terça-feira, 29 de janeiro de 2013

CAVALEIRO SOLITÁRIO


 
 
Cavaleiro Solitário


Atravessei a rua
Atravessei a vida
Acreditei que era perto e fui lá ver
Acreditei que era perto e fui...
Cavaleiro solitário
Caminha com sua estrela
E a fé no vaticínio das visões
Inventa o próprio tempo e estações
Atrai as reações mais loucas
Pessoas diferentes são irmãs
Todos os seu companheiros são iguais
Iguais e diferentes e irmãos
Mil trovões, num encontro de titãs, ô, ô
Perdão oh minha amada
Eu nunca voltarei
Do mesmo modo
Como um dia eu sai
A vida não tem "replay"
Há muito eu sei
Fui tudo maravilhoso
Até a hora em que eu partir
Há muito tempo
Cavaleiro Solitário...

Eu quero
Eu quero ver
Eu quero ver a cruz
Eu quero ver a cruz vazia
Eu quero ver o som da alegria
Eu quero ver a cor da tua fantasia.

Eu quero
Eu quero ter
Eu quero a vida
Eu quero a vida inteira
Eu quero o som da brincadeira
Eu quero a cor da tua terça-feira.

O carnaval, o feriado nacional
Da vida em festa
Fenomenal, sensacional
Eu quero o sorriso
Liso, belo e preciso da loucura ocidental.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O CIRCO PEGA FOGO E NASCE GENTILEZA

Ontem, conversando com amigo, sobre o trágico incêndio de Santa Maria, ele me lembrou de um fato que eu nem me lembrava mais. Disse-me que vendo toda a desgraça que aconteceu, lembrou-se da insólita história do “Gentileza”.
 
A história que eu conheço é que:
 
O CD do eterno Gonzaguinha: “Cavaleiro Solitário” - ao vivo (1992), tem uma faixa chamada: Gentileza. Gonzaguinha fez essa música, em homenagem a um personagem conhecido, que era chamado de “Gentileza”, que viveu por muitos anos, andarilho, pelas ruas do centro da Cidade Maravilhosa, "pregando" suas ideias de "paz e amor". E na música mesmo, Gonzaguinha, antes de cantá-la, recita: “Uns dizem que ele é um louco. Eu digo que é um profeta”, e explica que o que sabia, era que Gentileza se tornara “profeta das ruas”, depois de ter perdido toda sua família em um grande incêndio no circo.
 
E agora, com todas as tristes histórias contadas de Santa Maria, outros episódios passados, relacionados a desastres ocasionados por incêndio no Brasil e no mundo, também estão sendo rememorados. E outra tragédia que eu vi mostrado em um programa de TV ontem, foi o de um grande incêndio no circo.
 
Esse circo, segundo o programa, foi a maior tragédia provocada por incêndios no Brasil, onde ocorreu o maior número de pessoas mortas. Parece que por volta de 500, sendo que 70% delas eram crianças. Esse episódio aconteceu na cidade de Niterói, no ano de 1961. O circo chamava-se Gran Circus Norte-Americano.
 
Porém, como meu amigo bem me lembrou, diferente do que Gonzaguinha diz, Gentileza não perdera nenhum familiar no incêndio. Mas sim, sua história, como Gentileza, realmente começara, com o incêndio desse circo.
 
O que eu fiquei sabendo, o que fez Gentileza se tornar Gentileza, foi que: ele teve algumas “visões” relacionadas ao incêndio. E no local da tragédia (que já havia acontecido), aquela chocante cena que viu, o perturbou sobremaneira para sempre. Primeiramente, resolveu fazer uma espécie de homenagem as vítimas: plantou várias plantas no local. Depois, “abandonou” tudo, e decidiu perambular por aí, a ermo, apenas com suas ideias.
 
Todos já devem ter visto alguma coisa sobre Gentileza. Ele virou até “girfe”. Já vi pessoas usando camisetas, bótons e bonés, com aquela mais famosa frase dele estampada: “Gentileza, Gera Gentileza”. Ele escreveu essas frases, pintadas em painéis nos pilares de um viaduto no Rio.
 
(E existe uma outra música que se chama “Gentileza”, composta por Marisa Monte,  onde ela também, cita o profeta, e as suas pinturas, que desaparecem do viaduto, pichadas e cobertas com tinta cinza. Porém, eu acho, que essas pinturas foram restauradas atualmente).
 
E parece que até uma novela global que passou esses tempos, que trouxe um pouco de Gentileza, em um dos seus personagens.
 
Enfim, profeta, “maluco beleza”, andarilho, mendigo, esquizofrênico, excêntrico, não importa.
 
Gentileza "nasceu" de um incêndio no circo.
 
Logo, não é preciso o circo pegar fogo, para sermos Gentileza. Concluo.


domingo, 27 de janeiro de 2013

A DENGUE ATACA TAMBÉM EM FORMATURA

Esses dias, conversando com minha irmã, ela me contou uma história que aconteceu semana passada, sobre uma pessoa conhecida de seu círculo social. Contou-me que uma moça toda feliz da vida, pois estava se formando depois de anos aqui na cidade, realizando um sonho não apenas dela, como da família inteira, teve todo esse momento especial, “estragado” pela Dengue.
 
A história é que ela não é da cidade. Veio pra cá para estudar. Ela é de outro estado. E depois de tantos esforços, de terminar seus estudos, conseguir “fechar” as sua notas, ficar longe da família por longos anos, do namorado, cidade natal, etc., não pode comemorar o momento final, de mais essa importante jornada de sua vida: a sua formatura, pois todos os seus familiares e queridos: pai, mãe, avô, avó (paterno e materno), irmãos, sobrinhas, tios, primos, amigas e empregada, que vieram à cidade para a prestigiarem, contraíram Dengue, logo no primeiro dia de estadia aqui (todos dormiram no mesmo lugar, numa casa alugada pelos pais, especialmente para esse momento da filha).
 
Não “salvou” um familiar. Somente a formanda não ficou com Dengue (é que residindo aqui muito tempo, ela deve ter já ficado imune a certos tipos de Dengue, depois de contraí-los, suponho).
 
Assim: todos os visitantes manifestaram aqueles sintomas horríveis, e por prescrição médica: repouso absoluto. “Inteira” mesmo, apenas a formanda, que mesmo talvez imune, pensando já no momento solitário que passaria em sua “Colação de Grau” (sem nenhum familiar por perto), teve ainda medo de que também ficasse com Dengue, e nem sozinha, conseguisse participar da cerimônia.
 
Que situação.

O QUEIJO, A FACA, E A FOME DE DAMIÃO

O QUEIJO
 


O filme chama-se “O Mineiro e o Queijo (2011)”, do também mineiro Helvécio Ratton. É um belo filme. E mostra principalmente a riqueza e a simplicidade de pessoas e queijos, feitos no território de MG (nesse estado é sabido por todos, que ali, queijo, é uma verdadeira “paixão”, e confesso, apesar de ter nascido em SP, também adoro, e minha mãe também...). São “queijos artesanais”, feitos em pequenas propriedades de terra, a partir de receitas passadas de geração em geração, ao longe de muitas décadas. Além disso, a qualidade do queijo é única. No filme, algumas pessoas dizem: “é a bactéria do lugar”. Outras: “é a água, o clima, a terra, a Barcelona (nome da vaca leiteira).” “É a receita, o jeito”. “O modo, o armazenamento, a quantidade reduzida produzida”. “A cura.”...

Enfim, é tudo isso junto, que produz um queijo único, inigualável na qualidade/sabor. Para se ter uma ideia, esses “ingredientes” todos, proporcionam um queijo que é comparado aos feitos em países como a França e Itália (lugares onde de diz fabricar os melhores queijos do mundo). Especialistas gastronômicos (como o Ayala), dizem que esses queijos mineiros, são tão quanto melhores, que os importados da Europa. Uma verdadeira iguaria nacional!

Porém, outra discussão central que o filme faz, é que esse “Patrimônio Brasileiro” – o “queijo de minas”, está “proibido” de certa forma, para o próprio Brasil, e até para o mundo. E porque isso está acontecendo? É que devido a nossa legislação relacionada aos produtos alimentícios (lácteos no caso), esses queijos não podem, e não são “exportados” para outros lugares, estados, casas, mesas e restaurantes por aí. É aquele negócio de vigilância sanitária. E é aquele negócio das “burrocracias”, que existem massificamente por aqui.

E essa “proibição”, envolve também muitas outras questões...

Como a questão básica, da própria alienação mercadológica no qual, nosso sistema de vida está inserido. Onde o que apenas “existe”, em termos de mercado, é a escala “macro”. É o latifundiário, são os grupos intercontinentais do agronegócio (Bunge, Cargill, Monsanto, ADM, e algumas outras), que fazem comprimir tanto aquele pequeno/médio agricultor (de forma indireta, não sejamos injustos com elas, e outra: agora elas estão mesmo é “comendo a Amazônia”), lavrador, criador, vendedor, que a única saída é venderem seu pequeno espaço de terra, para depois ir comprarem uma “casinha”, e “viverem” nas periferias da cidade.

Envolve também aquela questão do “movimento de manada”, onde entramos em redes de hipermercados (parecendo grupos de búfalos, ou de onças, ou de psitacídeos), e o que apenas encontramos para comprar, são queijos fabricados em escala industrial. E aquele queijo que é diferente, que é feito de maneira única, com sabores atípicos, não tem nenhum espaço no mercado. A criatividade, a diversidade, quase nunca mesmo, tem espaços nas prateleiras.

Acredito que os produtores do interior de MG, não querem que seus queijos percorram o mundo talvez, nem mesmo que eles sejam ingredientes de pratos de famosos restaurantes. Eles apenas querem continuar fazendo o que aprenderam a fazer: sobreviver da fabricação dos queijos.

O filme mostra pessoas reais e belas. É aquela qualidade difícil de enxergar: a grandeza existente na simplicidade. É um filme que de forma clara, mostra como é obtusa a nossa postura, de que apenas o que vem “de fora” (os queijos da França, por exemplo), é o que tem algum valor. E como as tradições, a cultura, em países como o nosso, a cada dia mais se esvai, de maneira tão fugaz.

Pois no fundo, no quintalzinho daquele sitiante maltratado pelo sol, que trabalha deveras, que antes andava apenas de charrete, e agora anda de bicicleta também, e que tem umas 6 vacas leiteiras “apenas”, pode produzir, um dos melhores queijos do mundo.

 
 
 
 
 


A FACA

Aproveitando o ensejo, gostaria de falar, sobre outro filme extraordinário e premiadíssimo que assisti de Ratton (sei muito pouco sobre esse diretor. Só conheço mesmo esses dois de seus filmes). O “Em Nome da Razão” (1079) é tão quanto político, do que “O Mineiro e o Queijo”, porém ao invés de “belo”, como poderia ser classificado esse último, o “Em Nome da Razão” é extremamente perturbador e “hediondo”.

O filme retratou, um pouco, do cotidiano do grande Hospital Psiquiátrico Colônia, de Barbacena – MG, que existiu por muitos anos no nosso país. Já ouvi dizer que de tantas pessoas que morriam nesse lugar (aos montes, milhares, reza a lenda que ali até, havia um grande comércio de fornecimento de cadáveres para as escolas de Medicina), os urubus que por ali sobrevoavam, era visão constante acima do lugar.

Um dos criadores da “Psiquiatria Democrática Italiana”, que tem suas ideias difundidas por todo mundo, inclusive influenciando fortemente alguns pilares do SUS, Franco Basaglia, em visita ao Hospital de Barbacena, na década de 70, comparou-o aos Campos de Concentração de Auschwuitz na Polônia, onde os Alemães exterminavam judeus, entre outros povos, tamanha foi a “visão do inferno” que viu ali também.

E Helvécio registou todo esse cenário com sua câmera. E esse filme é uma obra de arte, referência para nossa história, em um dos seus ângulos mais sombrios. Esse hospital foi fechado, e me parece que hoje existe um bonito movimento da sociedade de Barbacena, para reescrever pelo menos em partes, esse passado. Fiquei sabendo que por lá, anualmente, realizam o “Festival da Loucura”.

Contudo, ainda falando sobre o Hospital de Barbacena, e por que não falar de muitos outros lugares que ainda hoje estão em “pleno” funcionamento (considerados como “de saúde”: hospitais, hospitais de custódia, emergências, comunidades terapêuticas, etc., onde se morrem “levianamente assassinas” muitas pessoas, sob a insígnia da Psiquiatria. Alguém duvida? Quem duvidar - dois exemplos - é só ler algo sobre o recente caso do sistema de saúde mental de Sorocaba – SP, ou assistir o filme da Débora Diniz, “A Casa dos Mortos” (2010)), outro aspecto que talvez ainda faça parte dessa história, e do presente também, com suas mesmas instituições, com a mesma lógica e artimanhas, com os mesmos atores e novos recrutas, com a mesma concepção degradante e descartável do ser humano, ainda se perpetuarem, se reproduzirem, serem “abafadas a todo custo”, seja o estado de impunidade em que elas e nós, coexistimos.

Até bem pouco tempo, “vira e mexe”, víamos um ou outro nazista, ou coisa parecida, daquela época passada, ser encontrado (obs.: até o acharem, vivia se escondendo como um rato, e podia já até estar caduco), preso, julgado, e ter sua história “canibal” difundida por todo mundo (agora, acho que não deve existir mais nenhum daquela época, todos devem já ter morrido).

Ou seja, essa história, nunca deve ser deixada de ser contada. Nunca devemos nos esquecer do que foi o Nazismo. Penso que aquilo que é esquecido, nesse caso, pode retornar mais facilmente. E também, temos que exigir que as pessoas responsáveis, por esses dois holocaustos que estou citando, tanto o dos nazistas, como os que acontecem com as pessoas consideradas “doentes mentais” aqui no Brasil, devem ser julgadas, para que ocorra algum tipo de justiça.

Mas aqui, nada é julgado, e ninguém nunca foi condenado nesses casos de assassinato de doentes mentais. E por que os nazistas são condenados, apesar de anos depois de acontecido o massacre, e aqui não? Talvez, quando falamos de nazismo, lembramos de judeus mortos. E os judeus, como sabemos, são um povo rico e influente no mundo todo. Aqui, os doentes mentais, fazem parte geralmente “da ralé”.Os descamisados, os “sem dono”, os “zé ninguém”. Nesse caso do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, eu nunca ouvi falar de ninguém ser responsabilizado. Nem os diretores, nem os técnicos, nem gestores, nem mesmo um bode expiatório qualquer.

Esses tempos, eu li uma série de interessantes matérias, da jornalista, Daniela Arbex (ela ganhou prêmios com esse trabalho), com o título“Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição”, retratando exatamente o Hospital Psiquiátrico de Barbacena. Ou seja, até hoje, esse holocausto, (e parece que vai ficar para sempre) os seus responsáveis, estão “intocados”, impunes.

Abaixo, os títulos da série das matérias e o link (publicadas em um jornal mineiro):







-A história por trás da história

Naspáginas dessas matérias, existem algumas fotografias. Elas haviam sido publicadas naquela revista antiga “O Cruzeiro”. Foram tiradas por um fotógrafo chamado Luiz Alfredo, publicadas em 1961. Existem também outras fotos, que Daniela publicou, para retratar o antes e o depois, e de como estaria a vida hoje, daquelas pessoas, depois de tanto tempo, após o click de Luiz. Abaixo, fotografias (todas da reportagem):



 
 
 
 


E A FOME DE DAMIÃO

Até esses dias, um livro foi alvo de uma ação judicial impetrada pela Federação dos Hospitais do Brasil (FHB), contra o Conselho Federal de Psicologia (CFP) (que o publicou). O objetivo era querer impedir sua divulgação. Esse livro trouxe a tona, alguns casos recentes, de mortes ocorridas em instituições psiquiátricas. A Federação perdeu a ação.

O livro chama-se “A Instituição Sinistra – Mortes Violêntas em Hospitais Psiquiátricos no Brasil” (2004). Ele conta em detalhes, alguns casos, de pessoas que morreram e suas sinistras circunstâncias, em instituições localizadas por todo o país.

Um dos casos descritos, é o do Damião Ximenes. Segundo o relato da própria mãe de Damião, o que ocorreu:

De acordo com os autos, A.V.L., mãe de Damião, internou o filho na Casa de Repouso no dia 1º de outubro de 1999, com perfeita integridade física. Ao retornar, quatro dias depois para visitá-lo, foi informada de que não poderia vê-lo. Inconformada, passou a chamá-lo em voz alta pelo nome. Em seguida, Damião atendeu aos chamados da mãe e surgiu em estado degradante: com as mãos amarradas para trás, defecado, urinado em suas vestes, sangrando no rosto e aos prantos gritando “polícia, polícia”.

Ainda de acordo com os relatos da mãe, ao comprar um refrigerante, Damião o ingeriu de maneira desesperada, o que a levou a crer que não lhe davam água há bastante tempo.

Aflita com a situação, chamou o médico plantonista da instituição, Francisco Ivo de Vasconcelos que, de maneira desrespeitosa respondeu:“deixa morrer, pois quem nasce é para morrer” e “pára de chorar que eu não gosto de choro, pois não assisto novela porque novela tem choro”.A.V.L. alega ainda que o médico prescreveu medicamento a Damião sem sequer examiná-lo e que, em seguida, dois enfermeiros o conduziram ao banho, não permitindo que ela o acompanhasse. Logo depois, segundo relatos da mãe, ela encontrou Damião jogado ao chão, despido e ainda de mãos atadas.

Sem nada poder fazer, retornou à casa de sua família, na cidade de Varjota, em busca de ajuda. Lá recebeu ligação da Casa de Repouso Guararapes, solicitando sua presença urgentemente. Ao chegar, soube do falecimento do filho.”

Quando eu li essa história de Damião (e as outras do livro também não são menos “cabulosas”), estarrecido, fui procurar mais algumas informações. E encontrei outro livro: DAMIÃO XIMENES - Primeira Condenação do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos (2009) – de Nadine Borges. O livro, principalmente, retrata a trajetória judicial, de como um caso que aqui no Brasil não teve respeito nenhum, por parte das autoridades, chegar até uma corte internacional de Direitos Humanos, para ter um pouco de “voz” (condenação do Brasil!). No livro também, é retratado o sofrimento da família, de alguns fatos ocorridos antes e depois da morte de Damião. Desde o contato dos familiares com a autora, passando pelo processo legal/médico, as manipulações dos prontuários/documentos, as ameaças sofridas pela família, cita alguns dos políticos (será alguém conhece algum político de sobrenome Gomes, do Ceará?) que faziam “pano de fundo” (óbvio) do caso, alguns deles, eram aqueles “médicos-políticos-empresários”,donos de algumas instituições de saúde, e com forte influência nos poderes da região (essas histórias não param de se repetir/aproximar/perpetuar. Um eminente professor, me disse recentemente, que o médico dono das instituições psiquiátricas de Sorocaba, onde dezenas recentemente perderam a vida, é também irmão do Prefeito eleito agora da cidade de São Paulo).

Enfim, em 2006, o Brasil foi condenado. Pela primeira vez.

Às singelas dúvidas sempre surgem. E a “eterna” fome...

“Tribunal Internacional” - por que não os tribunais daqui?

“2006” – Damião foi assassinado em 1999... e os casos de Barbacena, quanto tempo mais aquelas família, a sociedade, terão que esperar?

“Primeira vez” - depois de tantas mortes e sofrimento (como tentei fazer alusão acima e acredito ser “só a ponta do iceberg”)?

No site do Observatório de Saúde Mental, uma importante notícia de 2010, trouxe que:

“Por unanimidade, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) condenou a Casa de Repouso Guararapes, de Sobral, o médico Francisco Ivo de Vasconcelos e o diretor clínico, Sérgio Antunes Ferreira Gomes a pagar R$ 150 mil em indenização à A.V.L., mãe de Damião Ximenes Lopes, paciente morto nas dependências da instituição em outubro de 1999. A decisão mantém a sentença proferida pelo Juízo da 5ª Vara da Comarca de Sobral, que havia julgado, em 2008, procedente o pedido de indenização por danos morais.”
 


O Link da notícia sobre o caso Damião: http://osm.org.br/osm/justica-condena-envolvidos-caso-damiao-ximenes/

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

FAÇA CALOR..... OU FAÇA FRIO.... - É SEMPRE CARNAVAL NO BRASIL


Nem 5 Minutos Guardados


Teus olhos querem me levar
Eu só quero que você me leve
Eu ouço as estrelas
Conspirando contra mim
Eu sei que as plantas me
Vigiam do jardim...

As luzes querem me ofuscar
Eu só quero que essa luz me cegue
Nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro
Não há pára-brisa pra limpar, nem vidros no teu carro

O meu corpo não quer descansar
Não há guarda-chuva (não há guarda-chuva)
Contra o amor...
O teu perfume quer me envenenar
Minha mente gira como um ventilador

A chama do teu isqueiro quer incendiar a cidade
Teus pés vão girando igual aos da porta estandarte

Tanto faz qual é a cor da sua blusa
Tanto faz a roupa que você usa
Faça calor ou faça frio
É sempre carnaval no Brasil

Eu estou no meio da rua
Você está no meio de tudo
O teu relógio quer acelerar,
Quer apressar os meus passos
Não há pára-raio contra o que vem de baixo

Tanto faz qual é a cor da sua blusa
Tanto faz a roupa que você usa
Faça calor ou faça frio
É sempre carnaval no Brasil

No Brasil (2x)
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O CIRCO DA DENGUE ESTÁ ARMADO NOVAMENTE! Apresentando: A PODEROSA LIBÉLULA

Mais uma vez, pela quinta, sexta, sétima, sei lá eu..., uma epidemia de Dengue avassala aqui a cidade, o estado. Pessoas morrendo. Um rapaz forte esses dias morreu, estava com Dengue. Disseram-me que um dos seus rins ficou necrosado, em consequência dessa doença.
 
E nos jornais, a imprensa, não para de falar nisso. E aparece até um ranking de pessoas mortas. E aparece até um ranking de casos notificados. De casos confirmados. E o prefeito fala. E os secretários de saúde também. E vemos coletivas sobre o assunto. E os doutores também falam. E aparecem novas explicações, métodos, variáveis, estatísticas. E faz-se mutirão. E testa-se a vacina. E “dale” gente. E fala-se de uma “força tarefa de Combate a Dengue” – prioridade vermelha. E contratam-se médicos às pressas temporariamente. E as unidades, postos de saúde, emergência e hospitais, ficam “abarrotados”. E só se fala nisso, e só se focaliza a Dengue. E os profissionais de saúde esquecem outras doenças e problemas de saúde da população. E os profissionais de saúde também “pegam” Dengue (conversei com uma colega médica, com Dengue hoje). Um agente comunitário de saúde, uma vez me disse que havia “pego” Dengue umas 5 vezes já. E é somente as metas e indicadores relacionados a Dengue, que são a prioridade. E pelo menos na área da saúde, parece que o ano somente começará, depois da Dengue (como aquele negócio que diz que o ano no Brasil, para começar a andar principalmente nas repartições públicas, só depois do Carnaval... aqui, na área da saúde, só depois da Dengue...).
 
                          O CIRCO DA DENGUE ESTÁ ARMADO NOVAMENTE!
 
E muitas pessoas ficam adoecidas, inclusive crianças, gestantes e idosos. Algumas delas morrem, como citei acima. E pessoas chorando, tristes. E pessoas cansadas, abatidas, até desesperadas, nas longas filas para um atendimento (a todo e qualquer horário do dia e noite).
 
Esses dias li uma matéria, em que uma comerciante fechou seu negócio por tempo indeterminado (acho que ela tem uma padaria), e com um aviso na porta justificou-se: estou com DENGUE.
 
 
 
Dengue, vem de dengoso. Esse nome foi dado, eu acho, naquela época em que se classificam elas (as doenças) a partir dos nossos “humores”, ou mais ou menos isso. Mas vou te contar uma coisa, DENGUE, não tem nada haver com essa coisa de dengoso não. Já tive Dengue uma vez. E é uma sensação horrível. Dizem que a sintomatologia, bem como a intensidade dos sintomas, varia de uma pessoa a outra. Óbvio. Mas uma sensação em comum, a quase todas as pessoas que já conversei, e que já tiveram Dengue, é de um extremo mal-estar. Não te dá vontade de fazer nada. Eu não queria nem mesmo ficar “deitadão”, assistindo um bom filme. Tive febre, vermelhidão pelo corpo, cefaleia forte, e um incômodo terrível nas minhas vias respiratórias. Uma coisa muito esquisita. Parecia um “pigarro” que não saia da parte interna do meu nariz. E não dá vontade de fazer nada, nem mesmo de ficar acordado e dormir. E às vezes vem mesmo aquele pensamento: agora eu vou morrer...
 
É um negócio feio. Pelo menos comigo foi. Mas mesmo assim, quase me arrastando em alguns momentos, em todos os dias da doença no meu corpo, quando ela chegou, saiu, e depois retornou (na verdade ela não sai, dizem que fica “incubada”), eu fui trabalhar. Com o corpo todo doído: “é que tive a doença no primeiro mês do meu primeiro emprego praticamente, depois de formado”. Enfim, que puta azar...
 
E agora, as autoridades e especialistas explicam/justificam: é um novo tipo de vírus, Dengue do tipo 4. E em outros momentos, a imprensa e essas autoridades realocam a culpa no povo. É a questão do lixo, que as pessoas amontoam em casa... enfim, um questão relacionada a CULTURA do povão. E eu também acho que existe muito bem essa correlação: epidemia de DENGUE X CULTURA.
 
Uma vez, em um curso sobre EDUCAÇÃO EM SAÚDE, perguntaram para nós, alunos, a diferença entre PREVENÇÃO E PROMOÇÃO de Saúde? O que diferenciaria esses dois conceitos tão presentes na área da saúde? E pediram para que déssemos exemplos de programas, projetos, ações e atividades de saúde, que demonstrassem essas duas posições.
 
Pelo que eu me lembre, o exemplo que eu citei na prova, foi o programa de saúde voltado ao combate a Dengue. Escrevi que esse programa, por muito tempo, talvez até os nossos dias atuais, eu percebia ter muito a conotação “preventiva”, em suas ações. Era aquela coisa de se fazer uma mobilização grande, na época das chuvas, no verão, na tentativa de mobilizar as pessoas para, por exemplo: não acumularem recipientes contendo água parada em suas casas.
 
Também, seria somente nessa época específica do ano, que ocorriam: as ações nas escolas, as gincanas nos bairros (de quem trouxesse mais pneus abandonados...), as propagandas na TV, folhetos e cartazes, etc. e tal, com o objetivo de que a Dengue não se alastrasse. Porém, passados alguns meses, e a chuva findada, essa temática da “Dengue”, saia das pautas de saúde, e das discussões.
 
Aí, o que acontecia, é que talvez novamente, as pessoas “relaxavam”, e aqueles “ovinhos” da “mosquita” que ficavam armazenados nos objetos que tempos antes continham água, no ano seguinte, com as chuvas, eclodiam. E os índices relacionados a DENGUE, voltavam a zero em termos de combate, ou até pioravam. E começava-se tudo outra vez.
 
(Até que em anos anteriores, eu percebia esse ”circo”, sendo montado de ano em ano. Agora, parece que ele está levando um tempo maior para reaparecer.)
 
Acho que algumas das experiências que eu citei acima, esse quadro, poderia se aproximar mais de uma perspectiva “preventiva” em saúde. Seja pelo seu caráter provisório, pontual, sazonal, e até mesmo, talvez: “superficial”.
 
Passando-se os anos, com a situação piorando em torno da Dengue, como percebemos, esse tema começa a ser discutido pelo menos por aqui, em alguns locais e por algumas pessoas, de modo mais “incisivo” e “prolongado”. E dá a esperança, de que talvez o programa voltado para o combate a Dengue, adote medidas mais influenciadas pela perspectiva da “promoção em saúde”, do que do da prevenção.
 
Mas será que essas discussões estão se aprofundando satisfatoriamente, mediante um problema tão complexo? Com uma melhor “qualidade” e eficácia em suas atividades e ações?
 
Há um tempo, eu já escutei que a DENGUE, é uma doença essencialmente (encontra-se) de países subdesenvolvidos, ou se preferir, em desenvolvimento. Lá para aquelas bandas da Europa, como nos EUA, não tem essa doença não. Está erradicada! Dessa mal o povo também não sofre por lá.
 
Ainda sobre a Promoção de Saúde em Dengue (no intuito de tentar “ampliar” um pouco essa temática) como também em qualquer outro problema de saúde, essa questão “cultural” é fundamental. E é esse trabalho relacionado a nossa cultura, almejando as transformações sociais e comportamentais, que um trabalho em promoção de saúde pretende.
 
Porém cadê as tais mudanças? Parece elas ainda não estarem ocorrendo...
 
Com relação às mudanças, falando de nosso “macro contexto”, o que percebo atualmente, é que as únicas mudanças que vemos realmente acontecer em nosso país, em nossa sociedade, ainda, acontecem apenas âmbito econômico. E parece ser ele o único a ser objetivado/ trabalhado.
 
Por exemplo, o aumento no número de pessoas, tendo acesso ao mercado de consumo, cresceu bastante no Brasil. E isso, pode nos proporcionar à ilusão de estarmos de certa forma “crescendo”, nos “desenvolvendo”. Tanto no âmbito individual, como no coletivo. E claro que a economia, é axiomaticamente importante a todos nós.
 
Mas fica até parecendo um paradoxo pois: aqui ainda, na cidade, existe a propaganda, de que vivemos em uma cidade com um dos melhores índices nacionais em qualidade de vida, e que ela “não para de crescer”. E um mosquitinho de nada... que chupa umas gotinhas do nosso sangue...coloca tudo a perder...toda essa “qualidade de vida”...
 
Agora, história interessante do qual eu quero falar, é de uma experiência de combate a Dengue, que ouvi falar estar acontecendo, em algumas cidades do interior de São Paulo e que estão dando ótimos frutos, para ser mais preciso, na pior das hipóteses, lindas flores...
 
Há tempos atrás, estava eu, visitando os meus pais (na cidadezinha do interior do estado), quando vi dentro de um “saquinho”, algumas sementes e um pequeno panfleto, contendo informações de como plantá-las da maneira correta. Era algo que a prefeitura estava disponibilizando, pois havia as siglas da prefeitura e da secretaria de saúde do município, e também a “logo” do - “Combate a Dengue”.
 
Conversando com meus familiares, sobre aquelas sementes, confirmaram para mim que era mesmo a prefeitura, que estava distribuindo-as de casa em casa, para que as pessoas as plantassem, em suas próprias residências. O motivo da jardinagem coletiva, seria de que aquela planta, ajudava no controle dos casos de Dengue. O esquema é que a pessoa deveria plantar, para que as plantas atraíssem as libélulas, e as libélulas se alimentassem dos mosquitinhos da Dengue. Simples assim! Isso poderia diminuir consideravelmente, a incidência dos mosquitos na casa, na cidade!
 
E hoje, eu conversando com uma colega sobre a Dengue, ela me disse que está também, distribuindo por aqui essas sementes com o mesmo intuito. E, além disso, por meio de uma parceria na comunidade que conseguiu, que trabalha com o cultivo de plantas, daqui a algumas semanas, estará ao invés das sementes, distribuindo já as mudas dessas plantas, feitas pelos parceiros, para a população do bairro.
 
Pensando, achei essa história toda muito interessante.
 
Uma das primeiras coisas que me veio a cabeça, foi a questão da complexidade que envolve um problema de saúde. Como sempre. Depois, pensei em toda a simbologia que essa história do combate a Dengue com uma planta, pode carregar.
 
A proposta, é de que simplesmente plantemos uma planta. O que já é uma coisa muito diferente (quantos de nós, já fez isso?)! Depois, devemos cuidar dessa planta, o que exige um mínimo de dignidade do cuidado, por parte da pessoa (eu mesmo, já matei samambaia de sede na minha casa). E, ampliando a proposta, podemos pensar que essa história, envolve toda a questão do nosso ecossistema, ecologia, desse “lugarzinho” onde vivemos e morremos. 
 
Muito da Dengue, como sabemos, tem relação, e é ocasionada devido à água parada, dentro das nossas próprias casas, em recipientes que deixamos por aí, oriundos, por exemplo, das bugigangas que compramos e que cada vez mais, entopem nossos espaços domiciliares. Ou até mesmo, da água dos vasos de outras plantas.
 
E está também relacionada “a cidade”. E em como elas veem crescendo de maneira desordenada. Se concretando tudo por aí. E com os terrenos baldios “abandonados”, maltratados e sujos, com mato “dessa altura”, pela especulação imobiliária. E as casas “sem uso”, fechadas, trancadas. Relacionada a questão do Saneamento Básico, pois já se sabe que não é somente em “água fresca e parada” que o mosquito senta, pois já acharam ovos por aqui, em “água de fossas”. Foram encontrados focos do mosquito, até na água parada, daqueles buracos nas ruas, que estragam as rodas dos carros, disse-me uma mulher, de uma comunidade uma vez. Está relacionada, com a simples questão de se jogar uma tampinha de garrafa no chão esquecida, e ela cair e ficar de “cabeça” para cima (ou pra bairro?) (como um “copinho” armazenando a água), podendo se transformar em um “criatório”. E até em casca de ovo de galinha usado, já se encontrou larvas.
 
Está relacionada com a questão da vizinhança, pois não adianta eu cuidar do meu quintal, e o vizinho da rua ao lado, não estar “nem aí” para o dele desleixado. O mosquito pode percorrer voando mais de 40 metros... e ele pode sair para conhecer a vizinhança... Está também relacionado a questão de quem pode morar ou não, em um prédio alto, como aqueles privilegiados do centro da cidade. Os que podem, estarão menos expostos ao perigo de serem picados pelos mosquitos. A que a última notícia que eu fiquei sabendo sobre a Dengue, é que as correntes naturais de ar (os gostosos ventos), fazem a pequena estrutura corporal mosquética, não aguentar subir voando, para os apartamentos de andares mais acima.
 
(No Pantanal, considerado como um dos santuários ecológicos do planeta, é também um dos santuários de mosquitos. E lá era fácil empiricamente perceber, que ao vestir uma roupa mais escura, os mosquitos "atacavam" você com mais insistência, do que se estivesse usando uma roupa mais clara. Chegava a arder as pernas, de tantas picadas. Até mesmo no rosto, eles não perduavam. E já presenciei, mosquitos picando, mesmo a pessoa tentando se proteger deles, com calça jeans e blusas compridas e grossas. Eles tinham a pachorra de perfuram esses até esses tecidos. Lembrei-me de uma nota que li numa revista (que eu achei muito cômica), de que os mosquitos, picavam mais os membros inferiores, como os pés, pois eram atraídos pelo odor do "chulé").
 
Assim, é um “problemão” mesmo. E que envolve muitas coisas. E é somente um trabalho estando atento, a essas e outras muitas questões, é que poderá fazer a população no mínimo, refletir sobre a Dengue. Não serão apenas os 20 segundos de propaganda na TV, muito menos as “palestrinhas” de 10 minutos nas escolas e unidades de saúde, que farão amenizar, pelo menos um pouco, toda essa calamitosa situação.
 
Mas fica essa experiência da Crotolária (esse é o nome da charmosa plantinha), para pensarmos.
 
Pode ser que plantando uma planta na terra, plantemos uma ideia diferente em nossas cabeças também.
 
 
Abaixo, as imagens da possível “salvadora da pátria” - “Crotolária”, e da poética “Libélula”.
 
 
 
 
 
 
 
 
Lembrei-me de quando eu era criança,  e perto do rio, quando avistávamos uma,  chamávamos a Líbélula de “helicópterozinho”. Sempre a víamos voando bem rende a água, num belo voo rasante...
 
 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

HIPERATIVIDADE: Ritalina feat Rita LEEEE

Comentei sobre a educação na postagem passada, agora, um vídeo que tenho guardado, da professora de Medicina da Unicamp, Maria Aparecida Moyses, em que trás a tona uma questão muito atual: o abuso de drogas compradas em farmácias e drogarias, e o pior, compradas por pais, responsáveis, receitadas por especialistas, e com indicação de professores/escolas, para dar para aos nossos pequenos. Condutas estas, muitas vezes, relacionadas ao diagnóstico com o nome de Hiperatividade, e/ou "bagunça em sala de aula". Enfim, temas como a “medicalização da vida”, ou “simplificação da vida”, também fazem parte dessa discussão.