terça-feira, 7 de maio de 2013

FELICIDADE REALISTA - Mario Quintana

FELICIDADE REALISTA

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Mario Quintana

Fernando Pessoa - Poema em linha reta

Poema em linha reta

(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

TABACARIA - Fernando Pessoa

TABACARIA



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo

 

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.




Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

 

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.




Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

 

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.




(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

 

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.




(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

 

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente




Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

 

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.




Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

 

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.




Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

 

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.




Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

 

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928

Delcídio defende CPI e rechaça tese de vereadores que são contrários a abertura

Delcídio defende CPI e rechaça tese de vereadores que são contrários a abertura Wendell Reis Senador afirma que trabalho da CPI é complementar ao da Polícia Federal O senador Delcídio do Amaral (PT) é favorável a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde em Campo Grande. O senador, que presidiu a CPI dos Correios no Congresso, não concorda com a tese defendida por vereadores contrários a CPI e afirma que os trabalhos são complementares a atuação da Polícia Federal (PF). “Eu trabalhei com a Polícia Federal na CPI dos Correios e o trabalho lá foi complementar. A Polícia Federal, inclusive, na CPI dos Correios, acessou mais documentos, oriundos das investigações, quebra de sigilo, que ela não tinha. Então, os trabalhos são complementares e não excludentes”, observou. O senador explica que a CPI é importante porque além de investigar, também apresenta soluções para os problemas. “Além de você enfrentar eventuais irregularidades, vai ter oportunidade de apresentar soluções também. Quem sofre é o campo-grandense e é uma vergonha o que está acontecendo aqui nos últimos anos com relação a saúde”, protestou. Delcídio disse que não entende como ainda não viabilizaram a CPI da Saúde, que seria de extrema importância para o Estado. “Não podemos fazer ouvidos moucos a um quadro que está ai muito bem compactado, cristalizado e que todo mundo entende que não pode continuar mais. Não pode privatizar aquilo que é do Estado. É lamentável isso”, concluiu. O presidente da Câmara de Campo Grande, Mário César (PMDB), por exemplo, é contrário a abertura de uma CPI. “O que a gente vai contribuir com isso? De fato e de verdade, nada. Neste momento a CPI pode pouco contribuir. O trabalho já está sendo feito desde 2009. Já tem escuta, mais de onze volumes de processo. Acredito que contribua com pouco. É mais fazer política do que contribuir com o caso em si”, opinou. Os vereadores da base de sustentação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), vão tentar, novamente, emplacar a CPI da Saúde para investigar irregularidades no Hospital do Câncer e Hospital Universitário. Com nove integrantes, o grupo do prefeito precisa de mais um voto para conseguir abrir a CPI. Na última tentativa, Luiza Ribeiro (MD) chegou a conquistar 13 votos favoráveis, mas os vereadores Paulo Siufi (PMDB), Coringa (PSD), Eduardo Romero (PTdoB) e Paulo Pedra (PDT) retiraram as assinaturas. Foram favoráveis a CPI apenas os vereadores: Luiza, Zeca do PT, Alex do PT, Ayrton do PT, Gilmar da Cruz (PRB), Cazuza (PP), Waldecy Chocolate (PP), Rose Modesto (PSDB) e João Rocha (PSDB). http://www.midiamax.com.br/noticias/849758-delcidio+defende+cpi+rechaca+tese+vereadores+sao+contrarios+abertura.html

Ministério da Saúde faz força-tarefa de 30 dias e aperta o cerco contra hospitais no Estado

Ministério da Saúde faz força-tarefa de 30 dias e aperta o cerco contra hospitais no Estado Evelin Araujo Beatriz Dobashi, ministro Alexandre Padilha, prefeito Alcides Bernal e o secretário Ivandro Fonsesa O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, convocou uma reunião com os administradores da Saúde em Mato Grosso do Sul e chegou a Campo Grande nesta segunda-feira (6) para anunciar uma força-tarefa de 30 dias. Ele quer averiguar se as medidas instauradas pelo Ministério desde 2011 são cumpridas pelo Estado. Padilha negou que veio somente após denúncias na Polícia Federal sobre o suposto esquema de recebimento de verba do SUS para custeio do tratamento da câncer no Estado. “Desde 2011 estamos tomando medidas em relação a auditoria feita pelo próprio Ministério da Saúde e hoje viemos para saber se as recomendações feitas são cumpridas pelos hospitais”. Ele afirmou que equipe formada por representantes do Instituto Nacional do Câncer e que fazem a gestão dos hospitais universitários vão realizar novas auditorias no Hospital Universitário de Mato Grosso do Sul e Hospital do Câncer Alfredo Abrão. As medidas podem ser expandidas ao Hospital Regional Rosa Pedrossian. “O grupo de trabalho terá auditores do município e do Estado para acompanhar diariamente a verificação do serviço público e privado, além de outros serviços oferecidos, como no Hospital Regional”, complementou. O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, acompanhou a reunião com o Secretário Municipal de Saúde, Ivandro Fonseca. A prefeitura deve coordenar as auditorias do Ministério da Saúde. Na entrada da reunião, ele adiantou que está conversando com o G6 e outros vereadores para tentar instaurar a CPI da Saúde. "Em um momento como este uma CPI não pode deixa de existir. Os problemas podem tardar, mas vêm à tona e acredito que os vereadores sabem da responsabilidade deles de ficar de olho na situação", comentou. A Secretária Estadual de Saúde, Beatriz Dobashi e a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Célia Maria da Silva foram convocadas para a reunião. Amanhã, o Ministro concederá uma entrevista coletiva a imprensa às 8h no Hospital do Câncer. Denúncias Há anos o Midiamax denuncia irregularidades no hospital e em março deste ano o Ministério Público Estadual pediu o afastamento da diretoria do Hospital Alfredo Abrão, suspeita de estar por trás de um forte esquema de cobrança do SUS por tratamento de pacientes de quimioterapia já mortos, contratação de integrantes da família Siufi para trabalhar no hospital filantrópico com salários elevados, compra de materiais elétricos de empresa de sócio do hospital entre outras irregularidades. Adalberto Siufi, Blener Zan e Wagner Miranda foram afastados da direção do hospital. http://www.midiamax.com.br/noticias/849736-ministerio+saude+faz+forca+tarefa+30+dias+aperta+cerco+contra+hospitais+estado.html

Depois de dois anos e meio de denúncias estampadas em reportagens, Jose Carlos Dorsa é exonerado do HU

06/05/2013 20:59 Depois de dois anos e meio de denúncias estampadas em reportagens, Jose Carlos Dorsa é exonerado do HU Pio Redondo Desde 5 de outubro de 2010, depois de Jose Carlos Dorsa ter sido nomeado diretor do Hospital Universitário (HU), e de ter recebido autonomia da reitoria da UFMS para administrar o HU, uma série de reportagens do Midiamax apontou problemas gravíssimos de gestão no terceiro maior hospital de Campo Grande. As reportagens apontaram mortes de pacientes por erro médico, superfaturamento de licitações, desativação do serviço de oncologia do hospital em benefício de esquemas privados de Adalberto Siufi, o ex-diretor da área no HU, contratos emergenciais com a Neorad, superlotação, falta de gerenciamento e outros fatos graves, sempre a partir de denúncias de pacientes, familiares, médicos e do Ministério Público Federal. O nome de Dorsa apareceu na reportagem “HU nega erro médico no caso de jovem com problema renal que, agora, não fala nem anda”, ainda em 2010, quando, como médico responsável pela cardiologia tentava explicar o problema que vitimou a estudante Rita Stephany de Oliveira, com 19 anos à época. Recentemente, como também denunciado pela reportagem, sob direção de Dorsa o HU chegou a recusar um acelerador nuclear doado pelo Ministério da Saúde, fato que favoreceria a concentração da radioterapia nas mãos de Adalberto Siufi, que com o ex-diretor divide a condição de principal réu na Operação Sangue Frio. Na verdade, seguidamente, as reportagens demonstraram o desmonte da radioterapia em favor dos esquemas privados de Siufi. O diretor geral da PF, Edgar Paulo Marcon, durante a Operação Sangue Frio, chegou a declarar que havia uma ‘máfia’ no setor. “É difícil crer que os órgãos municipais ou estaduais não funcionem e só os particulares, já que a mesma pessoa controlava os dois”, afirmou, Marcon. Agora, depois das investigações da Operação Sangue Frio, que realizou gravações de áudio e vídeo que envolvem Dorsa diretamente em corrupção, o diretor, que já estava afastado por ordem judicial, acabou sendo demitido. A exoneração, 'a pedido', foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União. Veja algumas das dezenas de matérias a respeito. Uma ‘busca’ no Midiamax com os termos por ‘Hospital Universitário’ ou ‘José Carlos Dorsa’ revelará o perfil do diretor exonerado, pessoalmente nomeado pela reitora da UFMS, Celia Maria de Oliveira. http://www.midiamax.com.br/noticias/849726-depois+dois+anos+meio+denuncias+estampadas+reportagens+jose+carlos+dorsa+exonerado+hu.html

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dia do Trabalhador: Saúde Mental dos nossos FORMADORES DE OPINIÃO - Prof. Heloani FVG

Pesquisador aponta aumento de depressão, assédio e cocaína entre jornalistas

Guilherme Sardas | 11/03/2013 16:00
 
Crédito:Divulgação/FGV


José Roberto Heloani


Desde 2003, José Roberto Heloani investiga a interface entre saúde e a profissão jornalística. Naquele ano, o doutor em psicologia e professor titular da Universidade de Campinas (Unicamp) entrevistou cerca de 20 jornalistas do eixo Rio-São Paulo, com foco em qualidade de vida.





Após estudo intermediário de 2005 - com espaço amostral ampliado para mais de 70 profissionais - concluiu em 2012 o mais recente deles, com mais de 250 jornalistas, aprofundando temas como saúde mental, identidade e subjetividade, e incidência de assédio moral e sexual.



Suas conclusões são duras. De dez anos para cá, aumentam entre os profissionais da área as incidências de depressão, infidelidade conjugal e uso de drogas, principalmente, cocaína e anfetamina, além do fenômeno que ele chama de "naturalização do assédio".



"Hoje, no país, há cerca de seis grandes grupos de comunicação. Ou seja, o jornalista precisa ter muita coragem para fazer uma denúncia formal de assédio se quiser permanecer no mercado. Além disso, trocar de profissão, quando desejado, não é fácil.”



Outro problema apontado por Heloani é a distância entre a experiência real e a representatividade social da profissão. "Enquanto a imagem do jornalista é idealizada e positiva na sociedade, sua vivência diária é precarizada. Isso os torna mais inseguros e frustrados". 



Confira a íntegra da entrevista à IMPRENSA:



IMPRENSA – Quais foram as novidades da última pesquisa?

ROBERTO HELOANI – Os casos de assédio moral e sexual tornaram-se mais rotineiros, embora já existissem. Mas, o problema vai além. Se, em outras categorias profissionais, o grau de denúncias de assédio tem aumentado – como a dos bancários, por exemplo, que acompanho há muitos anos –, no jornalismo, o assédio aumentou, mas o número de pessoas que recorrem à Justiça diminuiu.



Isso pode ter a ver a competição acirrada do mercado jornalístico?

Não tenho nenhuma dúvida disso. No Brasil, há seis grandes grupos de comunicação. Você precisa ter muito coragem para fazer uma denúncia formal de assédio se quiser permanecer no mercado. A pessoa pode até pensar em mudar de área, ir para assessoria ou área acadêmica, mas nenhuma alternativa é fácil.



O que suas pesquisas revelaram sobre o estresse?
Hoje, o jornalista é um profissional multifocal. O que pode parecer muito interessante, mas, na prática, as coisas não são bem assim. É um profissional que se tornou muito mais estressado do que era. Primeiro, ele não pode dominar só uma mídia. Ele é um profissional que precisa ser repórter, fotógrafo, motorista, às vezes, cuidar da própria segurança. Então, hoje, há maior incidência de um estresse patológico. Na primeira pesquisa, não víamos muita gente em estado de pré-exaustão ou exaustão, que é o caso mais grave. Na mais recente, começamos a ver pessoas debilitadas, em pré-exaustão, inclusive recorrendo mais a drogas lícitas e ilícitas.





Aumento de que ordem? Quais drogas, especificamente?

Apesar de ser difícil estabalecer um percentual, diria que aumentou cerca de 25%. O álcool é a droga mais recorrente, além de café e energético em alta medida. O problema é que aumentou o uso de drogas estimulantes, como cocaína e anfetamina. É uma forma de o cara conseguir escrever quatro ou cinco matérias em veículos diferentes, dormir três ou quatro horas, e dar conta do recado. Muitas vezes, sem tempo de ir ao psicólogo ou ao médico, o cara ouve falar de alguém que conseguiu ter um pique legal com “uma cheirada numa carreira” e aí ele perde o pé. É cada vez maior o número de pessoas que trabalham intoxicadas.



Como as dificuldades da profissão têm impactado a esfera pessoal e familiar dos profissionais?

Se há uma coisa que não se altera nas três pesquisas que realizei é que as mulheres, principalmente, queixam-se muito de como a profissão reflete na relação familiar e na relação com o companheiro. Primeiro, elas se queixam que não é fácil namorar com alguém que não seja da área. Começa a pintar ciúmes ou a convivência se torna muito esporádica. Já vi muitos jornalistas que só se encontram no aeroporto.



Então, pode-se dizer que a profissão jornalística dificulta uma relação estável e fiel?

Muito. Mas, a queixa dessas pessoas é que elas, justamente, não querem isso. Elas querem um relacionamento, um companheiro. Não é questão de moralismo, mas o patológico está no fato de que a pessoa não quer trair. Se a pessoa está satisfeita com isso, pode até ser saudável. Mas, quando você se queixa disso – porque não é o que você quer, mas o que você pode fazer –, aí você começa a afetar a esfera subjetiva e, a longo prazo, até a saúde mental.



Investigou também a identidade e subjetividade do jornalista. O que concluiu?

O jornalista continua tendo uma identidade idealizada. Se você perguntar à população o que ela pensa sobre o jornalista, vai se falar que é um sujeito que denuncia, que sabe das coisas, enfim, a representação social é positiva. Por outro lado, a identidade real deste jornalista, sua vida concreta, é precarizada. Então há um gap, uma distância muito grande entre a identidade pessoal a representatividade social. Isso torna o jornalista muito inseguro e frustrado.



Quais as consequências disso?

Ele se sente decepcionando com toda a população que o idealiza. Na última pesquisa, ficou muito clara a questão da culpa. Com a dificuldade na carreira, a pessoa começa, em sua narrativa pessoal, a puxar fatos do passado que são pueris. "Ah, eu me lembro que um redator me chamou para trabalhar e eu não fui." E isso dura anos. Ou seja, é infantil. Aí ele pode cair numa armadilha de achar que cometeu um erro estratégico no passado. E, agora, com maiores sacrifícios, ele decola. É uma maneira de ele pagar uma conta que ele tem com ele mesmo. A gente chama isso de dívida psíquica. É aí que ele se arrebenta para valer.



Há saída para atenuar todos esses aspectos de tensão?

Deixar a profissão não é tão simples, demanda um planejamento a longo prazo. A única maneira de diminuir isso é começar a dialogar mais sobre isso, e nisso os sindicatos da categoria têm um papel importante. É uma categoria que continua sendo muito desunida.



A fraqueza política dos sindicatos tem a ver com isso?

Acho que contribui. É uma situação complexa porque, na medida em que as pessoas acabam não acreditando no poder das associações, estas associações acabam se tornando fracas. Uma associação não é uma abstração. Como eu não colaboro, a associação continua sendo fraca e ineficaz. Como não há uma correlação positiva de forças com essas grandes corporações que estabelecem o modo de vida do jornalista, elas trabalham totalmente independente da legislação. A legislação é clara: são cinco horas, mais duas. Mas eu nunca vi um caso de um jeito trabalhando sete horas. Eu vi 10, 12, 14 horas. Essas organizações acabam atuando à revelia da legislação. Ou você começa discutir isso para valer, ou não muda nada. Até porque a nova geração de jornalistas têm, realmente, aceitado qualquer jogo.

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