terça-feira, 19 de março de 2013

O QUE SERÁ

O Que Será (à Flor da Pele)
 
 


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
E todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Rei Posto Rei Morto


Rei Morto, Rei Posto


Deixa incendiar
Deixa quem quiser ir
Um dia a verdade vai ter que sair
Mais cedo ou mais tarde não tá mais aí
Deixa iluminar
Deixa se distrair
Um dia a verdade vai ter que sair
Mais cedo ou mais tarde não tá mais aí

É, contra a luz do sol não tem argumento
Que possa apagar
Não tem força que segure esse tempo
E faça parar
Ninguém prende o sopro da ventania
Esse movimento nasce todo dia

Deixa desatar
Deixa a vida fluir
Um dia a verdade vai ter que sair
Mais cedo ou mais tarde não tá mais aí
Por cima do muro ela tem que sair
E a força do escuro não tá mais aí
Com graça e com gosto ela tem que sair
Rei morto, rei posto não tá mais aí

segunda-feira, 18 de março de 2013

"São Francisco de Assis não era para os pobres, era como os pobres"

Leonardo Boff concedeu uma entrevista para o Roda Viva hoje, onde falou sempre com seu entusiasmo e sabedoria, sobre a esperança que tem no novo Papa Francisco I. Na entrevista, um jornalista ainda disse com espanto, que poder é esse que Leonardo tem, pois antes mesmo de ter terminado o Conclave, ele já teria dito publicamente, que o nome do novo Papa poderia/deveria ser FRANCISCO.

São Francisco de Assis não era para os pobres, era como os pobres... – Leonardo Boff – Roda Viva – 18/03/2013

Silêncio dos Equívocos – Foi à punição que Boff recebeu do então secretário geral da Igreja Católica na época,  Joseph Ratzinger, depois, Bento XVI, por sua pregação da TEORIA DA LIBERTAÇÃO.

Teologia da Prosperidade – Você pode enriquecer! É o que geralmente essas igrejas neo-pentecostais pregam. E temos que prestarmos muita atenção ao que elas estão fazendo. Pois estão sabendo melhor que muitas outras religiões, se comunicarem com os seus fiéis.

Uma das funções da igreja é escutar o que a pessoa quis falar, e ninguém o escutou em nenhum outro lugar. 

O menor que padece, acredita no menor ainda que ele.

Teologia da ENXADA.
A maior parte dos movimentos socias, estão relacionados a igreja. Então são os cristãos, enganjados nas questões da reforma agrária, dos direitos humanos, ecologia... Isso é a igreja para mim.
Nunca devemos perder o contato com a base, com o povo, com os pobres.

Essa igreja que existe hoje é medieval, monárquica, hierárquica, absolutista.
O celibato deve ser uma escolha, opção, e não LEI.
Deus é para todos, e não apenas para os que são batizados.
São totalmente contra o papel secundário que a Igreja Católica colocou à mulher.
O excesso de verdade é pior que o erro. – Pascoal
Não são as predigas que salvam, são as práticas...

Não é a fé e a verdade que são mais importantes, mas é a caridade.

Muito mais importante que religiosidade para mim, é a espiritualidade que o ser humano carrega.
Eu sou como Jesus. Jesus veio da tribo de Davi, onde existiam: – Poetas – Guerreiros – Amante de mulheres. Sou hoje um leigo, como era Jesus.

DEUS como COMUNHÃO de pessoas.

A vida não é só religião.

Incúria.

Não vamos muito longe com essa política do crescimento ilimitado.

Um planeta finito não tolera um crescimento infinito.

HOSPITAL DO CÂNCER também alvo de investigações

Depois da investigação da SANTA CASA DE MISERICÓRIDA; Depois da investigação do HOSPITAL UNIVERSITÁRIO; Depois da investigação do HOSPITAL REGIONAL. AGORA, investigação do HOSPITAL DO CÂNCER.

Novamente: MÉDICOS-POLÍTICOS-EMPRESÁRIOS-FAZENDEIROS-EMPRESÁRIOS envolvidos.

Tudo isso num cenário de mais de 16 anos dos poderes executivos principais (governo e capital) nas mãos de MÉDICOS.
Para onde nossa SAÚDE está caminhando? Eu não tenho "plano de saúde bom".
Novo Papa Francisco, tente piedade de nós...

MPE quer afastar diretores do Hospital do Câncer por desvio de dinheiro do SUS

Pio Redondo e Diana Gaúna
Cobrança do SUS de tratamento de quimioterapia em morto, contratação de integrantes da família Siufi para trabalhar no hospital filantrópico com salários elevados, compra de materiais elétricos de empresa de sócio do hospital e fraude em constituição de empresa são as principais causas que levaram o Ministério Público Estadual a pedir a destituição de Adalberto Abrão Siufi, Blener Zan e Wagner Miranda da direção do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, de Campo Grande.

No último dia 14 de março, o MPE entrou com ação na Justiça que foi alocada, por sorteio, ao juízo da 11ª Vara de Campo Grande. Quem assina a denúncia e pede o afastamento dos diretores da Fundação e da direção do hospital é a promotora de Justiça do Patrimônio Público, Fundações e Entidades de Terceiro Setor, Paula da Silva Santos Volpe.

Ao fundamentar a ação, a promotora do MPE afirmou que “o que gerou o ajuizamento da presente ação é a necessidade de se afastar os requeridos como dirigentes da entidade, uma vez que a atual gestão clínica e financeira vem gerando lucros aos requeridos (os próprios dirigentes) em prejuízo dos cofres públicos”.

A promotora também constatou que os diretores ainda promoveram a contratação direta de empresas cujos donos fazem parte do Conselho Curador da Fundação, fato que fere a lei das Licitações, já que as entidades do tipo não têm, perante a legislação, o objetivo de obter lucro.

A Fundação Carmen Prudente é mantida com maior parte de dinheiro público, além de doações. Dados do Sicap referentes a 2011 apontam que o Hospital do Câncer recebeu R$ 15,4 milhões em recursos do SUS, e mais de R$ 2 milhões em doações.

Irregularidades

Entre as irregularidades encontradas, o MPE constatou que o diretor-geral, Adalberto Siufi e seu sócio Issamir Farias Saffar, donos da empresa Neorad (Saffar &Siufi), têm contratos com o hospital desde 2004, para prestar serviços médicos gerais, radioterapia e quimioterapia. O fato caracteriza duplicidade de pagamentos do SUS para os mesmo entes contratados pelos mesmos serviços, fato que significa concentração de poder econômico.

O MPE ressaltou que uma manobra efetuada pelos donos da Safar &Siufi burlou decisão do Conselho Curador da Fundação, de agosto de 2012, que decidiu pela rescisão do contrato com a empresa Saffar&Siufi. Mas em fevereiro de 2013, o MPE constatou que os diretores constituíram outra empresa com nome diverso da inicial, mantendo os mesmos serviços com o hospital, por meio de outra empresa.

Fora isso, uma das empresas contratadas por dez anos, a Elétrica Zan, é de propriedade do diretor do Hospital do Câncer, Blener Zan, e de pessoas da sua família.

As contratações de empresas de familiares de diretores de até 3º grau fere a Resolução nº. 003/2006-Procuradoria Geral de Justiça do MS, em seu artigo 37.

“Os integrantes dos órgãos deliberativo, executivo e de fiscalização das fundações, e as empresas ou entidades das quais sejam aqueles ou seus parentes até 3º grau, diretores, gerentes, sócios ou acionistas não poderão efetuar, com ditas fundações, negócios de qualquer natureza, direta ou indiretamente, salvo em favor da fundação, a título gratuito”, define a Resolução da PGJ.

Sobre o fato, a promotora Paula Volpe foi categórica: “Assim, os dirigentes da fundação, utilizando-se dos altos valores repassados pelos cofres públicos para serem aplicados com a saúde, acabam por contratar a si mesmos para a prestação dos serviços, auferindo vultosos lucros”.

A lei ainda determina que o lucro proveniente da operação do hospital filantrópico, mantido pela SUS, deve ser reinvestido na instituição, e nunca gerar dividendos para seus dirigentes e familiares.

Tratamentos superfaturados

O contrato celebrado com a empresa Neorad, de Adalberto Siufi, prevê o pagamento do valor estipulado pelo SUS, mais o acréscimo de 70% para os procedimentos. Isso significa dizer, por exemplo, que um procedimento de remoção da parte superior da boca (Maxilectomia Total em Oncologia) que custe R$ 4.956,14, com o aumento de 70%, custaria R$ 8.425,43 aos cofres públicos.

Os negócios eram tão vantajosos que documentos apontam que a empresa de Siufi teria recebido R$ 2,9 milhões em 2007, R$ 3,6 milhões em 2008, R$ 3,3 milhões em 2009, R$ 2,7 milhões em 2010. O MPE descobriu ainda que apenas o contrato da Neorad possuía a previsão dos 70% de acréscimo ao valor da tabela SUS. Dessa forma, um menor número de pacientes são atendidos com a mesma verba do SUS. Muitos chegam a procurar tratamento no Hospital do Câncer de Barretos, por falta de vagas em Campo Grande.

Cobrança de tratamento em pacientes mortos

Auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) no Hospital do Câncer, a que a reportagem teve acesso, constatou a manipulação de valores ocorreu até com a cobrança de tratamento de paciente já falecido, entre outros fatos.

A constatação do Denasus consta na auditoria n. 10316 no HC, que detectou a ‘realização’ sessões de radioterapia em paciente feminino "nos dias 24, 28, 29 e 30/04, assim como no período de 05/05 a 03/06/2009. Porém segundo o Sistema de Informações Sobre Mortalidade – SIM a paciente foi a óbito em 27/04/2009".

O Denasus levantou ainda apurou que algumas cirurgias foram cobradas com valores diferentes dos efetivamente realizados. A análise da auditoria concluiu a qualidade e a assistência prestada aos pacientes está comprometida devido aos erros de gestão. Foi determinada ainda a devolução de R$ 39 mil, em ‘distorções referentes aos procedimentos de alta complexidade’.

Contratação de parentes

A Administradora do HC, Betina Moraes Siufi Hilgert, filha de Adalberto, foi contratada em maio de 2003 como administradora e com salário inicial de R$ 4 mil. Entretanto, seus rendimentos foram aumentando, anualmente, até chegarem a R$ 11,5 mil em 2011 - conforme registro no Sicap (Sistema de Cadastro de Prestação de Contas).

Informações do Conselho Regional de Administração relatam que , em 2011, o salário médio de um administrador era de R$ 2,9 mil. Atas de reuniões do Conselho da Fundação Carmen Prudente dão conta de que há sérios indícios que a administradora não cumpra seu horário de trabalho.

Outro investigado foi Ary Eduardo Pegolo dos Santos – sogro do filho de Adalberto, João Siufi Neto. Dados do Sicap mostram que, contratado em 1º de setembro de 2011, como Supervisor de Telemarketing, o contracheque de Ary atingia os R$7,2 mil mensais.

Comparado com salário outros supervisores, o valor demonstra que os demais funcionários recebem muito abaixo dos R$ 7,2 mil. A função de Supervisão de Compras, por exemplo, tem salário de R$2,7 mil. A de Recepcionista é de R$ 1,6 mil e a Administrativa R$ 1mil.

No cadastro de funcionários do Hospital constam outros parentes de Adalberto - ainda que não em dedicação exclusiva: Eva Glória Siufi (irmã), João Siufi Neto (filho), Daniela Freitas dos Santos Siufi (nora), Rafaela Moraes Siufi Silva (filha), Fabricio Colacino Silva (genro).O fato configura ‘nepotismo’, ou seja, o favorecimento de familiares em instituição bancada pelo dinheiro público, em detrimento de outros profissionais, concursados ou não.

Veja em 'arquivo', todo o conteúdo da ação proposta pelo MPE.

http://www.midiamax.com.br/noticias/842205-mpe+quer+afastar+diretores+hospital+cancer+desvio+dinheiro+sus.html

Pierre Lévy - Ativismo de Sofá

'Não sou contra o ativismo de sofá', afirma o filósofo francês Pierre Lévy


Idealizador do termo 'inteligência coletiva', professor falou ao 'Estado' sobre as petições online


11 de março de 2013 | 16h 24

 BRUNO LUPION - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Idealizador do termo "inteligência coletiva" e autor de livros sobre cibercultura desde a década de 90, o filósofo francês Pierre Lévy afirmou, em entrevista ao Estado nesta segunda-feira, 11, que os abaixo-assinados pela internet são expressões legítimas da vontade dos cidadãos.

 Para Lévy, o poder de analisar dados vai desempenhar um papel fundamental na política do futuro

Ele nega que esse tipo de mobilização seja menos legítima do que as manifestações tradicionais, como protestos na rua, e afirma ser necessário investir em alfabetização digital para elevar o nível de debate na internet.

Apesar do crescente controle da rede, tanto por governos autoritários como pelos democráticos, o professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, acredita haver mais liberdade de expressão com a internet do que sem ela.

Lévy também prevê que o poder de reunir dados e analisá-los vai desempenhar um papel fundamental na vida política do futuro.

Confira abaixo a íntegra da entrevista, concedida pelo Twitter. Em suas respostas, Lévy indicou links para outros documentos que embasam suas ideias, reproduzidos abaixo.

Qual a relevância dos abaixo-assinados online para pressionar os parlamentares?

Eu penso que seja tão relevante como os abaixo-assinados escritos. Uma petição é uma petição. Uma petição online só é mais fácil de organizar!

Sendo mais fácil, o sr. não acha que há um risco de promover o "ativismo de sofá" nesse tipo de campanha?

Eu não sou contra o ativismo de sofá. Qualquer forma que o cidadão use para se expressar é positiva.

Você vê aspectos da democracia direta nesse tipo de movimento?

Não. Democracia direta ocorre quando a decisão está nas mãos das próprias pessoas. Eu prefiro ver os abaixo-assinados como formas de expressão.

Essas ferramentas online também não podem dar voz e força à intolerância e grupos que estimulam o ódio? Como lidar com isso?

Você está certo. Essas ferramentas online podem ser utilizadas pelas forças da escuridão e do ódio, e elas são! Não há outra forma de lidar com isso além de promover educação e alfabetização digital. E nós devemos também combater as má ideias online e offline.

Discussões na internet e comentários de notícias sempre parecem tender à difamação e agressão recíproca. Por quê?

Lembre que, na história, discursos de ódio floresceram também na imprensa e em jornais. Não é uma especificidade da internet. Isso também não é exclusividade do online: polêmicas sempre existiram. Veja, por exemplo, as propagandas negativas na TV! Pessoas responsáveis devem promover uma conversa civilizada, em vez de demonizar o outro.

Os governos pelo mundo estão dando uma resposta à altura a essas novas formas de engagamento político?

Eu acho que há um crescente senso da importância da esfera pública digital. Em geral, há uma mudança no debate público em direção ao mundo digital. De um lado, as pessoas podem debater e se expressar de forma muito mais eficiente com ferramentas digitais. Por outro lado, governos podem hoje ser muito mais transparentes, e os cidadãos precisam exigir essa transparência.

Há um risco de aumento de controle da internet pelos governos?

Claro! Em primeiro lugar, ditaduras, como China, Irã, etc, fazem censura e vigilância de seus oponentes. Aliás, os serviços de inteligência de todos os países tentam analisar os dados criados pelas pessoas. Porém, de forma geral, há muito mais liberdade de expressão com a internet do que sem ela.

As futuras revoluções serão tuitadas?

As futuras revoluções... E as futuras contra-revoluções! Eu anuncio a ciberdemocracia há mais de dez anos. A evolução política em torno do globo provou que minhas previsões estavam certas.

Quais serão os próximos passos da ciberdemocracia?

Primeiro, uma melhora na inteligência coletiva online, uma inteligência coletiva mais reflexiva, mais hábil para conhecer a si mesma. Depois, uma melhor transparência dos governos, como justificativas e visualização das consequências das decisões orçamentárias.

É isso, professor. Você gostaria de dizer algo mais sobre o assunto?

Sim, eu acho que o domínio dos dados e da análise dos dados vai desempenhar um papel fundamental na vida política do futuro.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,nao-sou-contra-o-ativismo-de-sofa-afirma-o-filosofo-frances-pierre-levy,1007313,0.htm?p=2

"Ativismo de Sofá"

Frenesi do abaixo-assinado pela internet desafia a classe política


Petições atraíram mais de 3 milhões de brasileiros no último ano; organizações internacionais voltam suas atenções ao País

11 de março de 2013 | 2h 11

 BRUNO LUPION - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Dois minutos. Esse é o tempo necessário para acessar um manifesto online, ler os argumentos e se tornar um apoiador. No último ano, mais de 3 milhões de brasileiros agiram dessa forma, e as duas maiores organizações mundiais de abaixo-assinados abriram filiais no País. A novidade piscou no radar da classe política, que ainda tenta aprender como lidar com esse mecanismo de pressão.

Os números são superlativos e devem acompanhar o avanço da banda larga no País - hoje disponível para 30% dos brasileiros. Dois milhões assinaram uma petição para que a Câmara dos Deputados votasse o projeto da Lei da Ficha Limpa. Um milhão e 600 mil colocaram seu nome contra a eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para presidir o Senado. Recém-eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC-SC) já é alvo de um manifesto pela sua destituição com 280 mil apoiadores.

O fenômeno virtual desperta desconfiança de setores da sociedade que temem que os abaixo-assinados online consolidem o "ativismo de sofá" e enfraqueçam formas tradicionais de protesto, como intervenções urbanas ou marchas em vias públicas.

Mas, para pesquisadores, a tendência é irreversível: a internet consolidou um novo espaço público para debate e formação de opiniões e, assim como provocou mudanças na cultura e na economia, também provocará transformações na política.

Para Pedro Abramovay, diretor de campanhas da Avaaz, ONG internacional de ativismo online que reúne 20 milhões de apoiadores, sendo 3 milhões brasileiros, o modelo tradicional de democracia representativa, com um voto a cada quatro anos, é insuficiente para dar conta de uma realidade na qual os cidadãos podem se conectar rapidamente em torno de um objetivo comum. "Tenho certeza de que a política nunca mais vai ser a mesma", afirma.

Abramovay cita como exemplo o ato de compartilhar uma petição no Facebook, para ele um comportamento "profundamente político" na medida em que a pessoa assume uma posição diante de seus amigos e abre espaço para contra-argumentos. "As pessoas passam tanto tempo na internet, ela é uma parte tão importante para nossas vidas, que considero despolitizador dizer que a política feita ali é menos importante", diz.

Atento ao fenômeno, o parlamento alemão desenvolveu sua própria plataforma oficial para que a população organize abaixo-assinados. Se a petição alcançar 50 mil apoiadores, os deputados são obrigados a discutir o tema. A Casa Branca, nos Estados Unidos, tem sistema parecido, o "We The People".

Lobby. A Avaaz é financiada por doações voluntárias e se define como uma ONG de defesa do interesse público, e não uma mera plataforma de petições. A entidade deleta abaixo-assinados que ferem seus princípios e aposta suas fichas em outros. Sua força vem da união dos manifestos com uma estrutura azeitada para fazer lobby. "A gente combina esse instrumento de petição online com uma equipe que tem acesso a parlamentares, que sabe fazer isso", diz Abramovay, ele mesmo um conhecedor dos meandros de Brasília: foi ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula.

Na campanha contra Calheiros, a Avaaz visitou gabinetes de senadores e contratou uma pesquisa do Ibope, que apontou que 74% dos brasileiros seriam favoráveis à renúncia do alagoano.

Os pastores Silas Malafaia e Feliciano já avisaram que vão processar a ONG após terem petições a seu favor bloqueadas pela entidade. Contrariado, Feliciano organizou um manifesto em seu próprio site e reuniu 150 mil apoiadores. "Isso mostra que nossa atuação tem tido um efeito político grande", diz Abramovay.

Alternativa. Concorrente da Avaaz, a Change.org tem 23 milhões de usuários no mundo - sendo 400 mil brasileiros - e abriu seu escritório no País em outubro. A entidade não deleta petições, permite que duas campanhas com objetivos opostos coexistam na plataforma e afirma não fazer lobby.

"Não cabe à nossa equipe julgar o que é relevante ou não. Nossa política é confiar na transparência, para o bem e para o mal", afirma a diretora de campanhas Graziela Tanaka.

A organização é financiada pela venda de espaço em seu site para quem busca dar maior visibilidade à sua campanha, modelo similar ao adotado por Google ou Facebook.

Em dezembro, o Ministério Público do Estado de São Paulo hospedou na Change.org um dos primeiros abaixo-assinados promovidos por uma instituição pública no País. O manifesto, contrário à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, que retira o poder de investigação criminal dos promotores, obteve 40 mil assinaturas.

"Se não atingir a imagem do político, ele não vai se mexer. Nesse ponto, os abaixo-assinados podem ter êxito", afirma o professor Jorge Machado, coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP.

Ele alerta, no entanto, que as campanhas online tendem a cair no esquecimento com facilidade, pois estão intimamente ligadas ao impacto de uma notícia. "É diferente do que levar dois ônibus de manifestantes para a Câmara. Mas uma não exclui a outra", afirma.

Legislação. O senador Pedro Taques (PDT-MT) anunciou que apresentará, nos próximos dias, uma PEC para incorporar as petições online ao processo legislativo.

Batizado de Medida de Urgência Popular, o mecanismo pretende impor regime de urgência a projetos de lei que tiverem o apoio de um porcentual do eleitorado - o número exato ainda não foi definido.

"Precisamos criar um login cidadão para que as pessoas possam participar", diz Taques. Segundo ele, a Justiça Eleitoral seria responsável pelo desenvolvimento de um sistema online que garanta a autenticidade das petições.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,frenesi-do-abaixo-assinado-pela-internet-desafia-a-classe-politica,1007154,0.htm

“Guerra” santa dos enfermeiros


Artigos

18/03/2013 09:49

“Guerra” santa dos enfermeiros

Por Ruy Sant’Anna (*)

“Liberto aos outros do julgamento, os críticos do meu lamento, os agressores do meu sofrimento.

Liberto-me dos olhos dos outros, da boca alheia, do palco das mentiras para ficar na minha verdade interior”.....

A Câmara Federal no ano passado, barrou um sonho acalentado há 13 anos pelos dedicados, sacrificados e pouco reconhecido em seu valor profissional e humano: os profissionais da enfermagem.

Usaram de uma “técnica legislativa” que prejudicou imensamente aos enfermeiros brasileiros, e isso pouco, quase nada conseguiu repercutir na chamada grande imprensa nacional.

Qual a reivindicação dessa valorosa classe?

A enfermagem brasileira luta arduamente pelo direito de ter reconhecida a carga horária de 30 horas semanais em seus registros trabalhistas.

É importante esclarecer que o Congresso Nacional já aprovou projetos que regulamentam a jornada de trabalho dos médicos, com 20 horas semanais; técnicos de radiologia, 24 horas semanais; fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais 30 horas semanais e os assistentes sociais com  30 horas semanais. Essas categorias também já têm sancionadas as leis que fixam suas cargas horárias em 20 e 30 horas semanais.

Uma informação importante é que as entidades da Enfermagem coletaram estatísticas do IBGE e constataram que os impactos financeiros serão poucos porque muitas localidades já adotaram jornada de 30 horas semanais através de acordos institucionais.

É essa a luta heroica da Enfermagem brasileira, quando maldosamente são desprestigiados nesse direito sagrado que é o de receber um mínimo de consideração pelo esforço/sacrifício que os levam a manter o ânimo e idealismo intactos.

Ora, se outras categorias da área da saúde já obtiveram reconhecido o direito da carga horária semanal em 30 horas, por que não os enfermeiros?

Todos conhecemos o dia a dia desses trabalhadores diante de tantos sofrimentos alheios ao dar aconchego, amor e profissionalismo minorando a dor de seus pacientes, junto da valorosa classe médica.

É comum encontrarmos esses profissionais em algumas colocações de atendimento residenciais, além dos plantões e horários de serviço em hospitais e postos de saúde, com quase todos, em turno de 24 por 24 horas.

E o ciclo de sono dessas pessoas, como anda? Como diria o leigo: em pandarecos!

Assim, caros leitores essa é a luta da batalhadora classe da Enfermagem.

Cá deste lado torço eu dou esta mínima colaboração, mesmo sabendo que as enfermeiras e enfermeiros não fazem mais do que suas obrigações ao bem atender seus pacientes.

Mas, como vimos eles não são tão simples assim. São heróis brasileiros., que entra dia e sai dia só convivem com o sofrimento de pessoas que lhes são confiadas, e o fazem com o melhor que podem dispor.

Em nosso estado, pelo que sei, Ladário é o único município que tem estabelecida carga horária de 40 horas, em seu Hospital local. Não é o que os enfermeiros reivindicam, pois o que reclamam é a carga horária de 30 horas semanais. Pelo menos essas 40 horas já marcam o sinal de reconhecimento de que a classe não pode ser discriminada.

Enquanto isso temos aqui, na Capital, uma situação estranha com o prefeito Alcides Peralta Bernal questionando uma Lei sancionada pela Câmara de Vereadores, para impedir a validade de 30 horas de carga semanal para enfermeiros e assistentes social

A lei federal 12.317/2010 determina em seu Art.5°- A: “A duração do trabalho do Assistente Social é de 30 (trinta) horas semanais”. Quanto à profissão de assistente social o Município deve obediência, não adianta discutir. Pois, a Prefeitura pode ser processada em ação de improbidade administrativa, por se apodera indevidamente de horas de descanso dos assistentes sociais.

Sobre a profissão da enfermagem, o prefeito Alcides Bernal deve ganhar na Justiça o questionamento.

Mas, vale a pena o sacrifício dos profissionais da enfermagem?

Por que o prefeito Bernal ao questionar a legitimidade da Lei sancionada pela Câmara Municipal, não remeteu, àquele Legislativo, um substitutivo do Executivo para garantir as 30 horas de carga horária semanal para os enfermeiros?

Para melhor avaliação é bom relembrar que o Congresso Nacional já aprovou projetos que viraram leis e regulamentam a jornada de trabalho dos -médicos,em 20 horas semanais; -técnicos de radiologia, 24 horas semanais;-fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais 30 horas semanais -e os assistentes sociais com 30 horas semanais.

No entanto a Câmara Federal armou uma estratégia/cilada e não deu quórum para votação do Projeto que regularia a reivindicação da classe de enfermagem, segundo consta a mando do Palácio do Planalto.

Os senhores deputados federais ao não cumprirem a obrigação de votar contra ou a favor, e impedirem a votação do PL nº 2295/00 foram, no mínimo maldosos e insensíveis.

Contudo, abraço e respeito aos senhores deputados, em minoria é verdade, mas que ética e honrosamente marcaram presença naquela frustrada votação.

Por isso dou o meu bom dia, o meu bom dia pra você classe da enfermagem, acreditando que o poder de convencimento dos bons políticos e a força das enfermeiras e enfermeiros prevalecerão nessa “guerra” santa.

(*) Ruy Santana é jornalista e advogado.

Fonte: http://www.campograndenews.com.br/artigos/-guerra-santa-dos-enfermeiros