segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Atenção Básica de saúde está se tornando um grande “Balaio de Gato”, para não dizer outra coisa


 

Com toda essa discussão sobre o Programa “Mais Médicos”, penso que a Atenção Básica de Saúde está no mínimo, tendo uma errônea, e limitada compreensão.

Sei que essa é uma discussão “inicial”. Mas primeiro, ela não pode se reduzir a apenas a questão de “mais médicos”.

Estou lendo por aí, que a Atenção Básica não precisa de estrutura, assim, seria equivocada a reinvindicação que fala da precariedade de estrutura da saúde pública, principalmente da Atenção Básica.

Gente, que absurdo é esse?

Claro que precisamos de estrutura: precisamos de carro para realizar as visitas domiciliares. Precisamos de vacinas, assim, precisamos de lugares para o acondicionamento delas, como geladeiras, ar-condicionado, para que elas não estraguem. Precisamos de ambientes acessíveis, “agradáveis”, para que as pessoas possam ter o mínimo de acolhimento. Precisamos de estetoscópios para os médicos. Aferidores de pressão. Precisamos balanças para pesar. Precisamos de cadeiras confortáveis não somente para os profissionais, mas para os usuários. Precisamos de folhas de receituários. Precisamos de computadores, principalmente um pouco mais modernos, pois é grande hoje, o número de cursos que as universidades estão ofertando a nós profissionais, via EAD... Precisamos de frutas, pois quando em atividades educativas que falamos de alimentação saudável, sai do nosso bolso a compra do café da manhã para o grupo. Precisamos de Data-Shows, para passarmos vídeos relacionados a área da saúde... Entre muitas outras coisas.

E por falar em estrutura, mas em estrutura humana (recursos humanos), a necessidade se amplia ainda mais.

Ao profissional da Atenção Básica, é esperado o desenvolvimento e aplicação de práticas, oriundas de conceitos tão quanto complexos aos da área de Medicina Nuclear, por exemplo, em minha opinião. A ele é esperado, um trabalho que considere os DETERMINANTES SOCIAIS, assim, problemas como a VIOLÊNCIA URBANA, Drogas, mudança de comportamento, controle social, alimentação saudável, educação “libertadora”, prevenção e promoção de saúde, clínica ampliada, trabalho trans-inter-multi profissional, Agente Comunitário de Saúde, entre também muitos outros conceitos e práticas.

E digo mais, a Atenção Básica não é esse lugar onde o profissional de saúde médico, ou qualquer outro, fique “dois anos” em um lugar “remoto”, já “precaríssimo” em termos de conjuntura social, e que isso vai “resolver os problemas de saúde do Brasil”. Não é tão simples assim. E uma postura como esta, talvez “jogue no lixo”, despreze, um conceito que sempre foi um pilar na Atenção Básica, que é a “construção do vínculo” que o profissional de saúde deve ter com a população “adstrita”, que é se trabalhar territorialmente.

Em minha opinião, esse “balaio”, reflete exatamente como lidamos com aqueles que mais precisam nesse país. “Qualquer coisa”, é qualquer coisa para quem não tem nada.

Acho que a Atenção Básica merece uma Atenção melhor. Não é porque é Básica, que é menos complexa, que os outros níveis de Atenção à saúde.

É desse médico-político que o povo precisa

 Padilha continua firme na construção do SUS


O Ministro hoje em Brasília deu suas primeiras declarações em uma coletiva, sobre a adesão dos médicos brasileiros ao Programa Federal “Mais Médicos”.

Várias considerações dele, eu achei bastante pertinente, como:

- Os médicos estão falando que o programa não tem “direitos” trabalhistas. O ministro disse que nesse Programa existem “parâmetros” que não incluem alguns “direitos”, como “décimo terceiro salário”, plano de cargos e carreiras... Porém, existem outros “direitos”, como salário de 10 mil reais, mais “ajuda de custo” de não sei quantos mil (acho que é 30 mil). Existe também a questão de que esse programa é de formação, pois esses médicos terão suporte de universidades. Assim, ele diz que a questão da “carreira de estado”, com os direitos trabalhistas que a categoria médica está reivindicando, ele próprio, já foi no Senado discutir essa necessidade com os nobres senadores, e que parece que eles nada se entusiasmaram com essa “demanda”. Então: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”...

- Falando em “carreira de estado” (e esse é um dos “pontos” mais instigantes para mim nessa discussão), novamente o ministro Padilha disse que a classe médica deve ter clareza de que se eles querem os mesmos direitos de “juízes”, terão que ter os mesmo deveres, como a questão da dedicação exclusiva (não poderão trabalhar em clínicas particulares, por exemplo), e o mais importante, terão que “estar em cima” da área pública onde trabalharem, como os “juízes” ficam. Dizem que a profissão de “juiz” é umas das mais atribuladas/atarefadas. Então, eu acho que o Ministro, principalmente, está se declarando àquele médico que chega as 9:00 horas para trabalhar, prescreve umas 20 receitas de medicações gastando 5 minutos em cada uma delas, e vai para seu trabalho particular/privado/de “profissional liberal” (entre aspas, pois os médicos como sabemos, estão hoje “nas mãos” dos planos de saúde, vulgo: lógica do mercado) as 10:10hs, sendo que deveria na verdade, era cumprir as 20 horas semanais das quais já é bem pago por isso, pelo SUS (pago pelo povo).

- Os jornalistas da entrevista coletiva ficaram “batendo em cima” sobre as investigações que o Ministro declarou, que a Polícia Federal estava realizando, mediante um suposto “boicote” ao Programa, por parte de um grupo de médicos, fomentado principalmente pela internet. Os jornalistas queriam saber se esses médicos boicotaram mesmo o Programa (pois foi muito grande o número de inscrições “malfeitas” pelos médicos, portanto está claro que ocorreu um “boicote”, apesar de que o Ministro não confirmou e não falou nada de “boicote”, apenas limitou-se esquadrantemente  a dizer que ainda há tempo para os médicos corrigirem por exemplo, o CRM, ou o CPF cadastrado “erroneamente” no site de inscrição do programa), e que tipo de “infrações” eles poderiam ser indiciados pela PF. O Ministro disse que essa situação estava sendo ainda levantada pela PF, e que ele está aguardando os “resultados”, e encaminhamentos da PF. Mas com certeza nós sabemos, como eu disse, ocorreu sim um boicote. Entretanto não deve acontecer nada demais aos médicos que boicotaram. O Ministro deve ter “colocado” a PF na história,  para intimidar um possível boicote maior. Não ocorrerá nada aos médicos que tentaram “burlar” o programa, pois é sabido: NO BRASIL EXISTE UM ACORDO VELADO, EM QUE O MÉDICO, PRINCIPALMENTE NO SETOR PÚBLICO, PODE “BOICOTAR A VONTADE”, PODE CHEGAR AS 9 HORAS NO POSTO DE SAÚDE E IR EMBORA AS 10... É UMA PROFISSÃO “ESCASSA”. QUASE NINGUÉM “MEXE”. Mas novamente, eu acho que foi válido o ministro falar em PF. Acho que deu uma “espantada” em boicotadores, pois senão “perigava” quase os 100% de errata nas inscrições.

- Outra questão interessante que o Ministro pontou, foi quando disse ter ficado muito surpreso, mediante a rápida adesão da grande maior parte dos municípios brasileiros, ao programa “Mais Médicos”. (ressaltando a necessidade de “mais médicos” que há anos os prefeitos, prefeitas, governadores, já vinham solicitando). O Ministro disse que sempre trabalhou com prefeitos e governadores, desde a época em que era ministro de outra pasta (relacionada ao planejamento dos programas federais) no governo Lula. Disse que nunca havia visto um programa federal com tanta rapidez à “adesão” assim.

- Outra declaração que eu escutei, foi com relação ao Conselho Nacional de Saúde. O Ministro foi inquerido sobre uma possível “posição contrária” ao programa “Mais Médico”, por parte do Conselho Nacional de Saúde. O ministro disse que está esperando uma declaração oficial do Conselho, porém ele acha “no mínimo” muito estranho, que essa discussão envolta do Conselho estar “aparecendo” somente agora. Ele disse com a “boca cheia”, que já coordenou o Conselho por dois anos, e que agora, quem está na coordenação é do segmento dos usuários (eu não sabia disso, e acho realmente que isso é um forte indício de Controle Social instituído). O ministro não quis falar mais sobre essa questão. Limitou-se a dizer estar esperando o pronunciamento do Conselho. Vamos esperar para ver que “coelho” sai dessa “cartola”.

Em tempos de... DESATIVIDADE FÍSICA


Em tempos de... DESATIVIDADE FÍSICA

- As doenças cardiovasculares são as que mais causam mortes

- Cerca de 50% dos brasileiros estão obesos

- Especialistas anunciam que as crianças de hoje, serão as primeiras que terão a expectativa de vida menor que a dos seus pais

- A aula de educação física da escola, agora, é em sala de aula e não na quadra esportiva (diferente da época da minha mãe, em que a aula era no “contra turno” das outras “matérias”, e como ela trabalhava de ajudante na farmácia, “conseguia dispensa” da aula de atividade física

- Crianças não brincam mais pelas ruas, correndo, pulando, com suas pipas, bicicletas, carrinhos de rolemã, e o único vestígio de atividade física nelas e nos jovens, é o calo no polegar de tanto jogar vídeo-game

- Fast Foods, sucos de saquinho, gorduras hidrogenadas, brinquedinhos no kinder-ovo

- O tempo. Bratalhadores brasileiros (a tal da nova classe média) trabalham em média 12 horas diárias – que tempo o cidadão terá para atividade física, é a pergunta que sempre fica?

- Especialista em atividade física do programa “Fantástico”, aquele que levava o Ronaldão de avião para São Paulo, para ele se exercitar em uma esteira que ficava dentro de uma piscina, lança um livro em que a ideia principal é: faça exercícios físicos na sua rotina do dia a dia de trabalho: pulando do ônibus duas estações antes, para caminhar; quando sentar-se na cadeira já faça “agachamento” para fortalecer as pernas; pegue um instrumento pesado do seu trabalho e o transforme em alteres

- Estresse. No mínimo, nas grandes e médias cidades, o Bratalhador brasileiro no trânsito, gasta umas duas horas diárias

- O corpo. O físico, o belo, o jovem, o “durinho”, agora é sinal de classe social. As classes sociais mais privilegiadas estão se diferenciando pela aparência corporal

- “Ô Furo Coorporativo”, como definiu o professor da UNB Mário César, referindo-se as “políticas” das grandes corporações destinadas a “saúde do trabalhador”, como alongamentos físicos entre turnos laborais, tai-chi-chuan, etc, e que quase nada realmente contribuem para a saúde dos Bratalhadores

- Para se dar bem na vida, antes, as crianças como meu pai, sonhavam em serem jogadores de futebol,  agora, sonham em “dar porrada” o mais forte e violentamente possível. MMA

- Copa do Mundo e Olimpíadas, e outra pergunta que não quer cessar: que legados a longo prazo esses eventos deixarão?

- Cada vez mais o indivíduo é culpabilizado por não ter o corpo, e até mesmo a “saúde” que é mostrada na TV

- Marcelo Teixeira, “briga televisiva” para ver quem passa o jogo na TV, Olimpíadas, patrocinadores, Neymar indo para o Barcelona, pois era o seu “sonho de criança”, produtos esportivos, mercado, contratos, resultados adulterados, dopping, vendas, Lance Armstrong

Entre essas, e muitas outras questões, sou totalmente favorável a uma postura séria principalmente do Governo Federal, na adoção de uma política pública digna voltada a área do Esporte no Brasil, conforme está sendo proposto pelo “Movimento: ATLETAS”.
 

Abaixo, a notícia do Manifesto que eles elaboram.


Leia o manifesto dos atletas por legado social e esportivo de megaeventos

 
Documento é da Associação Atletas pela Cidadania, que inclui Ana Moser, Giovane, Raí, Cafú, Dunga, Edmilson, Fernando Meligeni, Fernando Scherer (Xuxa), Gustavo Borges, Hortência, Joaquim Cruz, Kaká, Lars Grael, Magic Paula, Oscar Schmidt, Robson Caetano, Rogério Ceni, Rubens Barrichello e Zetti.
 
 
Há mais de dois anos, a associação Atletas pela Cidadania vem tentando chamar a atenção do governo para a importância de uma agenda de um legado dos grandes eventos esportivos.
Copa e Olimpíadas têm um valor inegável para o país que as recebe, mas somente se tornam uma oportunidade efetiva quando a prioridade do interesse público é a regra e quando existam propostas concretas de Legado Esportivo e Social.
O interesse público e a transparência têm que prevalecer em todas as ações: nas obras, construções, intervenções sociais ou investimentos públicos e privados. Mais do que isso: todos os recursos gerados pelos eventos devem ser destinados ao desenvolvimento social e econômico do país, chegando de forma positiva na vida das pessoas.
Nós, Atletas pela Cidadania, somos contra a destinação de recursos públicos para benesse de alguns, as remoções que violam os direitos humanos, a corrupção e a falta de transparência nas decisões e nas contas. Tudo isso é contra o espírito e os valores do Esporte.
Acreditamos nos valores positivos do Esporte e sabemos do seu impacto no desenvolvimento do país. O Esporte é direito de todos os brasileiros. Melhora a saúde e a qualidade de vida, diminui a evasão escolar, aumenta o desempenho dos alunos.
Repetimos: há mais de dois anos apresentamos uma agenda positiva ao país, com dois pontos centrais para o Legado Esportivo e Social da Copa e das Olimpíadas: o Esporte acessível a todos os brasileiros e a urgente revisão do Sistema Esportivo Nacional. As diretrizes são claras. Limitar o mandato de dirigentes esportivos, definir os papéis e integrar os entes federativos, abrir à participação democrática de atletas, qualificar educadores e profissionais esportivos permanentemente, ampliar a infraestrutura esportiva pública.
São medidas para garantir o acesso ao Esporte para todas as pessoas, de norte a sul. Além de desenvolver a cultura esportiva no país e levar os benefícios do Esporte a todos. E como consequência natural, também melhorar o esporte de alto rendimento e suas conquistas.
Felizmente, o país hoje clama por mudanças. A agenda pública deve se balizar pelo que seu povo decide e não só pelo que seus governantes acreditam que sejam as prioridades. O dia a dia do poder tem afastado a máquina pública do interesse público. Vivemos uma crise da democracia representativa, cuja solução está em ouvir diretamente os detentores reais do poder – o povo.
Queremos ser ouvidos e por isso solicitamos:
1. A criação de um comitê interministerial para a reestruturação da legislação do sistema esportivo nacional e a criação de um Plano Nacional de Esporte. Com metas, estratégias, métricas de avaliação e resultados claros. Um comitê com participação da sociedade, com voz e voto, liderado pela Presidência da República.
2. Aprovação de legislação que dispõe sobre as condições necessárias para as entidades do Sistema Nacional de Esporte receberem recursos públicos (emenda nº à MP 612 e emenda nº à MP 615).
3. Total transparência dos investimentos e das apurações referentes às denúncias de violações de direitos humanos nos grandes eventos esportivos, como exploração sexual infantil, remoções sociais forçadas, subemprego.

sábado, 27 de julho de 2013

 

Sapato 36

Raul Seixas


Eu calço é 37
Meu pai me dá 36
Dói, mas no dia seguinte
Aperto meu pé outra vez
Eu aperto meu pé outra vez

Pai eu já tô crescidinho
Pague prá ver, que eu aposto
Vou escolher meu sapato
E andar do jeito que eu gosto
E andar do jeito que eu gosto

Por que cargas d'águas
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito

 Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade

 Meu pai
Meu pai

Pai já tô indo-me embora
Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar
Por que cargas d'águas
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade
Meu pai
Meu pai
Pai já tô indo-me embora
Eu quero partir sem brigar
Já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar (Êêêê)
Que não vai mais me apertar (Aaaa)
Que não vai mais me apertar (Êêêê)

terça-feira, 23 de julho de 2013

 

Blowin' In The Wind

Bob Dylan

How many roads must a man walk down,
Before you can call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
Yes, and how many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Yes, and how many years can a mountain exist,
Before it's washed to the seas (sea)
Yes, and how many years can some people exist,
Before they're allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head,
And pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes, and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes, and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes, and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Link: http://www.vagalume.com.br/bob-dylan/blowin-in-the-wind.html#ixzz2ZvrM2AXC

 

De Frente Pro Crime

João Bosco


Tá lá o corpo
Estendido no chão
Em vez de rosto uma foto
De um gol
Em vez de reza
Uma praga de alguém
E um silêncio
Servindo de amém...
O bar mais perto
Depressa lotou
Malandro junto
Com trabalhador
Um homem subiu
Na mesa do bar
E fez discurso
Prá vereador...
Veio o camelô
Vender!
Anel, cordão
Perfume barato
Baiana
Prá fazer
Pastel
E um bom churrasco
De gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo
Na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...
Tá lá o corpo
Estendido no chão
Em vez de rosto uma foto
De um gol
Em vez de reza
Uma praga de alguém
E um silêncio
Servindo de amém...
Sem pressa foi cada um
Pro seu lado
Pensando numa mulher
Ou no time
Olhei o corpo no chão
E fechei
Minha janela
De frente pro crime...
Veio o camelô
Vender!
Anel, cordão
Perfume barato
Baiana
Prá fazer
Pastel
E um bom churrasco
De gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo
Na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...(2x)
Tá lá o corpo
Estendido no chão...

Servidora denuncia continuidade de desmandos no HU e diz ser ameaçada de morte

 
Vinícius Squinelo
 
 
Servidora lotada na Divisão de Compras do Hospital Universitário de Campo Grande, Artemisia Mesquita, denunciou desmandos dentro da instituição. A profissional ainda relatou ‘sessões’ de assédio moral no trabalho e até ameaças contra ela e a família.
Artemisia usou o Facebook para relatar o que vem passando dentro do hospital (confira a íntegra do depoimento ao fim da matéria). “Estamos vivendo momentos tortuosos no NHU (Núcleo do Hospital Universitário), como na época da ditadura militar”, revelou a servidora.
De todo o relato, Artemisia destacou uma sessão de 1h45 de suposto assédio moral por parte de Mateus Moreira de Oliveira, atual Chefe de Compras do HU. Segundo ela, o chefe teria insistido várias vezes em citar as relações familiares da servidora, que se sentiu ameaça.
“Deu para sentir que minha vida estava sendo ameaçada, e a dos meus familiares”, denunciou Artemisia, citando também possíveis ameaças até contra a vida dela e do neto.
Como forma de repreensão, a servidora afirma que foi removida para a Progep (Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e do Trabalho), porém só de forma verbal, não tendo acesso ao documento oficial de remoção.
Operação Sangue Frio e influência
Ainda segundo Artemisia, após a Operação Sangue Frio, da Polícia Federal, que desarticulou esquema de desvio de verbas do SUS (Sistema Único de Saúde), diversos PAD’s (Processos Administrativos Disciplinares) foram abertos no HU.
Artemisia, que é citada em processos, afirma que nomearam pessoas que deveriam ser impedidas de julgar, “já que há histórico para isto”.
Sem ser ouvida no PAD, Artemisia afirma que procurou a Polícia Federal para realizar depoimento, onde prestou esclarecimentos ao delegado responsável pelo inquérito da operação.
A servidora também denunciou influência política para a nomeação do novo diretor do HU, o ortopedista Luiz Claudio Saab. A “fumaça branca” teria saído após reunião entre o vice-reitor João Ricardo Tognini e o deputado federal Luiz Carlos Mandetta (DEM).
Funcionários terceirizados da Douraser também estariam no comando do HU, mesmo não sendo investidos em cargos de confiança.
Confira o depoimento na íntegra:
“Eu, Artemísia Mesquita de Almeida, brasileira, separada judicialmente, natural de Quixadá-CE, RG 1597594, CEP 10243763387, funcionária pública federal, Matricula Siape 0433311, lotada atualmente na Divisão de Compras do Núcleo de Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossiam/UFMS, quero deixar este depoimento público que tenham acesso a ele compartilhem, pois talvez assim eu não seja nome do próximo CONFASUBRA. Eu fiz parte do grupo de pessoas que fez com que a atual Reitora Célia, fosse derrotada no segmento dos técnico-administrativos do NHU, por ocasião da eleição, com uma boa margem. Além de não concordar com a política adotada por ela, sabia que ela era favorável a EBSERH e eu serei sempre contra e participarei de qualquer coisa que impeça a implantação deste monstrengo criado pelo PT. Até greve se assim for. Agora a reitora mandou descontar 47% do nosso bruto e na época do recebimento foi em cima do líquido, e o nome do Paulo Speller do MEC que agora ataca as 30 horas e turno ininterrupto, consta como autorizando o desconto.
Infelizmente o SISTA/MS, que continua fialiado a CUT, que é braço “operário” do PT ainda acredita do PT e CUT. E tem gente que diz que não aparelha. E a política deste partido e para sua governança é fritar o servidor publico e também fazer acordos espúrios com os partidos da base governista e outros não.
Mas voltando ao dia a dia, estamos vivendo momentos tortuosos no NHU como na época da ditadura militar, se não vejamos: Por conta da Operação Sangue Fria noticiada em todo o território nacional, algumas pessoas que por ventura ocuparam cargos na gestão passada, tiveram agora seus nomes publicados no Boletim de Serviço, como rés, de vários PADs (Processo Administrativo Disciplinar), alguns chefes não foram citados, e outros citados eram gestores de contratos ou Atas. Até o presente momento não fomos chamados para depor nos tais PADs, só fui até o Departamento de Polícia Federal prestar esclarecimento ao delegado responsável pelo inquérito. Então em tese a lei diz que até prova em contrário a pessoa é inocente. Aqui não funciona assim, na comissão que irá analisar os meus casos nomearam uma pessoa que deveria informar que está impedida de julgar, já que há histórico para isto, pelo que sei mesmo avisando a Auditora Chefe isto não mudou.
Entretanto com o afastamento do ex-diretor, e após algum tempo o diretor clínico respondendo, o atual Diretor Gestor Sr. Claudio Wanderley Luz Saab, foi nomeado com influência do também médico e Deputado Federal Henrique Mandetta, inclusive há noticias que o vice-reitor Dr. João Ricardo Tognini, jantou com o deputado nos dias anteriores a indicação do Sr. Claudio. Este senhor foi nomeado em 28 de maio, e eu retornei de licença médica em 03.06.2013. Segundo informações ele perguntou se eu era de confiança pois era amiga do ex-diretor, amiga para mim, vai na casa, almoça junta ou janta, vão a eventos/festas juntos e eu sequer passei na frente da casa do ex-diretor, até a minha chefe até a quinta-feita passada que conheço desde 1997 nunca fui a casa dela. Depois este mesmo diretor perguntou se eu estava trabalhando ou fazendo fococas, quando eu publiquei que diferentemente de alguns eu não fofoco se eu tiver que falar falo na cara. Nesta postagem citei a influência do Deputado também Ortopedista na nomeação.
Na ultima quinta-feira o atual chefe da Divisão de Compras (Mateus Moreira de Oliveira) ficou 1 hora e 45 minutos praticando o famoso assédio moral, mas pior que isto, era para ele dizer que eu estaria a disposição da Pró-reitoria de Pessoal, porém isto não foi dito, porém as perguntas feitas a mim, desde mudança para o nordeste, até morar em casa da minha mãe porque moro sozinha, até de viajar com o meu neto eram estranhos e teve uma hora que eu perguntei se ele queria que fosse embora da divisão, e esta era a melhor deixa para ele dar o recado do diretor. No entanto ele respondeu que não. Porém nesta conversa ficou patente que o fato de eu morar sozinha, era um perigo, que eu deveria ir para outro estado no nordeste, que eu tenho um neto e família, aí sim deu para sentir que a minha vida estava sendo ameaçada e da dos meus familiares. Só faltou pedir para eu aposentar. Disse claramente que a falta de plantão não iria me prejudicar, pois não pago aluguel, e diversas outras coisas, os assuntos que incluem outra servidora não irei colocar aqui por uma questão privacidade. Na manha seguinte ele me disse finalmente que o diretor me colocou a disposição da PROGEP, e eu tentei saber do documento, mas não tive acesso a ela até às 11h e tarde teve assembleia, que compareci. Portanto até o presente momento não fui comunicada oficialmente.
Quero entender e acreditar que apesar de na Reitoria ter pessoas que já ameaçaram outro servidor, o Deputado, a Reitora, o Vice-Reitor e seus assessores e o Diretor do NHU, não tenham a intenção nem de dar cabo na minha vida, ou em de qualquer um dos meus familiares. E se a pessoa escolhida para me dar a notícia da minha remoção não foi a mais indicada problema para o diretor resolver, pois já que ele levou para direção vários servidores terceirizados todos contratados pela Douraser, e que inclusive com aval da Auditora Interna da UFMS, três pessoas contratadas pela Douraser, portanto não são gerentes do NHU, não são assessores investidos de cargo de confiança, que podem vir a ser por conta da EBSERH, estão formando uma comissão que estão negociando com as empresas que em alguns casos desde janeiro/fevereiro não recebem pelos serviços prestados o que contraria a lei. E interessantemente uma contadora de nome Eliane é quem digita as atas e não coloca o nome dela e nem assina, e é assinada pelo Diretor que não está presente a reunião e os outros dois assessores contratados pela Douraser, os Srs. Paulo Cesar Pereira da Silva, que parece ser juiz aposentado, porém aceita trabalhar pelo salário de R$ 5.000,00, acredito que por altruísmo e Ivan Jorge Cordeiro da Silva, que pelas informações trabalhou na Enersul, na Sesau e na Santa Casa. Não posso afirmar, pois não tive acesso aos currículos entregues na Douraser, apesar do processo passar na sala de trabalho onde fico, não procurei ver. Mas a decisão é que a empresa deve dar descontos, porém em uma reunião eu escutei o Sr. Ivan dizer ao empresário que ele ou dava o desconto ou então a empresa dele seria a ultima a receber.
Quere reafirmar que nem eu e nem uma outra servidora aceitamos o fato de obedecer ordens de terceirizados que não estão investidos em cargo de confiança, a funcionária da Douraser a Contadora Eliane, que sequer sabia quem fiscalizava o serviço público federal, pensava ser o TCE, queria a senha do SIAFI e SIASG, que não foi fornecido para ela.
Na minha oitiva na Policia Federal eu falei para o delegado que quando terminasse a Operação Sangue Frio teria que começar a “Osso Duro”. E eu sempre disse na minha sala que caso o Diretor me colocasse a disposição eu iria ao programa do Picarelli e levaria mais alguns comigo. Não fui ao SBT, nem aos veículos de comunicação WWW.midiamax.com.br, nem ao WWW.campogrande.news.com.br, nem a TV MORENA. Porém estou disponibilizando isto porque além de não aceitar ameaça de ninguém contra a minha vida, menos ainda aos membros da minha família e coloquei todos na mão de Deus que é maior que qualquer bandido que se preze.
A frase que “eu deveria viajar com o meu neto” foi de uma violência sem par.
Peço desculpas a minha família por saberem disto junto com todos vocês, e esperei dois telefonemas para evitar isto, mas o senso de sobrevivência e de qualquer um da minha família falou mais alto.”