quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Propaganda de carnaval da Skol é alvo de críticas feministas

      http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/02/propaganda-de-carnaval-da-skol-e-alvo-de-criticas-feministas/

fevereiro 11, 2015 17:01
Propaganda de carnaval da Skol é alvo de críticas feministas
Para ativistas, nova campanha publicitária da marca de cerveja, que utiliza a frase “Esqueci o ‘não’ em casa”, reforça a cultura de opressão à mulher
Por Jarid Arraes
A nova campanha de carnaval da marca de cerveja Skol se tornou alvo de críticas feministas na internet. Em seus perfis pessoais nas redes sociais, a publicitária Pri Ferrari publicou fotos dela mesma acompanhada da jornalista Mila Alves em frente a um anúncio da marca. A peça da campanha publicitária da Skol, onde se lê “Esqueci o ‘não’ em casa”, foi pichada para dar lugar ao complemento “e trouxe o ‘nunca’”, como parte do protesto contra a propaganda. 

Ferrari explica que encontrou o anúncio em um ponto de ônibus e ficou chocada. “A peça e a campanha em si mostram claramente um conceito errado, de ‘topo depois pergunto’, de ‘não pode dizer não’”, afirma. Para ela, o carnaval exige das pessoas maior responsabilidade, para que digam “não” em diversas situações: “Não ao estupro, não a beber e dirigir, não ao sexo sem camisinha”, exemplifica.

Segundo Juliana de Faria, fundadora do Think Eva um núcleo de inteligência que atua junto às marcas e empresas em questões como a representatividade feminina e o respeito às mulheres na mídia –, a situação requer seriedade. “Entendemos a intenção da campanha em transmitir uma mensagem de liberdade, diversão e celebração. Porém, esse é apenas um jeito de enxergar a situação. Existem, sim, opressões, violências e pensamentos misóginos associados ao universo do carnaval e da cerveja. Então as críticas também são válidas. A intenção de libertar acaba incitando uma cultura opressora. E opressora para as mulheres, constante vítimas de violências – principalmente a sexual”, pontua.

Faria ainda chama atenção para o fato de que a sociedade não tem plena compreensão a respeito do que é consentimento. “Muitas vezes, ele [o consentimento] é embutido em algo, como uma saia curta ou simplesmente a presença da mulher num bloco de carnaval, numa balada. Por isso mensagens que diminuem o poder do ‘não’ são perigosas”. 

Pri Ferrari também relata que as mensagens enviadas para a marca Skol foram deletadas da página da empresa e questiona a responsabilidade de toda a equipe envolvida na criação da propaganda. “Não só alguém criou, como passou na mão de muita gente e ninguém problematizou a questão, isso é uma falta de respeito e de responsabilidade que se repete no mundo da publicidade”, protesta. A publicitária espera que mais pessoas percebam o equívoco e passem a reagir diante de acontecimentos similares.
Blog da Mulher

Ananda Hilgert: Em busca de novos apelidos para a vagina

publicado em 1 de fevereiro de 2015 às 19:27
 
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VAGINA NÃO É BACALHAU
por Ananda Hilgert, no Noo, em 26.01.2015, sugerido por Eduardo Prestes Diefenbach
O nome que a gente dá para as coisas na vida não é inocente, não é por acaso, é marcado por posicionamento, é político, é cultural. Pensando nisso, os diversos apelidos dados aos órgãos sexuais feminino e masculino dizem muito sobre sexo e papéis de gênero:
Enquanto o pênis tem todos os nomes possíveis que remetem ao formato de cenoura, nabo, cano, anaconda, espeto e tantos outros mais, à vagina direciona-se outro tipo de apelido, muito mais pejorativo, como:
bacalhau
carne mijada
nugget de peixe
marisco
suvaco de coxa
túnel cheiroso
suadinha
A vagina e seus perseguidos odores! Fedor de peixe, suor, mijo. A vagina é nojenta, tem mau cheiro. Tudo que o homem hétero quer é que sua estaca crave esse marisco, mas sem abrir mão de rebaixar essa pobre carne mijada ao seu devido lugar.
A mulher escuta esses nomes desde pequena mesmo sem entender ainda seus significados. A gente vai crescendo e entendendo que é suja, que deve esconder nossos cheiros, mesmo que sejam naturais para todas as mulheres. A menina desde novinha aprende a usar uma infinidade de produtos de higiene, enquanto o menino aprende a fazer xixi na árvore e dar só uma balançadinha na sua bengalinha. A gente aprende que peixe podre e vagina tem o mesmo odor. Carregamos um túnel “cheiroso” no meio das pernas, motivo de piada, medo, objeto de controle.
Esses apelidos podem parecer apenas piadinhas inofensivas para muita gente, mas carregam um peso muito maior que uma comédia boba. Muitas mulheres realmente acabam tendo nojo de si mesmas, não conhecem suas próprias vaginas, não tocam em si mesmas. Aliás, falando em toque, a masturbação feminina é um grande tabu que vem também desses apelidinhos carinhosos:
engole espada
ninho de rola
lixa-pica
casa do caralho
papa-duro
gulosinha
buraco da serpente
Se o homem chama a vagina de lixa-pica e casa do caralho, isso significa que a maldita xoxota só existe para servir ao homem; portanto, mulheres, o prazer sexual não é de vocês, mas do homem e sua espada.
O homem carrega orgulhoso sua terceira perna (a vontade de aumentar o tamanho do pênis através de apelidos é visível), sua furadeira, seu socador, sua ferramenta. A mulher esconde, depila, limpa sem cansar seu suvaco de coxa. Dar nomes pejorativos à vagina prejudica muito a sexualidade feminina, pois a mulher tem pensamentos negativos em relação a si mesma, acaba se limitando, tem medo de se expor, de ter o cheiro errado, o formato errado, o prazer errado.
A tentadora vagina, o testador de batina pode parecer idolatrado por muitos homens, mas essa adoração tem um limite muito demarcado: o controle. Dar nome é querer controlar, diminuir, determinar a função. O homem apelida de ninho de rola quando quer dizer que a vagina serve para nada além das vontades de sua rola. O homem corta, mete, penetra, come com sua serpente, seu canivete, sua arma. E finaliza chamando de bacalhau.
Essa mistura de idolatria e controle é muito parecida com aquela história de chamar as mulheres de musas que muitos adoram. Vários homens tentam fugir de uma imagem de machista dizendo que amam as mulheres, que elas são musas inspiradoras, deusas que devem ser veneradas. Gente, deixa eu contar um segredo: isso ainda é machismo, isso ainda é tentar definir uma posição para mulher alheia à sua vontade. Portanto, não me venha dizer que a vagina é a coisa mais adorada do mundo, a área VIP, a desejada, a caixa dos prazeres, pois, homem, você está determinando que a vagina só serve pra ti.
Os apelidos dados à vagina tiram da mulher o controle (e orgulho) sobre o próprio corpo. Quando somos condenadas a levar entre as pernas nada além de um nugget de peixe e um buraco de serpente, aprendemos que somos submissas ao gigante adormecido masculino. O poder das palavras é forte na subjugação de qualquer grupo, qualquer minoria. As 100 palavras para vagina citadas no vídeo no início deste texto podem ser separadas em três grupos: mau cheiro/aparência feia; diminutivos; provedor do prazer masculino. Nenhum apelido carrega uma ideia de poder como espada, ou de algo que machuca e domina como arma.
Esses nomes condenam a mulher pela sua própria natureza, ou seja, não há saída. As mulheres passam a vida lutando contra as suas cavernas, cabaças, cabeludas, pombinhas. A espada manda, o engole-espada obedece. Vivemos numa cultura de idolatria do pênis, toda a teoria psicanalítica do Freud gira em torno do desejo ao falo. No entanto, com as mulheres tentando se libertar cada vez mais, podendo finalmente falar (de vez em quando e ainda controladamente) que gostam de sexo, que se masturbam, que gostam do próprio corpo, acho que está na hora de apelidos com mais empoderamento feminino.

Basta de Política SUBTERRÂNEA - Política TAPA BURACO Fantasma

 
Edição do dia 29/01/2015
29/01/2015 09h12 - Atualizado em 29/01/2015 09h12

Rua com asfalto liso tem operação tapa-buraco fantasma em MS

Vídeo da operação foi gravado por câmera de segurança. Prefeitura de Campo Grande tem contratos de mais de R$ 50 milhões com empresa.

 
 
 
Funcionários de uma empresa que presta serviço para prefeitura de Campo Grande fizeram uma operação inédita: eles tapavam buracos em uma rua com o asfalto lisinho.
Em Campo Grande, por conta do excesso de chuva no verão, buraco é o que não falta. Por onde a se passa é só reclamação. “É perigo porque a gente freia bruscamente, às vezes no buraco, e prejudica o carro da gente e o que vem atrás pode bater também”, diz um motorista.
“Causa muito acidente. Realmente, é difícil com essa buraqueira aí cada dia aumentando mais”, conta o motociclista.
Buraco para tapar tem aos montes. Mas uma imagem chamou a atenção essa semana. Em um bairro da região norte, funcionários de uma empresa que presta serviço para a prefeitura de Campo Grande estavam tapando buracos que simplesmente não existiam.
O vídeo foi gravado pela câmera de segurança de um condomínio. O porteiro Éder Palermo viu a movimentação pelo circuito interno e achou o trabalho estranho. Decidiu gravar o vídeo e divulgar na internet. “Fiquei horrorizado com a situação. O pessoal está fazendo um serviço que não existe? Buraco fantasma? Isso é de revoltar qualquer um”, diz.
Na prefeitura, ninguém quis gravar entrevista. A assessoria de imprensa informou que a empresa Selco Engenharia foi notificada a prestar esclarecimentos e que vai manter o contrato. Mas não soube dizer como é feita a fiscalização desses serviços.
Por meio de nota, a empresa contratada afirmou que um funcionário foi demitido e os outros afastados. E abriu uma sindicância para avaliar o caso. De acordo com o Diário Oficial da prefeitura, existem pelo menos dez contratos firmados entre o município e a empresa, desde 2011. O montante passa de R$ 50 milhões.
Segundo o Ministério Público, o serviço deveria ser fiscalizado pela prefeitura. “Ela pode ser responsabilizada, inclusive, por atos de improbidade administrativa e por omissão na fiscalização”, afirma o promotor de Justiça William Marra Silva Júnior.
“É uma vergonha. Muita vergonha o pessoal fazer um descaso desse com a população”, reclama o decorador Claudinei Xavier.

ELES VENCERAM!!! partido do homem comum

Delhi election results 2015: Big winners and losers

 
NEW DELHI: The Aam Aadmi Party sweep clean bowled several senior members of Congress and BJP. The biggest upset was probably that of BJP's chief ministerial candidate Kiran Bedi from the Krishna Nagar seat, considered a bastion of BJP and RSS. In fact, the seat was considered the safest bet for the new politician who joined BJP on January 15 this year.

Other BJP top brass that lost out in the AAP sweep were Jagdish Mukhi from Janakpuri who contested against his son in-law. The seat was won by Rajesh Rishi from AAP. Vikram Biduri from Tughlakabad and Rambir Singh Biduri from Badarpur were the other major losers, the latter from a seat which he has reportedly never lost till today.

In the Congress camp, which dropped to zero this election, most of those who were routed were politicians who have never lost assembly elections. These included Chaudhary Mateen Ahmed from Seelampur, Prahlad Singh Sawhney from Chandi Chowk, Haroon Yusuf from Ballimaran and Shoaib Iqbal from Okhla. All these seats were won by AAP.

partido do homem comum - Aam

A novidade que veio da Índia

O partido do homem comum (Aam Aadmi Party, AAP) surgiu sem grandes bases programáticas, para além da luta contra a corrupção, mas com uma forte mensagem ética

 
 
Escrevo esta crônica da Índia onde tenho estado nas últimas três semanas. Na última década, a Índia foi avassalada pelo mesmo modelo de desenvolvimento neoliberal que domina hoje em boa parte mundo e que a direita europeia e seus agentes locais estão a impor no Sul da Europa. As situações entre a Índia e o Sul da Europa  são dificilmente comparáveis mas têm três características comuns: concentração da riqueza, degradação das políticas sociais (saúde e educação), corrupção política sistêmica, envolvendo todos os principais partidos envolvidos na governança e setores da administração pública.

A frustração dos cidadãos perante a venalidade da classe política levou um velho ativista neo-gandhiano, Anna Hazare, a organizar em 2011 um movimento de luta contra a corrupção que ganhou grande popularidade e transformou as greves de fome do seu líder num acontecimento nacional e até internacional. Em 2013, um vasto grupo de adeptos decidiu transformar o movimento em partido, a que chamaram o partido do homem comum (Aam Aadmi Party, AAP). O partido surgiu sem grandes bases programáticas, para além da luta contra a corrupção, mas com uma forte mensagem ética: reduzir os salários dos políticos eleitos, proibir a renovação de mandatos, assentar o trabalho militante em voluntários e não em funcionários, lutar contra as parcerias público-privadas em nome do interesse público, erradicar a praga dos consultores através dos quais interesses privados se transformam em públicos, promover a democracia participativa como modo de neutralizar a corrupção dos dirigentes políticos. Dada esta base ética, o partido recusou-se a ser classificado como de esquerda ou de direita, dando voz ao sentimento popular de que, uma vez  no poder, os dois grandes partidos de governo (Partido do Congresso, centro esquerda e Bharatiya Janata Party, BJP, direita) pouco se distinguem.

Em dezembro passado, o partido concorreu às eleições municipais de Nova Delhi e, para surpresa dos próprios militantes, foi o segundo partido mais votado e o único capaz de formar governo. O governo foi uma lufada de ar fresco, e em fevereiro o AAP era o centro de todas as conversas. Consistente com o seu magro programa, o partido propôs duas leis, uma contra a corrupção e outra instituindo o orçamento participativo no governo da cidade, e exigiu a redução do preço da energia elétrica, considerado um caso paradigmático de corrupção política. Como era um governo minoritário, dependia dos aliados na assembleia municipal. Quando o apoio lhe foi negado, demitiu-se em vez de fazer concessões. Esteve 49 dias no poder e a sua coerência fez com que visse aumentar o número de adeptos depois da demissão.

Perplexo, perguntei a um colega e amigo, que durante 42 anos fora militante do Partido Comunista da Índia e durante 20 anos membro do comitê central, o que o levara a aderir ao AAP: “ fomos vítimas do veneno com que liquidamos os nossos melhores, favorecendo uma burocracia cujo objetivo era manter-se no poder a qualquer preço. É tempo de começar de novo e como militante-voluntário de base”.

Outro colega e amigo, socialista e votante fiel do Partido do Congresso: “aderi quando vi o AAP a enfrentar Mukesh Ambani, o homem mais rico da Ásia, cujo poder de fixar as tarifas de eletricidade é tão grande quanto o de nomear e demitir ministros, incluindo os do meu partido”.

Suspeito que tarde ou cedo vai surgir o partido do homem e da mulher comuns noutros países assolados pela corrupção e pela captura da democracia por interesses minoritários mas economicamente muito poderosos. Em Portugal já tem nome e muitos adeptos. Chamar-se-á Partido do 25 de Abril ( evocando a Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974). Quarenta anos depois de revolução, será a resposta política aos que, aproveitando um momento de debilidade, destruíram em três anos o que os portugueses construíram durante quarenta anos.

O 25 de Abril é o nome do português e da portuguesa comum cuja dignidade não está à venda no mercado dos mercenários onde todos os dias se vende o país. Será um partido de tipo novo que estará presente na política de muitos países, quer se constitua ou não. Se se constituir, terá o voto de muitas e muitos; se não se constituir, terá igualmente o voto de muitas e muitos, na forma de voto em branco.

Garoto chinês vende rim para comprar iPad 2

02/06/2011 18:40
 
 
São Paulo - Um estudante de 17 anos decidiu vender um rim para comparar um iPad 2, segundo o jornal Shangai Daily. Depois de estudo recente que compara a atividade cerebral de fãs da Apple à de devotos em cerimônias religiosas, o caso do jovem chinês é um dos mais extremos sobre a obsessão pela marca criada por Steve Jobs.
"Queria comprar um iPad 2, mas não tinha dinheiro", disse o rapaz ao The Global Times. O estudante contou que foi contactado por um agente na internet, que o informou que seria possível vender o órgão por 22 mil iuanes (cerca de 4,9 mil reais).
A cirurgia foi marcada sem o consentimento dos pais do garoto, que só tomaram conhecimento quando ele retornou para casa. Segundo o Shangai Daily, o hospital não estava qualificado para transplante de órgãos.
O estudante teve complicações após o procedimento e diz se "arrepender" do feito. A polícia chinesa investiga o caso.

O que as ruas ensinam ao trabalho, segundo Roman Krznaric

 
Protesto toma a Avenida Paulista, em São Paulo: a sensação de solidariedade faz bem
 
São Paulo - O filósofo australiano Roman Krznaric, um dos fundadores da The School of Life, a badalada escola inglesa que oferece cursos livres na área de humanidades, começou a se tornar conhecido no Brasil nos últimos meses após a publicação no país de dois de seus três livros.
O primeiro, Como Encontrar o Trabalho da Sua Vida (Editora Objetiva, 176 páginas, 26,90 reais), resume um curso da The School of Life com o mesmo tema e pertence a uma coleção editada pelo filósofo Alain de Botton, principal nome da instituição.
Em Sobre a Arte de Viver (Editora Zahar, 376 páginas, 44,90 reais), recém-lançado no Brasil, Roman trata de sua principal bandeira, a empatia. O autor vai buscar nos livros de história lições sobre como aprimorar a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa .
Roman adota o termo outrospection, que ele inventou para ilustrar o que seria o oposto da introspecção. Em sua opinião, é a atitude necessária para viver no século 21. Para ele, durante os últimos 100 anos foi construída a ideia de que o profissional deve olhar para dentro de si para entender melhor quem é.
Agora, no novo milênio, nossa mente deve ter olhos para fora, ou melhor, para o outro. Para o filósofo, as manifestações que ocorreram em diversas cidades brasileiras em junho mostram quanto as pessoas estão interessadas em praticar a empatia, defendendo direitos que são de todos.
Essa capacidade de compreender o pensamento e os sentimentos alheios, de acordo com Roman, permite ao profissional circular com desenvoltura e cumprir bem suas tarefas. Em entrevista a VOCÊ S/A, o autor fala sobre o que é possível ganhar com essa experiência e sobre o que temos a aprender com os protestos, para aplicar no trabalho.

VOCÊ S/A - O que as manifestações de junho nos ensinam sobrenossa vida profissional?
Roman Krznaric - Os protestos revelam algo muito importante sobre a relação entre trabalho, empatia e valores comunitários. Uma das coisas que levam o povo às ruas, e que as pessoas descobrem quando estão lá, é a boa sensação de fazer parte de algo grande, de agir com solidariedade e de compartilhar a empatia com os outros cidadãos.
Perceber-se parte da sociedade é bom para o bem-estar pessoal, um caminho para a felicidade que se perdeu em muitos países onde o ativismo político esteve em baixa nas últimas décadas. O que podemos aprender com as manifestações é que dar alta prioridade a seus valores no trabalho pode aproximá-lo dessa experiência de bem-estar comunitário em seu cotidiano — o que é melhor do que experimentá-los apenas nos raros momentos de grandes protestos.
A grande lição das ruas é que, quando se trata de satisfação na vida, o "nós" é tão importante quanto o "eu". Precisamos de mais "nós" na nossa rotina profissional.
VOCÊ S/A - O que a empatia pode trazer de positivo para a carreira?
Krznaric - No passado, as pessoas consideravam que a empatia tinha uma importância moral, algo que faz bem para as outras pessoas. Mas estudos recentes mostram que a empatia é boa principalmente para você. Ao reunir visões diferentes, o trabalho se torna mais rico e proporciona mais felicidade.
As companhias têm percebido que a empatia é uma habilidade importante para seus funcionários, pois permite um trabalho em equipe mais eficaz, uma vez que as pessoas se entendem e também compreendem os desejos e as necessidades dos clientes.

VOCÊ S/A - O ambiente de trabalho dá à empatia a devida importância?
Krznaric - Tradicionalmente a maioria das organizações não valoriza nem estimula relações empáticas. Em alguns setores há mesmo um estímulo à competição, ao individualismo e ao progresso com base na queda de outras pessoas. Mas acredito em fortes evidências de que a empatia pode tornar negócios e relações de trabalho melhores. Empresas que têm altos níveis de empatia mantêm os funcionários por mais tempo. 
Por exemplo, durante uma conversa dura com seu chefe, ele pode aproveitar tais situações para ser terrível nas críticas ou para buscar entender o porquê de seu desempenho ter oscilado. Isso lhe ajuda a corrigir o que precisa, se você estiver interessado em crescer, e facilita ao líder entender como contribuir para essa melhoria.
Todo mundo funciona melhor quando a empatia faz parte da cultura de uma empresa. Quando pesquisei sobre o que as pessoas dão valor no trabalho, descobri que as amizades e as boas relações desenvolvidas figuram entre os principais fatores.

VOCÊ S/A - A empatia ajuda a crescer na carreira?
Krznaric - Passamos muito tempo aprendendo a ler e escrever, mas não somos ensinados a entender as outras pessoas e nos colocarmos em lugares diferentes. Se não entendermos como fazer isso, não seremos capazes de pensar em diferentes atitudes. No espaço do trabalho é possível aprender muito ao se colocar no lugar de qualquer colega. Esse tipo de pensamento imaginativo é essencial para melhorar a comunicação.

VOCÊ S/A - Qual é a principal mudança do trabalho no mundo atual?
Krznaric - Hoje, as pessoas veem significado no trabalho quando colocam seus valores em prática. Anos atrás, o dinheiro era a motivação principal. Desde o fim da Segunda Guerra a necessidade de ter significado no trabalho está crescendo. Uma das principais maneiras de obter isso é levar valores éticos, sociais e morais para o que você faz. Ao longo das últimas décadas, construímos a noção de que, se tivéssemos mais dinheiro, seríamos mais felizes, uma maneira mais individualista de avaliar o que é uma boa vida.
Pesquisas recentes em vários países apontam que a sensação de felicidade não cresce no mesmo ritmo que a renda. Não somos felizes na mesma proporção em que somos ricos. Você trabalha duro e compra coisas que proporcionam uma felicidade imediata e passageira.
Mas aí as expectativas aumentam e você deseja consumir mais para manter-se realizado. Isso traz ansiedade e frustração. Assim como a felicidade vem sendo atrelada a conquistas individualistas, a insatisfação com o trabalho anda pelo mesmo caminho.
O ato de olhar para fora de si pode ser uma maneira de sair dessa lógica. Ao ver a questão de outra perspectiva, você cria diferentes laços sociais e passa a se importar com as outras pessoas de maneira nova.

VOCÊ S/A - O que temos a aprender com a história sobre o trabalho?
Krznaric - O maior erro dos atuais conselhos de carreira é aquele que diz que há um trabalho perfeito para você. Isso não é verdade para a maioria das pessoas. Não há um único trabalho perfeito porque temos muitos traços de personalidade, uma identidade formada por diversos conhecimentos e interesses. A ideia de um “profissional de amplo espectro” é mais interessante como maneira de satisfazer mais objetivos.
Pensar nesse modelo de “portfólio” de atividades é bom não só por aumentar a satisfação com o trabalho. Trata-se de uma sábia estratégia num momento de recessão econômica e insegurança no emprego. Você distribui o risco e não fica com uma única carta na mão. Ser generalista, em vez de especialista, se torna importante.

VOCÊ S/A - É difícil ser generalista numa época em que o trabalho é altamente especializado.
Krznaric - A ideia clássica de sucesso e satisfação no trabalho indica que você alcançará esse estágio após se tornar um especialista em seu campo. Mas já houve períodos históricos, como a Renascença, em que o homem era considerado sábio quando dominava assuntos variados.
Acredito que isso voltará a ser importante hoje em dia. Estamos num momento em que as pessoas recomeçam a atuar em frentes múltiplas, como participar de projetos de curta duração paralelos à ocupação principal. As pessoas querem alimentar os muitos lados de sua personalidade.