domingo, 13 de setembro de 2015


Pochmann vê risco de retrocesso 
na redução da desigualdade no país

Professor do Instituto de Economia lança livro que, sob uma perspectiva 
histórica, reúne dados sobre as diferenças de renda e riqueza entre os brasileiros


O economista e professor Marcio Pochmann: “Entendemos que há, neste ano de 2015, um fato novo, que é um ponto de inflexão na trajetória de redução da desigualdade”O economista, pesquisador e docente do Instituto de Economia (IE) da Unicamp Marcio Pochmann, ex-presidente do Ipea, vê em 2015 um risco de retrocesso na trajetória de redução da desigualdade que o Brasil traçou na primeira década do século 21. “Neste ano temos um fato novo, que é um ponto de inflexão na trajetória, que vem dos anos 2000, em relação à questão da desigualdade”, disse ele. “Nós possivelmente deveremos ter um retrocesso. Já estamos observando um aumento do desemprego e uma queda na massa de salários, diante inclusive dos lucros apresentados pelos bancos: deveremos ter talvez quase 10% do PIB transferido para o sistema bancário em função das altas taxas de juros. Esse quadro põe um ponto de interrogação numa trajetória de redução da desigualdade”.
Pochmann falou com o Jornal da Unicamp no lançamento de seu livro Desigualdade Econômica no Brasil, que reúne dados sobre as diferenças de renda e riqueza entre os brasileiros, as classes sociais, municípios e regiões do Brasil, incluindo-os numa perspectiva histórica. “Em primeiro lugar, é preciso entender que a desigualdade que temos hoje tem a ver com o passado. Um passado que se forjou a partir de um processo de exclusão gerado pela escravidão”, lembrou. 
“É uma desigualdade que tem passado, mas também tem presente, e que resulta, por exemplo, nas ineficiências do Estado brasileiro, da fortaleza do Estado em tributar os pobres e não tributar os ricos: essa é uma questão que resulta das opções que o Brasil tem feito”, afirmou. “Mas eu diria que, pelas experiências recentes que tivemos, que o Brasil pode acelerar o passo e avançar mais rapidamente para construir uma sociedade menos desigual do que a que temos atualmente”.
Leia, abaixo, os principais pontos da entrevista de Pochmann:

Jornal da Unicamp – Desigualdade é algo necessariamente ruim? É fácil compreender que a pobreza extrema e a miséria devem ser combatidas, mas por que enfocar a desigualdade?
Marcio Pochmann – Existe uma confusão, que muitas vezes acontece, entre desigualdade e diversidade. Diversidade, eu diria que, num país como o nosso, é um dos principais ativos que temos: uma riqueza que, no século 19, até no século 20, era vista como uma das razões do nosso atraso, por exemplo no caso da mistura de raças, essa diversidade que o Brasil gerou e que é conhecida no mundo todo. Então eu diria que a diversidade é um elemento positivo. 
Agora, quando se fala em desigualdade, pode-se medir a desigualdade de oportunidades, a desigualdade de resultados. Por exemplo, nós somos um país que se tornou república em 1889, e levou praticamente 100 anos para oferecer igualdade de acesso à educação básica. Nós não universalizamos a educação, sendo que a base da República, em qualquer país, é a universalização do acesso à educação. 
E, se hoje temos um acesso universalizado, a qualidade da educação ainda é uma coisa dramática. A educação, dessa forma, reproduz a desigualdade. É como se nós estivéssemos numa corrida de Fórmula 1. Há uma diversidade de marcas, de carros, de pilotos. O ambiente é diverso, mas não há desigualdade no que diz respeito ao patamar mínimo de competição. Agora, a desigualdade é como se tivéssemos uma corrida de Fórmula 1 na qual um corre com carro de corrida, um corre de bicicleta e o outro, de patinete.  Então, evidentemente, essa desigualdade não vai gerar resultados satisfatórios, adequados.
JU – Seu livro faz um levantamento histórico da questão.
Marcio Pochmann – O trabalho trata de um tema que é caro aqui no Instituto de Economia, explorando as diversas interfaces em que a desigualdade se manifesta no Brasil. Apresentamos uma discussão um pouco teórica, entendendo que a desigualdade é um elemento que funda e que se desenvolve no próprio capitalismo, seja ele qual for. 
No Brasil, tivemos uma situação extrema, porque praticamente até os anos 90, sobre os quais há dados que podemos comparar, tínhamos uma desigualdade que nos colocava entre os três países mais desiguais do mundo: uma desigualdade extrema, do ponto de vista econômico, do ponto de vista da renda. Nosso enfoque, no livro, é mais econômico, mas procuramos olhar também a questão da desigualdade no mundo, e como o Brasil se coloca.
Vemos a desigualdade que se verifica entre as classes: hoje, estamos caminhando para um mundo em que apenas 1% da população terá mais riqueza que 99% da população. Então, um mundo também muito desigual.
Depois, fazemos uma reflexão a respeito da desigualdade no Brasil, do ponto de vista das regiões, do território. Por exemplo, a desigualdade que há entre as nossas cidades, os nossos Estados, uma desigualdade que se manifesta do ponto de vista das classes sociais, aqueles que têm propriedade – propriedade da terra, propriedade de títulos financeiros – e a desigualdade entre os indivíduos, entre cor, raça, desigualdade de gênero. O livro na verdade oferece ao leitor uma série sistemática de informações quantitativas, empíricas, uma interpretação teórica e também experiências de outros países que enfrentaram com êxito a desigualdade, o que não é o nosso caso.
JU – Mas o país não fez progressos nos últimos anos?
Marcio Pochmann – Sim. Nós iniciamos o século 21 combinando crescimento econômico, a presença da democracia e de políticas públicas. Isso nos permitiu, comparativamente aos últimos 50 anos, oferecer resultados significativos na década de 2000. Que foi uma década em que a desigualdade aumentou no mundo, mas em que o Brasil, de forma inversa, conseguiu reduzir, pelo menos, a desigualdade na renda do trabalho. Nós, que éramos o terceiro país mais desigual do mundo, hoje somos o décimo-sexto. Houve uma redução, mas obviamente estamos muito longe, porque somos a sétima economia do mundo. Então, há muito o que fazer.
E entendemos que há, neste ano de 2015, um fato novo, que é um ponto de inflexão na trajetória de redução da desigualdade. Possivelmente teremos um retrocesso. Já estamos observando um aumento do desemprego e uma queda na massa de salários, diante inclusive dos lucros apresentados pelos bancos: deveremos ter talvez quase 10% do PIB transferido para o sistema bancário, em função das altas taxas de juros. Esse quadro põe um ponto de interrogação numa trajetória de redução da desigualdade.
JU – A escola de economia da Unicamp foi muito criticada, por conta da percepção de sua influência nas políticas econômicas do primeiro mandato de Dilma Rousseff, que desembocaram na situação atual...
Marcio Pochmann – Eu diria que há no Brasil, historicamente, uma tensão muito grande quanto à perspectiva do desenvolvimento econômico, entre o desenvolvimentismo e o que hoje é chamado de neoliberalismo. Há uma tensão entre os desenvolvimentistas e a escola que vê basicamente o desenvolvimento como produto do mercado, das forças do mercado. 
A Unicamp, a escola aqui de Campinas, de certa maneira encarna uma trajetória do pensamento desenvolvimentista que vem desde a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), do pensamento latino-americano. Existem outras escolas também na mesma perspectiva, mas a Unicamp, de certa maneira, caracteriza-se muito mais por trabalhar a perspectiva do desenvolvimento, e esse que já é um debate histórico entre liberais, neoliberais e desenvolvimentistas terminou, de certa maneira, identificado com a Unicamp. Eu não vejo isso necessariamente como um mal, já que marca a importância da escola de Campinas como referência nacional e internacional. 
Infelizmente, porém, estamos vivendo um momento de cólera, de ódio, que muitas vezes aquilo que é o nosso campo, que é o debate de ideias, acaba sendo ultrapassado por visões que a gente só pode lamentar, porque na verdade não são frutíferas.
A questão mais geral da disputa gira em torno do papel do Estado. Porque temos uma crença de que o capitalismo não se desenvolve, e nem resolve suas crises, que são inerentes, de modo próprio: ele pressupõe a ação do Estado.
Então essa é a grande diferença, porque há a crença, renovada em torno do neoliberalismo, que não cabe ao Estado qualquer ação porque, quanto mais houver liberdade da competição, mais ela, por si só, gera o desenvolvimento. Como se o desenvolvimento fosse algo espontâneo, autônomo. Nós não partimos desse pressuposto – acreditamos que o capitalismo, deixado livre à sua própria dimensão, produz mais crises. 
“Nós somos um país que se tornou república em 1889, e levou praticamente 100 anos para oferecer igualdade de acesso à educação básica”
“Estamos vivendo um momento de cólera, de ódio, que muitas vezes aquilo que é o nosso campo, que é o debate de ideias, acaba sendo ultrapassado por visões que a gente só pode lamentar”
“A gente aprende e ensina, aqui na escola, que não se faz ajuste fiscal numa economia que está em recessão, porque você corta gastos, isso reduz a atividade econômica e arrecada-se menos na sequência”
JU – O desempenho econômico do governo vem sendo usado como argumento contra o desenvolvimentismo.
Marcio Pochmann – É esquisito, porque a mesma tensão se dá em relação a uma das referências brasileiras para nós, o Celso Furtado. Críticas que se faziam ao governo do João Goulart, como sendo as razões dos problemas que então ocorriam, atacavam a perspectiva desenvolvimentista, e mesmo a pessoa do Celso Furtado. 
Quando ao governo da presidenta Dilma, a Unicamp participou dele, mas não em postos-chave. Não tivemos nenhum representante no Ministério da Fazenda. Temos ainda no governo o Luciano Coutinho [professor-titular do Instituto de Economia da Unicamp], que tem um posto importante, a presidência do BNDES, mas que não é o centro da condução da política econômica.
Por outro lado, a presidenta Dilma foi estudante aqui, o que é para nós motivo de orgulho.  José Serra, hoje senador, foi professor aqui do Instituto de Economia. Tivemos Paulo Renato, infelizmente falecido, que foi ministro da Educação. Temos o ministro Mercadante, hoje na Casa Civil. Então, a escola de Campinas tem produzido quadros que ajudam na condução da República.
JU – Qual sua avaliação do momento econômico atual?
Marcio Pochmann – Bem, entendemos que o Brasil não tinha esse problema fiscal como foi aventado em 2014, que de certa maneira acabou sendo a referência para que a presidenta Dilma viesse a tomar as medidas que tomou. Entendemos que, de fato, o ano de 2014 foi um ano que apresentou problemas fiscais, mas é preciso entender o porquê desses problemas.
 De um lado, a situação das contas públicas tem a ver com crescimento econômico. Se você tem crescimento econômico, tem mais arrecadação e melhora a situação fiscal de qualquer governo. Quando não há crescimento, você obviamente arrecada menos, como foi o caso em 2014. 
Ao mesmo tempo, em 2014 nós também tivemos o resultado da opção pelas chamadas políticas anticíclicas, uma série de desonerações, mais de R$ 100 bilhões deixaram de ser arrecadados para os cofres públicos, em função dessas desonerações. 
De modo que o problema fiscal tem a ver com essas questões. A gente aprende e ensina, aqui na escola, que não se faz ajuste fiscal numa economia que está em recessão, porque você corta gastos, isso reduz a atividade econômica e arrecada-se menos na sequência. Vira um ajuste fiscal quase permanente. O enfrentamento da questão fiscal passa pelo crescimento, não pela recessão.
JU – É possível reduzir a desigualdade sem causar conflitos na sociedade?
Marcio Pochmann – A melhor forma de distribuir é crescendo, porque quanto mais se cresce, mais fácil é distribuir. À medida que o crescimento é pequeno, para melhorar a condição de uns é preciso avançar sobre a participação na renda de outros. É aí que surge o conflito. E esse conflito ficou mais evidente, no nosso modo de ver, no governo da presidenta Dilma, porque a expansão econômica no seu primeiro governo, e aparentemente no início deste segundo, é muito menor do que fora no governo do presidente Lula. 
Mas à medida que o Brasil crescer mais, haverá mais possibilidades de distribuir renda. As décadas de 60 e 70 foram períodos em que o Brasil cresceu muito mais do que na década de 2000, mas não tinha democracia, não tinha política pública para distribuir, então formamos um país muito desigual. Nos anos 80 e 90, o Brasil voltou a ter democracia, mas não cresceu, então não tinha o que distribuir, a despeito dos avanços da Constituição de 1988. Nos anos 2000, a gente combinou os três: cresceu, com democracia e políticas públicas. Esta segunda década do século está em dúvida. Se não houver crescimento, dificilmente teremos condições de distribuir.
JU – Mas o Brasil não é muito dependente do cenário internacional?
Marcio Pochmann – Claro que o cenário internacional compromete. Agora, estamos na América Latina, e segundo a Cepal somente dois países não vão crescer: Venezuela e Brasil. Os demais vão crescer. Não tanto quanto gostariam, mas vão. Então, nós sofremos o regime de baixo dinamismo no mundo, mas temos as nossas questões a serem resolvidas internamente. 
JU – Quais os entraves?
Marcio Pochmann – A meu modo de ver, o principal é de natureza política. Não temos uma maioria política voltada para o crescimento e para a distribuição da renda. Somos hoje um país com 86% de sua população vivendo nas cidades, ou seja, a pauta da sociedade é numa pauta urbana. Mas o congresso que emergiu das eleições de 2014 fez com que a maior bancada fosse a dos ruralistas. Há um descompasso entre o que a sociedade precisa e demanda e os representantes que são os responsáveis principais por organizar a política pública no país.  
 
Capa do livro Desigualdade economica no Brasil
Serviço

Título: “Desigualdade Econômica no Brasil”
 
Autor: Marcio Pochmann
 
Páginas: 168
 
Editora: Ideias e Letras
 
Preço: R$ 35,00







http://www.unicamp.br/unicamp/ju/635/pochmann-ve-risco-de-retrocesso-na-reducao-da-desigualdade-no-pais

Muito longe da universalização

Pesquisa desenvolvida no Instituto de Economia aponta os maiores desafios do SUS

Mais de 26 anos após a sua criação, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda enfrenta grandes desafios para cumprir os princípios de universalidade, integralidade e equidade de acesso aos serviços de saúde para todos os brasileiros, formalmente estabelecidos na Constituição de 1988. O principal desafio para isso está na incompatibilidade do SUS com o contexto político e econômico vigente a partir dos anos 1990, quando o país aderiu à doutrina neoliberal. A conclusão é da economista Ana Paula Andreotti Pegoraro, na dissertação de mestrado “Estado e mercado na atenção à saúde no Brasil: os desafios da universalização do SUS”, orientada pelo professor Eduardo Fagnani e apresentada no Instituto de Economia (IE) da Unicamp.
“O Brasil continua sendo pautado por um tripé macroeconômico introduzido em 1999, após negociação do governo de Fernando Henrique Cardoso com o Fundo Monetário Internacional: o cumprimento de metas de inflação (tendo como instrumento a alta taxa de juros), o câmbio flutuante e o superávit primário (priorização do pagamento de juros da dívida pública em detrimento das contas correntes em saúde, educação, previdência, etc.). Isso é incompatível com o desenvolvimento social e, especialmente, com o SUS concebido para atender 200 milhões de pessoas. Os recursos para o sistema são parcos (e dificilmente virão mais), quando seriam necessários gastos muito maiores do que os efetivados”, afirma a autora da dissertação.
A economista Ana Paula Andreotti Pegoraro, autora da dissertação: “O Brasil continua sendo pautado por um tripé macroeconômico introduzido em 1999, após negociação do governo de FHC com o FMI”
Em sua pesquisa, Ana Pegoraro procurou delinear as relações entre os setores público e privado na assistência à saúde no Brasil em dois períodos distintos: o primeiro contempla os determinantes históricos do sistema de saúde do início do século XX até 1988; e o segundo abarca o pós-1990, quando o país faz a opção pelo neoliberalismo. “Desde os primórdios de sua formação, sempre predominou no sistema brasileiro um forte segmento empresarial operando a saúde em seus diversos componentes, o que responde em parte pelas deficiências estruturais do Estado. Este processo foi intensificado a partir da década de 1940, quando os Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP) passaram a contratar o setor privado para dar assistência médica aos seus filiados.”

A economista afirma que na ditadura militar este modelo foi ampliado à exaustão, tanto que quando o SUS foi criado em 1988, a grande maioria da oferta de serviços de saúde era pelo setor privado. “Na lei, o SUS é público; mas na prática, a oferta era privada. A mercantilização da saúde passou a ser motivo de grande disputa tanto no Parlamento quando no Executivo, e o SUS foi atropelado por este processo histórico de privatização reforçado pela hegemonia da agenda neoliberal. Este é o pano de fundo para se compreender os problemas atuais vividos pelo SUS, passados 26 anos da sua consagração formal pela Carta de 88.”
HISTÓRICO
Na economia cafeeira, conforme a autora da pesquisa, as preocupações dos governos no que concerne à saúde da população se limitavam à criação de condições sanitárias mínimas para as relações comerciais com o exterior e, também, para o êxito da política de imigração que pretendia atrair mão de obra visando à constituição do mercado de trabalho capitalista. “As instituições sanitárias priorizavam os grandes centros urbanos e os portos, enquanto os cuidados com a saúde da população de municípios do interior e de menor importância econômica eram bem rudimentares. Não se tratava de melhorar as condições de vida da população, e sim de defender os interesses pré-capitalistas através da acumulação cafeeira.”
A dissertação traz um histórico da previdência social desde as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), criadas em 1923 e organizadas por empresas e empregados de cada setor produtivo – marítimos, comerciários, bancários, ferroviários, transportes e cargas, servidores públicos. Já aos demais trabalhadores não filiados a tais entidades, restavam os serviços públicos ou outras formas de assistência médica, que eram precárias, restritas e muitas vezes provindas de doações. “As CAPs operavam em regime de capitalização e eram muito desiguais, pois quanto mais forte o setor, como dos bancários, maior era o poder de barganha com os patrões.”
Ana Pegoraro conta que, em 1930, Vargas promoveu uma reestruturação do sistema, substituindo as CAPs pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs), na condição de autarquias em nível nacional centralizadas pelo governo federal; ou seja, decidiu-se que o Estado responderia a esta questão social de forma universal, ao invés de tratá-la de forma parcial e pontual. “A filiação passou a se dar por categorias profissionais e não mais por empresas. Os IAPs respondiam tanto por serviços de previdência (afastamento ou aposentadoria) como pelos serviços de saúde, bancados por recursos públicos, dos empresários e dos trabalhadores.”
Segundo a pesquisadora, a nova dinâmica de acumulação subordinada ao capital industrial fez surgir outras necessidades e aumentar a pressão pela ampliação e criação de políticas sociais. “A política nacional de saúde estava organizada em dois subsetores: de saúde pública, prestada por instituições estatais para toda a população; e de medicina previdenciária, com serviços oferecidos de forma restrita a alguns trabalhadores urbanos. Havia uma significativa diferença na forma de financiamento: as instituições públicas contavam com escassos recursos orçamentários, enquanto as instituições previdenciárias eram financiadas por contribuições dos trabalhadores, impulsionadas com o desenvolvimento econômico e o crescimento da massa salarial.”
A economista acrescenta que o setor de atenção médica no Brasil, à semelhança do que ocorre em outros países, cresce aceleradamente em importância econômica, mobilizando um volume cada vez maior de recursos e permitindo maior acumulação de capital em seu interior. “Este modelo de organização institucional, calcado na segmentação e na discrepante diferença de financiamento, beneficiou o financiamento do setor privado através da canalização de recursos da saúde previdenciária para a construção e expansão de hospitais privados. Nesse sentido, criou mecanismos para que o setor privado ganhasse força e se estruturasse de forma a ter capacidade de defender seus interesses em possíveis tentativas de reestruturação do sistema público.”
TENSÃO PREVALECE
Ana Pegoraro destaca em seu estudo que a saúde ainda não podia ser considerada um negócio em 1964, mas a clara divisão entre medicina curativa e medicina preventiva, e as abordagens distintas para distintos segmentos da incipiente classe trabalhadora brasileira, deram os primeiros sinais do grande mercado que se tornaria a saúde no Brasil. “Durante a ditadura militar, de 64 a 85, temos um período de modernização conservadora, com uma expansão dos bens públicos ofertados pelo setor privado. Uma modernização, porém, assimétrica em termos regionais, concentrada na região sudeste, que privilegiava a medicalização em detrimento da prevenção. Além disso, não era universal: para ser atendido no sistema ainda era preciso apresentar a carteira de trabalho.” 
A pesquisadora destaca, por outro lado, a existência de diversos serviços públicos de atenção à saúde, como Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Butantan e escolas, hospitais e centros de saúde que asseguraram uma das bases para o projeto de um sistema nacional de saúde no Brasil. “Nesse aspecto, a construção do Sistema Único de Saúde (SUS), inspirado nos valores do sistema de proteção social (Welfare State) formado na Europa do pós-Guerra, veio se opor ao modelo médico assistencial privatista hegemônico durante a ditadura militar. A lógica do seguro, em que se paga para ser assegurado, prevaleceu até a Constituição de 88, quando então se implantou o conceito de seguridade, em que basta ser cidadão brasileiro para ter acesso ao sistema de saúde.”
A autora da pesquisa afirma que a globalização dos anos 80 e a adesão do país ao neoliberalismo nos 90 tiveram como consequências a desestruturação dos pilares do Estado brasileiro e a fragilização dos seus instrumentos de atuação, dificultando manter e garantir os direitos de acesso a bens e serviços de saúde. “A agenda liberal e conservadora, com destaque para as diretrizes e orientações políticas do Banco Mundial de incentivo à expansão da iniciativa privada nos serviços de saúde, é antagônica aos princípios do SUS. Na prática, o sistema de saúde passou a viver tencionado entre o que reza a Constituição e o contexto político e econômico favorável aos mercados desregulados – e a privatização da saúde ganhou novo fôlego.”
Ana Pegoraro recorda um debate surgido na banca examinadora, dando conta de que embora a Constituição garanta a todos os brasileiros o direito à saúde universal, igualitária e equitativa, esta garantia é muito mais formal do que efetiva. “A Carta de 88 diz que a oferta será pública, mas para isso seriam necessários hospitais públicos, especialmente nas regiões mais pobres do país, o que teria demandado enormes investimentos; mas, no contexto do ajuste macroeconômico ortodoxo, central na agenda dos governos, esses investimentos não ocorreram de forma significativa. Recentemente, o Congresso aprovou um projeto prevendo o ingresso de capital internacional nos serviços de saúde do Brasil. Trata-se de mais um golpe no SUS, ampliando ainda mais a participação privada na captura dos recursos públicos.”
A mestre em economia finaliza com outro aspecto discutido na banca, relacionado aos planos de saúde, serviço privado que floresceu com o neoliberalismo. “A história econômica do século XX é marcada pela diferenciação social. A desigualdade faz com que as pessoas busquem ascender socialmente e o tipo de assistência à saúde também é uma forma de diferenciação. Talvez a classe média não queira que o SUS dê certo, pois significaria ser atendida por um mesmo médico ou hospital, ainda que isso seja perfeitamente natural nos países desenvolvidos. Plano de saúde também é demonstração de status, juntamente com o carro e a casa própria. Sem mudar essa estrutura social, não haverá respaldo para manutenção do SUS.”

Publicação
Dissertação: “Estado e mercado na atenção à saúde no Brasil: os desafios da universalização do SUS”
Autora: Ana Paula Andreotti Pegoraro
Orientador: Eduardo Fagnani
Unidade: Instituto de Economia (IE)

http://www.unicamp.br/unicamp/ju/635/muito-longe-da-universalizacao

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

É muita GANA - 700 milhões a mais ou a menos não não fazem diferença nenhuma...

http://www.jornali9.com/noticias/denuncia/quadrilha-comandada-por-olarte-causou-rombo-de-r-1-bi-aos-cofres-da-prefeitura

Quadrilha comandada por Olarte causou rombo de R$ 1 bi aos cofres da prefeitura

 

Fabiano Portilho
 

A quadrilha comandada pelo ex-prefeito de Campo Grande Gilmar Olarte (sem partido) conseguiu torrar R$ 1 bilhão de reais em menos de 1 ano e meio. O Grupo de Olarte é responsável pela maior crise financeira da história de Campo Grande, o que pode levar à prefeitura de Campo Grande à decretar falência. Segundo levantamento do i9, a prefeitura de Campo Grande tem um déficit de R$ 300 milhões de reias somados com os R$ 700 milhões deixado pelo prefeito Alcides Bernal (PP) na época de sua cassação em 13 de março de 2014.
Segundo Bernal: **"uma das marcas da sua gestão foi a economia, nos serviços e contratos públicos. Conforme Bernal, ao sofrer o "golpe político e criminoso", que o tirou da administração da cidade, Bernal deixou em caixa mais de R$ 700 milhões, fruto da economia feita em um ano e dois meses de trabalho. Trabalho interrompido pela quadrilha de Olarte, mas desarticulada pelo Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na última terça-feira (25).
A operação, conforme o GAECO, é um desdobramento da Operação Lama Asfáltica comandada por André Puccinelli. Puccinelli é o chefe da quadrilha da lama asfáltica, diz MPF, que investigou a suspeita de desvio de recursos públicos por meio de fraude em licitações, contratos administrativos e superfaturamento de obras realizadas no estado.**
Comissionados fantasmas na gestão do quadrilheiro Olarte custaram R$ 145 milhões ao ano
Desde que assumiu a Prefeitura da Capital, em 13 de março de 2014, o prefeito afastado Gilmar Olarte nomeou 1,5 mil servidores comissionados, que somados a outros 400 que já faziam parte do quadro de funcionários, custaram R$ 12 milhões por mês aos cofres do município.
A média salarial mensal dos 1,9 mil servidores que trabalham para Prefeitura sem concurso público é de R$ 6.315,00, se completar um ano à frente do Executivo Municipal, só com estes servidores Campo Grande vai gastar aproximadamente R$ 150 milhões.
Gastos com "Buracos Fantasmas" supera os R$ 170 milhões
Apesar da má conservação das ruas e avenidas de Campo Grande ficar mais evidente a cada dia, tendo sido alvo de crescentes reclamações da população, os gastos da prefeitura com mais de uma dezena de empreiteiras para manter as vias da cidade em bom estado praticamente dobrou de 2010 para cá.
Segundo levantamento feito pela equipe de reportagem do i9, a Prefeitura de Campo Grande gasta em média, R$ 15 milhões por mês com a Operação Tapa-Buraco. Mesmo depois da denúncia no Parque dos Poderes, as empreiteiras continuam a faturar alto.

Por que não mataram todos em 1964? (porquê não mataram todos em 1964)

mataram todos 1964 cartaz
E pensar que aquela senhora deve ter acordado cedo, feito um café delicioso, como só algumas senhoras de certa idade sabem fazer, e depois do café deve ter descido do prédio com o seu cachorro, que deve ter um nome engraçado, um nome carinhoso, e aquele cachorro deve achar que ela é a melhor pessoa do mundo, e, de fato, o cachorro tem que achar isso mesmo, e ela deve ter passeado uns 40 minutos com o seu cachorro, dado bom dia para aquelas pessoas que ela sempre encontra nesta caminhada matinal, e parado para comprar um pão doce que só tem naquela padaria.
E parado para conversar com o jornaleiro, e contado para o jornaleiro que iria participar da manifestação contra o governo, e contado também que iria fazer um cartaz, que ainda tinha energia para lutar pelo Brasil, que iria passar na papelaria, e se ele sabia quanto custava uma cartolina, coisa que o jornaleiro não saberia, e a senhora iria mesmo assim na papelaria, e sairia de lá com aquela cartolina enrolada, e seria uma cena até engraçada, aquela senhora com uma cartolina embaixo de um braço e levando o cachorro e o pão doce com outra mão, e o porteiro perguntando se ela precisaria de ajuda, ela dizendo que não, que estava tudo bem, e lembrando que ele tinha ficado de passar no apartamento pra olhar aquele vazamento, ele, o porteiro, o Zé, dizendo que segunda-feira sem falta, ela respondendo, brincando, “olha lá”, o Zé rindo, ela rindo, o cachorro latindo, o Zé abrindo a porta do elevador de serviço pra ela, apertando o andar dela, antes da porta fechar ela perguntando se ele iria no protesto, ele dizendo que vai ser bem no horário do jogo do Corinthians.
A porta fecha e o Zé não ouvindo a reprovação da moradora, e ela chegando no apartamento, colocando a cartolina na mesa da sala, ligando pro filho, o telefone tocando, ninguém atendendo, a saudade da netinha, que ela já não vê há uns 5 meses, ela comendo um pedaço de pão doce, o melhor pão doce de São Paulo, e quando ela come esse pão doce ela lembra do marido, e ele gostava tanto desse pão doce, e eles comiam juntos, e era um ritual, e depois que ele morreu ficou tão triste comer esse pão doce, e ela sempre sente um frio no peito quando lembra do marido, sente vontade de chorar, pega a cartolina para se distrair e vira a chave do pensamento, ou não vira, matutando o que vai escrever ali.
Tenta ligar para o filho outra vez, o filho é bom pra essas coisas, sempre tem boas ideias, todo mundo diz que é um gênio, mas ele não é bom de atender telefone, não atende de novo, ela vai ter que escrever da cabeça dela, e ela pensando no que vai escrever, ela pegando o canetão e batendo na mesa, a ideia que não vem, o marido morto, o pão doce, o Lula, a Dilma, o Zé Dirceu, o pai militar, o ano em que ainda mocinha, novinha de tudo, conheceu o marido, o primeiro cinema, as mãos dadas, o beijo roubado, o pai militar, orgulhoso de uniforme cintilante, e como ela foi feliz naquele ano, o pai tinha lá suas preocupações, chegava tarde em casa, cansado do trabalho, exausto, morto, mortos todos, e ela pensando que nunca soube exatamente o que o pai fazia no exército, e ela com quase 20 anos já planejava seu casamento, casaria depois de um ano, mas já tinha feito amor com seu futuro marido, e tinha sido bom, se o pai soubesse mataria todos, mataria os dois, seu pai saberia como matar os dois, disso ela tem certeza
Mas aquele tinha sido um ano bom, ela era novinha, estava apaixonada, e tudo parecia nos eixos, e ela pensando em escolher aquele ano para viver pra sempre, não sair do colo quente de 1964, e foi então que ela escreveu, com o português que ela conhece: “porquê não mataram todos em 1964”.
(…)
E ao erguer o cartaz na avenida Paulista, com aquela convicção de quem escreveu “porquê”, a senhora que faz um café delicioso, e que passeia com o cachorro, e que brinca com o porteiro e que come pão doce lembrando do marido, matou todos nós. Um por um, o País inteiro, gente que estava lá, que assistiu de casa ou só viu a foto na internet. Em uma chacina semiótica, matou todos nós, os filhos de 64, os netos, os enteados e os próprios viventes daquele ano, todos mortos, zumbis, terra arrasada, fantasmas de lençóis encardidos gritando buuuuuu.
Nos assustamos todos com o anúncio da nossa morte. Nós, que já morremos faz tanto tempo, morremos outra vez.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/08/por-que-nao-mataram-todos-em-1964-porque-nao-mataram-todos-em-1964.html

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mãe diz que garota pivô de escândalo sexual com políticos está sumida

Adolescente tem audiência marcada para o fim do mês
A Justiça não está conseguindo localizar uma das adolescentes envolvidas em escândalo sexual do qual teriam participado, também, os ex-vereadores Alceu Bueno e Robson Martins e o ex-deputado estadual Sérgio Assis. A mãe da garota diz não saber onde a filha está.
No fim de julho, na primeira audiência da ação que corre na 7ª Vara Criminal de Competência Especial, em Campo Grande, a outra adolescente envolvida no caso foi ouvida e confirmou valores recebidos, datas e nomes de pessoas com as quais teria mantido relações sexuais. Entre os clientes estariam Bueno e Assis – Robson é suspeito de fazer parte do esquema que visava gravar os encontros e, depois, usar as informações para extorquir figuras públicas.
Também em julho, o Judiciário decidiu tentar ouvir a outra jovem, bem como a mãe dela, por carta precatória em Coxim, onde afirmaram residir. A audiência foi marcada para 22 de setembro.
O oficial de Justiça conseguiu localizar e intimar a mãe da jovem no município do interior, localizado 245 quilômetros ao norte de Campo Grande, na manhã de 26 de agosto. Ela, no entanto, diz que a filha, de 15 anos, está sumida, em lugar incerto e não sabido, conforme informou o servidor à juíza Tatiana Dias de Oliveira Said.
No mesmo dia em que uma das garotas foi ouvida em Campo Grande, Bueno, Assis e Robson também estiveram no Fórum da Capital. Na ocasião, o promotor do caso, Fernando Martins Zaupa, disse que o depoimento da jovem revelou detalhes do esquema, apontando também outros nomes supostamente envolvidos.
Ainda conforme falou à época o promotor, as adolescentes foram induzidas à prostituição. O objetivo final seria extorquir figuras públicas. Conforme a denúncia, Fabiano Viana Otero teria sido o mentor do plano, contando com a ajuda do empresário Luciano Pageu e de Robson.

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Ex-vereadores que viraram deputados não foram chamados para depor

Parlamentares dizem não temer investigação
Os agora ex-vereadores Elizeu Dionizio (SD) e Grazielle Machado (PR) não demonstram preocupação com a possibilidade de serem convocados para depor no Gaeco para prestar esclarecimento sobre a Operação Coffee Break, que apura possível esquema de troca de dinheiro e promessa de cargos para a cassação de Alcides Bernal (PP).
Os nomes dos deputados (Elizeu é deputado federal e Grazielle deputada estadual no momento) e da vice-governadora Rose Modesto (PSDB) são lembrados porque eles eram vereadores no período e votaram a favor da cassação, mas ainda não foram convocados para prestar esclarecimentos. Alguns vereadores não se expõem, mas cobram nos bastidores o motivo  de eles não terem sido chamados até o momento e de a imprensa não cobrar a oitiva.
O promotor Marcos Alex Vera garantiu que todos os citados em escutas serão chamados e os deputados afirmam que não estão preocupados com o desfecho da operação. “Cumpri meu dever no Legislativo enquanto estive na Câmara, produzindo relatório que o Ministério Público Federal apresentou denúncia e Ministério Público Estadual também. Nossa função foi cumprida. Estou tranquilo quanto a isso”, garantiu Elizeu Dionizio.
A deputada Grazielle Machado também não demonstra preocupação e reafirma que cassou o prefeito baseada em critérios técnicos. “Minha participação foi muito técnica. Nos primeiros dias do mandato já recebi uma notificação do Ministério Público Estadual para responder denúncia de irregularidade na suplementação e no remanejamento. O prefeito mandou dois orçamentos para a Câmara. Um para mim e outro para os demais vereadores. Foram inúmeras apurações técnicas. Não fui chamada porque meu voto era certo desde o início. Todo mundo sabia”, afirmou.
Grazielle afirma que não participou de conversas com Gilmar Olarte (PP) e nem de negociação sobre cargos. “meu voto era certo. Então, isso era fato. Ninguém conversava comigo sobre ir para lá ou para cá (contra ou a favor da cassação). Minha relação com o Olarte sempre foi de troca de oi. Até evitava conversa para não dar conotação política”, concluiu.
O vereador Dr. Jamal, do mesmo partido de Grazielle, é um dos investigados na operação. Diferentemente da vereadora, ele ganhou cargo com a queda de Bernal, assumindo a Secretaria de Saúde na gestão de Olarte. Todavia, garante que não fez troca de cargos. “Também tinha sido chamado pelo Bernal”, garantiu.
A equipe de reportagem tentou conversar com a agora vice-governadora, Rose Modesto, sobre possível convocação, mas ela prometeu falar ao final de um evento na Polícia Militar e saiu com Reinaldo Azambuja (PSDB), sem dar entrevista.
O Ministério Público Estadual ainda não terminou as oitivas e novos vereadores estão na lista, embora os nomes não tenham sido divulgados. O vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB) é um dos ouvidos nesta tarde.
O Gaeco deixará o depoimento do vice-prefeito Gilmar Olarte para o final. Até o momento foram ouvidos: Mario Cesar, Paulo Siufi (PMDB), Edil Albuquerque (PMDB), Airton Saraiva (DEM), Carlão (PSB), Chocolate (PP), Edson Shimabukuro (PTB), Dr. Jamal (PR), Gilmar da Cruz (PRB), Eduardo Romero (PTdoB), Otávio Trad (PTdoB), Flávio César (PTdoB), Alceu Bueno, João Baird, João Amorim e Fábio Portela. Os 17 tiveram os celulares apreendidos pelos investigadores. Também foram ouvidos os vereadores Airton do PT e Paulo Pedra (PDT) e o deputado Cabo Almi (PT).

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