quinta-feira, 17 de março de 2016

Chauí: Golpe agora fará 64 parecer pão doce; veja o vídeo em que ela ironiza FHC

publicado em 16 de dezembro de 2015 às 14:26
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por Luiz Carlos Azenha
Surpreendentemente, o auditório da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, estava superlotado de professores e alunos.
Mais de 7.500 pessoas já assinaram o manifesto.
Dentre os mil que tiveram as assinaturas confirmadas, 264 são professores da Universidade de São Paulo, 66 da Unicamp, 59 da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas há centenas de assinaturas de professores de universidades federais e privadas de todo o Brasil e até do exterior.
Muitos deles são críticos do governo Dilma e do Partido dos Trabalhadores, como o filósofo Paulo Arantes. Porém, todos reconhecem que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff é apenas um passo no processo de retirada de direitos sociais e da instalação de um governo oligárquico no Brasil, sob forte influência da extrema-direita. É, portanto, um golpe.
Na mesa, o neurocientista Miguel Nicolelis teve um flashback de 35 anos atrás, de quando o Brasil sofreu um golpe militar. “Quero evitar que meus filhos e meus netos tenham de voltar aqui para protestar contra uma ditadura”, afirmou. “Não é uma presidência, uma pessoa, é a defesa do Estado de direito, da democracia, do império da lei”.
A economista Leda Paulani relembrou que “nenhuma Nação passa impune por 25 anos de ditadura”. Segundo ela, “é a construção democrática do Brasil” que está em jogo. Os que propõem o impeachment, segundo ela, “nunca foram democratas”.
Outro economista, Luiz Gonzaga Beluzzo, também relembrou o passado. Disse que em 64, depois do golpe, apanhou do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) defendendo o governo constitucional de João Goulart e que o faria de novo, agora, se necessário for.
O jurista Dalmo Dallari afirmou que nunca foi filiado a partido político, que estudou a proposta de impeachment de Hélio Bicudo, Janaina Paschoal e Miguel Reali Jr. e que não existem atos da presidente Dilma que configurem crime de responsabilidade.
“Eu não diria que são falsos juristas, mas que são juristas incompletos”, afirmou. Nunca chegariam ao STF por terem demonstrado “notável ignorância jurídica”, aduziu.
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Paulo Arantes alegou que, por força da pergunta de um repórter, se sentia obrigado a explicar sua presença no ato, tendo em vista suas críticas recorrentes ao PT e ao governo Dilma.
“É em solidariedade às vítimas do processo em marcha. Saindo ou não saindo o impeachment, estamos diante de uma onda avassaladora que está se despejando sobre o Brasil”, afirmou.
Ele relembrou a manifestação na avenida Paulista em 2013, quando a esquerda apanhou de militantes direitistas quando comemorava a vitória do Movimento Passe Livre. Para ele, designar os pró-impeachment como “coxinhas é fofo”; no outro extremo, poderiam ser chamados de “milícias fascistas”.
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Para o fundador do PSDB, o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, a democracia está ameaçada “pelos liberais”, que não aceitam premissas básicas dela, como os direitos civis e o sufrágio universal. Ele acrescentou que uma “classe média orfã” da política econômica fornece a militância para o que chamou de golpe.
Para Bresser, o impeachment falhará porque o Brasil tem uma sociedade plural, uma classe trabalhadora ativa e intelectuais como os que se reuniam naquele momento.
O professor Roberto Schwarcz disse que o impeachment vai enfraquecer a democracia e lembrou que, desde a apuração dos votos em 2014, a oposição trabalha para tornar o Brasil ingovernável de maneira a poder dar o golpe alegando que o país está desgovernado.
Para ele, se o governo atual for derrubado o impeachment estará legitimado como forma de resolver crises institucionais, mas o campo popular não terá acesso à imprensa, ao rádio e à TV, nem ao apoio da Fiesp, que representam “os interesses do dinheiro”.
O professor de Filosofia Marcos Nobre disse que a elite brasileira está “canalizando o sofrimento social” de uma crise econômica para dar o golpe. “É a energia sequestrada de uma sociedade”, disse. “A autodefesa de um sistema estruturalmente podre e corrupto”, segundo Nobre, resulta numa “enganação coletiva”: colocar os de baixo para apoiar uma proposta que basicamente beneficia os de cima.
Vídeo de Artur Scavone

Marilena Chauí afirmou que o impeachment é apenas a “cereja no bolo” da direita, que banca uma pauta extremamente conservadora no Congresso, incluindo da redução da maioridade penal à lei antiterrorismo.
Segundo ela, o que está sendo preparado “é a vitória completa do capital na luta de classes”. “Não é por acaso”, frisou, que “o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em entrevista que o mercado é favorável ao impeachment, como se o mercado fosse um ente metafísico”. Para Chauí, a classe dominante conta com o apoio de uma classe média “proto fascista” para implantar um governo reacionário depois de derrubar Dilma Rousseff.
“Se o golpe vier, nós teremos uma ditadura que nos fará considerar 64 como um pão doce com bolacha”, previu sobre o futuro.
Para o jurista Fábio Konder Comparato, que encerrou o evento, no Brasil vigem duas Constituições. A de 1988, nunca totalmente regulamentada, e a “real, ditada pela oligarquia”. Para ele, o impeachment seria a vitória indiscutível desta constituição “de fachada”, que privilegia os de cima às custas dos de baixo.

Direita Golpista é Desmascarada por Jornalista Americano

Política

Operação Lava Jato

Delcídio recebeu propina de US$ 10 milhões no governo FHC, diz Cerveró

Segundo jornal, senador petista, preso pela PF, teria recebido suborno quando era diretor de Óleo e Gás da Petrobras
por Redação — publicado 09/12/2015 11h16, última modificação 09/12/2015 11h25
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Pedro França/Agência Senado
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Senador Delcídio do Amaral, preso sob acusação de obstruir investigações da Lava Jato
Em acordo de delação premiada, Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, relatou aos procuradores da Operação Lava Jato que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) recebeu 10 milhões de dólares em suborno durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1999 e 2001, quando era diretor de Óleo e Gás da Estatal. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
Durante o mandato do tucano, Nestor Cerveró foi um dos gerentes de Óleo e Gás da estatal, sob direção de Delcídio, preso no dia 25. O senador é acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato ao subornar Cerveró para que seu nome não constasse em delação premiada.
Segundo o relato do ex-diretor da Petrobras, o repasse a Delcídio teria sido feito pelo lobista Afonso Pinto Guimarães, responsável pela francesa Alstom no Rio de Janeiro, durante a compra de turbinas para a TermoRio, inaugurada em 2006. A Petrobras tinha pressa em construir termoelétricas por causa da alta demanda de energia e do apagão que ocorreu durante o período.
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O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Documentos apreendidos pela Polícia Federal traziam os nomes “Nestor, Moreira e Afonso Pinto” e “Guimarães Operador Alstom BR pago p/ Delcídio”. Moreira seria o ex-gerente da Petrobras, Luis Carlos Moreira, que participou do caso das turbinas.
O relato do suposto suborno pago a Delcídio pela Alstom estará em um dos 36 anexos da delação do ex-diretor, cada um deles relatando casos específicos de propina. As novas fases da delação de Cerveró devem explicar detalhadamente como se deu essa operação.
A Alstom, que nega o uso de suborno para obter contratos, também é alvo de investigações em São Paulo, sob suspeita de ter pagado propina em contratos com o Metrô, CPTM e empresa de energia do governo de São Paulo, sempre em governos tucanos.

Família de foto com a babá e as crianças nas manifestações rebate críticas

Foto de casal com duas crianças e a babá negra, fardada, virou um dos símbolos das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff neste domingo. A família divulgou nas redes sociais um texto para rebater as críticas

babá foto protestos dilma copacabana
Neste domingo (13) marcado pela manifestação que levou milhares de pessoas à praia de Copacabana para protestar contra o governo Dilma, a imagem de um casal vestido de verde e amarelo e acompanhado por uma babá cuidando de seus filhos gerou polêmica.
Na imagem, os pais surgem um pouco à frente, enquanto a babá, mais atrás e de branco, leva as crianças no carrinho.
Muitos internautas enxergaram na imagem um retrato da desigualdade social do país. Já outros apontaram para uma simbologia das condições de subemprego a que algumas empregadas domésticas estão submetidas.
Quem protagoniza a imagem é o vice-presidente de finanças do Flamengo, Claudio Pracownik.
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A repercussão foi tão grande que Pracownik reagiu e se manifestou pelas redes sociais. Ele aproveitou para atacar alguns políticos acusados de corrupção, disse que todo seu dinheiro ´´e fruto de trabalho e que não precisa sentir vergonha por nada do que fez.
“Ganho meu dinheiro honestamente, meus bens estão em meu nome, não recebi presentes de construtoras, pago impostos (não, propinas), emprego centenas de pessoas no meu trabalho e na minha casa mais 04 funcionários. Todos recebem em dia. Todos têm carteira assinada e para todos eu pago seus direitos sociais”.
Veja a resposta de Pracownik na íntegra:
“Sí Pasarán!”
“Ganho meu dinheiro honestamente, meus bens estão em meu nome, não recebi presentes de construtoras, pago impostos (não, propinas), emprego centenas de pessoas no meu trabalho e na minha casa mais 04 funcionários. Todos recebem em dia. Todos têm carteira assinada e para todos eu pago seus direitos sociais.
“Não faço mais do que a minha obrigação! Se todos fizessem o mesmo, nosso país poderia estar em uma situação diferente
“A babá da foto, só trabalha aos finais de semana e recebe a mais por isto. Na manifestação ela está usando sua roupa de trabalho e com dignidade ganhando seu dinheiro.
“A profissão dela é regulamentada. Trata-se de uma ótima funcionária de quem, a propósito, gostamos muito.
“Ela é, no entanto, livre para pedir demissão se achar que prefere outra ocupação ou empregador. Não a trato como vítima, nem como se fosse da minha família. Trato-a com o respeito e ofereço a dignidade que qualquer trabalhador faz jus.
“Sinto-me feliz em gerar empregos em um país que, graças a incapacidade de seus governantes, sua classe política e de toda uma cultura baseada na corrupção vive uma de suas piores crises econômicas do século.
“Triste, só me sinto quando percebo a limitação da minha privacidade em detrimento de um pensamento mesquinho, limitado, parcial cujo único objetivo é servir de factoide diversionista da fática e intolerável situação que vivemos.
“Para estas pessoas que julgam outras que sequer conhecem com base em um fotografia distante, entrego apenas a minha esperança que um novo país, traga uma nova visão para a nossa gente. Uma visão sem preconceitos, sem extremismos e unitária.
“O ódio? A revolta? Estas, deixo para eles.
 

Adilson Filho: Assustador ver crianças reproduzindo o fascismo dos pais

publicado em 14 de março de 2016 às 22:48
12821619_10205681784312537_983108294014487033_n-001por Adilson Filho, especial para o Viomundo
Não adianta, eu não consigo naturalizar o que está acontecendo. Apesar de saber das origens históricas e da engrenagem social que levou a isso, é assustador ver as manifestações de ódio no Brasil inteiro.
Não sou sonhador, dou essa geração como perdida, mas ainda acredito que temos, como humanistas, que ‘disputar’ pelo menos as novas gerações que aí estão.
Eu não me conformo de ver jovens, às vezes crianças, expressando esse tipo de sentimento tão ruim, como nessa foto de um desenho infantil, ou idolatrando alguém como Bolsonaro.
O fascismo é a doença social da intolerância e essa surge e se desenvolve lentamente na subjetividade do indivíduo, da continuada incapacidade de lidar com a frustração, de aceitar o não como resposta, de querer sempre tudo para si mesmo e da atrofia da capacidade de se colocar no lugar do outro.
O vovô bonzinho, os papais e mamães carinhosos, o patrão compreensivo, o vizinho gente boa, em todos esses ele pode emergir.
Enquanto tudo corre bem, tudo tranquilo e favorável à pessoa, privilégios não são ameaçados, nada se percebe.
Mas é na hora da escassez, da ausência, na hora em que tem que se dividir alguma coisa, que o monstro começa a se debater querendo ‘sair da jaula’. Mas, ainda assim, é insuficiente para ele vir com força e tomar as ruas de uma nação; é preciso algo mais, e esse algo mais é o medo, o medo compartilhado com mais gente, como está acontecendo agora.
Não dá mais tempo para pensar, a Globo entrou no coração, na mente e nas almas de cada uma dessas pessoas. A hora agora é de pisar forte nas ruas para afirmar o que queremos para o Brasil de nossos filhos e netos.
Mas junto a isso, acho que cada um de nós tem a responsabilidade de fazer a sua parte, como pais, educadores formadores de opinião.É preciso, além de evitar (que seja temporariamente) expor quem amamos ao contato com pessoas que estão pregando o ódio, tentar com diálogo, exemplos e atitudes fomentar a empatia, a preocupação com o coletivo, estimular seres em formação a saírem de si e se colocarem à serviço do outro, a ver de verdade o outro.
Tentar criar seres mais tolerantes, menos apressados, com menos emergências, seres de fato conectados uns aos outros, unidos por uma “consciência coletiva”. Essas coisas não se aprendem nos livros de história, por isso eu insisto: não basta informação e conhecimento.
O momento é muito difícil, escrevo tentando fazer autocrítica, no meio do desespero que, assim como muitos, me encontro ao ver o monstro em cada esquina, nas praças, nas escolas. Mas eu sempre vou acreditar que é possível.
Enquanto puder olhar pra jovens e crianças e imaginar que podemos, com exemplos e dedicação, ajudá-los na construção de um país melhor, mais humano, solidário e pacífico para eles tocarem o futuro, terei esperança e lutarei com gosto por isso.
Adilson Filho é professor da rede pública de ensino do Rio de Janeiro

EXPLODE CORAÇÃO!!!

Rejeitada exoneração de promotor acusado de sequestro e cárcere privado da própria mulher por 5 meses

publicado em 14 de março de 2016 às 22:11
 
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O procurador Kirchner, Tamires em cartaz de “desaparecida” e a advogada que fez a defesa dele no CS do MPF
Da Redação
É uma história bizarra. Douglas Ivanowski Kirchner assumiu o cargo de procurador da República em Rondônia quando a mulher, Tamires, estava sequestrada por integrantes da Igreja Evangélica Hadar, em Porto Velho, à qual o casal pertencia.
Tamires foi punida pela pastora da igreja com uma surra de cipó por ter jogado fora a aliança de casamento. Douglas assistiu.
Depois disso, ela foi colocada num “regime disciplinar”: passou cinco meses em cárcere privado com o conhecimento e conivência de Douglas.
Ela sobreviveu comendo restos de comida, não tinha acesso a itens de limpeza e nem a remédios. Dormia no chão.
A família chegou a denunciar que Tamires estava desaparecida. Enquanto ela era mantida prisioneira, Douglas assumiu o cargo no MPF/Rondônia, em maio de 2014 e, assim, ingressou no estágio probatório de dois anos.
Tamires conseguiu fugir do cárcere privado e denunciou o marido ao MPE de Rondônia.
Douglas foi transferido pelo procurador-geral Rodrigo Janot ao Distrito Federal para tratamento psiquiátrico.
Ele ocupa provisoriamente a vaga do promotor Paulo Roberto Galvão de Carvalho, que trabalha na Operação Lava Jato em Curitiba.
Mas, não foi o fim da carreira dele. Pelo contrário: Douglas ganhou notoriedade outra vez em 2015. Segundo a defesa de Lula, ele vazou documentos de investigação que havia aberto contra o ex-presidente que corria sob sigilo. Destino dos vazamentos? A revista Época, da família Marinho.
Os documentos, com a chancela do MPF, traziam suspeitas de que Lula teria praticado tráfico de influência em defesa de empreiteiras, no Exterior.
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Eles foram base para duas reportagens de capa da revista.
No início de março de 2016, a assessoria de Lula divulgou a seguinte nota oficial:
NOTA À IMPRENSA
Lula pede explicações ao CNMP sobre vazamentos de documentos sigilosos a Época
Advogados consideram que houve violação da privacidade do ex-presidente
São Paulo, 2 de março de 2016
Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), nesta terça-feira (1), um pedido de explicação a respeito das ações do procurador Douglas Ivanowksi Kirchner, do 5º Ofício de Combate à Corrupção em Brasília — DF. Segundo os advogados do ex-presidente Lula, procurador violou os limites impostos pela Constituição Federal e a legislação infraconstitucional.
O documento protocolado afirma que Kircher negou aos advogados do ex-presidente acesso aos documentos do procedimento de investigação, cerceando o direito à defesa de Lula. Pior, as cópias dos documentos foram vazados à revista Época, embora esse procedimento esteja sob sigilo. Contrariando as regras do Ministério Público, o procurador Douglas Kirchner redistribuiu a investigação a si próprio, quando o correto seria distribuir o processo a outro procurador.
Os advogados do ex-presidente Lula pedem ao CNMP pleno acesso aos autos do processo e a apuração de quem foi o responsável pelo vazamento à imprensa. A atitude do procurador, segundo o pedido de esclarecimento, “já implicou violação da privacidade, da presunção de inocência e da dignidade da pessoa humana” do ex-presidente.
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A vice-procuradora geral da República, Ela Wiecko de Castilho, sugeriu a exoneração de Douglas, mas teve parecer rejeitado; o cárcere privado da mulher de Douglas foi na igreja Hadar e ele sabia de tudo
Neste 14 de março de 2016, o Conselho Superior do Ministério Público Federal se reuniu para avaliar se Douglas Kirchner, que também responde a processo criminal acusado de sequestro e cárcere privado da própria mulher, cumpriu ou não as condições do estágio probatório.
Se não, ele poderia perder o cargo.
Curiosamente, em sua defesa Douglas alegou “vazamento ilícito” do sigilo da medida protetiva que a Justiça impôs contra ele, além de “quebra do sigilo profissional” da advogada de Tamires, que fez a denúncia pública.
Nos últimos dias, quem assumiu a defesa de Douglas? A advogada Janaina Paschoal, aquela que pediu o impeachment de Dilma Rousseff ao lado de Hélio Bicudo.
[O Viomundo precisa de sua ajuda para produzir conteúdo próprio como este e sobreviver]
Ela informou ao CS do MPF que foi procurada por Douglas Kirchner e se interessou pelo caso por se tratar, na definição de Janaína, de um caso de “liberdade religiosa”.
A certa altura da sessão, Janaína alegou que Douglas tinha “a mente propícia para ser cooptada”, ou seja, teria maltratado a mulher sob influência da igreja.
A presidente do Conselho e relatora Ela Wiecko Volkmer de Castilho votou pelo encaminhamento, ao PGR, de decisão que poderia levar à demissão de Douglas. Ela citou o laudo pericial demonstrando que Tamires foi espancada com instrumento contundente. Segundo ela, Tamires foi submetida a violência “psíquica, moral e simbólica” com a conivência do procurador.
Ela Wiecko lembrou que Douglas “admite que assistiu a surra com cipó no sítio, no Carnaval [de 2014], e não teve forças para reagir. Nesse dia, não era procurador ainda, mas tornou-se depois e mesmo sendo procurador continuou morando na igreja, casado com Tamires e a situação permaneceu a mesma até a fuga dela em julho”.
A relatora argumentou que as provas de que Douglas praticou violência contra a mulher e fanatismo religioso eram mais que suficientes para um juízo do Conselho Superior do MPF de que Douglas “não possui idoneidade moral para exercer o cargo de procurador da República”.
O conselheiro Mário Bonsaglia lembrou que Douglas teve de ser retirado de Rondônia para escapar da influência da igreja: “Ele vai ter de ser tutelado pelo resto da carreira?”, perguntou.
Já o conselheiro Carlos Frederico Santos lembrou até o caso do suicídio coletivo de Jim Jones para destacar o poder da religião, sugerindo que Douglas foi vítima da “seita”, termo utilizado pela defesa do promotor. Carlos Frederico levantou dúvidas sobre o comportamento da própria Tamires.
Na sexta-feira passada, de última hora, Douglas Kirchner apresentou o laudo de uma psiquiatra afirmando que “à época dos fatos era o examinado portador de distúrbio psiquiátrico do tipo reativo, caracterizado por fanatismo religioso”.
“O pecado do doutor Douglas Kirchner foi ter se omitido, se ele tivesse vontade, mas ele não tinha vontade”, argumentou o conselheiro Augusto Aras.
Mas, e agora, neste período em que Kirchner investigou o ex-presidente Lula?
Segundo o mesmo laudo, “no momento [Douglas] não apresenta sintomas de patologia psiquiátrica”. Aras afirmou que Kirchner é vítima de moralismo, como o que teria existido nos regimes de Hitler, Mussolini e Stálin.
O conselheiro enveredou pela política, dizendo que o Brasil precisa de “estadista” e que está “se acabando”. Também afirmou que Douglas recebeu elogios por sua atuação e “enfrentou as autoridades mais poderosas”, numa referência oblíqua à ação do promotor contra Lula.
No final, a proposta da relatora foi derrotada por 5 a 4.
Além da relatora, os conselheiros Mario Bonsaglia, Monica Garcia e Deborah Pereira consideraram que o promotor violou a Lei Maria da Penha quando já era integrante do MPF.
Os conselheiros Eitel Pereira, José Bonifácio de Andrada, Carlos Frederico Santos, Antonio Aras e Maria Caetana Santos votaram contra a relatora. Um dos argumentos que utilizaram é de que Douglas Kirchner teria sido vítima da igreja tanto quanto sua mulher Tamires. Eles consideraram o promotor apto a desempenhar suas funções.
O Conselho Superior do MPF definiu que cabe ao PGR Rodrigo Janot a decisão de determinar onde Douglas vai trabalhar.
Quando vencer o prazo do estágio, em 14 de maio, apesar das graves acusações que pesam contra ele, Douglas Kirchner deverá obter a tão desejada vitaliciedade.
PS do Viomundo: Isso dá um livro. Jovem promotor, transferido para Brasília sob grave acusação, para tratamento psiquiátrico, ocupa provisoriamente vaga de colega que trabalha na Lava Jato. Decide abrir procedimento contra um ex-presidente da República, é acusado de vazar documentos para a revista da família mais poderosa do Brasil e, apesar de responder a processo por sequestro e cárcere privado da própria mulher, conquista cargo vitalício!
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Ouça abaixo a íntegra da sessão, que tem mais de 5 horas de duração.
Se você quiser ir direto para a descrição da violência cometida contra Tamires, busque 1h 44m do áudio.

As três primeiras páginas da instauração de processo disciplinar contra Douglas detalham as acusações:
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