segunda-feira, 17 de março de 2014

La Vida És Un Carnaval


 

Celia Cruz


Todo aquél que piense
Que la vida es desigual
Tiene que saber que no es así
Que la vida es una hermosura
Hay que vivirla

Todo aquél que piense
Que está solo y que está mal
Tiene que saber que no es así
Que en la vida no hay nadie solo
Y siempre hay alguien

Ay, no hay que llorar,
Que la vida es un carnaval
Y es mas bello vivir cantando
Oh oh oh ay, no hay que llorar
Que la vida es un carnaval
Y las penas se van cantando

Ay, no hay que llorar,
Que la vida es un carnaval
Y es mas bello vivir cantando
Oh oh oh ay, no hay que llorar
Que la vida es un carnaval
Y las penas se van cantando

Todo aquél que piense
Que la vida siempre es cruel
Tiene que saber que no es así
Que tan solo hay momentos malos
Y todo pasa

Todo aquél que piense
Que esto nunca va a cambiar
Tiene que saber que no es así
Que al mal tiempo, buena cara
Y todo cambia

Ay, no hay que llorar,
Que la vida es un carnaval
Y es más bello vivir cantando
Oh oh oh ay, no hay que llorar
Que la vida es un carnaval
Y las penas se van cantando

Ay, no hay que llorar,
Que la vida es un carnaval
Y es más bello vivir cantando
Oh oh oh ay, no hay que llorar
Que la vida es un carnaval
Y las penas se van cantando

Para aquellos que se quejan tanto
Para aquellos que sólo critican
Para aquellos que usan las armas
Para aquellos que nos contaminen
Para aquellos que hacen la guerra
Para aquellos que viven pecando
Para aquellos que nos maltratan
Para aquellos que nos contagian
 
 

Uma desmontagem humanizada através de fotografias em Saúde Coletiva*

Carlos Alberto Severo Garcia Júnior1
Radilson Carlos Gomes2

INTERFACE -  COMUNICAÇÃO SAÚDE EDUCAÇÃO v.17, n.47, p.995-1002, out./dez. 2013
 


Figura 1. Agente Comunitário da Saúde, Cuiabá

Vida-família. Cozinha, ponta de alimento, porta de entrada.

Cozinha-família, entrada da vida. Domicílio, meio de vida,

meio da vida. Visita, todos entram. Visita domiciliar, aquela

em busca (se ativa). Tempo de conversas, barriga cheia e

calor. Tempo de silêncio, panela vazia e desânimo. A imagem

além de compor contrastes de luzes e momentos, apresenta

uma abertura para enxergarmos a partir de um lugar de

“dentro”, ao mesmo tempo, um lugar de “fora”, e perder-se

naquilo que não se vê. Tem-se a proteção de paredes entre a

vida pública e a vida privada. A saúde (ora pública) tenta

entrar na casa (ora privada) pela porta aberta. Vida e família,

bem público-privado, porta de entrada de tudo.

 

Figura 2. Casa de Saúde Indígena, Itacoatiara, Amazonas

“Dona de divinas tetas, derrama o leite bom na minha cara e

o leite mau na cara dos caretas”, diria Caetano Veloso na

música “Vaca Profana”. Leite, alimento sagrado e

acalentador. Seios e bustos, imagem divina da vida. Vida

fértil, vida pulsante. História revelada na transmissão e na

passagem do líquido. Hoje, mãe. Ontem, jovem. Amanhã,

senhora. Entre rios, sinuosas margens que revelam a mãe

natureza resguardada pela vida ainda humana. Um olhar

feminino. Mulheres, mães, meninas e avós de um povo que

carrega uma herança. Uma cultura com seus respeitos e seus

rituais. Entre redes, entre pontos, entre vidas. A

naturalização de vidas em redes. Num primeiro plano: olhos

abertos-acima, atentos ao fora. No segundo plano: olhos

fechados-abaixo, atentos ao cuidado (dentro).

 

 

Figura 3. Unidade Básica de Saúde, Parnaíba, Piauí

Uma mesa em distâncias. Entre histórias de distâncias e

distâncias de histórias, mulheres e crianças numa ciranda.

Uma família viva, uma passagem de tempo, em busca de

cuidado. Perguntas: quem quer atenção quer encontrar

solução? Quem escuta visa qual saída? Quem olha, diz o

quê? Com licença, doutora, entramos aqui para saber o

que temos, mas acho que só sabemos o que não temos.

 

Figura 4. Colônia de hanseníase, Colônia João Paulo II – Marituba, Pará

Tem fogo? Indagaria parado. Como se o caminho já não

revelasse nenhuma surpresa. Um caminho que há muito se

caminha sabendo para onde se vai. Já foram deixados pelo

percurso alguns restos de cinzas. Fogo? Claro! Prazeres e

paixões não se esvaem em si mesmas, elas conduzem

caminhos, avisam aos menos atentos. Sinais e alertas que

advertem, dizem de sua saúde. Caminhar parado e rodar em

rodas. No escuro, num corredor solitário, vive restos e fumaças.

Se já lhe amputaram as pernas, do que lhe servem, se o corpo

segue a andar?

 

Figura 5. Atendimento domiciliar, periferia de São Paulo, SP

Planos em três porções, divididos entre pequenos objetos

humanos. Conversas e condições. Mulheres postas a dialogar sobre

a vida, banalidade em forma de uma tela. Um emaranhado de

semicoisas entre a vida. Vale a pena ver de novo. Quem não vê

perde a chance de chegar, e quem chega é porque quis ver. Uma

visita abre o impulso de organizar a casa. O estranho que entra

sempre pode estranhar aquela casa. Como se tentássemos mostrar

um pouco daquele outro que não somos. Um visitante impõe um

reajuste. O relógio, a mobília, a bagunça habitual da vida passa a

ser um possível desconforto.

 

Figura 6. Ananindeua, Pará

Pressões e marcas, impressões de expressões. Pressões e

contrastes, menção de tensão. Se o olhar e o vento não

conseguem revelar um tempo ou, mesmo, um lugar, ao menos,

pode-se ter um instante já-mais (Garcia, 2013) o mesmo.

Instante já-mais o mesmo é incapacidade de prender, escolha

de extrair o medo e o fim. Entre medidas capazes de relevar a

normalidade, temos sujeitos comuns, vida legítima, base sólida

de um território. Medidas e médias. Normalização que varre

extremos que jamais se tocam. Minha amiga, como vai você?

Ainda que não nos conhecemos, mas sei quem é você. Você

entrou em minha casa e esqueceu-se de dizer seu nome. Pediu

uma xícara de açúcar, um pedaço de pão e nunca mais voltou.

Deixou de aparecer. Por favor, apareça minha amiga, e diga

quem realmente é você.

 

Colaboradores

Os autores trabalharam juntos na concepção desta publicação. Carlos Garcia Jr.

produziu o texto e Radilson Carlos Gomes fotografou as imagens.

 

Referências

GARCIA, S. Marginais. Rio de Janeiro: Multifoco, 2013.

KOSSOY, B. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. Cotia: Ateliê

Editorial, 2007.

 


domingo, 16 de março de 2014

"Infelizmente, o gari é muito mais visto e lembrado na sua ausência."

Para gari escritor, protestos de 2013 inspiraram greve

Carolina Mazzi
Do UOL, no Rio
 
 
Júlio César Guimarães/UOL
Haroldo César, 51, é gari há 29 anos no Rio de Janeiro e já escreveu três livros
Haroldo César, 51, é gari há 29 anos no Rio de Janeiro e já escreveu três livros
 
Haroldo César já dedicou mais de metade da sua vida à profissão de gari. Aos 51 anos, a ocupação, que já exerce há 29, não é apenas fonte do seu salário, mas também inspiração para as histórias e crônicas que conta em seus livros. Desde 2008, ele já lançou três obras, todas de forma independente.
Em entrevista exclusiva ao UOL, o carioca do Engenho da Rainha, bairro do subúrbio, comenta sua paixão pela escrita, que começou em um bar perto de casa, onde se reunia para compor sambas com amigos. E a importância da sua profissão, responsável por, segundo ele, "tudo" que conquistou.
"Infelizmente, o gari é muito mais visto e lembrado na sua ausência. Quando está tudo limpinho, ninguém percebe".
Para Haroldo, as manifestações de 2013 foram grande fonte de inspiração para os profissionais que organizaram a greve durante o Carnaval deste ano, quando a cidade ficou mergulhada em lixo depois que os garis se recusaram a trabalhar, reivindicando aumento salarial.
Compositor de samba, escritor e roteirista, Haroldo ainda tem planos de lançar uma peça de teatro e mais um livro em breve. E continuará como gari, contribuindo com a sua parte para a limpeza da cidade.
Leia a íntegra da entrevista:
UOL: Como surgiu a vontade de escrever um livro?
Haroldo César:
Foi uma coisa inesperada, apesar de eu ser um amante da arte e da cultura. A minha origem na arte, na verdade, é na composição de samba. Durante muito tempo tive uma birosquinha perto de casa, onde reunia os amigos para fazer samba. O nosso sonho, na época, era gravar um disco. Mas, assim que conseguimos dinheiro para fazer, houve uma dissidência e cada um seguiu o seu caminho. Eu, que não sou músico nem cantor, fiquei perdido. E aí, fiquei naquela, "e agora, faço o quê?".
Júlio César Guimarães/UOL
Capa de livro escrito pelo gari Haroldo César, 51, do Rio

Nesta mesma época minha mulher comprou um computador e comecei a escrever sobre as duas coisas que mais conheço: composição de samba e vida do gari. E aí fui escrevendo, escrevendo e, como não tinha mais aquele compromisso com o samba, consegui terminar o livro "Garimpando Composições" em 2008.
UOL: Além de "Garimpando Composições", você já lançou mais dois livros. Como você faz a publicação?
Haroldo:
Quando resolvi publicar os livros, tive que fazer uma produção independente mesmo, coloquei a mão no bolso e gastei. Aliás, gastei não, investi e fiz algumas tiragens. Aí, com o material em mãos, comecei a vender. Em 2012, lancei o "Vida de Gari, que são crônicas do dia a dia do gari, de histórias que ouvia dos colegas, ou histórias que criava eu mesmo sobre situações que poderiam acontecer na rotina de trabalho. Este livro foi muito importante para mim, porque me deu uma visibilidade maior. Dei muitas entrevistas para rádio, TV, matérias de jornal. Ele me deu uma projeção grande.
E no ano passado, lancei "Toda família sambista", que é sobre a vida entre uma comunidade e a escola de samba do lugar. As histórias são inspiradas naquilo que eu conheço, na minha base, também moro em comunidade com escola de samba, também sou escritor e compositor. As minhas histórias são ficcionais, mas contam histórias que eu conheço.
UOL: A sua profissão é uma fonte de inspiração para você. O que representa ser gari na sua vida?
Haroldo:
Ser gari para mim representa praticamente tudo. Eu vou fazer 30 anos na empresa, entrei na função direta de gari, trabalhei por dois anos. Depois fui para o escritório, aí fui fazendo outras coisas. Mas minha vida toda está ligada a esta base, que é o gari. Então, a minha vida toda fiz poesia, música para o gari. Esse universo da limpeza urbana, do gari, é tudo na minha vida, me acompanha desde sempre. O pouco que eu conquistei na vida hoje devo à profissão. Inclusive as histórias que me inspiraram a escrever meus livros e praticamente tudo na minha vida, inclusive na parte profissional, do salário, do sustento da minha família mesmo.
Júlio César Guimarães/UOL
Livro escrito pelo gari Haroldo César, 51, do Rio de Janeiro

UOL: Qual a postura da população em relação à limpeza urbana da cidade?
Haroldo:
É uma cidade que vive um contraste, de uma equipe de limpeza urbana, uma empresa muito eficiente e rápida, com uma população muito pouco consciente da importância de manter a cidade limpa. É uma contradição. O morador quer manter suas casas limpas, mas a rua, que é de todos, ele não se importa. É uma incoerência. Tem ruas secundárias no subúrbio, por exemplo, que as pessoas insistem em jogar entulho. E tem um projeto na Comlurb que recolhe o entulho de dentro da casa da pessoa de graça, que é o Remoção Gratuita. Mas só que tem algumas normas, como colocar o lixo em sacos pequenos, para que o gari possa levantá-lo e jogar no caminhão. Mas as pessoas não querem saber, querem se livrar do entulho que está dentro de casa de qualquer jeito. Aí, jogam para outra parte, que é também dele, que é a rua. Como está tudo sempre limpinho, eficiente, ninguém percebe o trabalho de gari. Aí, quando para um pouquinho, você rapidamente sente falta. Foi possível ver isso muito bem durante a greve.
UOL: O que achou da greve?
Haroldo:
Essa greve foi peculiar. Porque tiveram outros períodos em que ficamos recebendo só a inflação, um salário baixíssimo e nunca tinha acontecido esta força e adesão à greve. Acredito que as manifestações que aconteceram em 2013, que mobilizaram muitas pessoas no Rio e no Brasil, foram fonte de inspiração da greve. Essa rapaziada que fez mesmo a greve, que segurou, eles nem eram do sindicato, eles fizeram uma greve na marra, sem base legal, mas ainda assim conduziram a greve, conseguiram, e a gente tem que bater palma. Saíram vitoriosos. Não quer dizer que todo ano vai fazer isso, não é por aí, mas acho que, de uma forma ou de outra, eles conseguiram mostrar para o prefeito a importância do trabalho do gari. E temos que ter melhores salários mesmo.
UOL: Você cita os protestos de 2013 como fonte de inspiração para a greve. Qual a importância, em sua opinião, das manifestações populares?
Haroldo:
Acompanhei as manifestações do ano passado. Acho que toda a mobilização é válida e foram movimentos que também se mostraram vitoriosos. Os protestos mostraram a força que as pessoas têm quando estão todas juntas. Porque se a gente deixar, as autoridades fazem o que querem. Aumentam aqui, tiram dali, porque acreditam que ninguém vai notar, ligar, se manifestar. Mas quando as pessoas começam a se mobilizar, eles já começam a dar um passo atrás. O povo tem que acordar e quanto maiores e mais pacíficas forem, melhores. O ruim é o quebra quebra. E você viu que a passagem não aumentou e todo mundo sobreviveu, o governo, as empresas... Então, talvez, não tivesse necessidade daquele aumento. E acho que isso inspirou essa rapaziada que segurou a greve. Quando está todo mundo junto, não tem como.
UOL: Quais as maiores dificuldades da cidade atualmente?
Haroldo:
Como gari, para mim, o problema mais sério que tenho contato e está precisando de uma solução é a questão dos moradores de rua. Até para a questão da limpeza urbana mesmo da cidade. Muitas vezes há uma grande dificuldade, é preciso mover um aparato grande de viaturas, tempo, dinheiro para remover as pessoas de certas localidades e estas pessoas são encaminhados para o abrigo, mas logo saem e voltam para as ruas. Você está trabalhando com pessoas. Quando você trabalha com lixo, você vai lá, tira e não tem mais. Com as pessoas, não é assim. Nós precisamos achar a solução para inseri-los em uma vida social normalmente.

Gari Renato Sorriso declara apoio a colegas grevistas

UOL: E o preconceito com os garis, ainda existe?
Haroldo:
Sim, existe. O preconceito no caso contra o gari é justamente porque ele é visto como o homem da sujeira, quando, na verdade, ele é o homem da limpeza. E acho que um dos pontos que ajuda a combater o preconceito é justamente o salário. Porque o preconceito em cima do gari é muito pela associação com o subemprego, a pobreza. Antigamente o salário era mesmo muito ruim. Hoje em dia não. A gente ganha a mesma coisa que muitos outros profissionais. E isso mostra que é uma profissão mais valorizada. A motivação da minha geração para entrar na Comlurb já foi outra, de melhorar de vida, de subir dentro da empresa. O preconceito mudou, melhorou bastante. O perfil do gari e da Comlurb mudaram muito para melhor ao longo dos últimos 30 anos. Estou há 29 anos [na empresa] e vi muita coisa mudar. Mas o que não acontece é a gente não limpar. Jamais deixamos de limpar.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

 

Eu Sou Egoísta

Raul Seixas 

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de deus, do mal

Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede... implora...

Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei... sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz

O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber... sem tentar?

Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou antissocialista
Eu admito, você tá na pista
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta, eu sou,
Eu sou egoísta, eu sou,
Por que não...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Papa Francisco critica altos salários e pede maior divisão da riqueza

DA REUTERS, NO VATICANO

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/1384501-papa-francisco-critica-altos-salarios-e-pede-maior-divisao-da-riqueza.shtml

O papa Francisco criticou nesta quinta-feira os mega salários e grandes bônus, dizendo na primeira mensagem de paz de seu pontificado que são sintomas de uma economia baseada na ganância e desigualdade.
Em mensagem para o Dia Mundial da Paz da Igreja Católica, celebrado pela Igreja em todo o mundo em 1º de janeiro, o papa também pediu uma maior divisão de riquezas entre as pessoas e as nações para reduzir as diferenças entre ricos e pobres.
Evandro Inetti/Xinhua
Papa Francisco, na audiência semanal desta quarta (11); em mensagem de fim de ano, pontífice ataca salários milionários
Papa Francisco, na audiência semanal desta quarta (11); em mensagem de fim de ano, pontífice ataca salários milionários
"As graves crises financeiras e econômicas da atualidade levaram o homem a buscar a satisfação, felicidade e segurança no consumo e nos ganhos fora de qualquer proporção com os princípios de uma economia sólida", disse o pontífice.
"A sucessão de crises econômicas deve levar também a repensarmos os nossos modelos de desenvolvimento econômico e a uma mudança no estilo de vida", acrescentou.
Francisco, que foi nomeado na quarta-feira pela revista Time a Personalidade do Ano, pediu à própria Igreja que seja mais justa, frugal e menos pomposa, e que esteja mais perto dos pobres e sofredores.
A mensagem será enviada aos líderes dos países, organizações internacionais, como a ONU, e ONGs.
Intitulada "Fraternidade, a Fundação e Caminho para a Paz", a declaração também atacou a injustiça, o tráfico de seres humanos, o crime organizado e o tráfico de armas, todos apontados como obstáculos para a paz.
O estilo do novo papa é caracterizado pela humildade. Ele abriu mão do espaço apartamento papal no Palácio Apostólico do Vaticano a decidiu viver em uma pequena suíte em uma casa de hóspedes do Vaticano. Francisco também prefere andar num Ford Focus em vez da tradicional Mercedes utilizada pelos papas.


Um defensor dos oprimidos, ele visitou a ilha de Lampedusa, no sul da Itália, em julho, para prestar homenagem a centenas de imigrantes que morreram cruzando o mar do norte da África para a Europa.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Favela Chorou


RZO
Compositor: Sandrão / Celo X



[Como vou deixar você...]
Morô mala como deixar a favela, como deixa a familia,
como deixar um filho, como deixar a fé, como deixa a
caneta, como deixar o papel, como deixar um sonho,
como deixar a brisa, como deixar a vida, [Se eu te
amo.]


[Refrão]
O sonho de um lutador não desanimou. Mas favela
chorou, mas favela chorou.
''Cêis'' não acretida que tudo acontece assim.
(Mas favela chorou, mas favela chorou).
Favela chorou e isso nunca plantou.
(Mas favela chorou, mas favela chorou).
No rap honrou, saudades deixou.
(Mas favela chorou,mas favela chorou).

[Sandrão]
Aqui é a dor de um adepto do tio quem se apresenta,
Sabota a saudade dói no coraçao e aumenta.
Mas em todo bom lugar nos sentimos sua presença,
periferia sua cara sua lembrança e intensa.
Um mano hulmide, com atitude seu potêncial ia além,
que mostrou com intensidade que respeito é pra quem
tem.
Iluminoiu mentes confusas em várias partes da cidade,
so cultivava os amigos aos milhões sem falsidades.
Aqui a alta cúpula é assim, em sua memória, Rajjie
também está aqui, suas pikup's contam história.
Todos aqui sabem que sabota...é mano eterno e o amor
que tu plantou nego e fonte no deserto.
Seja no samba, no rap, no ragee todos tem saudades
gente escuta e em alto bom som e ainda vive isso é
verdade.
Vive em ondas sonoras pelo coraçao da gente, favela é
sabota que sempre vai estar presente.

[Sabotage]
(Aqui é Sabotage...Luta continua...Fiz o melhor que
pude...Sabotage... Onde que está, esteja, vai estar
protegido).


[Refrão]
O sonho de um lutador não desanimou. (Mas favela
chorou, mas favela chorou).
''Cêis'' não acretida que tudo acontece assim.
(Mas favela chorou, mas favela chorou).
Favela chorou e isso nunca plantou.
(Mas favela chorou, mas favela chorou).
No rap honrou, saudades deixou.
(Mas favela chorou,mas favela chorou).

[Celo X]
E dj Rajjie, sabota deixou saudades.
Suas rimas, suas levadas tipo revolucionou.
Quem ouviu tio, sentiu se emocionou, marcou ficou na
mente só ideia quente.
Rap é compromisso num é viagem, represente aí moleque
não se esquece guarde na mente, eternamente.
Salve salve brooklyn sul, salve salve canão, guerreiro
sabotage daquele jeito hulmidão.
não SE rendeu a grana, não SE empolgou com a fama,
valorizou até o final todos aqueles que o amam.
Não deixou por nada sua vida sua quebrada, Bem visto
pela RAPA, o espelho pra pivetada.CARA.
Em força triste, simples, hulmide, pelas vitórias
conquistadas mereçe um brinde.
Carismático com um trágico final, o corpo amorteceu o
espírito é imortal.
Dj Rajjie estamos no mundão só de passagem, num bom
lugar pode acretidar Sabotage.
Por aqui vários veneno passou, nunca desanimou, o
sonho de gravar realizou.
Fez vários amigos, fez seu próprio estilo, o talento
reconhecido, por todos aplautido.
Prêmio Hutuz 2002 guerreiro Sabotage, revelaçao do ano
melhor personalidade.
O neguin era problema, representou no cinema, no
carandiru, no invasor sempre valorizou.. é os espaços
que conquistou Celo X citou o tio representou.

[Refrão]
O sonho de um lutador não desanimou. (Mas favela
chorou, mas favela chorou).
''Cêis'' não acretida que tudo acontece assim.
(Mas favela chorou, mas favela chorou).
Favela chorou e isso nunca plantou.
(Mas favela chorou, mas favela chorou).
No rap honrou saudades deixou.
(Mas favela chorou,mas favela chorou).

[Sabotage]
Rap é compromisso, esse é meu hino que me mantém vivo

Meu mano sabotage, saudade me persegue.

Rap e compromisso esse é meu hino que me mantém vivo
.

Bem que deu saudade, esse nome.

Rap é compromisso, esse é meu hino que me mantém vivo

Tô aqui sabotage.

Rap é compromisso, esse é meu hino que me mantém
vivo.

Favela do canão,[BROOKLYN] Sabotage.

Rap é compromisso, esse é meu hino que me mantém vivo

Essa é a sigla...AEE

Rap é compromisso, esse é meu hino que me mantém vivo

Uanderson, thamires, larrisa, meus meus filhos.

Rap é compromisso, esse é meu hino que me mantém vivo

No brooklin tô sempre ali, pois vou seguir com Deus em
fim.

Rap é compromisso, esse é meu hino que me mantém vivo

Essa eu fiz por você ladrao

Leblon: Elite escravocrata prega a educação, mas sem abrir mão dos juros

http://www.viomundo.com.br/denuncias/saul-leblon-elite-escravocrata-prega-a-educacao-mas-sem-abrir-mao-dos-juros.html

A escola pode muito. Mas é questionável que vá salvar a pátria, dizia Antonio Candido ao PT, em 2002
A escola resolve o nosso apartheid?
por Saul Leblon, em Carta Maior
Quem vai salvar a pátria?
Um traço constitutivo da agenda conservadora consiste em festejar  as derrotas da sociedade brasileira abstraindo  a dimensão estrutural do problema.
Ou seja, omitindo sua responsabilidade.
Espremido o foco, o resto fica  fácil.
Cria-se uma circularidade; ela confina o debate do futuro no campo da moral.
E a moral, como se sabe, é o  apanágio da classe dominante.
Entre nós esse reducionismo determina que o faminto é culpado pela fome.
O Estado, carcomido pelo cupim privatista, é o responsável pela indigência pública.
O lado ‘gobineau’ das  elites –em que a genética define a história–  tem na educação um compêndio ilustrativo de sua versatilidade e dos seus limites.
Manchetes desta semana esponjaram-se no desempenho sofrível dos estudantes brasileiros no Pisa, edição 2012.
O  Programa de Avaliação Internacional de Estudantes da OCDE  sabatina alunos de 15 e 16 anos em matemática, leitura e ciências.
A mensagem subliminar do jornalismo conservador era:  esse, o país dirigido pelo populismo!
Das 65 nações  incluídas no teste, o Brasil foi a que apresentou a melhor progressão no aprendizado de matemática nos últimos nove anos.
O fato de persistir no 58º  lugar depois disso (em ciências figura no 59º; em leitura, no 55º, num total de 65)  é sugestivo do ponto de partida pantanoso  sobre o qual a elite ‘esclarecida’ fixou a escola pública brasileira.
O mais irônico é que a narrativa conservadora  define  a educação como o único canal legítimo de mobilidade  das massas no país.
Por trás desse simulacro de meritocracia esconde-se o círculo de ferro de uma das piores estruturas de distribuição de renda do planeta, que se avoca o direito à  eternidade.
Endinheirados  que se orgulham de patrocinar  ONGs pela redenção educativa, garantem: será assim, através da escola, não  da reforma agrária, a tributária ou a urbana, tampouco através do salário mínimo ‘inflacionário’, que a miséria material e espiritual perderá seu reinado neste lugar.
A escola pode muito.
Acertou em cheio o governo ao impor uma regulação soberana sobre a riqueza do pré-sal, que  permitirá transferir múltiplos de bilhões de reais à politica educacional nos próximos anos.
Mas é questionável que a escola possa tudo o que lhe atribui  a emancipação a frio apregoada pela agenda conservadora.
Ser uma ilha de excelência, capaz de abrigar e exorcizar o oceano de iniquidades ao seu redor, parece  mais um enredo de aventura nas estrelas do que o horizonte histórico de uma nação.
Os analistas do Pisa  parecem corroborar essa avaliação.
Eles afirmam que a metade do ganho brasileiro em matemática, por exemplo, foi uma decorrência de mudanças no entorno social dos alunos.
Uma parte do noticiário conservador  interpretou esse dado de forma desairosa, como se fora um atestado de fracasso do MEC. Outra,  omitiu-o.
Compreende-se.
Investigá-lo talvez levasse à conclusão de que as políticas demonizadas pela mídia – como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo, crédito barato, subsídio à habitação popular etc–  ajudaram o estudante brasileiro a ter maior poder de aprendizado.
Um exemplo:  estudantes do ensino médio beneficiados pelo Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste têm rendimento melhor do que a média nacional  (82,3% e 82,7%, contra  taxa brasileira de 75,2%).
Outro:  pesquisa feita na Universidade de Sussex, na Inglaterra, em 2012, revela que quanto maior é o tempo de  participação das famílias no Bolsa Família, maior é o aproveitamento escolar das crianças.  Segundo a pesquisa, a taxa de aprovação dos alunos do 5º ano aumenta 0,6 ponto percentual para cada R$ 1 de aumento no valor médio do benefício per capita pago às famílias.
A influência da entorno social na escolarização não é privilégio de sociedade pobre.
Tome-se o caso dos EUA.
O país  retrocedeu cerca de 20 pontos  na classificação global do Pisa- 2012.
Em 2009  ocupava a 17ª posição; caiu agora para a 36ª, abaixo da média geral em ciências e matemática.
O que mudou nos EUA entre 2009 e 2012?
A sociedade norte-americana mergulhou na sua maior crise desde a Depressão de 1929.
Uma em cada cinco crianças norte-americanas vive atualmente em ambiente de pobreza. A renda  média das famílias  com filhos recuou cerca de US$ 6.300 (tomando-se 2001 como base de comparação). Com a implosão da bolha imobiliária, um milhão de estudantes de escolas públicas viram suas famílias serem despejadas .  As taxas de desemprego aberto e oculto hoje superam a faixa dos 13%. O grau de recuperação do mercado de trabalho na presente crise é o mais lento de todas as recessões anteriores.
A sobrevalorização do papel da escola na agenda conservadora brasileira padece de outros flancos de coerência.
Há uma distância robusta entre o que se fala e o que se pratica quando se mede o hiato em moeda sonante.
O piso salarial do magistério brasileiro hoje, R$ 1560,00,  é um dos mais baixos do mundo. A perspectiva de corrigi-lo para modestos R$ 1.860 reais  em 2014  dispara as sirenes de alerta do jornalismo que promete mostrar o abismo fiscal na próxima edição.
Segundo o Pisa, o Brasil investe três vezes menos  que a média da OCDE para educar uma criança dos 6 aos 15 anos (R$ 64 mil e R$ 200 mil, respectivamente).
Em termos de PIB, fica com uma fatia equivalente a 5%.
O pedaço destinado aos rentistas da dívida pública é maior: 5,7% do PIB.
O mesmo jogral que atribui à educação poderes sobrenaturais,  martela a necessidade de submeter a economia a uma ação purgativa contundente feita de juros mais altos e cortes no poder de compra da população (em especial, a depreciação real do salário mínimo).
O conjunto visa, no fundo,  preservar  a regressividade fiscal brasileira, que privilegia ricos e penaliza pobres e remediados, contra eventuais reformas progressistas.
Nos salões elegantes, os candidatos a candidato do dinheiro grosso em 2014    acenam com a miragem desse país impossível: um Brasil com produtividade chinesa, civilidade suíça, superávit ‘cheio’ e carga fiscal equiparável a de Burkina Faso, onde o índice de alfabetização não ameaça a barreira dos 25%.
Não é apenas o entorno social do aluno pobre que está ameaçado por esse coquetel ; na verdade, ele rasga a própria  fantasia da prioridade educacional,  reduzindo-a a sua verdadeira essência histórica: uma agenda protelatória.
Ou seja, um deslocamento espacial e temporal do conflito distributivo, confinado em uma escola e em um aluno, aos quais caberá a exclusiva responsabilidade de erguer a sociedade  pelos próprios cabelos.
Ou não será assim também com a saúde pública, desafiada a ‘fazer mais com menos’, –com menos ainda  depois  que a coalizão demotucana  subtraiu R$ 40 bilhões por ano do SUS em 2007?
Um comparativo da OMS mostra o quanto há de perversidade na fotografia que imortalizou esse ato cometido na madrugada de 13 de dezembro de 2007. A imagem mostra a nata do retrocesso político comemorando a extinção da CPMF em alegria obscena. A indecência se  panfletada nas filas do SUS  ainda guarda nitroglicerina para sublevar o país.
Segundo a OMS, o gasto público mundial per capita com a saúde  chegou a US$ 571 por ano em 2010. Inclua-se nessa média os US$ 6 mil per capita da Noruega e os US$ 4 per capita do Congo; o valor brasileiro é de US$ 466/ano; em 2000, no governo FHC, somava US$ 107 per capita.
Os mesmos que gargalhavam na madrugada de 13 de dezembro de 2007 fuzilariam o ‘Mais Médicos’ seis anos depois. E não por acaso são as mesmas bocas de onde ecoa a cínica profissão de fé em uma escola  capaz de corrigir aquilo que suas madrugadas políticas cuidam de perpetuar.
Os resultados do Pisa deveriam servir de combustível para um aggiornamento do debate brasileiro  que de forma preguiçosa adotou o cacoete de terceirizar à educação tarefas que só uma repactuação do desenvolvimento pode honrar.
Na ante-sala do debate eleitoral de 2014  seria oportuno, por vezes,  inverter os termos da equação. E arguir o que o projeto mercadista pretende fazer em benefício da pobreza e da desigualdade hoje para que elas possam mudar a escola pública  amanhã.
Vale retornar às origens e reler um trecho inspirador de uma entrevista concedida pelo professor, crítico literário e cientista social Antonio Candido de Mello e Souza, à campanha de Lula, em 2002, sobre o assunto.
Como ele, as palavras aqui emitem uma luminosidade clássica:
“Temos  uma crise de civilização (…) Talvez seja um mal que deriva de um bem.
O esforço para tornar os níveis de ensino acessíveis a todos força diminuir o nível. Então, você fica num dilema perverso: elitizo ou democratizo e abdico de qualidade?  A saída está numa sociedade igualitária, onde todos tenham acesso à cultura e à educação de qualidade. Foi o que eu vi em Cuba. Instrução pública e gratuita em todos os níveis. E de muito boa qualidade. A chave é a transformação da sociedade, na qual as pessoas se apresentam para a educação em pé de igualdade.
Quem acha que um bom sistema educacional salva a pátria está redondamente enganado. A participação nesse sistema será sempre restrita. Por isso você tem que, primeiro, fazer mudanças estruturais; depois, terá um boa educação. Os liberais pensam: eu tendo uma população instruída, terei uma sociedade melhor.
Errado. Tendo a sociedade melhor, terei uma população instruída. Só assim você supera essa contradição aparente entre elitização e democratização. Continuo achando que a forma republicana do ensino público e gratuito é o grande modelo
(…)  Numa sociedade em que as diferenças de classes ficam muito reduzidas, haverá um desaparecimento da cultura erudita e da popular. E surgirá uma nova cultura. Isso é possível. A função do Estado é fazer um grande esforço econômico e social para que no plano cultural o hiato diminua. De tal maneira que, no fim de certo tempo, o popular se torna erudito e o erudito se torna popular.
(…) Sempre tivemos uma República de elite. Um presidente da República era eleito com 200 mil votos – e votos descobertos. Em 1930, eu assisti na minha cidade, em Cássia, Minas Gerais, à última eleição a descoberto. O eleitor chegava e o coronel, ao lado, fiscalizando. Depois de Getúlio, com a emergência das massas operárias, das massas urbanas, não foi mais possível manter esse estreitamento. O Getúlio era um caudilho esperto. Para manter as elites sob controle, abriu as porteiras e deixou o povo entrar, mas patrocinado por ele. Todavia, abriu a porteira.  E ela está aberta até hoje” (Antonio Candido; site da Campanha Lula Presidente; 2002)