quinta-feira, 9 de maio de 2013

Van Gogh


A questão da vinda de médicos Cubanos para o BRASIL

no blog do Nassif
Por Pedro Saraiva
Olá Nassif, sou médico e gostaria de opinar sobre a gritaria em relação à vinda dos médicos cubanos ao Brasil
Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.
 

- O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
- Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.
- Portugal já importa médicos cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros. Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes deste fato). A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu trabalho.
- Acho que é ponto pacífico para todos que médicos estrangeiro tenham que ser submetidos a provas aí no Brasil. Não faz sentido importar profissionais de baixa qualidade. Como já disse, o próprio ministro da saúde diz concordar com isso. Eu mesmo fui submetido a 5 provas aqui em Portugal para poder validar meu título de especialista. As minhas provas foram voltadas a testar meus conhecimentos na área em que iria atuar, que no caso é Nefrologia. Os cubanos que vieram trabalhar em Medicina de família também foram submetidos a provas, para que o governo tivesse o mínimo de controle sobre a sua qualidade. 
Pois bem, na última leva, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui procurar dados sobre o Revalida, exame brasileiro para médicos estrangeiros e descobri que no ano de 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo de estranho em tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos estrangeiros? 
Seria bem interessante que nossos médicos se submetessem a este exame ao final do curso de medicina. Não seria justo que os médicos brasileiros também só fossem autorizados a exercer medicina se passassem no Valida? Se a preocupação é com a qualidade do profissional que vai ser lançado no mercado de trabalho, o que importa se ele foi formado no Brasil, em Cuba ou China? O CFM se diz tão preocupado com a qualidade do médico cubano, mas não faz nada contra o grande negócio que se tornaram as faculdades caça-níqueis de Medicina. No Brasil existe um exército de médicos de qualidade pavorosa. Gente que não sabe a diferença entre esôfago e traqueia, como eu já pude bem atestar. Porque tanto temor em relação à qualidade dos estrangeiros e tanta complacência com os brasileiros? 
- Em relação este exame de validação do diploma para estrangeiros abro um parêntesis para contar uma situação que presenciei quando ainda era acadêmico de medicina, lá no Hospital do Fundão da UFRJ. 
Um rapaz, se não me engano brasileiro, tinha feito seu curso de medicina na Bolívia e havia retornado ao país para exercer sua profissão. Como era de se esperar, o rapaz foi submetido a um exame, que eu acredito ser o Revalida (na época realmente não procurei me informar). O fato é que a prova prática foi na enfermaria que eu estava estagiando e por isso pude acompanhar parte da avaliação. Dois fatos me chamaram a atenção, o primeiro é a grande má vontade dos componentes da banca com o candidato. Não tenho dúvidas que ele já havia sido prejulgado antes da prova ter sido iniciada. Outro fato foi o tipo de perguntas que fizeram. Lembro bem que as perguntas feitas para o rapaz eram bem mais difíceis que aquelas que nos faziam nas nossas provam. Lembro deles terem pedidos informações sobre detalhes anatômicos do pescoço que só interessam a cirurgiões de cabeça e pescoço. O sujeito que vai ser médico de família, não tem que saber todos os nervos e vasos que passam ao lado da laringe e da tireoide. O cara tem que saber tratar diarreia, verminose, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Soube dias depois que o rapaz tinha sido reprovado.
Não sei se todas as provas do Revalida são assim, pois só assisti a uma, e mesmo assim parcialmente. Mas é muito estranho os médicos cubanos terem alta taxa de aprovação em Portugal e pouquíssimos passarem no Brasil. Outro número que chama a atenção é o fato de mais de 10% dos médicos em atividade em Portugal serem estrangeiros. Na Inglaterra são 40%. No Brasil esse número é menor que 1%. E vou logo avisando, meu salário aqui não é maior do que dos meus colegas que ficaram no Brasil. 
- Até agora não vi nem o CFM nem a imprensa irem lá nas áreas mais carentes do Brasil perguntar o que a população sem acesso à saúde acha de virem 6000 médicos cubanos para atendê-los. Será que é melhor ficar sem médico do que ter médicos cubanos? É o óbvio ululante que o ideal seria criar condições para que médicos brasileiros se sentissem estimulados a ir trabalhar no interior. Mas em um país das dimensões do Brasil e com a responsabilidade de tocar a medicina básica pulverizada nas mãos de centenas de prefeitos, isso não vai ocorrer de uma hora para outra. Na verdade, o governo até lançou nos últimos anos o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que oferece salários mensais de R$ 8 mil e pontos na progressão de carreira para os médicos que vão para as periferias. O problema é que até hoje só 4 mil médicos aceitaram participar do programa. Não é só salário, faltam condições de trabalho. O que fazemos então? vamos pedir para os mais pobres aguentar mais alguns anos até alguém conseguir transformar o SUS naquilo que todos desejam? Vira lá para a criança com diarreia ou para a mãe grávida sem pré-natal e diz para ela segurar as pontas sem médico, porque os médicos do sul e sudeste do Brasil, que não querem ir para o interior, acham que essa história de trazer médico cubano vai desvalorizar a medicina do Brasil. 
- É bom lembrar que Cuba exporta médicos para mais de 70 países. Os cubanos estão acostumados e aceitam trabalhar em condições muito inferiores. Aliás, é nisso que eles são bons. Eles fazem medicina preventiva em massa, que é muito mais barata, e com grandes resultados. Durante o terremoto do Haiti, quem evitou uma catástrofe ainda maior foram os médicos cubanos. Em poucas semanas os médicos dos países ricos deram no pé e deixaram centenas de milhares de pessoas sem auxílio médico. Se não fosse Cuba e seus médicos, haveria uma tragédia humanitária de proporções dantescas. Até o New England Journal of Medicine, a revista mais respeitada de medicina do mundo, fez há poucos meses um artigo sobre a medicina em Cuba. O destaque vai exatamente para a capacidade do país em fazer medicina de qualidade com recursos baixíssimos (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1215226). 
- Com muito menos recursos, a medicina de Cuba dá um banho em resultados na medicina brasileira. É no mínimo uma grande arrogância achar que os médicos cubanos não estão preparados para praticar medicina básica aqui no Brasil. O CFM diz que a medicina de Cuba é de má qualidade, mas não explica por que a saúde dos cubanos, como muito menos recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, tem índices de saúde infinitamente melhores que a do Brasil e semelhantes à avançada medicina americana (dados da OMS).
- Agora, ninguém tem que ir cobrar do médico cubano que ele saiba fazer cirurgia de válvula cardíaca ou que seja mestre em dar laudos de ressonância magnética. Eles não vêm para cá para trabalhar em medicina nuclear ou para fazer hemodiálises nos pacientes. Medicina altamente tecnológica e ultra especializada não diminui mortalidade infantil, não diminui mortalidade materna, não previne verminose, não conscientiza a população em relação a cuidados de saúde, não trata diarreia de criança, não aumenta cobertura vacinal, nem atua na área de prevenção. É isso que parece não entrar na cabeça de médicos que são formados para serem superespecialistas, de forma a suprir a necessidade uma medicina privada e altamente tecnológica. Atenção! O governo que trazer médicos para tratar diarreia e desidratação! Não é preciso grande estrutura para fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!
Que venham os médicos cubanos, que eles façam o Revalida, mas que eles sejam avaliados em relação àquilo que se espera deles. Se os médicos ricos do sul maravilha não querem ir para o interior, que continuem lutando por melhores condições de trabalho, que cobrem dos governos em todas as esferas, não só da Federal, melhores condições de carreia, mas que ao menos se sensibilizem com aqueles que não podem esperar anos pela mudança do sistema, e aceitem de bom grado os colegas estrangeiros que se dispõe a vir aqui salvar vidas.
Infelizmente até a classe médica aderiu ao ativismo de Facebook. O cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook, repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é Facebook morre à mingua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano.

Conselhos Municipais de Saúde, OSs...

A discussão sobre as OSs na Saúde

 
Por Fábio Souza
Eu fui conselheiro municipal de saúde durante os anos de 2007 a 2009. Coordenei a comissão de politicas de saúde e lá tentamos discutir os contratos de gestão das OS. Numa leitura no âmbito da administração, o orgão máximo de deliberação e fiscalização do SUS da capital, nunca foi respeitado. Pelo contrário, nenhum contrato foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde e o único espaço de controle é da própria secretaria com as OS. Além do mais a Via Pública, uma OS também, recebeu milhões de reais por ano para fazer esta interlocução, o que deveria ser competência do poder público. Só para destacar o Conselho Municipal de Saúde sempre foi contra as OS e é deliberação do mesmo.
A atual gestão terceirizou inclusive a gestão territorioal, ou seja, fragmentou não somente a administração dos recursos públicos, mas a sua gestão. O que tem consequências sérias do ponto de vista assistencial. Seria interessante avaliar se a população feminina tem conseguido acessar os serviços contraceptivos nos hospitais e serviços gerenciados por entidades religiosas, bem como as entidades com interesses economicos que passam a administrar certos serviços, como os de saúde mental atuando de forma contrária aos princípios da reforma psiquiátrica.
Do ponto de vista assistencial o que tem-se assistido é um verdadeiro leilão do trabalho médico, cada OS disputa a tapa os médicos, principalmente do PSF, então o que deveria ser uma política de vinculação do profissional acaba virando uma colcha de retalhos. Detalhe falo porque não só sou um ator político, mas porque uso o SUS de verdade e a unidade que costumo ir em muitos momentos não tem médico, mas a prefeitura continua recebendo verbas federais pelo PSF (recebe quase nada do Estado de SP, uma merreca).
Por Giliate C. Coelho Neto
Caro Nassif e Fernando,
Acho preocupante o avanço das Organizações Sociais no SUS, e exponho os motivos.
Algumas OSs prestam serviço de boa qualidade, e é fato que os serviços públicos de saúde precisam ganhar em eficiência.
Porém, se constituem como um forte estímulo à lógica concorrencial entre os serviços do SUS, e isso, do ponto de vista de organização inteligente do sistema, é bastante questionável. Por mais que uma OS não possua, juridicamente, o objetivo do lucro monetário, me parece factível que toda OS bem organizada vise uma expansão dos seus serviços – ou seja, um lucro caracterizado por novos contratos com o Estado. Nessa lógica, não é interessante ter concorrentes prestando bons serviços – ou mesmo age para não ter concorrentes – pois isso pode vir a interferir na expansão dos contratos.
É o mesmo modelo do setor privado da saúde. É como se o SUS fosse um "plano de saúde público", que contrata serviços para prestarem assistência a seus clientes/usuários. Isso vem acompanhado de efeitos colaterais importantes. Para manter a rentabilidade do sistema, o setor privado costuma buscar alternativas de restrição do acesso dos usuários. Pois, baseado num sistema de práticas clínicas centradas no consumo de procedimentos de alta complexidade, os planos de saúde tem cada vez mais dificuldade de fechar suas contas.
Na iniciativa privada, isto também tem repercussões na distribuição dos serviços no território, pois no momento que existem mais serviços descentralizados, a possibilidade de aumento do acesso é grande, pelo fato da população cada vez mais medicalizada e óbvio, pela facilidade de deslocamento. Veja o exemplo da cidade do Recife, onde a maioria dos hospitais e exames de alta complexidade estão concentrados em um único bairro, a Ilha do Leite.
Na prática, são montados mini-sistemas de regulação dos serviços gerenciados por cada OS´s. Uma mesma OS gere algumas UPAS e um hospital de referência, o encaminhamento para esse hospital é prioritário para as UPAS gerenciadas por essa OS. A gestão pública estatal vai se esvaziando em poder de regulação, pois esta também é delegada. O sistema perde a sua globalidade, e critérios de classificação de risco são relativizados dependendo do serviço de origem de cada paciente.
De fato, o que está no cerne, na gênese, no coração da proposta de Organizações Sociais é um profundo descrédito, com parcial razão, da possibilidade do serviço público em prover serviços públicos eficientes. A proposta passa, inclusive, pela absorção de setores estatais completos por OS´s, inclusive do quadro de servidores públicos.
Vale ressaltar, ainda, que é considerável o número de contratos que não prevê a obrigatoriedade de direitos trabalhista e muito menos Plano de Cargos e Carreira (o que é inviável num sistema geridos por OSs). É uma flexibilidade de contratação que tem uma convivência relativamente tranqüila com a alta rotatividade de profissionais, pois há pouco incentivo para o investimento do trabalhador na sua carreira. Com um perfil epidemiológico cada vez mais caracterizado pelo aumento de doenças crônicas na população, é um erro grosseiro não investir e incentivar os profissionais a permanecerem a médio e longo prazo no serviço. O hipertenso não acompanhado de forma longitudinal no decorrer dos anos é o mesmo vai chegar com um derrame cerebral no serviço de urgência, e elevar de forma significativa os custo do sistema - falo isso para além do óbvio, que é o descaso ético e o descuidado com essas pessoas, ao qual deveria ter assegurados seu direito à saúde.
Por fim, o estabelecimento de contratos de gestão/programa com serviços de saúde, a gestão por metas e resultados, a flexibilização na gestão contábil, dentre outras, não são - nem de longe - exclusivas das OSs. Fazemos isso hoje nas Fundações Estatais, e dá pra fazer muita coisa inclusive na administração direta.
Abraço,
Giliate Coelho Neto
Médico, gestor público da Fundação Estatal de Saúde da Família da Bahia 
Também falo do ponto de vista estadual, pois onde moro, zona sul, tem um hospital que queria ser o melhor hospital brasileiro público, contudo hoje enfrenta os mesmos problemas de todos, sem vagas da UTI pediátrica, mal atendimentoe longas esperas no PS. Falo isso porque uso e não como alguém que com uma crise procura o PS dos hospitais do Morumbi ou espigão da paulista.
Quanto as metas e valores são bem questionáveis, pois já vi muito contrato de gestão que a meta combinada é menor do que a necessidade da população, ai fica fácil até superar a meta, alias qualquer meta.
Agora isso é em todo o Estado de SP,as OS são as entidades que sempre estiveram ali, recebendo convênios da prefeitura, que pega um serviço reformado pela prefeitura e passam a receber recursos para administra-los, quase um negócio de comadres.
Agora do ponto de vista jurídico, desde 2009, há discussão no Ministério Público Federal, inclusive com sentença contrária a prefeitura. Bem como o Ministério Público Estadual, e o grupo de ação especial, GAESP, o grupo de saúde pública tem investigado os desmandos da prefeitura de São Paulo em relação as OS.
Será desconhecimento do assunto ou será conflito de interesse? Acho que podemos fazer um debate profundo sobre modelo de gestão, em consonância com o modelo de assistência e o SUS que queremos, ou melhor, podemos defender uma posição e isso não ser um problema, mas não dá para desqualificar a crítica (de todo um movimento sanitário - CEBES, ABRASCO, APSP) e diversas produções acadêmicas e movimentos sociais e dizer que eles estão errados. sera?
Segundo o site de uma das principais parceiras, o CEJAM, o autor desta matéria tem forte relação com a entidade: http://www.cejam.org.br/cejam/index.php?fnc=tecnica&module=cejam
COMISSÃO TÉCNICO CIENTÍFICA
» Dr. FERNANDO PROENÇA DE GOUVÊA
» Dra. MARIA LAURA DEORSOLA
» Dr. WALDEMAR MURAKAMI
» Dr. ANTONIO CLAUDIO DO A. BARUZZI
» Dr. OLMAR SALES LIMA
» Dr. FERNANDO BUENO PEREIRA LEITÃO
E agora é falta de conhecimento ou defesa de uma posição?
Este debate é fundamental, mas não é por ai. São Paulo tem um orçamento de cercad e 4,5 bilhões de reais/ano, com mais de 1,3 bi do governo federal, muito ou quase nada do ESTADO de SP. para repassar milhões de reais por ano, sem fiscalização do Conselho Municipal de Saúde.
OUtro problema é quanto o desmando em relação aos servidores público, a cada ano a maioria dos trabalhadores são das OS, os servidores tem sido colocados a disposição e desrespeitados pelas OS, inclusive a prefeitura perseguindo as lideranças sindicais.
Acho que há outras críticas, inclusive ao modelo de Gestão público estatal que podemos discutir. Principalmente a partir de que SUS nós queremos, a população necessita, com quais recursos e como se dará a participação da população na fiscalização.
Saudações sanitaristas.
Fábio Souza 
 
"AQUI O HOSPITAL PSIQUIÁTRICO É MAIS ACOLHEDOR DO QUE OS CAPS ." - COLEGA DA SAÚDE MENTAL

DINHEIRO DO SUS: DINHEIRO DO POVO - Já é pouco, ainda mais gastando assim...

Nelsinho chegou a pagar até 1.625% a mais em medicamentos do SUS em 2012

  
Pio Redondo
Arquivo Midiamax
O deputado Henrique Mandetta e Leandro Mazzina foram os secretários de saúde de Neslinho

1.625%! Essa é uma das diferenças de preços relativos a 2012, que constaemlista de valores de 86 medicamentos, cotados ou comprados por pregão na gestão do ex-prefeito Nelson Trad Filho, se comparadosas compras da atual gestão do prefeito Alcides Bernal.
Licitados pela Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), os medicamentos são destinados aoshospitais e postos mantidos pelo SUS de Campo Grande, e comprados os milhares de unidades, o que significa um custo de milhões de reais.
Tamanha variação ocorreu em pregões já efetuados em 2012, ou que seriam finalizados, mas foram cancelados por falta de tempo hábil para sua concretização em final de mandato do ex-prefeito.
Em 2013, as novas compras da Sesau ainda computaram o aumento de preços previsto em lei para medicamentos, com variação de 3 a 6%.
O índice de 1.625% se refere ao produto ‘Carbonato de Cálcio 1250 mg’. O preço por unidade do produto era de R$ 1,38 (um real e trinta e oito centavos) nas cotações e compras de 2012. Com os novos preços de 2013, a unidade do medicamento caiu para R$ 0,08 (oito centavos).
O novo preço é 17 vezes menor que o anterior.
Em outros casos, as variaçõestambém são gritantes.
Veja os exemplos:
Carbonato de cálcio + Colecaiciferol (500 mg)
R$ 2,09 em 2012 contra R$ 0,50 em 2013 = 318% a mais
Ivermequitina 6 mg 328
R$ 2,40 em 2012 contra R$ 0,27 em 2013 = 788% a mais
 • Imunoglobulina Humana Anti-D RHO 300 mg
R$ 374,4 em 2012 contra R$ 145,5 em 2013 = 157% a mais
Doxazosina (Mesilato) 2 mg
R$ 0,22 em 2012 contra R$ 0,07 em 2013 = 214% a mais
Clonazepan 2,5 mg gotas frasco 20 ml
R$ 3,04 em 2012 contra R$ 1,00 em 2013 = 204 % a mais
Sinvastatina 20 mg
R$ 0,058 em 2012 contra R$ 0,005 em2013 = 1.060% a mais
Da lista de 86 medicamentos, apenas um manteve o mesmo preço anterior.
A imensa economia de recursos significa mais efetividade no tratamento e prevenção de doenças, para um número maior de pacientes do SUS. Além de possibilitar investimentos em outras áreas da saúde municipal.
Clique abaixo e confira as listas de medicamentos e os preços em anexo:
- lista 1;
- lista 2;
- lista 3.
Ex-prefeito diz que pagou preços da época
Apesar da gigantesca variação de preços em período curto que tempo, a assessoria do ex-prefeito Nelson Trad Filho afirmou, em nota de apenas quatro linhas, que “os fornecedores que apresentavam o menor valor para produtos solicitados venciam a licitação”.
Além disso, recorrendo ao portal Wikipédia, a assessoria explicou o que significa ‘pregão’.
Veja a nota na íntegra:
"As compras de medicamentos e materiais hospitalares em geral eram realizadas por meio de pregões públicos, eletrônicos ou presenciais, divulgados nos diários oficiais do Município e do Estado, além de jornais de grande circulação. Durante o pregão, os fornecedores que apresentavam o menor valor para produtos solicitados venciam a licitação".
P.S. Pregão é uma das 6 modalidades de licitação utilizadas no Brasil, considerada como um aperfeiçoamento do regime de licitações para a Administração Pública Federal, Estadual, Distrital e Municipal. Esta modalidade possibilita o incremento da competitividade e ampliação das oportunidades de participação nas licitações, por parte dos licitantes que são Pessoas Jurídicas ou Pessoas Físicas interessadas em vender bens e/ou serviços comuns conforme os editais e contratos que visam o interesse público.
Também chamado de Leilão Reverso ou Holandês, o Pregão é realizado em lances sucessivos e decrescentes, no chamado "quem dá menos" (NBS). Desta forma, a Administração Publica, que está comprando, gera economia, o que significa o bom uso do dinheiro público. (Fonte: Wikipédia)”
http://www.midiamax.com.br/noticias/850002-nelsinho+chegou+pagar+ate+1+625+mais+medicamentos+sus+2012.html
 

BATATINHA QUENTE: CPI DA SAÚDE: GOVERNADOR (PMDB) X EX- PREFEITO (PMDB)

 
Vereadores estranham preocupação de Nelsinho e querem ouvi-lo na CPI da Saúde
Wendell Reis

     

Os vereadores ligados ao prefeito Alcides Bernal (PP) não entenderam a justificativa do prefeito Nelsinho Trad (PMDB), quando em nota declarou que o Hospital do Câncer e Hospital Universitário não têm qualquer ligação com a administração pública municipal. A declaração do prefeito causou estranheza nos vereadores, que insistem na convocação dele para prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Câmara. 
“O Fundo Municipal recebe recursos do Governo Federal, Governo do Estado e prefeitura. Estes recursos são geridos pelo gestor, que é o chefe do Poder Executivo, através dos secretários de Saúde. Não há dúvida que a responsabilidade pelo acompanhamento e aplicação deste recurso é do chefe do Poder Executivo. Causa estranheza esta posição dele, já que o próprio governador (André Puccinelli-PMDB) declara que a responsabilidade é da prefeitura”, questionou a vereadora Luiza Ribeiro (MD).
A vereadora, que foi a primeira a propor uma CPI na Câmara, entende que o prefeito deveria estar tranquilo e apresentar o argumento dele na CPI quando convocado. “A pessoa pública deve estar sempre aberta a prestar esclarecimento em qualquer instancia, especialmente na Câmara. Acho que ele deve ter tranquilidade, comparecer e dar todo esclarecimento”, analisou.
O vereador Zeca do PT também não entendeu a justificativa do ex-prefeito, que na opinião dele, levanta suspeita de que alguém está mentindo nesta história. “O André disse que ele também não tem nada a ver. Então, quem está acusando ele é o Puccinelli. Na minha opinião, os dois têm culpa”, opinou.
Zeca vai procurar a bancada do PT na Assembleia Legislativa para sugerir que eles peçam a convocação da secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi, na CPI da Saúde a ser criada na Assembleia Legislativa. O vereador entende que a secretária deve explicar porque transferiu o setor de oncologia do Hospital Universitário para o Hospital Regional e, depois, Hospital do Câncer. “Está todo mundo querendo lavar as mãos nesta história. Eles devem se explicar”, concluiu.
Em nota, Nelsinho Trad repudiou a tentativa de envolver o nome dele e da equipe nas irregularidades nos hospitais. Ele afirmou que todos os procedimentos de auditoria e fiscalização, que competiam à gestão plena do município, foram devidamente realizados, inclusive com a participação dos controles sociais, por meio do Conselho Municipal de Saúde.

A Terceira Lâmina

A Terceira Lâmina

Zé Ramalho


  

É aquela que fere
 Que virá mais tranqüila
 Com a fome do povo
 Com pedaços da vida
 Como a dura semente
 Que se prende no fogo
 De toda multidão
 Acho bem mais
 Do que pedras na mão...


Dos que vivem calados
 Pendurados no tempo
 Esquecendo os momentos
 Na fundura do poço
 Na garganta do fosso
 Na voz de um cantador...


E virá como guerra
 A terceira mensagem
 Na cabeça do homem
 Aflição e coragem
 Afastado da terra
 Ele pensa na fera
 Que o começa a devorar...

Acho que os anos
 Irão se passar


 Com aquela certeza
 Que teremos no olho
 Novamente a idéia
 De sairmos do poço
 Da garganta do fosso
 Na voz de um cantador...


E virá como guerra
 A terceira mensagem
 Na cabeça do homem
 Aflição e coragem
 Afastado da terra
 Ele pensa na fera
 Que o começa a devorar...

Acho que os anos
 Irão se passar


 Com aquela certeza
 Que teremos no olho
 Novamente a idéia
 De sairmos do poço
 Da garganta do fosso
 Na voz de um cantador...


Heiá! Oh! Oh!
 Heiá! Oooooooh!
 Oh! Oh! Oh! Oh!