quinta-feira, 30 de abril de 2015

Leitora: Assalto à Previdência do Paraná será repetido em outros estados

publicado em 30 de abril de 2015 às 09:16

da leitora Luiza, em comentário
30/04/2015 – 08:16
O ataque à Previdência dos servidores do Paraná não tem nada a ver com a credibilidade da Dilma e nem saiu da cabeça do governador do Paraná.
O confisco da Previdência tem a ver é com o endividamento do estado do Paraná com bancos privados, porque isso faz parte do “sistema de retroalimentação da dívida pública”.
Como funciona isso? Há uma lei federal absurda que foi intencionalmente criada para proibir que o próprio governo federal, ou seja, a União, possa emprestar o dinheiro necessário para que os seus estados federados utilizem nas suas necessidades (investimento ou pagamento de dívida), obrigando, dessa forma, que esses estados busquem recursos emprestando dos bancos privados nacionais ou internacionais.
Emprestando, os estados se endividam. Só que o recurso para satisfazer o pagamento do empréstimo dos estados não pode sair da União, então a saída é retirar de onde ainda há dinheiro ou partir para privatização de patrimônio público.
Pior ainda, os credores dessa dívida contraída pelos estados — os bancos que emprestaram — fazem com que os estados tomem atitudes como essa para saldar apenas os juros dessa dívida toda, porque o valor total é impossível de ser saldado, o que faz com que a dívida sempre exista e cobre o seu preço.
E o pior de tudo, o fiador de todas as dívidas internas brasileiras, que são as dívidas contraídas pelos estados, É O TESOURO NACIONAL,OU SEJA, TODOS NÓS BRASILEIROS!
Por isso é que se diz que o endividamento dos estados faz parte do sistema de retroalimentação da dívida pública, tanto a externa quanto a interna, porque ambas tem como fonte pagadora o mesmo devedor, o Tesouro Nacional – que é composto por TODO o dinheiro arrecado por todos nós brasileiros, ou seja, o nosso Orçamento é que paga essa dívida, ou melhor, acaba pagando só os juros dela.
Esse vídeo deveria ser transmitido em cadeia nacional para que os brasileiros entendessem o real problema do Brasil e tomassem uma decisão para a solução definitiva, porque há solução para esse problema. Qual é a soluçao? É fazer a AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA — interna e externa — porque ambas estão conectadas, têm a mesma origem legal fraudulenta e ilegal.
Só o clamor público é que obrigará essa Auditoria a ser feita e resolver, de vez, o nosso verdadeiro problema, caso contrário o Brasil morrerá pobre.
Por favor, assistam ao vídeo e entendam de uma vez a gravidade dessa situação.
Voces terão as respostas assistindo, mais precisamente a partir dos 8 minutos. Assista ao vídeo inteiro e entenda a dimensão do problema que ocorre com os estados e a complexidade da coisa. É o endividamento do estado do Paraná que origina esse confisco, mas pode e vai acontecer com todos os estados brasileiros. Em São Paulo, por exemplo, a Previdência dos servidores já foi entregue ao setor privado, a SPPrev.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/assalto-a-previdencia-do-parana-sera-repetido-em-outros-estados.html

Déspota - Ânsia de Vômito

http://www.viomundo.com.br/denuncias/blog-do-esmael-com-gritos-de-aeee-e-isso-ai-richa-e-assessores-comemoraram-o-massacre-contra-os-professores.html

Blog do Esmael: Com gritos de “aêêê” e “isso aí”, Richa e assessores comemoram massacre dos professores; veja o vídeo

publicado em 29 de abril de 2015 às 20:35
Praça de guerra do Iguaçu-002
do Blog do Esmael Morais, sugerido por Messias Franca de Macedo
O governador Beto Richa (PSDB) e seus principais assessores, da sacada do Palácio Iguaçu, comemoraram esta tarde o massacre contra os professores do Paraná.
Quando a polícia lança bombas, os palacianos ccomemoram com gritos de “aêêê” e “isso aí”.
O vídeo foi enviado ao Blog do Esmael por um dos integrantes do primeiro escalão do governo do estado.
Mais de 200 educadores ficaram feridos no confronto no Centro Cívico.
Várias entidades e personalidades políticas emitiram nota de repúdio contra Richa, dentre as quais a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR).

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"A categoria dos agentes comunitários é a que mais trabalha"

 
12/02/2015 15h22 - Atualizado em 13/02/2015 11h07

Vídeo de sindicalista quer jogar agentes contra enfermeiros, diz Sinte

Em nota, sindicato diz que comparação é equivocada e que pretende causar revolta
 
 
Em nota divulgada nesta quinta-feira (12), o Sinte/PMCG (Sindicato dos Trabalhadores da Enfermagem da Prefeitura de Campo Grande) se pronunciou sobre vídeo divulgado pelo presidente do Sisem (Sindicato dos Servidores e Funcionários Municipais de Campo Grande), Marcos Tabosa, que compara o trabalho de agentes de saúde ao de enfermeiros.
O vídeo, de pouco mais de 1min30, foi postado no próprio perfil de Tabosa no Facebook. Nele, Marcos aparece acompanhado de um homem, identificado como Willian, e faz discurso destacando a alta temperatura na qual os agentes comunitários de saúde trabalham, fazendo comparações com o ambiente de trabalho dos enfermeiros e gerentes das unidades.
Na nota, o Sinte/PMCG diz que a comparação do sindicalista é equivocada e que ele pretende causar revolta nos agentes comunitários, além de querer “jogá-los” contra os enfermeiros: “transbordou os limites da luta dos trabalhadores da saúde”.
O Sindicato dos Trabalhadores de Enfermagem negou que aja favorecimento e ainda afirmou defender a luta dos agentes comunitários pela redução da carga horária. Confira abaixo a nota na íntegra.
O Sinte PMCG (Sindicato dos trabalhadores da Enfermagem da Prefeitura Municipal de Campo Grande) nascido em data recente e proveniente da insatisfação dos auxiliares, técnicos de enfermagem e enfermeiros no que toca a não representatividade da entidade sindical genérica denominada SISEM, vem a público por meio desta nota destacar que a suposta convocação feita pela referida entidade (SISEM) para a mobilização dos Agentes Comunitários de Saúde para ser realizada na data de 26/02/2015, e que tem como a pauta a manutenção da redução da carga horária, transbordou os limites da luta dos trabalhadores da saúde, pois é inconteste que na mídia de convocação encetada supostamente pelo Presidente do SISEM, por meio de vídeo publicado na internet, tem como fundamento o enfrentamento de duas categorias funcionais que labutam no dia a dia pela saúde do povo campo-grandense, pois ao que se vê no vídeo há uma clara tentativa de “jogar” os Agentes Comunitários de Saúde contra os servidores da Enfermagem, pois é indene que se parte de uma comparação equivocada que tem como pano de fundo a distinção das funções exercidas por estas categoriais distintas, vez que ao que se vê é a tentativa de criar um ambiente de revolta, indignação e insatisfação na categoria dos Agentes Comunitários de Saúde, como se houvesse uma escala em casta na relação de trabalho, onde estes louváveis servidores, fosse então a menor das castas do serviço de saúde e que os servidores da enfermagens seriam seus algozes.
Isto não é verdade, todos os servidores da saúde merecem o respeito mútuo pelo trabalho que exercem, e mais, para soterrar os argumentos supostamente vindos do SISEM que em seu conteúdo pretende causar uma pane no serviço de saúde justamente no período de vulnerabilidade da dengue e da Chikungunya é de se asseverar que o SINTE/PMCG assim como toda a enfermagem do Município de Campo Grande é a favor da luta dos Agentes Comunitários de Saúde pela redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais, contudo, acredita que esta luta tenha que se expressar por meio dos instrumentos legais com a edição de leis e normas que regulamentem a jornada reduzida dos Agentes Comunitários de Saúde.
A repercussão
A divulgação do vídeo causou revolta entre profissionais da saúde. As imagens mostram o sindicalista convocando os agentes comunitários para uma passeata e, durante o discurso, ele afirma que quem ocupa cargo de direção, além do pessoal da enfermagem, é favorecido com melhores condições de trabalho.
“Queremos melhor qualidade de vida pra você agente comunitário de saúde. Eu venho aqui convocar vocês pra grande passeata porque os gerentes [das unidades] e os enfermeiros estão no ar-condicionado e você agente comunitário de saúde tendo de enfrentar um sol de mais de 35ºC”, fala Tabosa.
O vídeo recebeu vários compartilhamentos e comentários nas redes sociais. Uma enfermeira da Rede Municipal de Saúde, que preferiu não se identificar, diz que as declarações de Tabosa provocam discórdia entre as categorias. Ela enfatiza que o ambiente de trabalho dos enfermeiros não é tão boa quanto sugere o presidente do Sisem.
Na internet, vários enfermeiros e agentes de saúde se manifestaram contra o posicionamento do presidente do Sisem. Questionada a respeito do assunto, a assessoria de comunicação da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) diz que o chefe da pasta não vai se posicionar a respeito do caso.
A reportagem do Jornal Midiamax também entrou em contato com o Coren/MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) e, em nota, o presidente, Diogo Nogueira do Casal, considera "inoportuna e infeliz", a declaração feita por Tabosa.
"Lamentamos o discurso inflamado do Tabosa, que ao invés de unir forças, tenta semear a desunião, enfraquecendo a luta de todas as categorias de trabalhadores da área de saúde, o que afirmamos, sem hesitação ou qualquer receio é, em síntese, um desserviço para todos os profissionais", observa.
A passeata anunciada pelo presidente do Sisem será realizada às 16 horas, do dia 26, no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rio Grande do Sul.
"A categoria dos agentes comunitários é a que mais trabalha, entra dentro das residências, pesa crianças e não podemos deixar que sejam massacrados pelos enfermeiros e gerentes de postos. Eu defendo o servidor organizado", disse Tabosa.


"A honestidade dos que dizem lutar contra a corrupção me comove"

 http://mariolobato.blogspot.com.br/2015/02/uma-elite-que-combate-bolsa-familia-mas.html

Por Ana Helena Tavares


O bolsa-madame e o bolsa-família


Do QTMD? (Quem tem medo da democracia?) reproduzido no GGN



Um grupo de mulheres de deputados reúne-se num chá oferecido por uma delas. O convidado de honra é Eduardo Cunha. No cardápio, um pedido para que volte um benefício que garante às madames passagens de graça para acompanhar os maridos.

O que isso diz sobre a sociedade brasileira? Machismo em alto grau partindo de mulheres. Hipocrisia de uma elite carcomida que combate políticas públicas para os mais pobres, mas não se acanha em usar e abusar das mordomias do Estado.


A uma ex-catadora de papelão, que se tornou presidente da Petrobrás, não é permitido roubar. Se roubou ou não pouco importa. Não é com isso que as madames bem-nascidas estão preocupadas. Ela simplesmente não pode roubar. Os maridos iluminados podem.

Num mundo em que todos comam, onde todas as classes, cores e credos sejam julgados da mesma maneira, como madame poderá ser madame? Como aeroportos poderão ter o vazio sepulcral dos lugares reservados a privilegiados?

É dolorosamente atual a frase de Raymundo Faoro: “Eles querem um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”. E como dói constatar que, depois de tantas lutas por direitos iguais, elas também querem isso.

Não são todas, é claro, para alívio da nação, mas a composição do Congresso que toma posse neste domingo, 1º de fevereiro de 2015, não deixa dúvidas quanto ao caráter conservador, machista, preconceituoso, da maior parte da sociedade brasileira.

O dinheiro pode ser livre – para quem convém que seja livre. Seres humanos têm que viver presos. Presos à moral alheia, presos a dogmas. E, aqueles que “não deram certo”, presos a grades. Quiçá, mortos.


Num país de senzalas inconfessas, não é de se espantar que distintas senhoras não se contentem em viver à custa de homens. Querem mamar nas tetas do erário. Não lhes envergonha em nada receber o “bolsa-madame”. Faz parte da nossa tradição secular.

Se forem vistas por aí em alguma passeata contra a roubalheira na Petrobras e contra o bolsa-família, dirão que estão lutando para salvar o Brasil. E serão capa da maior revista semanal, como já foi o “caçador de marajás”. A honestidade dos que dizem lutar contra a corrupção me comove.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

k22

A coragem de ser si mesma

Por Beatriz Preciado, em comitedisperso, 20/11/14 | Trad. UniNômade
“Sair do sonho coletivo da verdade de gênero, tal como se saiu da ideia de que o Sol gira ao redor da Terra.”

Quando recebi este convite de falar sobre a coragem de ser eu mesma, no começo meu ego ronronou. Como se tivessem me oferecido uma página publicitária em que eu fosse seu objeto, em vez de usuária. Eu já me via com uma medalha no peito, heroica. Depois, a memória dos oprimidos me atingiu e qualquer complacência se apagou.
Hoje, vocês me concederão o privilégio de evocar o “meu” valor de ser eu mesma, depois de ter-me feito carregar durante toda a minha infância o signo da exclusão e da vergonha. Vocês me oferecem este privilégio, como quem presenteia uma dose a um cirrótico, negando ao mesmo tempo os meus direitos fundamentais em nome da nação, confiscando as minhas células e os meus órgãos para a vossa política delirante. Me concedem esta coragem como presenteiam uma moeda a um ludopata, e depois me rechaçam a possibilidade de chamar-me pelo nome masculino ou associar o meu nome a adjetivos masculinos, só porque eu não tenho documentos oficiais necessários nem a barba.
Nos reunimos aqui como um grupo de escravos que têm sabido alargar seus grilhões mas que ficam mais ou menos disponíveis, que obtiveram seus diplomas e aceitam falar o idioma dos mestres. Estamos aqui, diante de vocês, todos nascidos em corpos femininos, Catherine Millet, Cécile Guibert, Hélèn Cixous, travas, bissexuais, mulheres de voz grossa, argelinas, judias, machonas, espanholas. Mas quando vocês se cansarão de assistir à nossa “coragem”, como se fosse uma diversão? Quando se cansarão de diferenciarem-nos para nos identificarem a vocês mesmas?
Me atribuem valor, suponho, porque eu lutei do lado das putas, das pessoas que vivem com Aids, das pessoas com deficiência. Em meus livros, falei de minhas práticas sexuais com vibradores e próteses. Falei de minha relação com o testosterona. Este é o meu mundo, a minha vida, e não a vivi com coragem, mas com entusiasmo e alegria. Mas vocês não sabem nada da minha alegria. Preferem compadecerem-se dela e me consignar a coragem, porque em nosso regime político sexual, imperante no capitalismo farmacológico, negar a diferença do sexo é como negar a encarnação de Cristo na Idade Média. Me atribuem uma grande coragem porque hoje, frente aos teoremas genéticos e aos documentos administrativos, negar a diferença de gênero é como cuspir na cara de um rei do século 15.
E me dizem: “Fale-nos da coragem de ser você mesma”, como os juízes do tribunal da inquisição falavam a Giordano Bruno durante oito anos: “Fale-nos do heliocentrismo, da impossibilidade da Santa Trindade”, enquanto isso, separavam a lenha da fogueira. Mas embora já se possam ver as chamas, penso como Giordano Bruno que não será suficiente uma pequena mudança de rumo, que se terá de mudar tudo, de estalar o campo semântico e o domínio pragmático. Sair do sonho coletivo da verdade de gênero, tal como se saiu da ideia de que o Sol gira ao redor da Terra.
Para falar de sexo, gênero e sexualidade, é necessário começar com um ato de ruptura epistemológica, um rechaço categórico, uma fratura da coluna conceitual que fará florescer uma emancipação cognitiva. Temos de abandonar por completo a linguagem da diferença de gênero e a identidade (inclusive a linguagem da identidade estratégica de Spivak, ou a identidade nômade de Rosi Braidotti). O gênero ou a sexualidade não são uma propriedade essencial da matéria, senão o produto de diversas tecnologias sociais e discursivas, de práticas políticas de gestão da verdade e da vida. O produto de sua coragem.
Não existem os gêneros e sexualidades, senão os usos do corpo reconhecidos como naturais ou castigados porque desviantes. E não serve lançar uma última carta transcendental: a maternidade como diferença chave. A maternidade é somente um dos vários usos possíveis do corpo, não é garantia da diferença de gênero ou da feminilidade.
Então fiquem com vosso valor. Mantenham-no para vossos casamentos e divórcios, vossos enganos e vossas mentiras, vossas famílias, vossa maternidade, vossos filhos e netos. Fiquem com a coragem que necessitam para seguir a norma. O sangue frio para prestar vosso corpo ao processo imparável da repetição regulada. O valor, como a violência e o silêncio, como a força e a ordem, estão de vosso lado. Ao contrário, eu hoje reivindico a legendária falta de coragem de Virginia Woolf e de Klaus Mann, de Audre Lorde e di Adrienne Rich, de Angela Davis e de Fred Moten, de Kathy Acker e de Annie Sprinkle, de June Jordan e de Pedro Lemebel, de Eve K. Sedgwick e de Gregg Bordowitz, de Guillaume Dustan e de Amelia Baggs, de Judith Butler e de Dean Spade.
Mas porque os amo, minhas corajosas semelhantes, desejo-lhes que percam o valor vocês também. Desejo-lhes que não tenham mais a força de repetir a norma nem de fabricar a identidade, que percam a fé no que dizem sobre vocês os documentos. E uma vez que tenham perdido vosso valor, cansadas da alegria, desejo-lhes que inventem uma maneira de usar vosso corpo. Justamente porque os amo, quero que sejam frágeis e desprezíveis. Porque é através da fragilidade que opera a revolução.
 
 

Propaganda de carnaval da Skol é alvo de críticas feministas

      http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/02/propaganda-de-carnaval-da-skol-e-alvo-de-criticas-feministas/

fevereiro 11, 2015 17:01
Propaganda de carnaval da Skol é alvo de críticas feministas
Para ativistas, nova campanha publicitária da marca de cerveja, que utiliza a frase “Esqueci o ‘não’ em casa”, reforça a cultura de opressão à mulher
Por Jarid Arraes
A nova campanha de carnaval da marca de cerveja Skol se tornou alvo de críticas feministas na internet. Em seus perfis pessoais nas redes sociais, a publicitária Pri Ferrari publicou fotos dela mesma acompanhada da jornalista Mila Alves em frente a um anúncio da marca. A peça da campanha publicitária da Skol, onde se lê “Esqueci o ‘não’ em casa”, foi pichada para dar lugar ao complemento “e trouxe o ‘nunca’”, como parte do protesto contra a propaganda. 

Ferrari explica que encontrou o anúncio em um ponto de ônibus e ficou chocada. “A peça e a campanha em si mostram claramente um conceito errado, de ‘topo depois pergunto’, de ‘não pode dizer não’”, afirma. Para ela, o carnaval exige das pessoas maior responsabilidade, para que digam “não” em diversas situações: “Não ao estupro, não a beber e dirigir, não ao sexo sem camisinha”, exemplifica.

Segundo Juliana de Faria, fundadora do Think Eva um núcleo de inteligência que atua junto às marcas e empresas em questões como a representatividade feminina e o respeito às mulheres na mídia –, a situação requer seriedade. “Entendemos a intenção da campanha em transmitir uma mensagem de liberdade, diversão e celebração. Porém, esse é apenas um jeito de enxergar a situação. Existem, sim, opressões, violências e pensamentos misóginos associados ao universo do carnaval e da cerveja. Então as críticas também são válidas. A intenção de libertar acaba incitando uma cultura opressora. E opressora para as mulheres, constante vítimas de violências – principalmente a sexual”, pontua.

Faria ainda chama atenção para o fato de que a sociedade não tem plena compreensão a respeito do que é consentimento. “Muitas vezes, ele [o consentimento] é embutido em algo, como uma saia curta ou simplesmente a presença da mulher num bloco de carnaval, numa balada. Por isso mensagens que diminuem o poder do ‘não’ são perigosas”. 

Pri Ferrari também relata que as mensagens enviadas para a marca Skol foram deletadas da página da empresa e questiona a responsabilidade de toda a equipe envolvida na criação da propaganda. “Não só alguém criou, como passou na mão de muita gente e ninguém problematizou a questão, isso é uma falta de respeito e de responsabilidade que se repete no mundo da publicidade”, protesta. A publicitária espera que mais pessoas percebam o equívoco e passem a reagir diante de acontecimentos similares.
Blog da Mulher

Ananda Hilgert: Em busca de novos apelidos para a vagina

publicado em 1 de fevereiro de 2015 às 19:27
 
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VAGINA NÃO É BACALHAU
por Ananda Hilgert, no Noo, em 26.01.2015, sugerido por Eduardo Prestes Diefenbach
O nome que a gente dá para as coisas na vida não é inocente, não é por acaso, é marcado por posicionamento, é político, é cultural. Pensando nisso, os diversos apelidos dados aos órgãos sexuais feminino e masculino dizem muito sobre sexo e papéis de gênero:
Enquanto o pênis tem todos os nomes possíveis que remetem ao formato de cenoura, nabo, cano, anaconda, espeto e tantos outros mais, à vagina direciona-se outro tipo de apelido, muito mais pejorativo, como:
bacalhau
carne mijada
nugget de peixe
marisco
suvaco de coxa
túnel cheiroso
suadinha
A vagina e seus perseguidos odores! Fedor de peixe, suor, mijo. A vagina é nojenta, tem mau cheiro. Tudo que o homem hétero quer é que sua estaca crave esse marisco, mas sem abrir mão de rebaixar essa pobre carne mijada ao seu devido lugar.
A mulher escuta esses nomes desde pequena mesmo sem entender ainda seus significados. A gente vai crescendo e entendendo que é suja, que deve esconder nossos cheiros, mesmo que sejam naturais para todas as mulheres. A menina desde novinha aprende a usar uma infinidade de produtos de higiene, enquanto o menino aprende a fazer xixi na árvore e dar só uma balançadinha na sua bengalinha. A gente aprende que peixe podre e vagina tem o mesmo odor. Carregamos um túnel “cheiroso” no meio das pernas, motivo de piada, medo, objeto de controle.
Esses apelidos podem parecer apenas piadinhas inofensivas para muita gente, mas carregam um peso muito maior que uma comédia boba. Muitas mulheres realmente acabam tendo nojo de si mesmas, não conhecem suas próprias vaginas, não tocam em si mesmas. Aliás, falando em toque, a masturbação feminina é um grande tabu que vem também desses apelidinhos carinhosos:
engole espada
ninho de rola
lixa-pica
casa do caralho
papa-duro
gulosinha
buraco da serpente
Se o homem chama a vagina de lixa-pica e casa do caralho, isso significa que a maldita xoxota só existe para servir ao homem; portanto, mulheres, o prazer sexual não é de vocês, mas do homem e sua espada.
O homem carrega orgulhoso sua terceira perna (a vontade de aumentar o tamanho do pênis através de apelidos é visível), sua furadeira, seu socador, sua ferramenta. A mulher esconde, depila, limpa sem cansar seu suvaco de coxa. Dar nomes pejorativos à vagina prejudica muito a sexualidade feminina, pois a mulher tem pensamentos negativos em relação a si mesma, acaba se limitando, tem medo de se expor, de ter o cheiro errado, o formato errado, o prazer errado.
A tentadora vagina, o testador de batina pode parecer idolatrado por muitos homens, mas essa adoração tem um limite muito demarcado: o controle. Dar nome é querer controlar, diminuir, determinar a função. O homem apelida de ninho de rola quando quer dizer que a vagina serve para nada além das vontades de sua rola. O homem corta, mete, penetra, come com sua serpente, seu canivete, sua arma. E finaliza chamando de bacalhau.
Essa mistura de idolatria e controle é muito parecida com aquela história de chamar as mulheres de musas que muitos adoram. Vários homens tentam fugir de uma imagem de machista dizendo que amam as mulheres, que elas são musas inspiradoras, deusas que devem ser veneradas. Gente, deixa eu contar um segredo: isso ainda é machismo, isso ainda é tentar definir uma posição para mulher alheia à sua vontade. Portanto, não me venha dizer que a vagina é a coisa mais adorada do mundo, a área VIP, a desejada, a caixa dos prazeres, pois, homem, você está determinando que a vagina só serve pra ti.
Os apelidos dados à vagina tiram da mulher o controle (e orgulho) sobre o próprio corpo. Quando somos condenadas a levar entre as pernas nada além de um nugget de peixe e um buraco de serpente, aprendemos que somos submissas ao gigante adormecido masculino. O poder das palavras é forte na subjugação de qualquer grupo, qualquer minoria. As 100 palavras para vagina citadas no vídeo no início deste texto podem ser separadas em três grupos: mau cheiro/aparência feia; diminutivos; provedor do prazer masculino. Nenhum apelido carrega uma ideia de poder como espada, ou de algo que machuca e domina como arma.
Esses nomes condenam a mulher pela sua própria natureza, ou seja, não há saída. As mulheres passam a vida lutando contra as suas cavernas, cabaças, cabeludas, pombinhas. A espada manda, o engole-espada obedece. Vivemos numa cultura de idolatria do pênis, toda a teoria psicanalítica do Freud gira em torno do desejo ao falo. No entanto, com as mulheres tentando se libertar cada vez mais, podendo finalmente falar (de vez em quando e ainda controladamente) que gostam de sexo, que se masturbam, que gostam do próprio corpo, acho que está na hora de apelidos com mais empoderamento feminino.