quinta-feira, 17 de março de 2016

MS já tem o falastrão ARI RIGO. Agora O NOVO falastrão DELCIDIÃO

A delação de Delcídio é muito pior para Aécio e a oposição do que para Dilma. Por Paulo Nogueira

             
Ficou precária a situação de Aécio depois da delação de Delcídio
Ficou precária a situação de Aécio depois da delação de Delcídio
Passado o impacto da delação de Delcídio, e de seus vazamentos seletivos anteriores, fica claro que o maior estrago vai para Aécio e, por extensão, seu PSDB.
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Dilma, ao contrário do que o noticiário da mídia afirmava, é quem se saiu melhor. Viralizou o trecho do depoimento de Delcídio em que ele narrava o começo da guerra feroz movida pro Eduardo Cunha contra ela.
Dilma desmontou o esquema de corrupção em Furnas que saíra do “controle”, contou Delcídio. Ao fazer isso, demitiu gente de Cunha que estava em Furnas para roubar. Começaram então as retaliações.
Um amigo resumiu: “Será que a única honesta nesta história toda vai se estrepar?”
Baixada a poeira, parece que não.
Quem se estrepou definitivamente foi Aécio. A delação de Delcídio encerra uma farsa da qual Aécio se beneficiou amplamente ao longo dos anos, com a contribuição da mídia cúmplice e da PF igualmente cúmplice: a de que a Lista de Furnas não existia.
Existe, sim, como provou Delcídio, e Aécio foi o principal beneficiário da fábrica de propinas instalada em Furnas.
Não é porque jornais e revistas fingiram que o escândalo de Furnas era invenção, não é porque a PF jamais se dignou levar adiante o caso, não é porque sucessivos promotores públicos fecharam os olhos — não é por nada disso que a roubalheira não existiu e dela jorraram mensalões generosos para Aécio.
A situação de Aécio, já precária, se complicou ainda mais depois que emergiram, nesta quarta, detalhes da conta secreta de sua família num paraíso fiscal.
Os dados foram revelados por uma revista da Globo, o que mostra que Aécio tantas fez que até os Marinhos já não se sentem em condição de protegê-lo mais.
É patético, vistas as coisas agora, relembrar a pregação moralista com a qual um corrupto consagrado como Aécio comandou desde sua derrota uma campanha criminosa para derrubar Dilma sob múltiplos argumentos absurdos.
No meio do caminho, abraçou-se a Eduardo Cunha, e finalmente os brasileiros estão vendo quanto os dois têm em comum.
A desmoralização de Aécio é um problema dramático para os que defendem, por interesses escusos, o impeachment.
Um elemento essencial da justificativa do impeachment era a montagem de um enredo fictício que dividia a política entre os corruptos e os puros. Você tira os corruptos para que os puros possam governar o país.
Foi pelos ares este enredo. Onde os puros? Aécio era a grande esperança dos orquestradores do golpe. Antes dele, Cunha. A esta altura, Aécio terá sorte se não for cassado por suas delinquências variadas.
Ficará difícil até para FHC fazer suas prédicas de carola daqui por diante: seu pupilo está exposto como jamais esteve, e ele deve torcer para que casos como o da sua compra do segundo mandato não irrompam no meio das denúncias e delações.
Sobra Mercadante: a mídia tentou transferir para ele os holofotes para poupar Aécio, mas foi inútil. A despeito de tudo, parece que é hora de Dilma se livrar de um sujeito que é amplamente detestado à direita, à esquerda e ao centro.
Uma coisa é certa: a delação de Delcídio não foi exatamente o que os golpistas queriam.

Chegamos ao absurdo: o juiz que emitiu liminar contra a posse de Lula é um revoltado on line. Por Kiko Nogueira

 
             
O juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, é o homem que suspendeu a nomeação e a posse de Lula como ministro da Casa Civil após a cerimônia no Palácio do Planalto.
A decisão determina que Lula não possa assumir aquele posto ou qualquer outro cargo que lhe possibilite o foro privilegiado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-presidente “coloca em risco o livre exercício do Poder Judiciário e das atuações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.”
“A posse e exercício no cargo podem ensejar intervenção, indevida e odiosa, na atividade policial, do Ministério Público e mesmo no exercício do Poder Judiciário pelo senhor Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou no despacho.
“Implica na intervenção direta, por ato da excelentíssima senhora presidente da República, em órgão do Poder Judiciário, com deslocamento de competências. E este seria o único ou principal móvel da atuação da mandatária – modificar a competência, constitucionalmente atribuída, de órgãos do Poder Judiciário”.
Chegou-se ao absurdo completo do golpe — que ainda não terminou, aliás. A Constituição rasgada e o blablablá em jurisdiquês para justificar arbitrariedades. A Advocacia Geral da União vai recorrer.
Itagiba é a cara da república dos juízes em que meteram o Brasil. São políticos, não são juristas, que afinal de contas estão pouco se lixando para as instituições — e, como no caso de Sergio Moro, absolutamente partidários, vergonhosamente partidários, estuprando a noção de isonomia e também o bom senso.
Itatiba estava no protesto em frente ao Palácio do Planalto ontem, dia 16 de março, fazendo selfie com a família. Uma bomba foi atirada na rampa. O suspeito não foi identificado, mas, se um dia chegar a ser, já sabe a quem recorrer.
Abaixo, pego emprestado do Sensacionalista, site do meu amigo Marcelo Zorzanelli, uma série de postagens do juiz Itagiba em suas contas nas redes sociais. É um revoltado on line.
O corajoso magistrado apagou-os assim que foi desmascarado. Você está sendo empurrado para o caos pelas pessoas que deveriam te proteger do caos.

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ÍDOLO DOS GOLPISTAS

Ellen: nós te devemos desculpas pela existência de Jair Bolsonaro. Por Nathalí Macedo 
             
Show de primitivismo de Bolsonaro diante de Ellen
Show de primitivismo de Bolsonaro diante de Ellen
O sentimento de vergonha alheia nunca me ocorreu tão intimamente quanto hoje, ao assistir uma conversa entre a maravilhosa atriz e ativista LGBT Ellen Page e o (ainda) deputado homofóbico Jair Bolsonaro.
Não apenas pela homofobia, que, sabemos, não é privilégio dele.
E não apenas pela ignorância transparecida por este que ocupa uma cadeira no Congresso Nacional a cada vez que Ellen fazia uma afirmação inteligente e o deputado respondia com piadas machistas ou teorias nada científicas para justificar o injustificável.
O que me envergonha é que este homem ainda represente uma parcela da sociedade brasileira. E que a mídia internacional veja o Brasil como “o país do deputado que considera homossexualidade anormal.”
A despeito disso, não pude deixar de constatar que eu realmente adoraria ser detentora do autocontrole de Ellen. Ouvir as respostas nojentas do deputado e manter-se serena e educada é, realmente, admirável.
Mais ainda: ser descaradamente cantada por um homem machista, homofóbico e inoportuno e continuar, friamente, aquela conversa intragável é privilégio para poucas – não para mim, receio.
Ao ser perguntado a respeito da própria homofobia, Bolsonaro responde com uma cantada barata – que, para ele, fortalece a sua masculinidade, mas, para nós, só ratifica a certeza de que se trata de uma figura desprezível.
Ellen Page é uma mulher linda. Talvez por isso tenha sido tratada com alguma educação pelo homem que já proferiu, em pleno Congresso Nacional, que não estupraria Maria do Rosário porque “ela não merecia”.
Acaso, no lugar de Ellen, estivesse um homem gay – melhor ainda: um homem gay que sabe que ser afeminado não é um pecado – ou uma mulher lésbica fora dos padrões de beleza, como teria reagido Bolsonaro?
Seu histórico de cinismo e agressividade fala por ele. Ele provavelmente não teria sorrido entre uma piada homofóbica e outra. Teria conduzido a conversa com as ofensas habituais.
O deputado demonstrou, além da homofobia que já lhe escorre pelos poros, a odiosa fetichização de mulheres lésbicas ao dizer que Ellen é “simpática” e que se ele a visse na rua, assoviaria para ela.
Um adendo: a cara de nojo que a atriz esboçou ao ouvir tamanha asneira é a mesma cara de nojo que fazemos cada vez que olhamos para Bolsonaro.
Para além desse episódio homérico de demonstração de uma masculinidade frágil que precisa ser ratificada mesmo nas situações mais inoportunas, Bolsonaro repetiu para as câmeras e para a ativista LGBT o mesmo discurso homofóbico e previsível que nós já conhecemos.
O mesmo discurso, aliás, que circula em muitas casas, em muitos almoços de família, em muitas rodas de conversa e em muitos bares. O que alguns talvez não compreendam é como alguém pode proferi-lo em frente às câmeras sem o menor constrangimento.
Bolsonaro não se envergonha de ser homofóbico e ignorante porque alguns, infelizmente, comungam de suas opiniões. Alguns ainda classificam-no como “mito” e dão a ele a segurança necessária para sustentar um discurso burro e preconceituoso.
Há ainda quem aplauda a ignorância, e é por isso que figuras como ele se mantêm.
Sem o menor resquício de constrangimento pelas reação estupefata de Ellen, o deputado sorri e conclui: “Você não vai me convencer a ser hétero e eu não vou te convencer a ser gay, vamos seguir nossas vidas.”
Receio que “seguir as próprias vidas” é o que os gays e lésbicas mais anseiam – mas com homens como Bolsonaro no Congresso, esta certamente não é uma tarefa fácil.
E eis que quando nada parecia ser capaz de superar a ignorância já tão cristalinamente demonstrada, eis que o deputado confessa que não entendeu nada do inglês de Ellen – e o que nós ainda não entendemos é porque um homem tão asqueroso continua no Congresso Nacional.
Ellen, nós te devemos desculpas pela existência de Jair Bolsonaro.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/ellen-nos-te-devemos-desculpas-pela-existencia-de-jair-bolsonaro-por-nathali-macedo/

domingo, 14 de fevereiro de 2016

http://www.viomundo.com.br/denuncias/o-que-a-policia-federal-ja-sabe-sobre-a-mossack-fonseca-e-como-o-laranjal-se-relaciona-com-a-casa-dos-marinho-em-paraty.html

O que a Polícia Federal já sabe sobre a Mossack Fonseca e como o laranjal se relaciona com a casa dos Marinho em Paraty

publicado em 14 de fevereiro de 2016 às 12:04
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Da Redação
Nosso investigador no caso da mansão de praia dos irmãos Marinho em Paraty, TC, complementa seu trabalho com mais algumas informações relevantes.
Seguem abaixo:
A Polícia Federal já dispõe de dados suficientes para denunciar a Mossack Fonseca como “lavanderia” encarregada de montar empresas (ver relatórios no pé do post).
O objetivo das empresas, obviamente, é esconder patrimônio, lavar dinheiro e burlar o Fisco.
No Brasil, a Mossack oferecia serviços no Panamá, Ilhas Virgens Britânicas, Seicheles, Samoa, Nevada (Estados Unidos) e Anguila (Caribe). Manter uma fundação, por exemplo, custa cerca de U$ 3 mil anuais. O serviço mais sofisticado envolve a oferta de “laranjas”.
Conforme demonstrei neste post, a Agropecuaria Veine, que tem a titularidade da casa dos irmãos Marinho em Paraty, recebeu logo de início a sociedade de uma empresa panamenha. Depois de mudar de endereço, mudou também de sócios. Hoje é controlada no papel por um brasileiro (Celso de Campos), o panamenho Jorge Luiz Lamenza e a empresa Vaincre.
A Vaincre, registrada em Nevada, era administrada pela empresa panamenha Camille, que por sua vez foi aberta por funcionária da Mossack Fonseca. É óbvio que qualquer investigação séria sobre a atuação da Mossack no Brasil deverá envolver a Agropecuaria Veine.
Leia Nosso investigador e a mansão dos Marinho: todos os caminhos levam ao Panamá.
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Em junho de 2015, a Justiça Federal citou a Veine por edital, já que não localizou os responsáveis: deu prazo de 7 dias para a Veine reparar os estragos ambientais e retirar a estrutura de cerco, aparentemente dedicada à maricultura, existente no entorno da Praia de Santa Rita.
O juiz determinou a retirada de todos o equipamentos privados (brinquedos) instalados sobre a areia da mesma praia.
Também determinou que a Veine se abstenha de criar qualquer tipo de embaraço ao acesso e permanência do público na praia de Santa Rita, sob pena de multa diária no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) no caso de descumprimento da ordem judicial.
Tudo indica que o equipamento supostamente dedicado à maricultura tinha o objetivo apenas de impedir a chegada de barcos à praia onde fica a mansão de concreto dos irmãos Marinho.
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Em março de 2014, reunião do Conselho Diretor do Instituto Estadual do Ambiente da Secretaria do Meio Ambiente deveria discutir a questão da Veine.
O assunto foi retirado da pauta a pedido do chefe de gabinete da vice-presidência, Francisco Almeida, como ficou registrado na ata da reunião.
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Em dezembro de 2009 a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou o registro e funcionamento do heliponto em área de preservação ambiental, contrariando a legislação federal.
A autorização foi assinada por Doris Vieira da Costa, Superintendente de Infraestrutura Aeroportuária.



Luis Nassif: O condomínio Solaris pode ter sido o Riocentro da Lava Jato

publicado em 14 de fevereiro de 2016 às 11:58
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O condomínio Solaris pode ter sido o Riocentro da Lava Jato
DOM, 14/02/2016 – 00:19
ATUALIZADO EM 14/02/2016 – 09:48
A operação descobriu um elefante – a Mossack Fonseca – e agora não sabe como escondê-lo para não comprometer os Marinho.
Está ficando cada vez mais interessante o jogo da Lava Jato.
As novas peças do tabuleiro mostram uma reviravolta no chamado modus operandi da Lava Jato, uma inversão total da estratégia original, de cobrir a operação com o manto do legalismo e da isenção.
Fato 1 – na semana passada, a decisão “inadvertida” de Sérgio Moro de vazar informações sobre um inquérito supostamente sigiloso sobre o sítio de Atibaia.
Fato 2 – no rastro da porteira aberta, procuradores e delegados vazam para a revista Veja a relevante informação sobre as caixas de bebida de Lula, transportadas de Brasília para o sitio em Atibaia. Ou seja, uma armação que coloca em risco a imagem de isenção da Lava Jato e que resulta em um factoide que despertou reação indignada até de juristas inicialmente a favor da operação, como Walter Maierovitch, um ícone na luta contra o crime organizado, por meramente ser uma invasão da vida privada de Lula.
Fato 3 – O procurador Carlos Fernando dos Santos, o mais imprudente dos procuradores da Lava Jato, em entrevista ao Estadão escancara o viés partidário da operação. “A Força Tarefa Lava Jato ainda pretende demonstrar além de qualquer dúvida razoável que todo esse esquema se originou dentro das altas esferas do Governo Federal”.
Se acha assim, que investigue. Qual a razão para sair apregoando suspeitas?
O bordão anterior de que “a Lava Jato investiga fatos, e não pessoas” é substituído por insinuações graves contra as “altas esferas do Governo Federal”, modo pouco sutil de se referir a Lula.
Qual a razão desse açodamento? O que teria ocorrido internamente na Lava Jato, para essa mudança no modus operandi?
Há uma articulação nítida entre três operações: a Lava Jato, a Zelotes e a do Ministério Público Estadual de São Paulo. As três visam pegar Lula.
Ao mesmo tempo, aparentemente houve alguma perda de controle da Lava Jato sobre seus vazadores, que se comportam como os “radicais, porém sinceros” do regime militar, expondo questões altamente delicadas no modo de atuação de Moro e seus rapazes.
O caso Solaris
O pepino começou com o caso Solaris, o edifício que tem o tal tríplex que pretendem atribuir a Lula.
Na investigação sobre o Bancoop, o MPE de São Paulo já tinha levantado o fato de alguns apartamentos do edifício estarem em nome de uma lavanderia, a Murray Holding LLC.
A Lava Jato julgou que estaria ali a pista para pegar Lula já que os apartamentos não vendidos do Solaris teoricamente deveriam ser de propriedade da OAS. Mesmo já estando sob investigação do MPE, a Lava Jato se apropriou do tema e tratou de adubar o terreno com a parceria com veículos, especialmente da Globo.
Acompanhem a cronologia para entender o pepino que a Lava Jato arrumou para si própria:
27/01/2016 – a Lava Jato vaza para a revista Época (das Organizações Globo) a informação de que vários apartamentos estavam em nome da Murray Holding, empresa da holding panamenha Mossack Fonseca. No dia 22 de janeiro, dizia a matéria, a Polícia Federal captou uma conversa telefônica entre Carolina Auada e seu pai Ademir Auada, representante da Mossack no qual ele diz estar picando papéis. Segundo a revista, a queima de arquivos começou depois que a reportagem tentou entrevistar uma ex-funcionária da Bancoop, Nelci Warken, que teria transferido imóveis para a Murray (http://glo.bo/1TfPals).
27/01/2016 – chegam à Superintendência da Polícia Federal Ricardo Honório Neto, Renata Pereira Brito, com prisão temporária decretada. Outras pessoas ligadas à Mossack não tinham sido encontradas. Segundo a PF, Renata Brito seria funcionária de confiança da Mossack no Brasil. E Nelci Warken apresentada como responsável por um tríplex no Condomínio Solaris. A 22aOperação da Lava Jato mobilizou 80 policiais. Segundo o G1, das Organizações Globo, entre os crimes investigados estão corrupção, fraude, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”. (http://glo.bo/1VcuJ87)
28/01/2016 – o Globo traz uma excelente reportagem mostrando as ligações da Mossack com ditadores e delatores. Segundo a reportagem, a Mossack é acusada de financiar ações de terrorismo e corrupção no Oriente Médio e na África. Na relação de prioridades das polícias mundiais, o crime de terrorismo ocupa o primeiro lugar. The Economist tratou a empresa como “líder impressionantemente discreto da indústria de finanças de fachada do mundo”. Era uma “fábrica de offshores à disposição de empresários e agentes públicos interessados em ocultar bens no exterior”. Na lista de clientes havia o ditador sírio Bashar Al-Assad, o líbio Muammar Gaddafi, o presidente do Zimbabwe Robert Mugabe e três figuras centrais da Lava Jato, Renato Duque, Pedro Barusco e Mário Goes.
28/01/2016 – No mesmo dia, o DCM publica uma matéria sobre a casa da família Marinho em Parati (http://bit.ly/1TfQ0yy). Recupera uma reportagem da Bloomberg de 8 de março de 2012 (http://bloom.bg/242ZsdF). A reportagem narra os crimes ambientais da família Marinho.
Duas declarações chamaram a atenção dos repórteres da Bloomberg:
Da fiscal do CMBio Graziela Moraes Barros: “Muitas pessoas dizem que os Marinhos mandam no Brasil. A casa de praia mostra que a família certamente pensa que está acima da lei”.
De Fernando Amorim Lavieri, procurador que passou três anos batalhando contra os crimes ambientais na região: “Os brasileiros ricos conseguem tudo”.
A reportagem pretendia apenas expor os crimes ambientais dos Marinho. Mas abriu uma caixa de Pandora, como se verá a seguir.
29/01/2016 – A revista Época publica matéria alentada dando mais foco nos negócios nebulosos da Murray. O título já mostrava qual o alvo perseguido: “Nova fase da Lava Jato mira na OAS, mas pode acertar Lula – MP diz que todos os apartamentos do condomínio onde ex-presidente tem tríplex reservado serão investigados” (http://glo.bo/1TfPals).
Segundo a revista, “o foco na Mossack é outro passo grande dado pela Lava Jato. Criada em 1977 no Panamá, a Mossack Fonseca tem representações em mais de 40 países. É famosa pela criação e administração de offshores, frequentemente usadas como empresas de fachada. O cumprimento do mandado de busca na sede brasileira da Mossack só se encerrou na quinta-feira – peritos viraram a madrugada para baixar e-mails e documentos armazenados em serviços de arquivos virtuais, pelo servidor central da empresa. A coleta de provas no local foi igualmente proveitosa.
Além das centenas de offshores nas mensagens e documentos eletrônicos, os policiais arrecadaram papéis com o nome de clientes, cópias de passaportes, comprovantes de endereço e nomes da offshore criada. Um pacote completo. As apreensões devem motivar algumas centenas de inquéritos e levar a Operação Lava Jato para um gigantesco canal de lavagem de dinheiro. A apreensão poderá gerar filhotes por anos”. Como diriam os garimpeiros, a Lava Jato “bamburrou” – isto é, descobriu uma verdadeira mina de ouro para suas investigações.
31/01/2016 – O Estadão reforça as informações sobre a Mossack Fonseca, informando que autoridades norte-americanas investigam a Mossack por conta de dois argentinos acusados de desviar dinheiros de estatais argentinas nos governos Nestor e Cristina Kirchner. Naquele dia, Moro renovou a prisão temporária de Nelci mas libertou Ricardo Honório Neto e Renata Pereira Brito,
De repente, a Mossack some do noticiário, que passa a ser invadido por notícias de pedalinho, barcos de 4 mil reais.
folha_murray_fotor_collageUma pesquisa nos sistemas de busca da FolhaEstadão e Globo mostra que as últimas menções à Murray e à Mossack são de 1o de fevereiro.
04/02/2016 – O Edifício Solaris sai completamente do foco da Lava Jato. A Polícia Federal solicita ao juiz Moro para ampliar as investigações do IPL (Inquérito Policial) que investiga a suposta ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro da OAS. A solicitação de ampliar o escopo para outras empresas revelava que havia acontecido algo novo, que fez a Lava Jato abandonar o tríplex para se concentrar no sítio em Atibaia.
05/02/2016 – Moro manda libertar a publicitária Nelsi Warken e o empresário Ademir Auada, que havia sido detido sob suspeita de estar destruindo documentos. A justificativa de Moro é surpreendente: “Apesar do contexto de falsificação, ocultação e destruição de provas, (…) na qual um dos investigados foi surpreendido, em cognição sumária, destruindo quantidade significativa de provas, a aparente mudança de comportamento dos investigados não autoriza juízo de que a investigação e a instrução remanescem em risco”, escreveu ele ao justificar a soltura (http://bit.ly/2430pmr). Ora, a possibilidade de queima de arquivos e de atrapalhar as investigações foram o mote para a manutenção de todas as prisões preventivas. Como abre mão desse argumento justamente para um sujeito flagrado eliminando documentos? E aceita a tese da “aparente mudança de comportamento dos investigados” para libertá-lo.
A justificativa colide com informações da própria Lava Jato repassadas à revista Época: “Clientes da panamenha Mossack Fonseca vão ser investigados para averiguar se faziam parte do esquema de corrupção na Petrobras ou se cometeram outros crimes. (…) A empresa panamenha Mossack Fonseca também foi alvo de buscas, porque foi ela quem criou a offshore Murray. Mas representantes da Mossack Fonseca atrapalharam os policiais e deletaram arquivos guardados na nuvem da empresa”.
Á luz das informações divulgadas até então, não havia lógica na decisão de Moro.
09/02/2016 – No dia 4 Moro autorizou a PF a ampliar a investigação do sítio em Atibaia, que deveria ser sigilosa. No dia 9,  o próprio Moro liberou “inadvertidamente” a informação e os dados do novo inquérito.
12/02/2016 – reportagem de Helena Sthephanowitz, no RBA (Rede Brasil Atual), informa que a mansão dos Marinho, em Paraty, é de propriedade de uma offshore, a Vaincre LLC, controlada pela mesma Murray Holdings LLC, a empresa dona dos apartamentos em Guarujá (http://bit.ly/1SoRhEw) e que pertence à Mossack Fonseca.
13/02/2016 – o Viomundo, do Luiz Carlos Azenha, completa a informação com um levantamento minucioso das ligações da Mossack Fonseca com a mansão dos Marinho em Paraty (http://bit.ly/1SoRnMA).
Era a peça que faltava para entender esses movimentos erráticos da Lava Jato. Aparentemente foi para impedir que viessem à tona os atropelos dos Marinho com a Mossack Fonseca.
O procurador Carlos Fernando e seus colegas, os delegados federais e o juiz Sérgio Moro trocaram a possibilidade de desvendar o submundo da lavagem de dinheiro no país pelos móveis que a OAS comprou para o sítio de Atibaia. Pois, como enfatiza o procurador, a Lava Jato não investiga pessoas, mas fatos.
Em recente entrevista ao Globo, o procurador Carlos Fernando desabafou: “Sempre soubemos que a longo prazo as elites vão se compor de maneira a reduzir os prejuízos que tiveram com essas operações”. O desfecho do caso Mossack Fonseca é um belo CQD (Como Queríamos Demonstrar).
Como não existe nada perfeito, assim como no caso do Riocentro a Lava Jato liberou seus radicais para explodir petardos em Guarujá. Por açodamento, explodiram em Paraty.
No Riocentro, o coronel Job conseguir montar um inquérito isentando a todos.
Em tempo de redes sociais, impossível.
http://www.viomundo.com.br/denuncias/luis-nassif-o-condominio-solaris-pode-ter-sido-o-riocentro-da-lava-jato.html

http://jornalggn.com.br/noticia/o-condominio-solaris-pode-ter-sido-o-riocentro-da-lava-jat

sábado, 23 de janeiro de 2016


Obra milionária funcionou por um ano e está abandonada há uma década

Sistema de irrigação foi feito em Itaporã para bombear água de rio a 130 propriedades; prejuízo aos cofres públicos é de R$ 59 milhões

Helio de Freitas, enviado especial a Itaporã, e Aline Santos
Dutos que caíram durante cheia do rio. (Foto: Eliel Oliveira)
Dutos que caíram durante cheia do rio. (Foto: Eliel Oliveira)
Canos em meio à lavoura de soja. (Foto: Eliel Oliveira)Canos em meio à lavoura de soja. (Foto: Eliel Oliveira)
Uma mega e milionária estrutura abandonada no meio do mato. Canais de concreto tomados pela terra entre lavouras de soja. Casas de máquina habitadas por morcegos, dutos de aço despencando de pilares de cimento, reservatórios gigantescos que se transformaram em dor de cabeça para os donos das terras onde foram construídos e um caminhão de dinheiro público jogado fora.
A realidade do sistema de irrigação instalado no distrito de Santa Terezinha, um povoado de 800 habitantes, cercado por lavouras de soja, no município de Itaporã, a 227 km de Campo Grande, levou o Ministério da Integração Nacional a cobrar R$ 59,6 milhões do governo do Estado. A quantia corresponde ao valor atualizado do contrato 076/99, que nasceu em 26 de novembro de 1999 com montante de R$ 11,4 milhões.
Enquanto o dinheiro parece ter tomado rumo incerto no correr dos anos, o fracasso achou endereço no povoado, que sonhou em ser celeiro de produção frutífera de alta qualidade. Faz pelo menos uma década que o emaranhado de dutos e canais que cortam quilômetros e quilômetros de propriedades particulares está abandonado. Há dez anos nem uma gota de água do Rio Brilhante é captada pelo sistema. Tudo está lá, deixado ao relento, se deteriorando pelo tempo.
Nesta sexta-feira (22), o Campo Grande News esteve na Gleba Santa Terezinha e percorreu boa parte do sistema de irrigação que foi um fracasso total. Nada do esperado aconteceu. O sonho acalentado ainda na década de 90 virou pesadelo para alguns produtores e principalmente para o cofre público.
Pronto, mas inoperante - “O sistema todo foi concluído pelo governo, mas foi mal projetado, é muito caro, tinha muito desperdício de água. De cada cem litros captados no rio, 70 se perdiam até chegar ao destino final. O governo fez a parte dele, mas depois que estava tudo pronto abandonou e não tinha como os produtores assumirem os custos. Um ano depois de funcionamento, as máquinas pararam de bombear água porque a conta de energia era cara demais e não tinha quem pagasse. Aí parou tudo. Está assim até agora”.
Dutos de concreto que levavam água do rio para reservatório. (Foto: Eliel Oliveira)Dutos de concreto que levavam água do rio para reservatório. (Foto: Eliel Oliveira)
“Isso foi feito errado. Foi um erro. Não tinha como dar certo”, lamenta Ademir, conhecido como  Dico. (Foto: Eliel Oliveira)“Isso foi feito errado. Foi um erro. Não tinha como dar certo”, lamenta Ademir, conhecido como Dico. (Foto: Eliel Oliveira)
Sistema de bombeamento nunca usado no Santa Terezinha. (Foto: Eliel Oliveira)Sistema de bombeamento nunca usado no Santa Terezinha. (Foto: Eliel Oliveira)
O relato é Ademir Pereira de Freitas, o Dico, um dos 130 produtores de Santa Terezinha que deveriam ser beneficiados com o sistema de irrigação. Assim como ocorreu com os demais agricultores do local, o canal equipado com um moderno sistema de bombeamento chegou até a frente de sua propriedade, mas nunca foi usado por ele.
“Não utilizei nem uma gota da água que chegou aqui por um tempo. Precisava investir uns R$ 60 mil na época para distribuir a água na propriedade e como não tinha uma linha de crédito específica para isso, desisti da irrigação, abandonei o sonho de plantar fruta e continuei plantando soja”.
Presidente da associação de produtores do distrito, Dico acompanhou a reportagem do Campo Grande News nos locais onde o sistema de irrigação foi instalado. Ele conhece como ninguém a história do projeto e só lamenta pelo desperdício do dinheiro público. “Isso foi feito errado. Foi um erro. Não tinha como dar certo”.
Sonho de Derzi – Ademir Freitas contou que o sistema começou a ser instalado no fim do governo de Wilson Barbosa Martins (1995-1998), mas foi concluído no governo de Zeca do PT (1999-2006). Em menos de cinco anos, toda a gigantesca rede de dutos e demais estruturas estava pronta. “Dinheiro para a obra não faltou. O que faltou foi dinheiro para o produtor fazer o investimento necessário na propriedade e poder usar o sistema”.
Dico lembra que o então deputado federal Flávio Derzi (morto em agosto de 2001, vítima de câncer) pretendia apresentar um projeto de lei na Câmara para criar uma linha de crédito específica do Banco do Brasil para financiar a parte dos agricultores. “Mas ele faleceu e junto com ele morreu a ideia”.
Milhões abandonados – O sistema de irrigação de Santa Terezinha foi implantado por duas empreiteiras contratadas pelo governo de Mato Grosso do Sul. A estrutura inclui três estações de captação de água em três pontos diferentes do rio.
Canal que levava água para os sítios. (Foto: Eliel Oliveira)Canal que levava água para os sítios. (Foto: Eliel Oliveira)
Reservatório para 48 milhões litros de água. (Foto: Eliel Oliveira)Reservatório para 48 milhões litros de água. (Foto: Eliel Oliveira)
Uma delas deveria encher um reservatório de 48 milhões de litros, construído numa propriedade particular, assim como todo o sistema. As outras duas deveriam abastecer outros três reservatórios menores.
Até os reservatórios, a água era bombeada pelas máquinas instaladas nas estações de captação. Dos reservatórios, era distribuída “por gravidade” para os canais abertos – valas feitas de concreto equipadas com bombas menores e comportas, para controle do volume de água.
Os canais começam nos reservatórios e cortam todas as 130 propriedades. Em cada propriedade tem uma “casa de máquina”, construída em alvenaria, onde foi instalada uma bomba elétrica para mandar a água para o sítio.
“Até esse ponto o sistema foi feito, mas daqui para frente o custo teria que ser do produtor e poucos tinham condições de bancar do próprio bolso”, conta Ademir Freitas. Segundo ele, dos 130 produtores que deveriam ser atendidos, menos de dez implantaram os pivôs de irrigação nas terras para usar a água do sistema.
“Quando o governo tirou o time de campo e a água parou de chegar às propriedades, esses produtores ficaram com o prejuízo. Agora eles pensam em abrir poços artesianos e usar o sistema que já pagaram. Um já fez isso”, afirmou o produtor.
Do sonho ao pesadelo – A ideia de transformar Santa Terezinha em um grande produtor de frutas fracassou junto com o sistema de irrigação do governo, mas Cesar Janzeski pagou caro por isso.
Dono de um dos lotes em que os canais chegaram à porta de casa, Cesar usou as economias e o lucro da suinocultura que mantém em Santa Terezinha para implantar os pivôs de irrigação e começou a plantar goiaba.
Mas, a empolgação do descendente de poloneses nascido em 1960 no Rio Grande do Sul foi ainda mais longe. Acreditando que Santa Terezinha fosse se tornar um polo de produção de frutas, Cesar Janzeski decidiu instalar uma fábrica de polpas. Começou processando a produção própria e logo depois passou a comprar a goiaba produzida por um vizinho.
 
Canal deveria conduzir água até as propriedades. (Foto: Eliel Oliveira)Canal deveria conduzir água até as propriedades. (Foto: Eliel Oliveira)
Fábrica de polpas construídas no Santa Terezinha, (Foto: Eliel Oliveira)Fábrica de polpas construídas no Santa Terezinha, (Foto: Eliel Oliveira)
Foi aí que o sonho começou a se tornar pesadelo. Se não bastasse o sistema de irrigação abandonado pelo governo, Cesar Janzeski sentiu na pele o preço da burocracia para se abrir um negócio no Brasil e sofreu com a pressão da concorrência e da fiscalização do Ministério da Agricultura.
“Cheguei a jogar 130 toneladas de polpa aos porcos para não ter que pagar uma multa porque dois fiscais do Ministério da Agricultura fizeram exigências absurdas e me deram 30 dias para cumpri-las. Mas eu não desisti, fiz todas as modificações necessárias no prédio, investi em equipamento de alta qualidade e em fevereiro agora faz um ano que estou produzindo seis tipos de polpas. Ainda não estamos na capacidade total, começamos aos poucos, mas vamos crescer”, afirmou ele ao Campo Grande News na varanda de sua casa, ao lado da indústria, no núcleo urbano de Santa Terezinha.
Sem as frutas que deveriam ser produzidas no distrito, Cesar Janzeski busca os produtos em várias cidades brasileiras para processar em sua fábrica. Com um pequeno caminhão com câmara fria, ele viaja até Bento Gonçalves (RS) para buscar uva, vai ao Espírito Santo para comprar mamão, compra morango em Lages (SC) e acerola na região de Umuarama (PR).
Só a goiaba é produzida em seu sítio e na propriedade de outro morador do distrito e o maracujá vem de Ivinhema e Itaquiraí. “O resto eu compro em outros estados, vou lá pessoalmente selecionar as frutas e negociar preços”, conta Cesar.
“Com certeza se o projeto tivesse dado certo e mais agricultores daqui estivessem produzindo fruta, o custo de produção da polpa seria menor e haveria mais condições de disputar mercado”, afirma o produtor, que vende a polpa em feiras de Dourados e mercados de Itaporã, mas já negocia para exportar para outros estados.
 
No detalhe, dutos de concreto caídos. (Eliel Oliveira)No detalhe, dutos de concreto caídos. (Eliel Oliveira)
Apesar do investimento de R$ 1,8 milhão e muita dor de cabeça com a burocracia governamental, Cesar mantém a esperança e ainda acredita que Santa Terezinha possa se tornar grande produtor de frutas. “Eu vou construir um poço artesiano e usar o sistema que implantei. Outros podem fazer o mesmo”.
Já Ademir Freitas, o Dico, é mais realista: “Esse sistema fracassou. Talvez se todos os produtores tivessem feito os investimentos para usar a água e se o governo não tivesse nos abandonado, quem sabe poderia ter dado certo. Mas do jeito que está, não serve pra nada”.
Abandonado – Relatório de 2008, que integra o pedido de tomada de contas especial, já revelava o cenário de abandono. Na ocasião, visita técnica apontou que “'em resumo, toda a infraestrutura de irrigação do Projeto Santa Terezinha (…) está abandonada. Nas estações de bombeamento, estão sendo depredados e roubados os cabos elétricos de cobre, os medidores (hidrômetros), as caixas d'água para escora das bombas, os motores e as bombas. Os canais de adução e de distribuição, bem como os reservatórios, encontram-se com rachaduras decorrentes da falta de uso e de manutenção, o que tem favorecido o desenvolvimento da vegetação. (…)
Nas áreas ao redor das estações de bombeamento, o mato cresce há vários anos”.
Os recursos do convênio foram transferidos à Secretaria de Estado de Habitação e Infraestrutura do Governo do Estado do Mato Grosso do Sul para a “Complementação das obras de Infraestrutura de irrigação na gleba de Santa Terezinha”, no município de Itaporã.
À época, o valor total era de R$ 11.432.603,60, sendo R$ 1.039.327,60 de contrapartida da governo e R$ 10.393.276,00 do Ministério da Integração. A reportagem solicitou informação à assessoria de imprensa do governo, mas não obteve resposta.
Ressarcimento – A tomada de conta especial é um instrumento que os ministérios dispõem para ressarcir ao erário os recursos desviados – ou aplicados de forma não justificada – seja por pessoas físicas, entes governamentais ou entidades sem fins lucrativos.
As tomadas são instauradas pelos próprios gestores depois de esgotadas todas as medidas administrativas possíveis para regularização do dano. Em seguida, são encaminhadas à CGU (Controladoria-Geral da União), que irá se manifestar sobre a adequada apuração dos fatos, as normas eventualmente infringidas, a identificação do responsável e a precisa quantificação do prejuízo. Em alguns casos, os processos são devolvidos ao órgão de origem, para revisão ou complementação de dados.
 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Ministro da Saúde leva coordenador repudiado por mais de 600 entidades a cidade berço da Reforma Psiquiátrica

publicado em 19 de janeiro de 2016 às 19:16
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Protesto de Profissionais de saúde, usuários e familiares contra Valencius Wurch na coordenação da Saúde Mental: Nessa segunda 18, na avenida Paulista
por Conceição Lemes
A cidade de Santos, no litoral paulista, é emblemática na luta e adoção de políticas públicas de saúde inovadoras.
Muitas iniciativas atualmente consagradas nasceram lá sob a coordenação ou inspiração do médico sanitarista David Capistrano Filho (1948-2000), um dos protagonistas do Sistema Único de Saúde (SUS), da saúde coletiva e da reforma sanitária brasileira. Um verdadeiro guerreiro da saúde pública.
Davizinho, como era chamado, foi seu secretário municipal de Saúde (1989-1992) e seu prefeito (1993-1996).
Santos foi o primeiro município do Brasil e a primeira cidade do mundo a garantir acesso gratuito e universal do coquetel antirretroviral a pacientes com HIV/Aids.
Santos foi o primeiro município brasileiro a distribuir seringas e agulhas descartáveis para usuários de drogas injetáveis, visando à redução de danos.
Santos foi o primeiro município brasileiro a fazer intervenção num hospital psiquiátrico privado, a Casa de Saúde Anchieta, onde ocorreram mortes violentas.
A instituição tinha cerca de 430 leitos e 550 pessoas internadas. Isso aconteceu em 3 de maio de 1989, dois anos antes da lei da Reforma Psiquiátrica.
São muitas as crias de Davizinho e dessa época histórica de Santos pelo Brasil afora.
Por exemplo, o médico sanitarista e professor da Unifesp, Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde do governo da presidenta Dilma. Ele foi coordenador de Especialidades, quando David era secretário da Saúde.
O médico psiquiatra Roberto Tykanori, coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas até 14 de dezembro do ano passado. Ele foi  interventor na Casa de Saúde Anchieta de 1989 a 1996. Durante um período acumulou o cargo de coordenador de Saúde Mental de Santos.
Na última sexta-feira 15, o ministro Marcelo Castro foi a Santos participar da inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Santos. Em outubro de 2015, no auge da crise do governo Dilma, Castro substituiu Chioro, do PT histórico, na pasta. O Ministério da Saúde foi moeda de troca no balcão de negociação com o PMDB. Castro é médico psiquiatra e deputado federal pelo PMDB do Piauí.
Apesar da substituição absurda, a vida  segue.
A questão é o detalhe. Castro levou na bagagem o psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho, novo coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas.
De 1993 a 1998, relembramos, Valencius, na condição de diretor-clínico da Casa de Saúde Dr. Eiras, em Paracambi, na Grande Rio de Janeiro, ajudou a escrever páginas tenebrosas do maior hospício privado da América Latina. Aí, centenas de usuários foram maltratados por anos, alguns até a morte, geralmente por fome, violência física, eletrochoques sistemáticos, doenças de fácil controle e curáveis. Uma autêntica casa de horrores.
A rejeição ao nome de Valencius na condução da Política Nacional de Saúde Mental é quase unânime.
Em protesto à sua nomeação, há 35 dias (desde 15 de dezembro de 2015), a sala da coordenação da Saúde Mental no Ministério da Saúde está ocupada por profissionais, usuários e familiares.
Na quinta-feira passada, aconteceu o LoUcupa Brasília. Caravanas de vários estados desembarcaram na capital federal para protestar contra o novo coordenador.
Mesmo com tudo isso contra, Marcelo Castro levou Valencius junto. Inclusive fez questão de citá-lo no discurso.
Das duas, uma: ou o ministro é desprovido de sensibilidade intelectual e histórica ou quis fazer provocação. Esta repórter considera mais plausível a segunda possibilidade.
Ir à cidade de Chioro e Tykanori, que também é um dos berços da Reforma Psiquiátrica no Brasil, é provocação grosseira, mesquinha, inconcebível para um ministro de Estado.
Provocação, diga-se de passagem, não apenas a Chioro e Tykanori, mas a todos que batalharam pela criação do SUS, pelas reformas sanitária e psiquiátrica, inclusive à memória de David Capistrano Filho.
Afinal,como registrou reportagem do New York Times de 31 de dezembro de 2015: “Interrompeu a prática da Medicina anos atrás [desde a década de 1980] para se dedicar aos seus próprios interesses comerciais e à política”
Lamentavelmente um gesto que revela a estatura de Marcelo Castro como ministro de Saúde. Certamente muito aquém do esperado para o cargo.
A propósito. Como tem acontecido em todos os eventos a que tem comparecido, o ministro Marcelo Castro foi recebido com protestos na entrada da UPA Central de Santos.
Depois, lá dentro, depois, um médico entregou-lhe o manifesto do Fórum em Defesa da Reforma e da Luta Antimanicomial da Baixada Santista (na íntegra, abaixo) contra Valencius, com um alerta: “A saúde mental do nosso país não está grávida, mas corre sério risco de ficar com microcefalia”.
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Para desconforto do ministro, tudo indica que o movimento contra Valencius Wurch não vai parar tão cedo.
Nesta segunda-feira 18, foi a vez de profissionais de saúde, acadêmicos, usuários e familiares fazerem passeata na Avenida Paulista.


http://www.viomundo.com.br/denuncias/ministro-da-saude-leva-coordenador-repudiado-por-mais-de-600-entidades-a-cidade-berco-da-reforma-psiquiatrica.html