segunda-feira, 25 de março de 2013

evaporar - Rodrigo Amarante





Evaporar


Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar

Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar

O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar
Foi o que ganhei

E ando ainda atrás
Desse tempo ter
Pude não correr
Dele me encontrar

Ahh não se mexeu
Beija-flor no ar
 

O rio fica lá
A água é que correu
Chega na maré
Ele vira mar

Como se morrer
Fosse desaguar
Derramar no céu
Se purificar

Ahh deixa pra trás
Sais e minerais, evaporar!

Como um idoso pode sobreviver com menos de 678 reais?

Como um idoso pode sobrevier com menos de 678 reais? Essa é uma questão que ainda pode ficar mais complicada. E se esse trabalhador aposentado não tiver casa própria? E se esse trabalhador for casado, e sua esposa ter dedicado sua vida quase inteira, a casa, e a educação e criação dos filhos (ou seja, ela não tem renda, então seriam duas pessoas vivendo com 678 reais)? E se ainda, morar um filho com esse aposentado, desempregado, ou uma neta, filha de uma filha solteira, que ainda está em idade escolar, e não pudesse contribuir com a renda da família também (então seriam até três pessoas vivendo com menos de 678)? E se o trabalhador, depois de longos anos, desenvolver uma doença crônica (é o que vemos acontecer com eles, em sua grande maioria, em saúde pública)? E esse  "precário" salário/renda, ainda ter que ser dividido com a compra de medicamentos, exames e tratamentos de saúde? E se esse trabalhador, ainda, desenvolver alguma doença mais séria, no qual ele não consegue se locomover sozinho, ou até mesmo se alimentar? O que ele fará? Ou sua família? Pagar uma cuidadora? Como?????

Essas dificuldades são muito comuns, geralmente, nas histórias de vidas dos idosos que temos contato. As vezes, as dificuldade se agregam, e a situação se complica ainda mais. E o trabalhador de saúde, não tem nem  para quem recorer.

24/03/2013 08:40

Aposentadoria: 70% dos beneficiários do INSS ganham menos que um salário mínimo



Diana Gaúna

O presidente Nacional do Sindinapi (Sindicato Nacional dos Aposentados), João Inocentini que esteve em Campo Grande essa semana, afirma que apenas 30% dos segurados do INSS recebem mais que um salário mínimo de benefício, avaliado em R$ 678. Para professor Jânio Batista de Macedo, que coordena o sindicato regional, o grande vilão é o fator previdenciário, que assalta o bolso dos aposentados. Representantes da Força Sindical participaram das discussões.

Inocentini destacou que a cada dia que passa, diminui o poder de compra do salário dos aposentados em Mato Grosso do Sul e no Brasil. O presidente da força Sindical do Estado, Idelmar da Mota Lima, exemplifica que o chama de ‘dura realidade’ dos aposentados brasileiros.

Para entender bem o que esses honrados trabalhadores atravessam hoje, basta ver o caso de um dos aposentados aqui presentes. Há 8 anos ele se aposentou com o equivalente a 10 salários mínimos. Hoje seus ganhos mensais foram reduzidos pela metade em relação aos valores atuais do salário mínimo”, destaca Idelmar.

O professor Janio Batista Macedo critica veementemente o fator previdenciário, que de cara reduz em até 40% o salários dos aposentados. “Esse famigerado fator previdenciário sacrifica a vida de muitos cidadãos de bem, que merecem ter uma vida digna nesse período de aposentadoria”, ressalta.

Na plenária, os representantes analisaram que uma das conseqüências imediatas do que eles chamam de ‘extorsões’ ao bolso dos aposentados é a volta desse cidadão ao mercado de trabalho. Com isso eles ocupam vagas que deveriam estar nas mãos de novos profissionais.

Conjuntura

Segundo o Sindinapi, a insatisfação dos aposentados vem crescendo desde o início do Governo Dilma. A alegação é de que as promessas de campanha feitas em 2010 ainda não foram cumpridas e o fator previdenciário continua a corta renda de quem se aposenta. Outro ponto é a recuperação do poder aquisitivo dos aposentados, que segundo eles continua esquecido.

A cada ano, enormes contingentes de aposentados são jogados na vala do salário mínimo. Para se ter uma idéia, o reajuste de 6,2% dessa faixa, em janeiro, sem aumento real, jogou mais de 300 mil aposentados ao rendimento do salário mínimo”, frisa Inocentini.

O presidente nacional fez questão de dizer que de forma recorrente o Governo afirma que a Previdência Social não tem dinheiro, mas retirou dela R$ 17 bilhões da contribuição obrigatória dos empresários para o INSS e deu para meia dúzia deles.

Mesmo com a benevolência, os empresários não retribuíram a generosidade com o aumento da oferta de empregos. O dinheiro só serviu para aumentar o lucro deles. Por essas e outras, nossa entidade está em luta permanente com o Governo Federal para reverter esse quadro”, finalizou.

Fonte: http://www.midiamax.com.br/noticias/843108-aposentadoria+70+beneficiarios+inss+ganham+menos+salario+minimo.html

sábado, 23 de março de 2013

Cadê minha EMPREGADA?

Notícias que demonstram sinceramente que o Brasil está mudando. Está se tornando um lugar mais equânime socialmente (desculpem o exagero). Mais decente para se viver.
Número de domésticas diminui no País

Fatia dos empregados domésticos na população ocupada caiu para 6,6% em 2012; com mais direitos, tendência de queda deve se acentuar

23 de março de 2013 | 22h 45

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - A relação dos patrões brasileiros com os empregados domésticos vai mudar. Se o crescimento previsto para o Brasil se confirmar nos próximos anos, será cada vez menor o número de pessoas dispostas a atuar em tarefas domésticas. No ano passado, por exemplo, a participação desse grupo no total da população ocupada foi de apenas 6,6%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE. É o resultado mais baixo desde 2003.

A redução no número de trabalhadores domésticos elevou o poder de barganha da categoria: o rendimento cresce ininterruptamente desde 2003 e o nível de formalização é o mais alto da história. É nesse cenário inédito que a categoria também se vê próxima de garantir novos direitos por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Domésticas.

A proposta, que deve ser votada em segundo turno no Senado na terça-feira, prevê recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e jornada de trabalho de 44 horas por semana, entre outras mudanças.

A intensa disputa pela mão de obra do setor já é sentida por quem demanda o serviço. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o custo de uma empregada doméstica aumentou 11,83%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do País, também apurado pelo IBGE.

Para efeito de comparação, o IPCA cheio aumentou 6,31% no mesmo período.

"Por causa da oferta baixa e da demanda crescente, o preço das empregadas domésticas chegou num patamar em que muitas famílias estão abrindo mão do serviço todos os dias e optando por ter uma empregada duas vezes por semana, por exemplo, para não configurar um vínculo", afirma Cimar Azeredo, gerente da PME.

Cenário. A mudança na situação do mercado de trabalho doméstico foi sustentada por dois motivos: aquecimento na criação de postos de trabalho e melhora na educação do trabalhador. Esses fatores fizeram com que os trabalhadores domésticos conseguissem migrar para outros ramos de atividades.

No recorte exclusivo do serviço doméstico, é possível identificar essa melhora da educação. Entre 2003 e 2012, o porcentual de trabalhadores analfabetos ou com até oito anos de estudo recuou 15,5%. Já a quantidade de profissionais com 8 a 10 anos de estudo aumentou 27,7%, enquanto a parcela dos profissionais cresceu 139,4% no período.

A queda na quantidade de trabalhadores domésticos também é considerável. Desde 2010, o recuo médio é de 2,7% ao ano.

Em 2012, o total de trabalhadores do setor nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE foi de 1,522 milhão de pessoas - em 2008, no auge, chegou a 1,685 milhão.

"Com a melhoria da educação e oportunidade de trabalhar em outros nichos, as trabalhadoras estão conseguindo se inserir principalmente nos serviços prestados a empresas, uma parte mais voltada para terceirização", afirma Azeredo.

Atualmente, 95% do trabalho doméstico no Brasil é feito por mulheres. Mas há uma migração da mão de obra feminina com o desenvolvimento do mercado de trabalho. Em 2003, 16,7% da mão de obra feminina estava alocada em serviços domésticos. No ano passado, foi de 13,9%. Na contramão, o porcentual de trabalhadoras atuantes em serviços prestados à empresas avançou 3,6 pontos porcentuais no período.

Fuga. "Em geral as pessoas não gostam de ser empregadas domesticas. Sempre que possível elas deixam essa profissão", afirma o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho.

A mudança na estrutura do emprego doméstico deve dar uma cara mais europeizada e americanizada para o setor no Brasil. Em países de economia mais madura, ter um trabalhador doméstico todos os dias da semana é considerado luxo. Quem trabalha no setor, por sua vez, se especializa e, obviamente, cobra mais.

"A tendência é haver pessoas especializadas em serviços domésticos. Não vamos ter analfabeto fazendo esse trabalho, como era no passado. Teremos pessoas com mais escolaridade nessa função com uma remuneração mais elevada", diz Barbosa Filho.

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,numero-de-domesticas-diminui-no-pais,148272,0.htm

Cuitelinho

Cuitelinho

 

Cheguei na beira do porto
Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia,ai,ai

Ai quando eu vim
da minha terra
Despedi da parentália
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaias
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes batáia,ai, ai

A tua saudade corta
Como aço de naváia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d´água
Que até a vista se atrapáia, ai...
 

$aúde Não É Mercadoria


Urubu Rei

Urubu Rei

 
 

Urubu que não canta
Come a própria garganta
Não pia, espia
Preto feito o cabelo da Mulher-Maravilha

Urubu não se cansa
Vê na morte a sua esperança
Não via, havia
Preto feito o desejo do branco um dia

Não sei se sabia da lei
Natureza que rasga, eu sei
Você que me come, também
Acaba na boca de alguém

Urubu-Rei

INSTANTES


INSTANTES


Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser perfeito; relaxaria mais.
Seria mais tolo do que tenho sido; na verdade,
bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilhas,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente
cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabes, disso é feita a vida, só de momentos,
não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas;
se eu voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço
no começo da primavera, e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vida pela frente.
Mas vejam, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo...


JORGE LUIZ BORGES , 1986, SUÍÇA.