quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Três mil índios protestam em Sidrolândia contra enrolação na demarcação de terras

 
Fernanda Kintschner e Nealla Machado
 
 
Cerca de três mil indígenas se reuniram próximo da Fazenda Buriti, palco de conflitos entre proprietário e índios Terena, para protestar quanto a morosidade das demarcações para ampliação da Aldeia Buriti. Eles prometem resistir até a morte, caso seja decidido a favor dos produtores rurais.
Os indígenas criticam o adiamento da reunião com o Ministério da Justiça marcada para ontem (5) e mudada para amanhã (7), às 14h em Brasília. Eles alegam que já era para ter uma decisão final do Governo Federal sobre quem fica com a terra Buriti, se o proprietário Ricardo Bacha ou os indígenas.
De qualquer forma, uma decisão não favorável aos índios não está sendo cogitada pelos Terena. “Se não demarcarem, vamos marca a terra por nossas próprias mãos. Chega de sofrimento”, disse o cacique Ageu Reginaldo Terena, mostrando a foice quando avisa que a demarcação será pela própria tribo.
Segundo o cacique, os indígenas não vão aceitar mais demora. “Não vamos aceitar que a União brinque com essa gente. Estamos sendo ameaçados e não vamos nos calar”, destacou.
“ Perdemos a guerra, mas não perdemos a luta. Quem matou nosso irmão foi o Governo. Nós não vamos nos calar até conseguir”, afirmou o filho do cacique, Gênio Reginaldo Francisco Terena.
Para o ancião da Aldeia Buriti, Basílio George Terena, a situação é mais grave. “Eles dizem que vão matar índio. Nós estamos lendo na internet, fazendeiro fazendo ameaça. Se vai matar índio, se está em época de exterminar, então vai acontecer porque nós não vamos sair daqui”.
Luiz Alberto
No local há doze homens da Força Nacional que acompanham em três carros o protesto de forma a evitar violência, por ambas as partes. O Governo do Estado estendeu a permanência da Força por mais 45 dias.
 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

BEIRUT

O Leãozinho

Caetano Veloso


Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho


Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho


Um filhote de leão raio da manhã;
Arrastando o meu olhar como um ímã...
O meu coração é o sol, pai de toda cor;
Quando ele lhe doura a pele ao léu...


Gosto de te ver ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba


Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar no mar

EM TEMPOS DE "MELHORA" DO IDH - HUMMM??? HUMANOO??

Superlotadas, delegacias registram até morte e podem ser interditadas

Aliny Mary Dias e Graziela Rezende

Greve de agentes penitenciários começou na última quinta-feira (Foto: Marcos Ermínio)Greve de agentes penitenciários começou na última quinta-feira (Foto: Marcos Ermínio)
 
A greve dos agentes penitenciários estaduais chega ao 6º dia e o não recebimento de detentos nas unidades já superlota o trabalho nas delegacias da Polícia Civil em Campo Grande. Segundo o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), as duas Depacs (Delegacias de Pronto Atendimento Comunitário) estão com a lotação das celas quase cinco vezes maior do que a capacidade e a morte de um preso também foi registrada na noite de ontem (5).
O presidente do Sinpol, Alexandre Barbosa, explica que os policiais civis já cogitam a interdição das delegacias se nenhuma atitude for tomada por parte do Estado ou se a greve dos servidores não acabar.
“As delegacias também não possuem estrutura alguma para cuidar de preso. Sem uma política de segurança pública, um problema como esse iria ‘explodir’ a qualquer momento”, afirma Barbosa.
Nesta terça-feira (6), as duas Depacs estão com 37 detentos nas celas, 19 na Depac do Centro e outros 18 na Vila Piratininga. “Ao invés de ir para rua, os policiais precisam ficar na delegacia para cuidar de preso e isso não é a atribuição deles. O trabalho está prejudicando a população”, explica o presidente do Sinpol.
Ainda de acordo com o sindicato, o problema já começa a gerar problemas maiores. Na noite desta segunda-feira (5), um preso com tuberculose teve que ficar em uma cela com outros detentos por falta de espaço para ser isolado. A situação foi registrada na Depac do Centro.
Na mesma cela, outro detendo passou mal e precisou ser socorrido para a Santa Casa de Campo Grande. O preso deu entrada no pronto socorro, mas morreu pouco depois de ser atendido. O sindicato afirma que a Vigilância Sanitária será acionada ainda hoje para que uma inspeção seja feita nas celas.
Uma reunião entre o chefe da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), Wantuir Jacini, e representantes da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) está marcada para o fim da manhã de hoje para tratar sobre o assunto.
O Sinpol deve definir ainda hoje a data para uma assembleia geral dos policiais civis que irá definir a interdição das celas já que a decisão drástica por parte dos agentes penitenciários, por dez dias, ocorreu por conta da superlotação dos presídios, da falta de servidores e da situação degradante em que estariam os presos.
 

Comentários
 
05/08/2013 20:59
rosemeire oliveira borges
Justiça em Mato Grosso do Sul:Quantos pesos e quantas medidas??? Onde se encontra os assassinos da máfia da saúde neste exato momento? Quem de fato é mais criminoso?

 

Justiça nega liberdade a ator preso desde os protestos em junho e amigos reclamam

 
Danilo Galvão e Tainá Jara
 
 
Detido desde o dia 20 de junho, ‘Dudu’ irá continuar atrás das grades. O ator Eduardo Miranda Martins, 28 anos, teve o seu pedido de Habeas Corpus negado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, no início da tarde desta segunda-feira (05), em um julgamento que não contou com a presença de seu advogado. O manifestante ainda é o único preso por conta da passeata contra Corrupção ocorrida em Campo Grande, no mês de junho. Em uma abordagem policial foram encontrados papelotes de cocaína na sua mochila.
“Conheço o Dudu desde os seus 12 anos. Ele sempre acompanhou o meus shows e fazia teatro com a Laís Dória. Todos sabem que o Dudu não é traficante. Até traficante consegue Habeas Corpus e ele não? Isto é mais um elemento que caracteriza o caso como perseguição política”, afirma o cantor, Jerry Espíndola, 48 anos, presente no protesto.
A decisão não agradou os quinze manifestantes que acompanharam o julgamento no Tribunal de Justiça. Para o grupo a negativa no pedido de Habeas Corpus foi arbitrária e mostra uma perseguição contra Dudu. O próximo passo a ser tomado pelos colegas, é um reunião com  o advogado, Adilson de Viegas, para entrar com recurso em outra instância.
O ator responde por tráfico e danos ao patrimônio público. Além dele, outros seis manifestantes foram presos no dia da mobilização, e liberados posteriormente.
“Quando o Dudu sumiu demorou umas três horas para saber que o levaram para uma delegacia. Acho muito estranho essa acusação. Por que ele levaria droga para um lugar que estaria cheio de policiais? O Dudu já havia feito denúncias contra a guarda municipal e isso pode ter relação”, relata o professor, Ravel Giordano, 40 anos. 
Luiz Alberto
Ainda não há uma data definida para o julgamento de Eduardo Miranda Martins. Dudu cumpre pena no Presídio de Trânsito (Petran), em Campo Grande.
 

Manifestantes farão amanhã "Ato Pró Dudu". Ele é mantido preso pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul sem nenhuma comunicação

Fabiano Portilho
O contraste: Adalberto siufi "Chefe da quadrilha que surrupiou e sucateou a saúde de MS", conseguiu autorização do TJ-MS para viajar aos EUA, Enquanto Dudu continua preso e incomunicável.
 
O ator Eduardo Miranda Martins preso durante uma manifestação em Campo Grande/MS a quase dois meses, ainda está preso, e sem auxilio de advogados.
Apesar de estar rasgando e passando por cima do Art. 21 do código penal, o Governo do Estado através da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) continua a manter preso e, sem nenhuma comunicação, o ator e ex-candidato a vereador de Campo Grande(MS), Eduardo Miranda Martins.
O contraste
Adalberto Siufi "Chefe da quadrilha que surrupiou e sucateou a saúde de MS", conseguiu autorização do TJ-MS para viajar aos EUA, Enquanto Dudu continua preso e incomunicável
O Ato Pró Dudu amanhã, será amanhã em frente ao TJMS, será julgado seu HC, às 12h.
Dudu e o absurdo
Sou professor universitário há mais de dez anos. Sou formado em Letras pela UFMS, tenho mestrado em Teoria e História da Literatura pela Unicamp, doutorado em Letras Clássicas e Vernáculas pela USP e concluí recentemente meu pós-doutorado na Unicamp. Não sou nenhum gênio, mas me considero razoavelmente - digamos, medianamente - inteligente, e me esforço, às vezes muito, para entender tudo o que ouço, vejo e leio.
É mais ou menos assim, com exceção da última oração, que me apresento em meu currículo Lattes, mas nunca havia cogitado em registrar nada disso neste blog, até porque meu objetivo é dialogar com quem quer que se disponha a isso. Acontece que, infelizmente, há situações em que é preciso demonstrar, como diz o chavão popular, que não se é ninguém, e esta é uma delas. Tudo para dizer o seguinte:
A ideia de que Eduardo Miranda Martins pudesse estar portando mais de vinte papelotes de cocaína na segunda noite de protesto em Campo Grande (aliás, uma noite de chuva intensa), sendo ele um dos manifestantes mais ativos e visados do movimento no município, é um acinte à minha inteligência. Um acinte, acredito, à inteligência de qualquer cidadão minimamente sensato.
Eduardo Miranda Martins, o Dudu, é um músico e ativista político e cultural de Campo Grande. Conversei algumas vezes com ele - a mais demorada delas foi durante um ato em defesa da luta dos índios Terena -, e tenho a convicção de que se trata de alguém em pleno uso de suas faculdades mentais. E também uma excelente pessoa; apenas idealista, aguerrido e sincero o bastante para que alguns o considerem um "porra louca".
Negro, pobre, autodidata, extremamente lúcido e corajoso: não tenho como deixar de admirar o Dudu.
Lembro de tê-lo visto na noite de 20 de junho, o primeiro dia de protestos em Campo Grande. Eu fotografava os cartazes e ele passou gritando alguma palavra de ordem, sem me ver. No dia seguinte, marcado por ações mais radicais que tive a sorte ou o azar de não acompanhar de perto, Dudu foi preso pela guarda municipal. A primeira notícia que circulou na Praça do Rádio, onde eu estava, foi a de que, depois de ter sido abordado pelos guardas, seu paradeiro era desconhecido. Só um tempo depois - uma hora ou mais - é que soubemos da prisão.
Detalhe: Eduardo tem um histórico de enfrentamento político com a guarda municipal, ou melhor, contra a autorização, hoje concedida, para os guardas portarem armas de fogo. Já discursou na Câmara Municipal a esse respeito, e essa foi uma de suas bandeiras quando concorreu para vereador em 2012. Mais ainda: Dudu move um processo, anterior à sua prisão, contra guardas municipais que, segundo ele, o agrediram na Orla Morena.
Feito esse resumo, peço licença para dizer e sublinhar novamente:
A ideia de que Dudu pudesse estar portando mais de vinte papelotes de cocaína na segunda noite de protesto em Campo Grande (aliás, uma noite de chuva intensa), sendo ele um dos manifestantes mais ativos e visados do movimento no município, é um acinte à minha inteligência. Um acinte, acredito, à inteligência de qualquer cidadão minimamente sensato.
Usei a palavra "absurdo" no título dessa postagem, criando uma eufonia com "Dudu", e pensei muito se manteria ou não esse recurso literário. Mas não há outra palavra. A permanência de Dudu na prisão beira o absurdo kafkiano. A esperança é que, ao contrário do que acontece n'O Processo de Kafka, a Justiça deste País e deste Estado seja - ou comece a se tornar - mais cega no bom do que no mau sentido: o da isenção, e não o da falta de bom senso.
Uma nota que pode soar como um gesto covarde, mas não é: não tenho nada contra os guardas municipais, embora também seja contra o porte de armas de fogo por eles. Mas respeito-os como cidadãos e trabalhadores. Conheço pessoalmente ao menos um deles, a quem admiro como pessoa e como músico. Na mesma noite em que o Dudu foi preso, vi uma jovem dirigir-se, indignada, aos guardas que protegiam a Prefeitura Municipal, chamando-os de covardes e coisas do gênero. Quando ela se retirou, eu disse a eles que nem todos pensavam daquela forma, que havia manifestantes que entendiam a situação deles etc. Lembro de dois ou três terem agradecido com a cabeça. O respeito e o bom senso podem estar em qualquer lugar.
Não costumo assinar minhas postagens (o nome já aparece aí embaixo), mas esse caso é mesmo uma exceção.
Ravel Giordano Paz
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ALVORADA VORAZ rpm

 


Na virada do século, alvorada voraz,
Nos aguardam exércitos, que nos guardam da paz
Que paz !
A face do mal, um grito de horror,
Um fato normal, um êxtase de dor e medo de tudo,
Medo do nada
Medo da vida, assim engatilhada

Fardas e força,
forjam as armações
Farsas e jogos,
armas de fogo
Um corte exposto
Em seu rosto amor,
e eu,

Nesse mundo assim, vendo esse filme passar,
Assistindo ao fim, vendo o meu tempo passar

Apocalipticamente, como num clipe de ação
Um clic seco, um revólver, aponta em meu coração
O caso Sudan, Maluf, Lalau, Barbalho Sarney, Ninguém paga o Jornal,
é a propaganda, pois nesse pais, é o dinheiro quem manda
Juram que não corrompem ninguém, agem assim
Pro seu próprio bem

São tão legais,
foras da lei,
Pensam que sabem de tudo,
O que eu não sei

Nesse mundo assim, vendo esse filme passar
Assistindo ao fim, vendo o meu tempo passar

"Ria e o mundo rirá com você. Chore e chorará sozinho". Oldboy