terça-feira, 6 de agosto de 2013

EM TEMPOS DE "MELHORA" DO IDH - HUMMM??? HUMANOO??

Superlotadas, delegacias registram até morte e podem ser interditadas

Aliny Mary Dias e Graziela Rezende

Greve de agentes penitenciários começou na última quinta-feira (Foto: Marcos Ermínio)Greve de agentes penitenciários começou na última quinta-feira (Foto: Marcos Ermínio)
 
A greve dos agentes penitenciários estaduais chega ao 6º dia e o não recebimento de detentos nas unidades já superlota o trabalho nas delegacias da Polícia Civil em Campo Grande. Segundo o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), as duas Depacs (Delegacias de Pronto Atendimento Comunitário) estão com a lotação das celas quase cinco vezes maior do que a capacidade e a morte de um preso também foi registrada na noite de ontem (5).
O presidente do Sinpol, Alexandre Barbosa, explica que os policiais civis já cogitam a interdição das delegacias se nenhuma atitude for tomada por parte do Estado ou se a greve dos servidores não acabar.
“As delegacias também não possuem estrutura alguma para cuidar de preso. Sem uma política de segurança pública, um problema como esse iria ‘explodir’ a qualquer momento”, afirma Barbosa.
Nesta terça-feira (6), as duas Depacs estão com 37 detentos nas celas, 19 na Depac do Centro e outros 18 na Vila Piratininga. “Ao invés de ir para rua, os policiais precisam ficar na delegacia para cuidar de preso e isso não é a atribuição deles. O trabalho está prejudicando a população”, explica o presidente do Sinpol.
Ainda de acordo com o sindicato, o problema já começa a gerar problemas maiores. Na noite desta segunda-feira (5), um preso com tuberculose teve que ficar em uma cela com outros detentos por falta de espaço para ser isolado. A situação foi registrada na Depac do Centro.
Na mesma cela, outro detendo passou mal e precisou ser socorrido para a Santa Casa de Campo Grande. O preso deu entrada no pronto socorro, mas morreu pouco depois de ser atendido. O sindicato afirma que a Vigilância Sanitária será acionada ainda hoje para que uma inspeção seja feita nas celas.
Uma reunião entre o chefe da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), Wantuir Jacini, e representantes da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) está marcada para o fim da manhã de hoje para tratar sobre o assunto.
O Sinpol deve definir ainda hoje a data para uma assembleia geral dos policiais civis que irá definir a interdição das celas já que a decisão drástica por parte dos agentes penitenciários, por dez dias, ocorreu por conta da superlotação dos presídios, da falta de servidores e da situação degradante em que estariam os presos.
 

Comentários
 
05/08/2013 20:59
rosemeire oliveira borges
Justiça em Mato Grosso do Sul:Quantos pesos e quantas medidas??? Onde se encontra os assassinos da máfia da saúde neste exato momento? Quem de fato é mais criminoso?

 

Justiça nega liberdade a ator preso desde os protestos em junho e amigos reclamam

 
Danilo Galvão e Tainá Jara
 
 
Detido desde o dia 20 de junho, ‘Dudu’ irá continuar atrás das grades. O ator Eduardo Miranda Martins, 28 anos, teve o seu pedido de Habeas Corpus negado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, no início da tarde desta segunda-feira (05), em um julgamento que não contou com a presença de seu advogado. O manifestante ainda é o único preso por conta da passeata contra Corrupção ocorrida em Campo Grande, no mês de junho. Em uma abordagem policial foram encontrados papelotes de cocaína na sua mochila.
“Conheço o Dudu desde os seus 12 anos. Ele sempre acompanhou o meus shows e fazia teatro com a Laís Dória. Todos sabem que o Dudu não é traficante. Até traficante consegue Habeas Corpus e ele não? Isto é mais um elemento que caracteriza o caso como perseguição política”, afirma o cantor, Jerry Espíndola, 48 anos, presente no protesto.
A decisão não agradou os quinze manifestantes que acompanharam o julgamento no Tribunal de Justiça. Para o grupo a negativa no pedido de Habeas Corpus foi arbitrária e mostra uma perseguição contra Dudu. O próximo passo a ser tomado pelos colegas, é um reunião com  o advogado, Adilson de Viegas, para entrar com recurso em outra instância.
O ator responde por tráfico e danos ao patrimônio público. Além dele, outros seis manifestantes foram presos no dia da mobilização, e liberados posteriormente.
“Quando o Dudu sumiu demorou umas três horas para saber que o levaram para uma delegacia. Acho muito estranho essa acusação. Por que ele levaria droga para um lugar que estaria cheio de policiais? O Dudu já havia feito denúncias contra a guarda municipal e isso pode ter relação”, relata o professor, Ravel Giordano, 40 anos. 
Luiz Alberto
Ainda não há uma data definida para o julgamento de Eduardo Miranda Martins. Dudu cumpre pena no Presídio de Trânsito (Petran), em Campo Grande.
 

Manifestantes farão amanhã "Ato Pró Dudu". Ele é mantido preso pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul sem nenhuma comunicação

Fabiano Portilho
O contraste: Adalberto siufi "Chefe da quadrilha que surrupiou e sucateou a saúde de MS", conseguiu autorização do TJ-MS para viajar aos EUA, Enquanto Dudu continua preso e incomunicável.
 
O ator Eduardo Miranda Martins preso durante uma manifestação em Campo Grande/MS a quase dois meses, ainda está preso, e sem auxilio de advogados.
Apesar de estar rasgando e passando por cima do Art. 21 do código penal, o Governo do Estado através da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) continua a manter preso e, sem nenhuma comunicação, o ator e ex-candidato a vereador de Campo Grande(MS), Eduardo Miranda Martins.
O contraste
Adalberto Siufi "Chefe da quadrilha que surrupiou e sucateou a saúde de MS", conseguiu autorização do TJ-MS para viajar aos EUA, Enquanto Dudu continua preso e incomunicável
O Ato Pró Dudu amanhã, será amanhã em frente ao TJMS, será julgado seu HC, às 12h.
Dudu e o absurdo
Sou professor universitário há mais de dez anos. Sou formado em Letras pela UFMS, tenho mestrado em Teoria e História da Literatura pela Unicamp, doutorado em Letras Clássicas e Vernáculas pela USP e concluí recentemente meu pós-doutorado na Unicamp. Não sou nenhum gênio, mas me considero razoavelmente - digamos, medianamente - inteligente, e me esforço, às vezes muito, para entender tudo o que ouço, vejo e leio.
É mais ou menos assim, com exceção da última oração, que me apresento em meu currículo Lattes, mas nunca havia cogitado em registrar nada disso neste blog, até porque meu objetivo é dialogar com quem quer que se disponha a isso. Acontece que, infelizmente, há situações em que é preciso demonstrar, como diz o chavão popular, que não se é ninguém, e esta é uma delas. Tudo para dizer o seguinte:
A ideia de que Eduardo Miranda Martins pudesse estar portando mais de vinte papelotes de cocaína na segunda noite de protesto em Campo Grande (aliás, uma noite de chuva intensa), sendo ele um dos manifestantes mais ativos e visados do movimento no município, é um acinte à minha inteligência. Um acinte, acredito, à inteligência de qualquer cidadão minimamente sensato.
Eduardo Miranda Martins, o Dudu, é um músico e ativista político e cultural de Campo Grande. Conversei algumas vezes com ele - a mais demorada delas foi durante um ato em defesa da luta dos índios Terena -, e tenho a convicção de que se trata de alguém em pleno uso de suas faculdades mentais. E também uma excelente pessoa; apenas idealista, aguerrido e sincero o bastante para que alguns o considerem um "porra louca".
Negro, pobre, autodidata, extremamente lúcido e corajoso: não tenho como deixar de admirar o Dudu.
Lembro de tê-lo visto na noite de 20 de junho, o primeiro dia de protestos em Campo Grande. Eu fotografava os cartazes e ele passou gritando alguma palavra de ordem, sem me ver. No dia seguinte, marcado por ações mais radicais que tive a sorte ou o azar de não acompanhar de perto, Dudu foi preso pela guarda municipal. A primeira notícia que circulou na Praça do Rádio, onde eu estava, foi a de que, depois de ter sido abordado pelos guardas, seu paradeiro era desconhecido. Só um tempo depois - uma hora ou mais - é que soubemos da prisão.
Detalhe: Eduardo tem um histórico de enfrentamento político com a guarda municipal, ou melhor, contra a autorização, hoje concedida, para os guardas portarem armas de fogo. Já discursou na Câmara Municipal a esse respeito, e essa foi uma de suas bandeiras quando concorreu para vereador em 2012. Mais ainda: Dudu move um processo, anterior à sua prisão, contra guardas municipais que, segundo ele, o agrediram na Orla Morena.
Feito esse resumo, peço licença para dizer e sublinhar novamente:
A ideia de que Dudu pudesse estar portando mais de vinte papelotes de cocaína na segunda noite de protesto em Campo Grande (aliás, uma noite de chuva intensa), sendo ele um dos manifestantes mais ativos e visados do movimento no município, é um acinte à minha inteligência. Um acinte, acredito, à inteligência de qualquer cidadão minimamente sensato.
Usei a palavra "absurdo" no título dessa postagem, criando uma eufonia com "Dudu", e pensei muito se manteria ou não esse recurso literário. Mas não há outra palavra. A permanência de Dudu na prisão beira o absurdo kafkiano. A esperança é que, ao contrário do que acontece n'O Processo de Kafka, a Justiça deste País e deste Estado seja - ou comece a se tornar - mais cega no bom do que no mau sentido: o da isenção, e não o da falta de bom senso.
Uma nota que pode soar como um gesto covarde, mas não é: não tenho nada contra os guardas municipais, embora também seja contra o porte de armas de fogo por eles. Mas respeito-os como cidadãos e trabalhadores. Conheço pessoalmente ao menos um deles, a quem admiro como pessoa e como músico. Na mesma noite em que o Dudu foi preso, vi uma jovem dirigir-se, indignada, aos guardas que protegiam a Prefeitura Municipal, chamando-os de covardes e coisas do gênero. Quando ela se retirou, eu disse a eles que nem todos pensavam daquela forma, que havia manifestantes que entendiam a situação deles etc. Lembro de dois ou três terem agradecido com a cabeça. O respeito e o bom senso podem estar em qualquer lugar.
Não costumo assinar minhas postagens (o nome já aparece aí embaixo), mas esse caso é mesmo uma exceção.
Ravel Giordano Paz
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ALVORADA VORAZ rpm

 


Na virada do século, alvorada voraz,
Nos aguardam exércitos, que nos guardam da paz
Que paz !
A face do mal, um grito de horror,
Um fato normal, um êxtase de dor e medo de tudo,
Medo do nada
Medo da vida, assim engatilhada

Fardas e força,
forjam as armações
Farsas e jogos,
armas de fogo
Um corte exposto
Em seu rosto amor,
e eu,

Nesse mundo assim, vendo esse filme passar,
Assistindo ao fim, vendo o meu tempo passar

Apocalipticamente, como num clipe de ação
Um clic seco, um revólver, aponta em meu coração
O caso Sudan, Maluf, Lalau, Barbalho Sarney, Ninguém paga o Jornal,
é a propaganda, pois nesse pais, é o dinheiro quem manda
Juram que não corrompem ninguém, agem assim
Pro seu próprio bem

São tão legais,
foras da lei,
Pensam que sabem de tudo,
O que eu não sei

Nesse mundo assim, vendo esse filme passar
Assistindo ao fim, vendo o meu tempo passar

"Ria e o mundo rirá com você. Chore e chorará sozinho". Oldboy






 
REUTERS/Kyodo / Pessoas homenageiam as vítimas da bomba atômica de Hiroshima, no Japão, diante de memorial aos mortos Pessoas homenageiam as vítimas da bomba atômica de Hiroshima, no Japão, diante de memorial aos mortosjapão

Hiroshima lembra 68º aniversário da bomba atômica

Durante o memorial, realizado no Parque da Paz da cidade japonesa, foi prestado um minuto de silêncio
 
 
A cidade de Hiroshima lembrou nesta terça-feira (6, data local) o 68º aniversário do lançamento da bomba atômica que provocou a morte de centenas de milhares de seus cidadãos no final da Segunda Guerra Mundial, com uma cerimônia na qual pediu o fim da proliferação nuclear.
Durante o memorial, realizado no Parque da Paz da cidade japonesa, foi prestado um minuto de silêncio às 23h15 GMT (20h15 de Brasília).
Nessa mesma hora, o avião B-29 Enola Gay das Forças Aéreas dos EUA lançou em 6 agosto de 1945 o que seria o primeiro ataque nuclear da história.
Calcula-se que a bomba, que foi detonada com uma intensidade de 16 quilotons a cerca de 600 metros de altura, muito perto de onde hoje fica o Parque da Paz, matou de forma imediata 80.000 pessoas.
No entanto, no final de 1945, o número de mortos já tinha subido para cerca de 140.000, e o de vítimas pela radiação nos anos posteriores aumentou muito mais.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, participou da cerimônia de hoje, e em seu discurso pediu o fim das armas nucleares.
Também discursou o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, filho de um dos milhares de sobreviventes da bomba. Ele clamou por uma Coreia do Norte e um "nordeste da Ásia" livre de armas nucleares e lembrou que o Japão ainda sofre, mais de dois anos depois, com os efeitos do acidente na usina nuclear de Fukushima.
A cerimônia deste ano reuniu representantes de 70 países, incluindo o embaixador dos Estados Unidos no Japão, John Roos.
Após o ataque sobre Hiroshima, os EUA lançaram uma segunda bomba nuclear em 9 de agosto de 1945 sobre a cidade de Nagasaki, o que forçou a rendição do Japão seis dias depois e pôs fim à Segunda Guerra Mundial.
Os ataques nucleares sobre as duas cidades japonesas foram os únicos que realizados até hoje.
 

Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação)

Sob holofotes, Mídia Ninja pede dinheiro do público para ampliar alcance

 
Divulgação/BBC Brasil
Integrantes do coletivo Mídia Ninja, que planeja expansão das atividades e financiamento do público
Integrantes do coletivo Mídia Ninja, que planeja expansão das atividades e financiamento do público

Sob os holofotes desde o início da onda de protestos no Brasil, o coletivo de jornalismo Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) faz planos ambiciosos para o futuro.

"O nosso ideal é ajudar a criar uma rede financeiramente viável que dê conta não só da demanda do público por informação de qualidade, mas também da oferta de jornalistas que não encontram vagas no mercado ou que estão sendo despedidos das grandes redações", disse à BBC Brasil o jornalista Bruno Torturra, um dos membros do grupo em São Paulo.

O primeiro passo começa nesta semana, com o lançamento de uma campanha de financiamento coletivo para dar estrutura a equipes de produção e, em seguida, do site oficial do coletivo, que deve reunir conteúdo de grupos espalhados por todo o país.

Além da organização do conteúdo de centenas de fotografias e horas de vídeos documentando as manifestações, o grupo também pretende responder aos pedidos do público e dos críticos por mais textos e material editado pelos jornalistas - um desafio para quem tem milhares de colaboradores e afirma não ter uma linha editorial única. "A gente tem uma teia", diz Torturra.
Ampliar

Manifestantes saem às ruas em protestos pelo Brasil151 fotos

1 / 151
2.jul.2013 - Policial militar imobiliza manifestante ferido durante protesto contra os governos de São Paulo e Rio, em frente à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na noite desta sexta-feira (2) Marcelo Alves/Techimage
A "teia" reúne grupos de produção cultural e comunicação em todo o país, ligados ao Fora do Eixo - uma rede de coletivos criada em 2005 para organizar festivais de música independentes. "Através do Fora do Eixo já estamos em todos os Estados, mas são pessoas com múltiplas funções, que são ativistas, produtores e que podem fazer a função de ninjas", explica.
Atualmente, mais de 20 pessoas se dedicam exclusivamente à produção de conteúdo para a Mídia Ninja nas equipes de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador.

"Um número um pouco maior de pessoas nos dá apoio, inclusive offline (não apenas nas transmissões na internet). Depois temos ainda centenas de pessoas que são colaboradoras eventuais, mandam uma foto, um parágrafo. É algo que nem dá pra contar, vem em fluxo. E agora (depois do início das manifestações) temos mais de 1.500 pessoas inscritas para trabalhar para o Mídia Ninja, que ainda não organizamos e não sabemos como vamos organizar", diz.

Fama


A procura por fazer parte da Mídia Ninja deu um salto após o início dos protestos em todo o país. Usando smartphones, laptops e acesso 3G, os colaboradores do grupo atualizavam sua página oficial no Facebook e transmitiam as manifestações ao vivo.

Em São Paulo, atingiram a marca de cerca de 100 mil espectadores ao transmitirem com detalhes os confrontos entre a Tropa de Choque e os manifestantes na noite de 18 de junho.

Nos protestos contra o governador Sérgio Cabral, no Rio, os ninjas tiveram o triplo de audiência e foram também protagonistas - dois deles foram detidos e soltos depois. Em frente à 9ª DP, no bairro do Catete, uma multidão se aglomerou aos gritos de "Ei, polícia, solta a Mídia Ninja".
Com a rejeição dos manifestantes à mídia tradicional, muitas vezes acusada de omitir o vigor dos protestos, os ninjas ganharam apoio e credibilidade junto aos participantes dos atos públicos em todo o país.

Desde então, o grupo foi objeto de reportagens nos principais meios de comunicação nacionais, nos jornais americanos New York Times e Wall Street Journal e no britânico The Guardian.

"A popularidade facilitou o nosso trabalho mais do que dificultou. Tem mais gente enchendo o saco, tem mais gente querendo sabotar e cada vez mais calúnias sobre nós. Mas a polícia agora nos trata como jornalistas e recebemos muito apoio e informação de gente que está nas ruas", diz Torturra.

A cobrança dos leitores, segundo o jornalista, também aumentou, assim como as críticas aos erros e aos posicionamentos do grupo. "Temos o nosso ponto de vista claro, mas não somos tendenciosos. Acho que ter o ponto de vista dos jornalistas claro é justamente o que torna a transmissão honesta", defende.

O novo site pretende reunir o conteúdo dos núcleos de produção jornalística ninja no país --o que incluiria textos, blogs, documentários, vídeos e reportagens com pontos de vista diversos. Mas Torturra admite que algum tipo de controle será necessário.

"Vamos analisar se algo for muito agressivo, muito ofensivo ou muito fora do que a maioria acredita que é razoável --desde um material de má qualidade, mal apurado, até uma edição que não seja justa. Mas (a seleção do material) é (feita com base) na construção de um bom senso coletivo, não em uma chefia que vai aplicar um manual de redação."
 

Financiamento

A popularidade também aumentou os questionamentos sobre o financiamento das operações do grupo. A Mídia Ninja, de acordo com Torturra, conta somente com parte dos recursos da rede Fora do Eixo e com o investimento voluntário da sua própria equipe.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o produtor cultural Pablo Capilé, um dos fundadores do Fora do Eixo, afirmou que a rede é autogestionada --arrecada dinheiro através de eventos e atividades organizadas pelos coletivos e por editais ou licitações públicas. O dinheiro de editais, no entanto, seria equivaleria a entre 3% e 7% do caixa.
"Não é dinheiro de governo, nem dinheiro de partido. É política pública", defende Torturra. "Os recursos ajudam a financiar todas as atividades do Fora do Eixo nacionalmente, o que ajuda a Mídia Ninja a funcionar. Mas a Mídia Ninja nunca foi financiada por ninguém."

Recentemente, uma reportagem, do jornal O Globo afirmava que os "Ninjas querem verba oficial para sobreviver", e destacava posts em mídias sociais que circulavam fotos de Capilé com lideranças do PT. Capilé reconheceu ter colocado as fotos em seu perfil do Facebook, e disse ter outras fotos, com políticos de outros partidos.

Cartão de crédito

Como em eventuais relações políticas, a transparência também está presente no controle de recursos do grupo.

Quase toda a equipe da Mídia Ninja em São Paulo vive em uma casa que pertence ao Fora do Eixo, para multiplicar os recursos disponíveis. "Eles (as pessoas que moram na casa) têm a senha de um mesmo cartão (de crédito), mas esses gastos são controlados pelo Fora do Eixo. Isso pode ser usado para pagar a gasolina e a comida de pessoas que forem cobrir uma manifestação, mas não seria diferente se fossem produzir um show. Um orçamento específico da Mídia Ninja ainda não existe."

Na lógica de divisão comunitária dos recursos, nenhum dos ninjas recebe salário. Para planejar a operação com um orçamento próprio, eles esperam contar com a ajuda do público, com campanhas de financiamento coletivo pela internet. A primeira delas, que deve ser lançada nessa quarta-feira, deve arrecadar dinheiro para a compra de equipamentos para as equipes.

A depender da adesão à campanha, o grupo já pensa em uma proposta de assinatura mensal do site, mas com valores baixos e sem restrição de conteúdo. "É uma espécie de assinatura-apoio", explica Torturra.

Caso o plano dê certo --e caso os leitores manifestem com doações o mesmo apoio que mostraram nas ruas-- será possível pensar na remuneração dos colaboradores fixos, dizem os ninjas.