domingo, 4 de agosto de 2013

DAVID BOWIE

 

 

Starman

Didn't know what time it was,
the lights were low
I leaned back on my radio
Some cat was layin' down
some rock 'n' roll 'lotta soul, he said
Then the loud sound did seem to fade
Came back like a slow voice on a wave of phase
That weren't no D.J. that was hazy cosmic jive


There's a starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children blue again


I had to phone someone so I picked on you
Hey, that's far out so you heard him too!
Switch on the TV we may pick him up on channel two
Look out your window I can see his light
If we can sparkle he may land tonight
Don't tell your poppa or he'll get us locked up in fright


There's a starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children blue again


Starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children blue again

sábado, 3 de agosto de 2013

O CORVO (tradução de Machado de Assis)

Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e "Com efeito,
(Disse), é visita amiga e retardada
"Que bate a estas horas tais.
"É visita que pede à minha porta entrada:
"Há de ser isso e nada mais".

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
"Mas como eu, precisando de descanso
"Já cochilava, e tão de manso e manso,
"Batestes, não fui logo, prestemente,
"Certificar-me que aí estais".
Disse; a porta escancar, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, com um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Älguma coisa que sussurra. Abramos,
"Eia, fora o temor, eia, vejamos
"A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais,
"Devolvamos a paz ao coração medroso,
"Obra do vento, e nada mais".

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
de um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
"Vens, embora a cabeça nua tragas,
"Sem topete, não és ave medrosa,
"Dize os teus nomes senhoriais;
"Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mecher uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
"Tantos amigos tão leais!
"Perderei também este em regressando a aurora".
E o corvo disse: "Nunca mais!"

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
"Que ele trouxe da convivência
"De algum mestre infeliz e acabrunhado
"Que o implacável destino há castigado
"Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
"Que dos seus cantos usuais
"Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
"Esse estribilho: "Nunca mais".

Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".

Assim pôsto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da Lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
"Manda repouso à dor que te devora
"Destas saudades imortais.
"Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora".
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
"Onde reside o mal eterno,
"Ou simplesmente náufrago escapado
"Venhas do temporal que te há lançado
"Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
"Tem os seus lares triunfais,
"Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
"Por esse céu que além se estende,
"Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
"Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
"No Éden celeste a virgem que ela chora
"Nestes retiros sepulcrais,
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais!"

"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
"Regressando ao temporal, regressa
"À tua noite, deixa-me comigo...
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo
"Pluma que lembre essa mentira tua.
"Tira-me ao peito essas fatais
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais".

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!
Edgar Allan Poe

Mulher chora, defende Dilma e constrange médicos durante protesto

Edivaldo Bitencourt e Graziela Rezende


(Foto: Marcos Ermínio)(Foto: Marcos Ermínio)
Uma mulher chorou, defendeu o programa da presidente da República Dilma Rousseff (PT) e constrangeu os profissionais da área da saúde presentes no protesto contra o projeto Mais Médicos. Eles realizaram uma passeata pelas ruas da Capital para protestar contra a importação de 6 mil médicos do exterior e cobrar melhorias no SUS (Sistema Único de Saúde).
Representante da ONG Mães Precoces Fragilizadas, Maria José Pinheiros ficou revoltado com o ato dos profissionais de saúde contra o programa Mais Médicos. “É revoltante ver o protesto contra um Governo humanitário, que está tentando resolver o problema de falta de médicos”, afirmou a mulher.
Bastante revoltada, ela gritou com os manifestantes, que a ouviram constrangidos. “Não é protesto, é baixaria. Não é justo vocês ficarem agitando desqualificando o programa do Governo”, disse.
“Os médicos estão lavando as ruas de sangue ao invés de ajudar e buscar atitudes para ajudar idosos e crianças”, lamentou. “Não estão fazendo nada”, argumentou.
A mulher, assim como os médicos, afirmou que não tem partido político nem preferência ideológica.
 

 

Após "notoriedade" em briga com médicos, mulher quer dar força a Dilma

 
 
Mulher imprimiu matéria do Campo Grande News e colheu assinaturas em 14 páginas do texto (Foto: Marcos Ermínio)Mulher imprimiu matéria do Campo Grande News e colheu assinaturas em 14 páginas do texto (Foto: Marcos Ermínio)
A resposta da sociedade contra o Ato Médico, realizado em Campo Grande na semana passada, que teve a adesão de cerca de 500 profissionais, veio de forma singela e isolada por parte de uma mulher. Ela quase perdeu a vida na fila de um hospital em 2009. Maria José Pinheiros, que ficou conhecida no último dia 23 ao se desesperar, chorar e defender o programa “Mais Médicos”, da presidente Dilma Rousseff (PT), decidiu sair às ruas para provar que a sociedade é a favor do programa federal.
Protesto de uma só pessoa. Essa foi a atitude tomada por Maria, que é presidente da ONG Associação de Amparo a Mãe Precoce e à Família Fragilizada. Nas horas vagas de seus últimos dias, a mulher percorreu as ruas da Capital para colher assinaturas em um abaixo assinado a favor do programa que pretende levar médicos para atuarem durante três anos na atenção básica à saúde em regiões pobres do Brasil.
Maria conta que tomou a decisão depois que se viu na matéria “Mulher chora, defende Dilma e constrange médicos durante protesto”, veiculada pelo Campo Grande News. “A matéria teve uma grande repercussão. Fui vendo ali os comentários dos internautas e tive uma ideia: quero ouvir a sociedade e saber o que ela realmente quer sobre o assunto. Quero saber se as pessoas estão conscientes e se querem mais médicos”, afirmou.
Pensado e realizado. Maria imprimiu a matéria do jornal com os comentários dos leitores – 14 páginas de texto –, saiu às ruas da cidade e conseguiu colher 344 nomes e telefones de pessoas que apoiam o programa de Dilma. As assinaturas foram postas nas próprias folhas onde a matéria e os comentários estavam impressos.
“Percebi que o povo quer médico, independente de onde venham. É claro que a prioridade é que sejam médicos brasileiros. Mas se vierem de fora, porque não?” indagou. Maria completo dizendo que além de quererem mais profissionais atuando na saúde pública, a sociedade também anseia por um sistema que funcione melhor: com remédios a disposição da população e instrumentos de trabalho para os profissionais.
“Não adiante ter só o médico porque ele não vai fazer milagre”, opinou a militante. Ela também disse que durante sua peregrinação encontrou pessoas que não pensavam da mesma forma. “Elas foram contra porque são parentes e amigos dos médicos. É claro que não conhecem a realidade da população que sofre no SUS (Sistema Único de Saúde)”, garantiu.
Para que seu trabalho não tenha sido em vão, Maria disse que pretende encaminhar o “documento” às autoridades competentes que possam fazer com que os papéis cheguem até à presidente da República. “Quero que ela não desanime com as críticas recebidas por parte dos médicos”, disse. “Também quero encaminhar ao CFM (Conselho Federal de Medicina) e ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para que eles saibam que a população é a favor do programa e quer mais médicos”, prometeu.
Ao todo, foram 344 assinaturas recolhidas (Foto: Marcos Ermínio)Ao todo, foram 344 assinaturas recolhidas (Foto: Marcos Ermínio)
No dia do protesto, Maria constrangeu os médicos (Foto: Marcos Ermínio)No dia do protesto, Maria constrangeu os médicos (Foto: Marcos Ermínio)
Engano, desabafo, constrangimento e notoriedade – “Quando vi todo mundo de branco, eu me animei e pensei: é pela paz”, disse Maria sobre o protesto médico ocorrido na semana passada em Campo Grande. A mulher disse que estava sentada na Praça Belmar Fidalgo quando viu a concentração das pessoas.
“Quando eu cheguei lá, descobri que me enganei. Foi grande o choque, foi grande o impacto porque eu tava ali vendo uma situação de paz, todo mundo de branco. Aquilo me doeu muito porque a gente sabe o quanto temos visto pessoas sofrerem e morrerem nas filas dos hospitais. Olhei e não acreditei”, revelou.
Depois de descobrir a verdadeira intenção do manifesto, Maria contou que ficou indignada e tratou logo de entrar no meio das pessoas para dar um “puxão de orelha” em que estava ali. Ao expor seus argumentos, a mulher constrangeu os médicos do protesto.
“Fiquei desesperada. Lembrei de quando eu quase morri de dengue com minha filha na fila de um hospital. Eles estavam protestando contra o direito de a gente ter mais médicos. Eles estão protestando contra a população”, afirmou.
Maria contou que ficou muito revoltada. Para ela, os profissionais da saúde deveriam ir às ruas para brigarem “pelo dinheiro roubado dos hospitais, pela máquina que deveria ter vindo para cá (aceleradores nucleares recusados pela Santa Casa e Hospital Regional), protestarem contra essa badernação (sic) e contra a falta de leitos”.
Enquanto isso, “as pessoas que pagam seus impostos e têm seus direitos garantidos estão morrendo a míngua”, opinou.
Para Maria, a matéria sobre seu desabafo teve uma grande repercussão e ela tinha como obrigação buscar o lado da sociedade sobre a questão
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

 

IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica / Saúde da Família

As inscrições começam no dia 1º de agosto e seguem até 15 de setembro de 2013
 
Brasília (DF) irá acolher – em 2014 – pessoas de todo o país em um encontro que será importante marco para a atenção básica brasileira!
Aproximadamente 10 mil pessoas – entre trabalhadores, gestores e usuários de todas as regiões – estarão reunidas na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica / Saúde da Família para promover um intercâmbio que tem por objetivo estimular soluções criativas e replicáveis para os desafios em relação ao acesso com qualidade aos serviços de saúde na atenção básica.
Durante o evento haverá apresentação de relatos, mesas redondas, atividades culturais e diversas formas de interação entre os participantes. Entre as novidades da IV Mostra está a formação de uma equipe de curadores, que dará todo o suporte necessário para a elaboração das experiências inscritas.
As inscrições de experiências devem ser realizadas entre 1º de agosto e 15 de setembro de 2013. Para mais informações acesse www.atencaobasica.org.br/mostra.
Participe! Queremos conhecer a sua experiência!

Aldeia Sesc promove circuito cultural em Campo Grande no mês de agosto

O Aldeia busca incentivar a criação e a participação da sociedade no fazer cultural e na esfera de decisão sobre os conceitos de identidade cultural regional e nacional.




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Entre os dias 08 a 16 de agosto o Sesc Horto, integrante do Sistema Fecomércio MS, prepara uma programação voltada a produção cultural e artística, integrando o local e o nacional.  A Aldeia Sesc Terena de Arte e Cultura será realizada em vários espaços: Praça Ary Coelho, Praça das Índias – em frente ao Mercadão Municipal e também em vários ambientes do Sesc Horto, além dos espaços dos parceiros Centro cultural Octavio Guizzo e SEDA – Semana do Audiovisual de Campo Grande.
O projeto surgiu com a proposta da valorização da diversidade de nosso estado, através dos territórios regionais e matizes formadoras da nossa identidade cultural, capacitando e fortalecendo as identidades locais. Democratizar o acesso aos bens e serviços culturais, em suas múltiplas linguagens e formas de expressão, frente aos meios de produção, difusão e distribuição desse setor, também esta dentro da proposta do circuito. Assim como incentivar a criação e a participação da sociedade no fazer cultural e na esfera de decisão sobre os conceitos de identidade cultural regional e nacional.
Para a implantação desse projeto, o Sesc Horto segue em parceria com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Universidade Federal e Estadual de Mato Grosso do Sul  - UFMS,UEMS e Fora do Eixo.
Para participar das oficinas da Aldeia Sesc Terena de Arte e Cultura a taxa de Inscrição é de R$15,00 para usuários e R$10,00 para comerciários. Mais detalhes podem ser obtidos no Sesc Horto pelo telefone 3357-1200.
Confira abaixo toda a programação:
 
1. Oficina "Cinema do Novo Oeste e os desafios do produtor independente"
08 a 10 de agosto | das 14h às 17h
Ministrante: Givago Oliveira
Total de 9h/aulas | 20 vagas
 
2. Oficina "Olhares fotográficos- Conceitos e Experiências"
08 a 10 de agosto | das 14h às 17h
Ministrante: Thiago Silva
Total de 9h/aulas | 20 vagas
 
3. Oficina: Técnicas do espetáculo O Silêncio
10 de agosto | das 13h às 17h
Ministrante: Grupo de Pesquisa Cênica/DF
Total de 4h/aulas | 20 vagas
 
4. Oficina: “Desenho de Observação”
12 a 16 de agosto | das 14h às 18h
Ministrante: Leonnardo Vieira e Renata Cacéres
Total de 15h/aulas | 25 vagas
 
5. Oficina "Ilha de Origami" (sem inscrição)         
08 a 15 de agosto| das 19h às 21h e 16 | das 19 às 21h
Ministrante: Elder Alves
 
6. Oficina "Lambe-Lambe" (sem inscrição)
8 de agosto | das 18h às 20h e 16 de agosto | das 19h às 21h
 
7. Oficina "Silk Screen" (sem inscrição)
08 a 16 de agosto | das 11h às 13h (exceto dia 11-domingo)
Duração 2h/dia | TOTAL de 16h/aulas
Ministrante: Equipe de Cultura do Sesc
 
Minicurso
Oficina: “Elaboração de projetos culturais”
12 a 16 de agosto | das 14h às 18h (Dia 15 | das 13h às 18h)
Ministrante: Lígia Marina de Almeida
50 vagas
 
Exposição de Pintura: Coletivo Aurora - Período: 8 a 16 de agosto
Sinopse: A exposição terá curadoria da professora Priscilla Pessoa (UFMS), sendo que as pinturas são o resultado da Disciplina Oficina de Pintura I e da organização da produção entre os próprios acadêmicos, que com esta exposição farão a primeira exposição e apresentação do Coletivo
Valor do investimento no Teatro: R$ 10,00 (comerciário/comerciário parceiro/dependente) | R$ 15,00 (usuário parceiro) | R$ 20,00 (usuário)
 
CAETANA - DUAS COMPANHIAS/PE
Teatro adulto (Classificação: 12 anos) | PALCO GIRATÓRIO
8 de Agosto – Teatro Prosa – SESC Horto – 20h
 
O SILÊNCIO - GRUPO DE PESQUISA CÊNICA/DF
Teatro adulto (Classificação: 16 anos) | SESC ENCENA
9 e 10 de Agosto – Teatro Prosa – SESC Horto – 20h
 
TENHO FLORES NOS PÉS - COMADANÇA/MT
Dança (Classificação: 12 anos) | SESC ENCENA
11 de Agosto – Teatro Prosa – SESC Horto – 20h
 
PLURAL - CIA. DE TEATRO NU ESCURO/GO
Teatro adulto (Classificação: Livre) | SESC ENCENA
12 de Agosto – Teatro Prosa – SESC Horto – 20h
 
SINGULARES - CIA. DANÇURBANA/MS
Dança (Classificação: Livre) | SESC ENCENA
13 de Agosto – Teatro Prosa – SESC Horto – 20h
 
ANA-ME - TEATRO DE SENHORITAS/SP
Teatro adulto (Classificação: 12 anos) | SESC ENCENA
14 de Agosto – Teatro Prosa – SESC Horto – 20h
 
A PEREIRA DA TIA MISÉRIA - NÚCLEO ÁS DE PAUS/PR
Teatro de Rua (Classificação: Livre) | PALCO GIRATÓRIO
15 de Agosto – Praça Ary Coelho – 18h
 
LA PERSEGUIDA - TEATRO VAGAMUNDO /RS
Teatro de Rua (Classificação: Livre) | PALCO GIRATÓRIO
16 de Agosto - Praça das Índias - 17h30
 
 

 

Sabiá

Vanessa da Mata


Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir
Cantar uma Sabiá...

Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia...
Vou voltar!

 Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer...

Serviço Nacional de Saúde - SNS (Portugal), por Paulo Mendo

SNS: Um artigo fundamental de Paulo Mendo
Quem quer matar o Serviço Nacional de Saúde (SNS)?

Paulo Mendo



O SNS tem cinquenta anos de luta cívica persistente.

Ideia surgida em fins dos anos cinquenta, liderada pelo Prof. Miller Guerra, então dirigente da Ordem dos Médicos, apoiada por jovens médicos que rapidamente foram criando um rede de militantes em todo o país, culminou com a apresentação de um relatório, o Relatório das Carreiras Médicas em que, pela primeira vez uma classe universitária, defensora da medicina como profissão liberal entregava ao Governo um projecto politico em que propunha, por dever patriótico e sentido de missão, um programa de ação, de organização e de financiamento de um serviço público de saúde com quadros profissionais de funcionários em carreiras de Estado.

Salazar opôs-se, apesar da simpatia de muitos dos políticos mais directamente implicados na balbuciante política de Saúde. e tivemos que esperar quase dez anos para que se começasse a executar com medo e sem foguetes algumas das propostas do Relatório das Carreiras.

Foi sobretudo na era Marcelista e no Ministério da Saúde de Baltasar Rebelo de Sousa que um grupo notável de médicos de Saúde Pública e de gestores, altos funcionários do Ministério da Saúde iniciaram a grande transformação da politica de saúde do País com a publicação e execução de dois célebres diplomas: os decretos 413 e 414 de 1971.

Foram estes homens, que por sorte eram dirigentes do Ministério ( por distracção da PIDE?) que, não, só acataram a decisão revolucionária da inscrição na nossa Constituição democrática do direito à Saúde, como foram eles que, nos 1º e 2º Governos constitucionais, orientaram, e participaram no estudo do Diploma criador do Serviço Nacional de Saúde que em 79 o Dr. António Arnaut, apresentou, defendeu e conseguiu fazer aprovar no Parlamento:

UM SNS tutelado pelo Estado, gratuito para todos os cidadãos no ato da prestação, mantido por profissionais de saúde de formação superior, assente em carreiras profissionais de acesso e progresso por concursos públicos hierarquizados, onde o mérito é o garante da dignidade de pertencer a uma carreira de Estado.

Em trinta anos o S N S transformou a saúde de Portugal.

Dispondo sempre de financiamento “per capita” para a saúde inferior à média dos seus parceiros europeus e dos países da OCDE, o SNS conseguiu trazer-nos para o grupo dos países com os melhores serviços de saúde do Mundo, ocupando lugares de distinção no ranking mundial dos serviços públicos

E a crise que nos últimos anos se abateu sobre nós veio encontrar-nos na situação paradoxal de possuirmos uns serviços de saúde se não exemplares, pelo menos de qualidade, quase gratuitos para o cidadão, bem distribuídos, equitativos e de eficácia reconhecida e invejada, dos mais baratos da Europa mas, segundo os políticos, demasiado caros para a riqueza do País!

E assim, os políticos que tinham falhado em toda a Europa na previsão da crise, que se entregaram de mãos atadas às sociedades financeiras que incentivaram gastos e dívidas para depois virem obrigar ao seu pagamento, vieram obrigar Portugal a gastar menos na saúde, considerada área de desperdício e de gastos exagerados pela “Troika”.

Mito grosseiro porque Portugal tem dos melhores índices sanitários do Mundo com custos incomparavelmente menores.

Mas mito que ganhou raízes e os cortes na saúde passaram a ser brutais, obrigatórios e impostos.

Como não podia deixar de ser, os cortes, apesar de feitos tentando poupar as classes mais pobres e menos protegidas, são difíceis de suportar por muitos milhares de doentes que têm no SNS e nos seus benefícios a ajuda indispensável aos seus tratamentos.

Situação dramática, porque inevitável enquanto o país não superar a crise catastrófica que as políticas recentes criaram.

Mas a penúria atual que torna a penúria histórica da saúde parecer abastança, não pode levar à morte do programa de saúde que o Portugal democrático iniciou há quarenta anos com sucesso por todos reconhecido.

Bem sabemos e sentimos que durante a crise não podemos continuar a desenvolver serviços e a aumentar apoios e orçamentos, mas podemos e temos o dever de preservar as traves mestras do SNS: a dignidade das suas carreiras de Estado baseadas na excelência da formação e progressão dos seus profissionais pelo mérito de concursos públicos, a maior atenção e apoio á autonomia e responsabilidade dos serviços prestadores, Hospitais, Centros de Saúde e USF, essenciais servidores dos doentes, cuja proteção tem que ser constante.

Temos dois ou três anos para pensarmos a política pós-crise que queremos para o nosso SNS, que a Constituição consagra e que só poderá acabar se esta for alterada, o que não será o caso.

E muita coisa deverá ser desde já estudada e corrigida.

O financiamento sa Saúde tem que ser repensado, a organização dos Hospitais públicos em serviços deve ser abandonada, a sua gestão tem que ser mudada, diria mesmo invertida, passando do figurino de empresa industrial para o de centro comercial, o hospital empresa (EPE), maravilha de gestão que o Tribunal de Contas denuncia deve acabar e voltar à gestão pública com enquadramento jurídico próprio.

As convenções e contratos de funções com o sector privado têm que ser fomentados e organizados com o S.N.S. como cliente exigente, referência de qualidade e guardião do interesse do cidadão e não em parcerias sempre ruinosas.

O cidadão tem que ser o centro indiscutível de todo o sistema, pelo que todas as medidas que melhorem a acessibilidade dos serviços, o conforto das instalações, a delicadeza do atendimento, a pormenorizada informação ás populações interessadas, o incentivo e convite à participação nos movimentos de Voluntariado em Saúde, a liberdade de escolha do médico de família e os serviços de proximidade são objectivos essenciais que tempos de crise devem considerar ainda mais prioritários, porque exigindo poucos investimentos.

Toda a minha vida profissional e política esteve associada á execução do programa de saúde que a democracia escolheu.

Participei no movimento das Carreiras Médicas em 1959, ano da minha inscrição na Ordem.

Fiz toda a minha vida como funcionário público, em carreira de Estado, cumprindo as suas regras e batendo-me pela sua melhoria.

Após Abril, fui Secretário de Estado da Saúde em 76-77 e em 81-83 e Ministro da Saúde em 1993-1995, fui Director do primeiro Serviço de Neurorradiologia do País e Director do Hospital Geral de Santo António de 1987 até ser convidado para Ministro.

Conheço e respeito o actual Ministro da Saúde cuja tarefa é, ainda há dias o afirmou, salvar o SNS da falência, o que tem feito com muita coragem e bom senso.

Não sendo um profissional de Saúde os seus objectivos à frente do Ministério são naturalmente orientados para a recuperação financeira do SNS, a racionalização dos custos e o cumprimento dos cortes impostos brutalmente à Saúde e que atingem mais de mil milhões de euros.

Tarefa dificílima para a qual foi escolhida a pessoa mais competente, corajosa e bem preparada do País.

O que a minha consciência e a minha experiência politica não aceita é a justificação, pela crise, do abandono dos princípios basilares e fundadores e. pelo contrário, se assista, por parte dos órgãos técnicos de apoio ao Ministro, à desvirtuação do SNS que a Constituição consagra até chegarmos ao ponto inaceitável e “assassino” de contratar por empresas privadas lucrativas de recursos humanos o fornecimento de profissionais médicos…pelo preço hora mais baixo!

Deixou de haver algum pudor e o ataque ao SNS passou a ser à bruta e às claras..

Por isso o meu mais veemente protesto contra a execução cada vez mais frequente, de medidas que vão, sistemática e deliberadamente, destruindo o património imenso de experiência, satisfação do doente, competência e dignidade que se tem acumulado na política do sector.

Hospitais EPE, parcerias público privadas, concentração de hospitais em Centros Hospitalares geridos à distância sob pretexto nunca provado de melhor gestão, rede centralizada de cuidados continuados que só tem sentido ético e humano na proximidade da família, contratações sem concursos, destruição das carreiras (e do orgulho de sermos servidores do estado), a burocratização que ameaça as USF e muito mais, tudo se insere num ambiente geral de destruição sistemática do melhor serviço público da democracia portuguesa.

Coroando este ataque sistemático aos fundamentos do SNS público, iniciado após o Ministério de Maria de Belém e continuado e persistentemente prosseguido pelos Governos socialistas, com o incrível pretexto de que é para o salvar, assistimos agora, perplexos e revoltados, como já referi, à abertura de um concurso para as agências de emprego colocarem mais de mil médicos no SNS, sem concurso, sem análise curricular de qualidade, sem inserção em carreiras ou programas de ação, sem participação dos serviços prestadores e em que a condição prioritária de colocação é …o preço hora de trabalho mais barato!

É o “assassinato” da alma e da qualidade de um serviço público que os frios técnicos de gestão desprezam e que querem entregar ao privado numa persistente operação onde as parcerias publico privadas já feitas, que são uma vergonha nacional, valerão tostões, comparadas aos custos que pagaremos no futuro às empresas que se preparam para liderar um sistema em que o sector público garante e paga e o sector privado executa e mete a conta.

Porque eles sabem que a Saúde tem já, no mundo, um volume de negócios superior ao do petróleo

Ao SNS talvez lhe entreguem a execução dos internatos e a preparação dos profissionais atendendo a população mais pobre e desprotegida.

Um SNS para os pobres e a liberdade de escolha para os ricos que irão ao sector privado prestador que o Estado pagará será o projecto a desenvolver.

Como posso eu ficar calado!

07-06-2012
 
 
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