas pessoas que conseguem parar de fumar. E existem menos pessoas que conseguem largar de beber bebida alcóolica. E pouquíssimas que conseguem parar de fumar CRACK.

“É verdade que VODKA faz menos mal que cerveja?” “Nossa, eu já fiquei muito loca de Vodka”, outra completou.

Não, pois o teor alcóolico da Vodka é muito maior que o da cerveja. O que acontece as vezes, é que a Vodka, geralmente é ingerida misturada a sucos, refrigerantes, o que faz ser mais “agradável” ao paladar. Mas é tão quando prejudicial a saúde, sua ingestão em excesso, que a cerveja.

“O que é cirrose?”

É uma doença no fígado, que é um importante órgão do nosso corpo, responsável por “filtrar” nosso sangue, e suas impurezas.

“Meu pai sempre me pede para buscar cerveja para ele no bar.”

Por lei, é proibido a venda de qualquer bebida alcoólica para menores de 18 anos. Seu pai e o dono do bar, se forem pegos pela polícia, podem ser processados e presos. Também, nós sabemos que no Brasil, existe uma “cultura”, em que o adolescente, muitas vezes experimenta seu primeiro gole de cerveja, oferecido por familiares como os próprios pais, e dentro da própria casa. E que o uso de bebida alcóolica e outras drogas na adolescência, como já foi citado, pode interferir no desenvolvimento do adolescente, em seu cérebro.

Depois de uns 40 minutos de conversa, já com quase todos os alunos fora da sala, no recreio, uma adolescente chegou até mim e perguntou sobre o tratamento que meu colega havia citado no final de sua apresentação. Perguntei para que tipo de droga. A menina respondeu: cigarro, álcool, crack e outras. Ela disse que era seu pai, que ele era “viciado”. Ela disse que as vezes vê o pai, e que ele mora com um irmão, que também é “viciado” na casa da avó. Disse que na casa da avó não tem mais nada, pois o pai já levou tudo para vender e trocar por drogas. E que ele morava no bairro mesmo, “andando por aí.”

Conversamos sobre a possibilidade de a menina convidar o pai a ir conversar conosco na unidade de saúde do bairro, para que orientássemos melhor ele, e também ela. Ela disse que iria tentar levá-lo, pois iria vê-lo esse dia.

ADMIRÁVEL GADO NOVO

Melhoras ZÉ, em sua recuperação pós-cirúrgica...
 
Admirável Gado Novo
 
 


Oooooooooh! Oooi!

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber...
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal...
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Oooooooooh! Oh! Oh!

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela...
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar

Não voam nem se pode flutuar
Não voam nem se pode flutuar...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Ooooooooooooooooh!

ADMIRÁVEL CHIP NOVO

Admirável Chip Novo




Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação

Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação

Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)

Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema.

ADMIRÁVEL MEDICAMENTO NOVO

Recentemente esteve aqui na cidade, uma importante médica pediatra, para proferir uma palestra em um evento promovido pelo Conselho Regional de Psicologia. Esse evento teve como temática: “a medicalização da vida”, principalmente voltada às nossas crianças (as medicações).

Essa pediatra chama-se Maria Aparecida Affonso Moysés. Sempre presto muito atenção ao que essa especialista fala, principalmente depois que há uns anos atrás, em um programa do Globo News, ela explicou com surpreendente clareza, como está sendo abusivo o uso de medicamentos psicotrópicos prescritos para as crianças, principalmente àquelas diagnosticadas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade – TDAH.

(Em uma postagem passada, está essa entrevista da médica com o título: RITALINA FEAT RITA LEE).

Eu não fui a esse evento aqui. Mas essa médica concedeu uma outra entrevista a um jornal local (abaixo a entrevista na íntegra).

Na entrevista, a médica cita um relatório elaborado pela ANVISA, que mostra um estudo farmacoepidemiológico, mediante o uso nacional do medicamento que geralmente se aplica ao tratamento do TDAH. O estudo demonstrou o aumento exorbitante que essa medicação vem tendo num curto período de tempo (enriquecendo ainda mais, os já trilhardários laboratórios farmacêuticos).

O medicamento chama-se Metilfenidato, e o seu nome comercial é Ritalina ou Concerta.

CONCERTA?                                                            Deixa pra lá...

Para se ter uma ideia de como pode ser danoso o uso dessa medicação, a médica diz que a sua atuação no cérebro de quem faz seu uso, é o mesmo que o da droga ilícita chamada COCAÍNA. E que estudos já estão demonstrando uma correlação entre o uso da Ritalina na infância e/ou adolescência, e o uso da cocaína quando adulto. A pessoa adulta talvez, sentiria muita falta de algo quando adulto, sem Ritalina, e a cocaína seria o “suprimento ideal”.

Sei que o uso de Ritalina como psicoestimulante, é feito por alguns alunos de universidades, que usam no sentido de sentirem mais “ativos e dispostos”.

Enfim, é uma droga “violenta”, e o aumento abusivo do uso dessa medicação reflete, no mínimo, a falta de sensatez de profissionais de saúde e políticas de saúde, centradas apenas em aspectos “neuro-psiquiátricos”. Deixando de lado outros importantes aspectos como: desestrutura familiar, sistema de ensino “frustrante”, precária estimulação afetivo-cognitiva, cultura, valores, etc. Todos esses fatores pode muito bem influenciar um comportamento infantil, deixando a criança inquieta, ou mesmo indisciplinada, por exemplo.

Essa medicação tem o “apelido” de “droga da obediência”. Lembrei até de uma campanha que o Conselho de Psicologia Federal entonou o ano passado, que tinha um mote mais ou menos assim: se seu filho esta fazendo “bagunça”, “traquinagem”, fique tranquila mãe, pai, ele apenas está sendo criança.


Uma conversa que eu me lembro de ter tido uma vez, foi com uma mãe às 11 horas da noite. Ela me disse que havia procurado o posto de emergência, pois estava muito preocupada com o filho, de 11 anos. Disse que de uns tempos para cá, vem tendo muitos atritos com o marido (ex), e ele havia saído de casa, estavam separados. Disse que percebeu que o filho vem ficando abatido com toda essa situação, e que gostaria que ele recebesse uma medicação para dormir, pois ele não estava conseguindo. Completou dizendo que ele geralmente dormia cedo, no máximo ia para cama às 8 horas da noite, e agora, 11 horas, o menino ainda deveria estar acordado na casa deles.

Eu perguntei se com o pai em casa, o menino estava indo dormir às 8 horas, como de costume. Ela disse que sim. Que até o momento em que o pai esteve em casa, sim. Então perguntei desde quando o pai havia saído de casa? Ela me respondeu: “ele foi embora hoje”!

Então a conversa mudou para toda a dor que ela mãe-esposa, estava sentindo naquele momento. Mas era muito visível a lógica medicamentosa que a mãe estava querendo proporcionar para o filho. E claro, uma mãe sempre quer o melhor para o seu filho.

Assim, parece que cada vez mais, nossa sociedade está recorrendo ao uso de medicações psicotrópicas. E o uso em situações que estão muitas vezes relacionadas aos problemas que enfrentamos no cotidiano. Podemos pensar também talvez numa diminuição da nossa resiliência mediante esses problemas. Ou até mesmo num “aumento” de problemas correlacionados...

E é claro que todas as pessoas podem e devem recorrer a uma mediação para aliviarem seus sintomas, suas dores. Eu também faço isso. Mas isso fica “um pouco mais complicado”, quando falamos em problemas emocionais, psicológicos. (Muitos especialistas falam de TDHA apenas com viés neurológico, mas muitos também contestam a própria existência do TDHA).

(E interessante perceber também, como alguns – uma grande parte pelo menos- desenhos animados famosos que nossos filhos assistem e adoram, geralmente tem como protagonistas personagens que poderiam muito bem ser diagnosticados como hiperativos: como aquele dos Carros, Litlte Sticke, Pokoio... etc. Será que esses filmes poderiam influenciar no comportamentos de nossos pimpolhos?)


A equação - sintomas (insônia, tristeza, medo, angústia, agitação, etc.) + medicamentos psicotrópicos = normalidade (felicidade) é muito simplificada em minha opinião.

Temos sempre que pensarmos nos contextos onde as pessoas estão, influenciando diretamente em sua situação de saúde/doença mental.

Nesse assunto, sempre me lembro daquele livro que todo mundo lê na juventude: ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, do Huxley.


Para quem não se lembra, naquele mundo, o governo disponibilizava para todos os cidadãos uma droga que tinha o nome de SOMA (as pessoas deveriam ingeri-la diariamente). Essa droga dava uma grande sensação de bem-estar na população fazendo principalmente as pessoas não questionarem nada, tornado-se totalmente acríticas. Tudo ficava na mais absoluta “harmonia”.

Como se tudo estivesse obtusamente muito bom e perfeito na fictícia sociedade que o livro retratou.

Então é assim: psicotrópicos para todo mundo! (ouvi dizer que acharam esses tempos, vestígios do medicamento “fluoxetina” na água do rio que corta Londres, o Tâmisa, tamanho o seu uso pela população de lá. E acredito que facilmente encontraremos em nossos rios também, ainda mais com tanto esgoto sem nenhum tipo de tratamento, jogado diretamente nos rios).

Em conversa com um conhecido meu uma vez, ele disse: “se é para todo mundo usar um droga para se sentir “numa boa”, eu quero ter o direito de poder escolher uma diferente daquele comprada em farmácia...”.

 Entrevista

04/03/2013 14:23

Médica critica uso excessivo de medicamento para déficit de atenção em crianças e adolescentes

Mayara Sá

O consumo de medicamento para transtorno de déficit de atenção aumentou 75% entre crianças e adolescentes no Brasil. Em 2000 foram vendidas 70 mil caixas de metilfenidato, em 2009, 2milhões. O aumento coloca o Brasil como o segundo maior consumidor mundial do psicotrópico, perdendo apenas para os Estados Unidos. O uso do remédio causa controvérsias entre os médicos. A pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora da Unicamp (Universidade estadual de Campinas), é uma das vozes a questionar a existência de “uma doença neurológica que só altera comportamento e aprendizagem”. Em entrevista ao Midiamax, durante o evento “Medicalização na escola e a formação profissional do psicólogo”, realizado na semana passada em Campo Grande, ela explicou que os diagnósticos para o uso da droga estão errados e que é preciso estar atento ao comportamento das crianças, e não medicá-las indiscriminadamente.

Midiamax: Por que o uso do metilfenidato aumentou tanto no país?

Os médicos estão prescrevendo mais, isso não há dúvida. Em 2000 foram vendidas 70 mil caixas de medicamentos. Em 2010 foram dois milhões de caixas. O aumento é mais de 1,8 mil por cento, segundo dados do IDUM (Instituto de Defesa dos Usuários de Medicamentos), que é baseado em dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O fato é que os medicamentos estão sendo mais prescritos. E o estudo mostra que quem mais prescreve a medicação são os mesmos médicos.

Midiamax: O diagnóstico do déficit de atenção (TDAH) está mais preciso? Por isso, o aumento da venda do remédio?

Quem defende o uso da droga diz que é porque está se diagnosticando mais. De um modo melhor. Eu acho que não é isso. Não concordo com isso por alguns motivos. Primeiro porque você tem esse pico só neste campo da medicina. Só nessa área de uso de psicotrópico para crianças e adolescentes com problemas de comportamento e aprendizagem. Você não tem isso em nenhuma outra área da medicina. Esquisito imaginar que esse melhor atendimento por parte da saúde avance apenas em uma parte específica da psiquiatria. A outra questão é que o TDAH é uma doença muito controvertida. Isto é, não se nega que existem pessoas com esses comportamentos. Mas, a questão é: esse comportamento é um problema neurológico, neuropsiquiátrico? Isso não tem comprovação e não é aceito tranquilamente dentro da própria medicina.

Midiamax: Se a doença é controvertida, então o uso da medicação também é?

O uso deste medicamento é extremamente controvertido na medicina. E não é aceito tranquilamente. O uso de psicotrópicos em criança não é uma coisa tranquila. Ele é um derivado de anfetamina, tem o mesmo mecanismo de ação da anfetamina e da cocaína e todas as reações adversas dessas drogas e levam a dependência química. Quem toma corre o risco de drogadição – dependência de psicotrópicos – que é o mecanismo de dependência química.

Midiamax: Isso é muito preocupante?

Isso é tão preocupante que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) soltou um relatório [acesse o relatório aqui]. Ela nunca tinha soltado isso. Trabalho com questões ligadas a comportamento e aprendizagem desde o inicio da década de 80, e isso nunca aconteceu. Desde 2000 que está tendo esse crescimento absurdo é a primeira vez que sai o estudo.

Midiamax: Existem estudos que comprovem a eficácia do metilfenidato no tratamento de déficit de atenção?

Ao contrário de tudo que se diz, do que é difundido, para se saber como é a ação, se o remédio funciona ou não é preciso fazer pesquisas de meta-analise. Que é pesquisar em cima de tudo aquilo que já foi publicado sobre o assunto. Alguns centros são especializados nesse tipo de pesquisa. Um muito importante no mundo é o da Universidade de Toronto, no Canadá. Eles levantaram tudo que foi publicado desde 1980 a 2010 em tratamento de TDAH. É a única pesquisa de meta-analise feita. E dos “10 mil trabalhos feitos sobre o uso do medicamento” apenas uma dúzia foi comprovado ter rigor cientifico para ser pesquisado. E desses, ele observaram que a orientação familiar tem alta evidência de bons resultados. Só o medicamento baixíssima evidência de resultados. Orientação mais medicamento, evidência média.

Midiamax: Isso quer dizer que a orientação familiar é muito mais importante do que o uso de medicação?

A conclusão é que a orientação familiar funciona muito bem. Eles observaram ainda que o medicamento muda o comportamento da criança. Ela fica mais parada, mais quieta. O que não significa que você está resolvendo o problema. Ela está parada. Está controlada. Por isso é chamada de droga da obediência. E não sou eu quem usa esse nome, ela é chamada assim. Ela fica parada, mas o rendimento escolar não melhora.

Midiamax: Então a senhora é contra o uso do metilfenidato?

Sou completamente contra o uso deste medicamento. Não sou a favor do uso de nenhum tipo de droga porque não é comprovado que o TDAH é uma doença.

Midiamax: Isso quer dizer que crianças agitadas não necessariamente sofram de déficit de atenção?

Tem crianças que tem um comportamento diferente? Tem. Mas, o que é isso? Tem uma quantidade de problemas que podem levar a isso. Não é uma coisa. Geralmente, o comportamento é uma manifestação, é um sintoma de que algo não vai bem. Ele não é a doença em si, é a manifestação. E geralmente é algo que indica que essa criança está vivenciando um conflito – um sofrimento. Então eu preciso saber o que está acontecendo com ela para poder ajudar.

Midiamax: Quando se fala em orientação familiar quer dizer que os pais não souberam orientar?

Quanto se fala em orientação familiar não quer dizer que a culpa é dos pais. É orientar os pais para como lidar com as crianças que tem esse comportamento. Se você tem um profissional que está disponível e preocupado em descobrir isso e não dar um ‘diagnóstico’ você consegue. Pode até não ser um médico. Muitas vezes, os próprios pais percebem. O que precisa é desconfiar que algo não está bem com essa criança, ela pode estar pedindo socorro.

Midiamax: O ‘diagnóstico’ se deve a uma ânsia de resolvermos tudo com rapidez?

Também, as pessoas querem resolver tudo muito rapidamente. E os pais estão convencidos que estão fazendo o melhor para seu filho. Eles estão recebendo esse bombardeamento, da mídia mesmo. Você tem uma doença que é extremamente difundida na mídia. Entra na moda. Os pais e profissionais são convencidos de que criança que tem um comportamento diferente tem isso. Ai tem esse boom de medicação.

Midiamax: E a quem se atribui essa difusão?

Na verdade você está lidando com um interesse enorme da indústria farmacêutica. A tal ponto que o remédio é vendido como que melhora a cognição. Ele é divulgado como amplificador cognitivo. E não é nada disso.

Fonte: http://www.midiamax.com.br/noticias/840115