terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Franguinho na Panela

Lourenço e Lourival



No recanto onde moro é uma linda passarela
O carijó canta cedo, bem pertinho da janela
Eu levanto quando bate o sininho da capela
E lá vou eu pro roçado, tenho Deus de sentinela
Têm dia que meu almoço, é um pão com mortadela
Mais lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos
Tem franguinho na panela

Eu tenho um burrinho preto bão de arado e bão de sela
Pro leitinho das crianças, a vaquinha Cinderela
Galinha da no terreiro papagaio tagarela
Eu ando de qualquer jeito, de butina ou de chinela
Se na roça a fome aperta, vou apertando a fivela
Mais lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos
Tem franguinho na panela

Quando eu fico sem serviço a tristeza me atropela
Eu pego uns bico pra fora, deixo cedo a corruptela
Eu levo meu viradinho é um fundinho de tigela
É só farinha com ovo, mas da gema bem amarela
É esse o meu almoço, que desce seco na goela
Mais lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos
Tem franguinho na panela

Minha mulher é um doce diz que sou o doce dela
Ela faz tudo pra mim, e tudo que eu faço é pra ela
Não vestimos lã nem linho é no algodão e na flanela
É assim a nossa vida, que levamos na cautela
Se eu morrer Deus dá um jeito, mais a vida é muito bela
Não vai faltar no ranchinho pra mulher e os filhinhos
O franguinho na panela.

Era uma vez, há um tempo atrás (não muito), Em alguma cidade bem pequena no interior do Mato Grosso

Havia um homem que lá tinha uma terra

Com o tempo, Ele muito ambicioso foi ficando

E começou a praticar algo totalmente inadmissível em nossos dias

Aliado de um capanga seu de vulgo “Paraguaio”, ia botando gente de terra pequena pra correr quase fugida

Era a bala do revólver que mandava na extensão da cerca

Com o passar das épocas as terras foram ficando limpas e cada vez maiores para os filhos e gerações desse homem

Eles são esses por aí nas câmaras, se tornaram os doutores

E hoje o nome desse homem está em uma escola para crianças pequenas no centro daquela cidade

Patativa do Assaré

"(...)
Tudo o que procuro acho.
Eu pude vê neste crima.
Que tem o Brasi de Baxo
E tem o Brasi de Cima.
Brasi de Baxo, coitado!
É um pobre abandonado;
O de Cima tem cartaz, °°°°Um do ôtro é bem deferente:
Brasi de Cima é pra frente.
Brasi de Baxo é pra trás.
(...)
Inquanto o Brasi de Cima
Fala de transformação,
Indústra, matéra prima,
Descobertas e invenção,
No Brasi de Baxo isiste
O drama penoso e triste
Da negra necissidade;
É uma coisa sem jeito
E o povo não tem dereito
nem de dizê a verdade.
(...)
Meu Brasi de Baxo, amigo,
Prá onde é que você vai?
Nesta vida de mendigo
Que não tem mãe nem tem pai?
Não se afrija nem se afobe,
O que com o tempo sobe,
O tempo mesmo derruba;
Tarvez ainda aconteça
Que o Brasil de Cima desça.
E o Brasi de Baxo suba.
(...)
Mas, tudo na vida passa,
Antes que a grande desgraça
Deste povo que padece,
Se istenda, cresça e redobre,
O Brasi de Baxo sobe
E o Brasi de Cima desce.
(...)
Vai ser legá e comum.
Em vez deste grande apuro,
Todos vão ter no futuro,
Um Brasi de cada um."

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

http://www.mariolobato.blogspot.com.br/search?updated-max=2013-11-30T11:17:00-02:00&max-results=15

 

#MaisMedicos : "chega de aprender com os pobres para depois só tratar dos ricos"



Alexandre Padilha: Passo a passo

na FSP


Com a aprovação no Congresso e a sanção da lei pela presidenta Dilma Rousseff, o programa Mais Médicos cumpre mais uma etapa.

Foram quatro meses de debates, nos quais a participação de estrangeiros, as novas regras para abertura de vagas e mudanças no currículo das faculdades de medicina enfrentaram resistência de entidades.

Mas, em nenhum momento, faltou a convicção do Ministério da Saúde de que o programa representa um passo para uma profunda mudança na saúde do país.
Essa convicção me acompanha desde os tempos da Faculdade de Medicina da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), quando criamos a Comissão Interinstitucional de Avaliação de Ensino Médico. O objetivo era romper a estrutura que fazia com que os estudantes utilizassem os pacientes do SUS como ferramentas de aprendizado para depois aplicar o conhecimento em consultórios privados. Nosso lema era: chega de aprender com os pobres para depois só tratar dos ricos.

A convicção cresceu quando assumi a coordenação de um núcleo de medicina tropical da USP no interior do Pará. Trabalhando com os índios zoé, percebi que, mesmo com a barreira da língua e com falta de infraestrutura, um médico faz diferença. Na época, a tribo corria o risco de ser dizimada pela pneumonia e malária. Com a ação do núcleo, ambas as doenças foram controladas dentro da tribo.

Uma década depois, já no Ministério da Saúde, iniciamos as ações para levar médicos para onde não os havia. Começamos com o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica, em 2011, que levou 355 médicos para o interior do país. No ano seguinte, 8.000 médicos se inscreveram, mas muitos não iniciaram o trabalho. A demanda era de 10 mil médicos. Na ponta mesmo, chegaram cerca de 3.500.

A partir dessa demanda de prefeitos de todos os partidos, o programa Mais Médicos foi idealizado. Estudamos o que países como Canadá, Portugal e Austrália faziam para atrair profissionais para lugares remotos. Foi então que decidimos continuar priorizando os brasileiros, mas abrindo oportunidades a estrangeiros também.

O Mais Médicos está ainda no começo, mas os números dão a sua dimensão. Já são 3.676 profissionais que beneficiam, juntos, praticamente 13 milhões de brasileiros --mais do que toda a população da cidade de São Paulo. Em dezembro, chegaremos a 6.600.

No primeiro mês do programa, foram realizadas cerca de 320 mil consultas, o que fez com que aumentasse também o acesso a medicamentos do Farmácia Popular. No período, 13,8 mil pacientes retiraram medicamentos das farmácias populares com receitas emitidas por médicos do programa.

Carvall
Com um atendimento básico de qualidade, será possível resolver mais de 80% dos problemas de saúde, diminuindo as filas de hospitais.

A nossa aposta é no atendimento, mas também na infraestrutura. Do total de prefeituras atendidas na primeira etapa do programa, 97% recebem dinheiro federal para melhorar unidades. A presença do médico certamente acelerará esse processo.

Para além dos resultados, o Mais Médicos vem ajudando a vencer alguns tabus: que não faltavam médicos no país; que não existiam barreiras à atuação de estrangeiros; que não era necessária a universalização de vagas de residência médica e a presença de estudantes de medicina na atenção básica.

Hoje, o país já se deu conta de que a escassez de médicos é um dos nossos grandes problemas de saúde. Essa dificuldade está acima de divergências partidárias. Por isso, prefeitos, inclusive da oposição, inscreveram-se no programa.

A única ideologia que existe no Mais Médicos é levar médicos para onde faltam médicos. São bem-vindas as ações estaduais e municipais para levar mais profissionais para a população desassistida. Quanto mais médicos, melhor.
ALEXANDRE PADILHA, 42, médico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é ministro da Saúde

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Janaína

 

Otto


Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus

Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus

Dia 2 de fevereiro
Dia de Iemanjá
Vá pra perto do mar
Leve mimos pra sereira
Janaína Iemanjá
Pra perto do mar
Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá

Havia rosas no mar
Havia ondas na areia

Lá em Rio Vermelho
Em Salvador
Vamos dançar
Dia 2 de fevereiro
Dia de Iemanjá

Leve mimos pra sereira
Janaína Iemanjá

Disse um velho orixá pra oxalá
Pra não temer
Pra não temer
Dia 2 de fevereiro
Festa lá no Rio Vermelho
Em Salvador vamos dançar

Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá
Havia rosas no mar
Havia ondas na areia
Vá brincar no Rio Vermelho
A festa de Iemanjá

Salvador está em festa
Vou cantar
Vou cantar, ahhhhh
Pra saudade sereia
Vai brincar na areia
Para acreditar

Pra saudade sereia
Vista de branco
Dia de lua cheia

 
 
Serra Pelada – 2013 – Dir. Heitor Dhalia

                Já havia assistido o interessante Cheiro do Ralo (2007) de Heitor, e agora depois da passagem do diretor por Hollywood, chega aos cinemas Serra Pelada. Ainda não assisti ao filme que ele rodou no estrangeiro, mas Serra Pelada, vale muito a pena...

                O Cheiro do Ralo, um filme que retratou um sujeito a beira ou na própria loucura, com poucos cenários, e mesmo personagens e figurantes, em nada se correlaciona com Serra, uma história que fala nada mais, nada menos do que o maior garimpo de escavação humana  que existiu na década de 80, e que tinha 100 mil pessoas ali. O que os dois filmes tem em comum, é o orçamento baixo, e o improviso e também da garra, de se rodar ótimos filmes, com baixos orçamentos. O Cheiro do Ralo por exemplo, o Selton Mello trabalhou “de graça”, e teve participação nas vendas do filme (aposta), que foi premiadíssimo inclusive. Já o Serra, me parece que também tiveram que “adaptar” vários aspectos do filme, inclusive a mudança do protagonista, que seria vivido por Wagner Moura (mas ele participa do filme, com o impressionante Lindo Rico), devido ao tempo reduzido para gravar.

                Serra Pelada conta a história de dois amigos, que se aventuram no meio da selva, no Pará, em busca de riqueza. São muitas as histórias que vemos chegar de Serra Pelada, como: pessoas que ficaram ricas e pobres por umas setes vezes, no filme conta de passagem a história de um garimpeiro que achou um pepita de 7 kg de outro.  Outro que de tanto dinheiro que achou, fretou um avião, e foi festar em uma “zona”, na capital.

                O Brasil passava por uma grave crise financeira, e estávamos na época do “chumbo grosso”. Então, era mesmo um lugar bastante atrativo. Heitor, que também assina o roteiro, disse em uma entrevista, que quando pensou em rodar o filme, não entendia o porquê ninguém ainda ter rodado esse filme. A partir que ele foi construindo a história, ele foi percebendo que era uma história muito “complexa” e “pesada”, e começou entender os motivos do “esquecimento”.

                É complicado, pois envolve a corrupção não apenas dos homens com relação ao dinheiro – os dois amigos acabam brigando. Mas a corrupção das instituições, como o governo e principalmente a polícia.

                O faroeste

                Não tem como não pensarmos em faroeste brasileiro assistindo o filme. É aquele negócio de quem tem o “dedo” mais rápido no gatilho, é que consegue sobreviver em lugares como Serra. Sem falar nas “brigas de facas”....

                No meio da trama, um dos amigos, Juliano (vivido por Juliano Cazarré) se apaixona por Tereza ( Sophie Charlotte), com um belo cabelo “esvoaçado”.  É uma paixão picante, avassaladora, que no meio do filme para o final, quase rouba todo o contexto.

                A câmera de Heitor é ansiosa, rápida e angustia. Talvez seja um efeito para nos relembrar o que foi a maior concentração de homens trabalhando, depois da construção das pirâmides do Egito.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Lançamento do Livro: Medicina Financeira (Luiz Vianna Sobrinho)

Medicina Financeira – A ética estilhaçada

Livro questiona a quem serve a medicina contemporânea

Lançamento: 18 de novembro


 A quem realmente serve a nossa medicina? Quais são os interesses que, de fato, determinam as decisões na área da saúde? O conflito surgido  com a implantação repentina do  programa Mais Médicos, entre o Governo Federal e as entidades de representação da classe médica, só reforça a ideia de que o paciente talvez não seja verdadeiramente o foco da questão.
Luiz Vianna Sobrinho - médico cardiologista - lança Medicina Financeira – A ética estilhaçada, pela Garamond, no próximo dia 18 de novembro, às 19h, na Livraria da Cultura (Cine Vitoria). Na obra, o pesquisador questiona se, na vida real, o principal objetivo da medicina contemporânea é de fato o paciente. Para Vianna, este é substituído pelo médico, pelo hospital, pela ciência, pelo plano de saúde, pela sociedade, ou, quando muito, pelo ‘cliente consumidor. Todo esse desvio ocorre em uma atmosfera já marcada pelo impacto do avanço tecnológico, agora agravado pela financeirização da medicina, com uma mais profunda e perversa deterioração da relação entre médico e paciente. O autor analisou como cada um desses componentes tem prioridade em relação ao paciente no sistema de atenção à saúde. Provocador, Vianna questiona e até ironiza a prática médica atual.
“O paciente, essa peça fundamental para a existência da medicina, como uma engrenagem sem a qual todo o sistema não funciona, até porque justifica toda a existência do próprio sistema – e em seu nome são levantadas todas as justificativas de resoluções de condutas, principalmente as mais conflituosas – definitivamente, não funciona nem como motivo condutor das ações individuais, nem como finalidade global do sistema”, afirma Vianna.
Depois de mais de vinte anos de observação e prática profissional, o médico se debruçou em pesquisas acadêmicas para examinar a doença da medicina contemporânea. O diagnóstico a que chegou aponta para a falta de uma matriz para a já tão enfraquecida ética médica.
O livro Medicina Financeira – A ética estilhaçada é dividido em uma introdução conclusiva e seis capítulos: “Para o médico”, “Para o hospital”, “Para o seguro-saúde”, “Para a ciência”, “Para o cliente e a sociedade” e “A conta não fecha”.
O prefácio do livro é assinado por Paulo Amarante, Pesquisador Titular da Escola Nacional de Saúde Púbica Sergio Arouca ENSP/Fiocruz) e Editor Científico da Revista Saúde em Debate. Já o texto da orelha ficou a cargo de João Gonçalves Barbosa Neto, Ouvidor da Fiocruz.
Sobre o autor: Formado há 27 anos na Faculdade de Medicina de Petrópolis, onde foi professor; pós-graduado em cardiologia e bioética; dedicou a última década a duas atividades: a prática clínica e gestão de um serviço de saúde próprio dos servidores da Fiocruz e aprofundar o entendimento sobre a medicina contemporânea ingressando na formação em filosofia e psicanálise.
Sobre o livro:
Editora Garamond
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 336
Preço: R$52,00
ISBN: 9788576173151