quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Tirando" o sensacionalismo do Jornal - + tragédia anunciada = + morte de índios


Com cerveja e espetinho, Leilão arrecada dinheiro para financiar combate aos índios

Nealla Machado

Com inúmeras autoridades políticas e vários produtores rurais, o ‘Leilão da Resistência’ promovido por pecuaristas de Mato Grosso do Sul para arrecadar recursos para financiar ações contra retomadas de áreas indígenas acontece nesse sábado (07), com  mordomia e cerveja gelada para os participantes.
Com auditório cheio de fazendeiros, todos os que subiam ao palanque entoavam a resistência contra a demarcação das terras indígenas. “Essa é a resistência democrática que o MS levanta nesse momento. Chega de desrespeito ao cidadão que faz e que produz”, disse a estrela da noite, o deputado federal pelo estado de Goias, Ronaldo Caiado (DEM). A sendor Kátia Abreu (PSD) de Tocantins também estava presente. Antes do leilão ela afirmou que a Funai é falida, retrógrada e atrasada.
Com um dos discursos mais aplaudidos pelos participantes o deputado afirma que a questão indígena é um problema para todo o país e que o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e a Funai são “preconceituosos contra os produtores brasileiros”.
Para o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) pouco importa o leilão e o dinheiro arrecadado e sim que cada produtor conseguir defender sua propriedade. “Há anos os produtores gastam com as invasões. Se o banco tem um segurança na porta, por que a fazenda não pode ter? Esse leilão é um alerta para mostrar que o setor produtivo não vai esperar pelo poder publico e precisa de segurança”, fala.
“Não é o índio que invade e sim essas ONGs, essas organizações de esquerda, que querem desarticular o setor produtivo brasileiro”, garante.
O senador Moka (PMDB) afirmou que o leilão é justo, porque ele é realizado com dinheiro dos produtores rurais e é conseguido com suor e trabalho dos mesmos. “Esses são recursos para a defesa das propriedades. Aqui no MS nós não temos terra grilada nem terra invadida. Nós temos terra produtiva”, disse em discurso.
O secretário de Habitação Marun (PMDB), um pouco mais contido nas declarações, disse que o leilão é uma maneira de o setor se expressar. “Essa é uma afronta ao estado de direito democrático”. Eu não concordo 100% com tudo que está proposto, mas acredito que alguma coisa deva ser feita e a que se resistir a isso”.
O ex-deputado estadual e pecuarista, Ricardo Bacha, foi citado várias vezes em muitos discursos mais calorosos, mas ele mesmo não quis se pronunciar. Sentado no canto, usando óculos escuros e um chapéu de palha, ele disse que não comentaria sobre o leilão e que só estava acompanhando o evento.
A fazenda Buriti, de sua propriedade em Sidrolândia, foi uma das primeiras ocupadas pelos indígenas que agora a chamam de Aldeia Buriti. Em torno dela há mais de 20 fazendas ocupadas.
Leilão com mordomias
O evento, muito bem organizado, contou com garçons servindo água, refrigerante e cerveja para os participantes que estavam dentro do local. Quem preferiu ficar lá fora, podia ver os discursos e o leilão embaixo de uma tenda montada com dois televisores e vários climatizadores. No período da noite serão vendidos espetinhos com mandioca por R$10, para quem ficar até o final.
Para o produtor rural de São Gabriel do Oeste, Laner da Costa Nunes, 32 anos, os pecuaristas do estado tinham que ser mais unidos. “Eu acho que deveria acontecer uma greve, onde nenhum produtor vende mais nada. Ai eu queria ver”, questiona. Mesmo assim, ele aprova a iniciativa do leilão e estava esperando para comprar alguma coisa “Vamos ver, se eu achar alguma coisa que me interessa eu compro”.
Abelir Lima da Silva, de 40 anos, produtor de leite no município de Tacuru, compareceu por conta do apoio dos políticos em relação a causa dos produtores rurais. “Eu mesmo não vou comprar nada, mas eu vim para apoiar os outros e porque eu acho importante participar”, fala.
A produtora Ini Pereira Vieira, de 40 anos, também do município de Tacuru espera que a iniciativa do leilão não termine agora. “Nós precisamos mostrar que nós somos e não podemos aceitar essas invasões as nossas terras. Todos precisamos nos unir e apoiar os amigos em situação difícil. Somos nós que movemos esse país” garante.
O governador André Puccinelli (PMDB) não compareceu. Dos parlamentares de Mato Grosso do Sul estavam presentes o senador Waldemir Moka (PMDB); os deputados federais Luiz Henrique Mandetta (DEM), Reinaldo Azambuja (PSDB) e Fábio Trad (PMDB); os deputados estaduais Mara Caseiro (PTdoB), Márcio Fernandes (PTdoB), Jerson Domingos (PMDB), Junior Mochi (PMDB). Zé Teixeira (DEM) e Márcio Monteiro (PSDB), além do ex-prefeito de Campo Grande e secretário estadual Nelsinho Trad.
Aliança?
A presença do deputado federal Reinaldo Azambuja abre a perspectiva de questionamento entre os petistas. O ex-governador e vereador Zeca do PT antecipou que a presença de Azambuja no leilão mostraria a distância entre o que prega o PT e o PSDB.  Zeca e outras lideranças do PT são contra a aliança com os tucanos, cujo projeto contemplaria a candidatura de Azambuja ao senado na chapa do senador Delcídio Amaral, pré-candidato do PT ao governo.
O senador Delcídio Amaral e o deputado federal Vander Loubet, defensores da aliança com o PSDB, não compareceram.(Matéria alterada às 17h57 para acréscimo de informações)


Enquanto fazendeiros leiloam gado, entidades arrecadam alimentos para indígenas de MS

Diego Alves

 

Mais de 20 entidades fazem neste sábado (7) um ato em apoio aos povos indígenas, com a arrecadação de roupas e alimentos que serão levados a índios que moram no Sul do Estado. O evento ocorre com apresentações artísticas de música, dança, teatro, vídeos e exposição de obras de arte. De acordo com organizadores, mais de 5 toneladas de roupas e alimentos, já foram arrecadados este ano.

Coincidentemente, o ato ocorre no mesmo dia do “Leilão da Resistência”, que acontece na Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), onde vão a remate cerca de 800 animais para a contratação de segurança armada, impedindo que indígenas façam a retomada de terras no Estado.

“O objetivo [´Leilão da Resistência´], é tentar mostrar que são eles que mandam. No Estado, campeão de violência contra índios, isso só vem a sujar o nome de MS. Já são mais de 300 mortes de lideranças nos últimos anos. Na segunda-feira (9), nós levaremos toda a situação vivida pelos indígenas ao Fórum Nacional dos Direitos Humanos em Brasília (DF)”, diz o líder terena Lindomar Ferreira.

“Defendemos a justiça dos povos indígenas, esse aglomerado de pessoas ligadas a educação defende uma questão constitucional, que é o direito dos povos indígenas. O Estado é que tem o poder de resolver, que faça cumprir a Constituição”, diz o artista Jorge de Goes.

Mato Grosso do Sul tem uma população de aproximadamente 75 mil índios, sendo 45 mil de Guaranis e aproximadamente 28 mil de Terenas.

A entidades que fazem parte do ato são a FETEMS,CCDH, CTV, DCE-UFMS, TPT, CPT, CEBI, MST, MMC, CTB, CUT, CONLUTAS, CIMI, ONG AZUL, CEDAMPO, ADLESTE, SINTES, SEEB-CG, SINTECT-MS, SINTSPREV, SISTA-MS, SINTIEMC, RECID.

 

Fachada da Famasul amanhece pichada: ‘leilão assassino’

Evelin Araujo

 

‘Leilão assassino’ é a frase que estampa a parede externa da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) na manhã deste sábado (7), mesmo dia que acontece o “Leilão da Resistência” feito entre produtores rurais para conseguir recursos e armar segurança contra a retomada de terras de índios pelo Estado.

A pichação se mostra contra a liminar concedida ontem (6) pelo juiz Pedro Pereira dos Santos, da 4ª Vara do Tribunal Regional Federal da 3a. Região (TRF-3).

A assessoria de comunicação da Famasul informou que um Boletim de Ocorrência será registrado contra o evento para acionar o seguro do prédio. Câmeras de segurança poderão identificar os autores da inscrição.

A Famasul recebe neste sábado a senadora do Tocantins, Kátia Abreu e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Ela conversa com produtores antes do

 

http://www.midiamax.com.br/noticias/885400-fachada+famasul+amanhece+pichada+leilao+assassino.html#.UqgJGGM8jMw

 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mellon Collie And The Infinite Sadness

1979

Smashing Pumpkins



Shakedown 1979, cool kids never have the time
On a live wire right up off the street
You and I should meet
June bug skipping like a stone
With the headlights pointed at the dawn
We were sure we'd never see an end to it all

And I don't even care to shake these zipper blues
And we don't know just where our bones will rest
To dust I guess
Forgotten and absorbed into the earth below

Double cross the vacant and the bored
They're not sure just what we have in the store
Morphine city slippin' dues, down to see that

We don't even care, as restless as we are
We feel the pull in the land of a thousand guilts
And poured cement, lamented and assured
To the lights and towns below
Faster than the speed of sound
Faster than we thought we'd go,
beneath the sound of hope

Justine never knew the rules
Hung down with the freaks and the ghouls
No apologies ever need be made
I knew you better than you fake it, to see

And we don't even care to shake these zipper blues
And we don't know just where our bones will rest
To dust I guess
Forgotten and absorbed into the earth below

The street heats the urgency of sound
As you see there's no one around

Você ficaria zangado se eu te dissesse?


Tudo que procuro eu acho

Dilema ou Poema?

Sistema ou problema?

Poesia ou anistia? Hipocrisia

Um alimento para a alma?

Pode ser algo não tão consumível assim

A minha cultura muito televisiva

Interlúdio entre o ódio e a inveja

Na minha casa não existem ratos e baratas existem é lagartos e cobras

Interstício

Começaria tudo outra vez ou recomeçar jamais?

Se um dia eu soube já me esqueci


Esse gosto mole

O amor é como oxigênio


Irei te amar até depois da morte

O último que chegar é a mulher do sapoooo

Podemos tirar poesia de tudo

As coisas que antes eram legais, hoje ficaram chatas

Eu não choro mais

Ninguém fica maduro, fica apenas cansado

Ao invés de preencher o vazio, temos que combatê-lo!

Você é SEU mesmo?

Crítico dos críticos

Retratos do meu cotidiano

Mas a quem isso interessaria?

Essas mentiras não são importantes para ninguém

Me diga uma coisa: você prefere ficar com quem?

Acha que existe um lado que não seja você mesmo?

Pensa que pode mandar em alguma coisa?

Minhas palavras estão se esgotando como esse dia

Franguinho na Panela

Lourenço e Lourival



No recanto onde moro é uma linda passarela
O carijó canta cedo, bem pertinho da janela
Eu levanto quando bate o sininho da capela
E lá vou eu pro roçado, tenho Deus de sentinela
Têm dia que meu almoço, é um pão com mortadela
Mais lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos
Tem franguinho na panela

Eu tenho um burrinho preto bão de arado e bão de sela
Pro leitinho das crianças, a vaquinha Cinderela
Galinha da no terreiro papagaio tagarela
Eu ando de qualquer jeito, de butina ou de chinela
Se na roça a fome aperta, vou apertando a fivela
Mais lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos
Tem franguinho na panela

Quando eu fico sem serviço a tristeza me atropela
Eu pego uns bico pra fora, deixo cedo a corruptela
Eu levo meu viradinho é um fundinho de tigela
É só farinha com ovo, mas da gema bem amarela
É esse o meu almoço, que desce seco na goela
Mais lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos
Tem franguinho na panela

Minha mulher é um doce diz que sou o doce dela
Ela faz tudo pra mim, e tudo que eu faço é pra ela
Não vestimos lã nem linho é no algodão e na flanela
É assim a nossa vida, que levamos na cautela
Se eu morrer Deus dá um jeito, mais a vida é muito bela
Não vai faltar no ranchinho pra mulher e os filhinhos
O franguinho na panela.

Era uma vez, há um tempo atrás (não muito), Em alguma cidade bem pequena no interior do Mato Grosso

Havia um homem que lá tinha uma terra

Com o tempo, Ele muito ambicioso foi ficando

E começou a praticar algo totalmente inadmissível em nossos dias

Aliado de um capanga seu de vulgo “Paraguaio”, ia botando gente de terra pequena pra correr quase fugida

Era a bala do revólver que mandava na extensão da cerca

Com o passar das épocas as terras foram ficando limpas e cada vez maiores para os filhos e gerações desse homem

Eles são esses por aí nas câmaras, se tornaram os doutores

E hoje o nome desse homem está em uma escola para crianças pequenas no centro daquela cidade

Patativa do Assaré

"(...)
Tudo o que procuro acho.
Eu pude vê neste crima.
Que tem o Brasi de Baxo
E tem o Brasi de Cima.
Brasi de Baxo, coitado!
É um pobre abandonado;
O de Cima tem cartaz, °°°°Um do ôtro é bem deferente:
Brasi de Cima é pra frente.
Brasi de Baxo é pra trás.
(...)
Inquanto o Brasi de Cima
Fala de transformação,
Indústra, matéra prima,
Descobertas e invenção,
No Brasi de Baxo isiste
O drama penoso e triste
Da negra necissidade;
É uma coisa sem jeito
E o povo não tem dereito
nem de dizê a verdade.
(...)
Meu Brasi de Baxo, amigo,
Prá onde é que você vai?
Nesta vida de mendigo
Que não tem mãe nem tem pai?
Não se afrija nem se afobe,
O que com o tempo sobe,
O tempo mesmo derruba;
Tarvez ainda aconteça
Que o Brasil de Cima desça.
E o Brasi de Baxo suba.
(...)
Mas, tudo na vida passa,
Antes que a grande desgraça
Deste povo que padece,
Se istenda, cresça e redobre,
O Brasi de Baxo sobe
E o Brasi de Cima desce.
(...)
Vai ser legá e comum.
Em vez deste grande apuro,
Todos vão ter no futuro,
Um Brasi de cada um."

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

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#MaisMedicos : "chega de aprender com os pobres para depois só tratar dos ricos"



Alexandre Padilha: Passo a passo

na FSP


Com a aprovação no Congresso e a sanção da lei pela presidenta Dilma Rousseff, o programa Mais Médicos cumpre mais uma etapa.

Foram quatro meses de debates, nos quais a participação de estrangeiros, as novas regras para abertura de vagas e mudanças no currículo das faculdades de medicina enfrentaram resistência de entidades.

Mas, em nenhum momento, faltou a convicção do Ministério da Saúde de que o programa representa um passo para uma profunda mudança na saúde do país.
Essa convicção me acompanha desde os tempos da Faculdade de Medicina da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), quando criamos a Comissão Interinstitucional de Avaliação de Ensino Médico. O objetivo era romper a estrutura que fazia com que os estudantes utilizassem os pacientes do SUS como ferramentas de aprendizado para depois aplicar o conhecimento em consultórios privados. Nosso lema era: chega de aprender com os pobres para depois só tratar dos ricos.

A convicção cresceu quando assumi a coordenação de um núcleo de medicina tropical da USP no interior do Pará. Trabalhando com os índios zoé, percebi que, mesmo com a barreira da língua e com falta de infraestrutura, um médico faz diferença. Na época, a tribo corria o risco de ser dizimada pela pneumonia e malária. Com a ação do núcleo, ambas as doenças foram controladas dentro da tribo.

Uma década depois, já no Ministério da Saúde, iniciamos as ações para levar médicos para onde não os havia. Começamos com o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica, em 2011, que levou 355 médicos para o interior do país. No ano seguinte, 8.000 médicos se inscreveram, mas muitos não iniciaram o trabalho. A demanda era de 10 mil médicos. Na ponta mesmo, chegaram cerca de 3.500.

A partir dessa demanda de prefeitos de todos os partidos, o programa Mais Médicos foi idealizado. Estudamos o que países como Canadá, Portugal e Austrália faziam para atrair profissionais para lugares remotos. Foi então que decidimos continuar priorizando os brasileiros, mas abrindo oportunidades a estrangeiros também.

O Mais Médicos está ainda no começo, mas os números dão a sua dimensão. Já são 3.676 profissionais que beneficiam, juntos, praticamente 13 milhões de brasileiros --mais do que toda a população da cidade de São Paulo. Em dezembro, chegaremos a 6.600.

No primeiro mês do programa, foram realizadas cerca de 320 mil consultas, o que fez com que aumentasse também o acesso a medicamentos do Farmácia Popular. No período, 13,8 mil pacientes retiraram medicamentos das farmácias populares com receitas emitidas por médicos do programa.

Carvall
Com um atendimento básico de qualidade, será possível resolver mais de 80% dos problemas de saúde, diminuindo as filas de hospitais.

A nossa aposta é no atendimento, mas também na infraestrutura. Do total de prefeituras atendidas na primeira etapa do programa, 97% recebem dinheiro federal para melhorar unidades. A presença do médico certamente acelerará esse processo.

Para além dos resultados, o Mais Médicos vem ajudando a vencer alguns tabus: que não faltavam médicos no país; que não existiam barreiras à atuação de estrangeiros; que não era necessária a universalização de vagas de residência médica e a presença de estudantes de medicina na atenção básica.

Hoje, o país já se deu conta de que a escassez de médicos é um dos nossos grandes problemas de saúde. Essa dificuldade está acima de divergências partidárias. Por isso, prefeitos, inclusive da oposição, inscreveram-se no programa.

A única ideologia que existe no Mais Médicos é levar médicos para onde faltam médicos. São bem-vindas as ações estaduais e municipais para levar mais profissionais para a população desassistida. Quanto mais médicos, melhor.
ALEXANDRE PADILHA, 42, médico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é ministro da Saúde